Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

Autor: Geraldo Iensen Page 15 of 16

Um Maranhão para os maranhenses

O conturbado ano de 2022 ficará marcado na História do Brasil e, em especial, do Maranhão. O poeta russo Vladimir Maiakoviski  escreveu “nestes últimos 20 anos nada de novo há no rugir das tempestades” e, aquele começo de século XX era, sem dúvida, um tempo de tempestades. Nestes últimos dois anos (talvez quatro), o país vem sendo varrido por uma onda de tempestades; a pior delas, acompanhando o resto do mundo, a pandemia de Covid-19.

Mas não foi só a virose que acometeu a nação. Uma doença chamada extremismo irradiou-se pelos lares do povo brasileiro, causando mortes, dores e discórdia. A vacina para essa outra pandemia foi a democracia, e a força das instituições, agora é continuar trabalhando pelas formas republicanas de combate e estender os panos da Caravela; há uma História a ser escrita e outra a ser compreendida.

O Maranhão, com suas idiossincrasias, trava uma batalha particular: lutar contra a pobreza do seu povo, contra a desigualdade social, contra o crime, e reverter um projeto que não vem dando certo, mas isso se a percepção dos governantes estiver neste paradigma.

Mas há os dados do IBGE, e eles mostram que em 2017, dos 25 municípios mais pobres do país,  o Maranhão elencava 14; este ano, o estado emplacou 24. Vale lembrar que diminuir a pobreza foi compromisso dos últimos governos e houve a tentativa. É a hora de rever que projetos o Maranhão precisa desenvolver para sair desse mapa de fome e pobreza.

Há um forte movimento político, uma tentativa de unidade, de congregação de força única para traçar o futuro do estado: todos juntos, Governo, Assembleia, Câmara de Vereadores de São Luís. É uma arrumação que, aos poucos, se estabelece. A única força política que está ausente deste movimento é a prefeitura da capital, cujo isolamento, já traz consequências graves, como a demora na aprovação do Orçamento de 2023 pelo legislativo municipal.

Voltando ao nacional, lembramos que o governo de ultradireita eleito em 2018 nunca conseguiu nenhuma unanimidade, enfrentou muita oposição e terminou derrotado com a ajuda de quem o apoiou pontualmente em troca de acesso à fonte de poder e benesses financeiras, leia-se orçamento secreto.

O Maranhão parece tentar um caminho diferente, o da unidade, sem oposição, essa mesma oposição que foi pífia, nos últimos oito anos, tenta-se torná-la inexistente, além de tentar-se, a todo custo, não deixar surgir uma nova, e talvez, mais efetiva oposição. Este caminho começa agora, vamos ver onde nos leva, se levar.

Muito do que vem sendo pensado para o Maranhão com custo em longo prazo tá chegando ou já chegou. O longo prazo já passou. O mesmo logo prazo da isenção de impostos para a implantação dos grandes projetos, que assim que a isenção acaba, demite-se todo mundo e ruma pra China. O longo prazo de um cerrado morto, de um mangue exterminado, de um babaçual decepado, de uma duna varrida, sem contar os azulejos portugueses que se desintegram a cada inverno.

Uma das palavras mais utilizadas na política internacional, a sustentabilidade, parece ainda ser ignorada nas terras timbiras. Mas não se foge dela, ela é o futuro que já chegou, junto com a hipercomunicação, o carro elétrico, a realidade virtual, ou seja: a modernidade líquida com sua sociedade do espetáculo.

Sustentabilidade, palavra que passa longe de atitudes registradas sobre o solo maranhense, inclusive nestes últimos dias do ano, com terras sendo devastadas e moradores de comunidades tradicionais apavorados, com suas roças destruídas e su futuro igual como o futuro do governo que vive seus estertores… Até quando?

Não há democracia sem oposição. Enquanto se comprar aliados e se destruir o pensamento dialético adversário, o Maranhão será apenas o cenário de um drama shakespeariano onde todos morrem no fim, por mais que o fim demore, mas ele sempre chega. Veja-se a “oligarquia Sarney”: demorou tanto e um belo alguém decretou que não existia… e foi-se… E desde então, “nada de novo há no rugir das tempestades”…

Salve a democracia!…

Ministério da Cidadania divulga calendário de pagamentos do Auxílio Brasil para 2023

O Ministério da Cidadania divulgou hoje (30), em Brasília, o calendário de pagamentos do Auxílio Brasil para 2023. Para saber o dia em que o benefício ficará disponível para saque ou crédito em conta bancária é preciso observar o último dígito do Número de Identificação Social (NIS), impresso no cartão do titular. 

Para cada dígito final do NIS há uma data mensal correspondente. Os pagamentos são disponibilizados na sequência de um a zero, durante os últimos dez dias úteis de cada mês. A exceção é o mês de dezembro, quando todos os pagamentos ocorrem até o dia 22. Se o NIS do titular termina com o número 1, em janeiro, por exemplo, os pagamentos começam no dia 18.

Parcelas mensais

As parcelas mensais ficam disponíveis para saque por 120 dias após a data indicada no calendário. As datas definidas também são válidas para o pagamento do Auxílio Gás no próximo ano, sendo que o programa disponibiliza parcelas bimestralmente.

calendário de pagamentos do Auxílio Brasil em 2023

Em caso de dúvidas, há três canais de atendimento: o telefone 121, do Ministério da Cidadania, que reúne informações e funciona também como central para denúncias; o telefone 111, canal de Atendimento ao Cidadão da Caixa Econômica Federal com informações sobre o cartão e o saque do benefício; e o aplicativo Auxílio Brasil, disponível para download gratuito nas lojas virtuais.

Fonte: Agência Brasil

Lula toma posse num país desconfiado e com medo de terrorismo

Toma posse, neste domingo, dia primeiro de janeiro, de 2023, para o terceiro mandato, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Mas o clima de alegria que marcou a primeira posse do petista, deu espaço para a desconfiança e cuidados com a violência iminente, inclusive, até atos de terrorismo.

Depois dos anos mais conturbados de sua vida, quando ficou preso numa cela da Polícia Federal, depois de enfrentar um sem número de processos imensamente debatidos, nos meios jornalísticos, acadêmicos, jurídicos e políticos.

Uma matéria que a História terá que devastar por longos anos, de preferência, sob o olhar múltiplo dos pesquisadores, para que as gerações futuras não sejam alijadas  de um alicerce sério e justo no qual se basear para construir uma sociedade justa e pacífica na América do Sul.

A Capital Federal toma cuidados extras, depois de acontecimentos díspares, como a tentativa de terrorismo registrada nos últimos dias nas proximidades do Aeroporto de Brasília. A posse será marcada por uma tensão, talvez, jamais vista neste país.

Câmara de Vereadores adia votação do orçamento da capital para 2023

A aprovação do orçamento anual 2023 (LOA) foi o ápice da disputa entre Prefeitura e Câmara de Vereadores de São Luís, que culminou com uma vergonha (que um vereador jogou no colo do prefeito, mas é batata quente que vem e vai): São Luís é a única capital brasileira que vira o ano sem aprovação do orçamento municipal de 2023, conhecido como LOA.

A LOA é a Lei Orçamentária Anual distribui as despesas municipais para o ano que segue através de uma previsão de arrecadação e como esses valores devem ser aplicados.

A LOA 2023 está no Projeto de Lei nº 204/2022, que dispõe sobre as diretrizes orçamentárias do Município de São Luís para o exercício financeiro de 2023. Este 30 de dezembro seria o último dia útil para aprovação do PL municipal, mas as barganhas entre câmara e prefeitura não se “coadunaram” e a votação foi adiada para o dia 6 janeiro de 2023.

Talvez… Porque o relator do PL, vereador Thyago Freitas (sem partido) disse que “ainda não temos certeza se essa matéria será apreciada em plenário no próximo dia 6 de janeiro. Estamos com algumas pendências de ordem interna… ”.

Como a votação da LOA 2023 furou o prazo regimental e constitucional, e os próximos dias são de festa, a câmara entra no relaxante “recesso branco”, deixando tudo de importante e fundamental para depois…

Festival internacional reúne música popular e erudita em SC em janeiro

Entre os dias 8 e 28 de janeiro, Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, é palco do Femusc – Festival Internacional de Música de Santa Catarina, considerado o maior festival-escola da América Latina. Em sua 18ª edição, o evento, que abre o calendário cultural do estado, irá celebrar o encontro entre o erudito e o popular, reunindo grandes nomes do cenário nacional e internacional. Um elenco de professores renomados vindos de diversas regiões do Brasil e do exterior, programas de ensino que atendem desde os pequenos aos mais maduros, e concertos gratuitos que acontecem em diversos pontos da cidade, fazem do festival um evento diferenciado, e um verdadeiro legado para toda a região. O FEMUSC movimenta o turismo, faz girar a economia, gera empregos e renda, e espalha arte e cultura pelos quatro cantos da cidade, fomentando a formação profissional dos músicos envolvidos e proporcionando momentos únicos ao público. No total, são 86 professores, sendo 40 estrangeiros, que vão à Jaraguá do Sul para compartilhar conhecimento e multiplicar experiências. Nomes como o do maestro Roberto Duarte, do violinista Simon Bernardini e do instrumentista, Renato Borghetti (MPB), estão entre os destaques desta edição. A grandiosidade do FEMUSC pode também ser representada através dos números previstos para 2023. Segundo os organizadores, já são mais de 1,2 mil alunos inscritos – do Brasil e de outros 32 países – três semanas de atividades e mais de 200 apresentações. “Não existe nada como o FEMUSC. Ele vai além da música. É um projeto humanitário”, destaca o maestro Alex Klein, um dos principais oboístas da atualidade, ganhador do “Grammy” na música erudita e, idealizador do festival.

Homenagens

Na noite de abertura, programada para o domingo, dia 8, um show especial irá homenagear três compositores muito importantes para a história da música popular brasileira que completariam datas especiais em 2023. São eles: Waldir Azevedo (100 anos), Vinícius de Moraes (110 anos) e Ary Barroso (120 anos). Nos vinte dias de espetáculos, a programação deve contar ainda com o tradicional Concerto das Nações, quando músicos de diferentes nacionalidades sobem ao palco enaltecendo a própria cultura, apresentação da orquestra sinfônica do Femusc, e três óperas, montadas exclusivamente para o festival, além das aulas, workshops e concertos em diversos locais públicos e entidades da cidade. Todas as apresentações possuem entrada livre, mediante retirada antecipada dos ingressos, e os grandes espetáculos serão transmitidos ao vivo, em alta definição, pelo Canal do YouTube do Festival

Contribuição social

Para muitas pessoas, o evento representa um primeiro contato com a música e até mesmo, a descoberta da paixão por um novo instrumento. Isso porque, paralelamente à programação do FEMUSC, acontece o Femusckinho, voltado para o público infanto juvenil, de 6 a 12 anos. São oferecidas aulas de canto coral, percussão corporal e violino. Em duas semanas, mesmo as crianças sem nenhum conhecimento musical, apresentam seu primeiro concerto como participante de orquestra. Neste ano, cerca de 80 crianças devem participar da iniciativa. Já no FEMUSC Jovem, outros 80 participantes, de 12 a 17 anos, terão a oportunidade de vivenciar o contato com a música. E, nesta edição, uma novidade: o Femusc Jaraguá, programa voltado para jovens da cidade a partir de 17 anos. As atividades voltadas para esse público reforçam a contrapartida social do FEMUSC. As inscrições para o Femusckinho, Femusc Jovem e Femusc Jaraguá acontecem a partir do dia 03 de dezembro, sábado, pelo site do Femusc.

Still Dreaming: com Milton Nascimento, Ney Matogrosso e Gilberto Gil

A música sempre fez parte da vida de Pedro Sirotsky. Nos anos 1970, seu programa Transasom nasceu na Rádio Gaúcha e logo migrou para a TV RBS, com a exibição de videoclipes, antes da “explosão” deste formato na MTV. Sucesso imediato no Rio Grande do Sul. Porém, aos 23 anos, o então apresentador foi “convocado” a atender um pedido do pai, Maurício Sirotsky, fundador do grupo de mídia RBS, o mais importante do sul brasileiro: largar o Transasom para assumir a operação das rádios FM que a RBS começara a montar.
Tinha início neste ponto um caminho que Pedro tomou como seu, mas sem esquecer o que realmente desejava. Foram 40 anos… até “Mr. Dreamer – o que você está fazendo da sua vida?”, docudrama de 2021 que expõe a angústia de um sonho interrompido e mostra sua reconexão com a música. Pedro viaja, literalmente. É em Dublin, a capital da Irlanda, que começa a jornada para refletir sobre questões como “qual o papel da música das nossas vidas?”, “qual o papel dos sonhos no mundo?” e “o que seria do mundo sem a música?”. Pedro busca entender o pensamento de jovens talentos, pessoas que hoje têm a mesma idade que ele tinha quando parou. O filme foi premiado como melhor edição no Close-Up Edinburgh Docufest. Está disponível no Globoplay e no Now. Missão cumprida? Longe disso. O sonho continua. E agora o sonho de Pedro Sirotsky evolui para Still Dreaming, série de entrevistas com alguns dos principais nomes da música brasileira. Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Gilberto Gil e Nelson Motta já gravaram em diferentes partes do planeta. “São papos sobre vida, felicidade, família, legado, espiritualidade e até a morte, pegando a música como fio condutor de uma exploração profunda. Papos leves e descontraídos, que nos aproximam do artista, criadores de trilhas sonoras que mostraram ao mundo a potência dos movimentos musicais brasileiros”, afirma Sirotsky. Com previsão de estreia para 2023, neste momento em negociação com plataformas de exibição, Still Dreaming parte para a finalização das demais três conversas. “A série não é sobre música. É, sim, sobre comportamento, escolhas e ações que compõem a vida valorosa que tanto sonhamos em ter”, diz Pedro. A carreira empresarial de Pedro trouxe recompensas materiais e imateriais. Ele coleciona hoje um leque de amizades como Caetano Veloso, Gil, Nelson Motta, Roberto Carlos e Lulu Santos. E esse clima de proximidade está presente em cada troca com os artistas de Still Dreaming. “A minha pergunta é ‘qual vida se deve viver?’. Eu escolhi o sonho, primeiro com Mr. Dreamer agora com Still Dreaming”, declara. Uma lição deste Senhor Sonhador, do Mr. Dreamer, de um homem que dá uma aula de desprendimento ao, com seu docudrama e agora a série, cutucar a ferida e mostrar que é possível, sim, concretizar sonhos, hoje ou amanhã. Pedro não vai parar de sonhar (a série promete uma próxima temporada apenas com vozes femininas). E que sua mensagem chegue a cada vez mais pessoas.

Presidente eleito Lula anuncia mais 16 ministros da futura gestão

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (22) 16 ministros para o próximo governo. Até o momento, já tinham sido anunciados Fernando Haddad, na Fazenda; Rui Costa, na Casa Civil; Flávio Dino, na Justiça e Segurança Pública; José Múcio, na Defesa; Mauro Vieira, na Relações Institucionais. A cantora Margareth Menezes já havia informado que aceitou o convite para o Ministério da Cultura, que será recriado. Segundo Lula, na próxima semana serão anunciados outros 16 ministros. As informações foram divulgadas após entrega do relatório final da equipe de transição pelo coordenador-geral, o vice-presidente eleito Geraldo Alckimin, que assumirá o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Ao todo, serão 37 ministérios na gestão do governo eleito conforme havia sido informado pelo futuro ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ministério anunciados hoje:
  • Advocacia-Geral da União (AGU): Jorge Messias (procurador da Fazenda Nacional);
  • Controladoria-Geral da União (CGU): Vinícius Marques de Carvalho (Advogado e professor de direito comercial da USP. Ex-presidente do Cade);
  • Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação: Luciana Santos (presidente do PCdoB);
  • Ministério da Cultura – Margareth Menezes (cantora);
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: Geraldo Ackmin (vice-presidente eleito);
  • Ministério do Desenvolvimento Social, Assistência, Família e Combate à Fome: Wellington Dias (ex-governador do Piauí);
  • Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania: Sílvio Luiz Almeida (Professor da Universidade de Columbia (EUA) e Fundação Getulio Vargas)
  • Ministério da Educação – Camilo Santana (ex-governador do Ceará);
  • Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos: Ester Dweck (Professora Associada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • Ministério da Igualdade Racial: Anielle Franco (professora);
  • Ministério das Mulheres: Cida Gonçalves (ex-secretária Nacional da Violência contra a Mulher);
  • Ministério de Portos e Aeroportos: Márcio França (ex-governador de São Paulo);
  • Ministério da Saúde: Nísia Trindade (presidente da Fiocruz);
  • Ministério do Trabalho e Emprego: Luiz Marinho (ex-prefeito de São Bernardo-SP);
  • Secretaria-Geral: Márcio Macedo (deputado federal PT-SE);
  • Secretaria de Relações Institucionais: Alexandre Padilha (deputado federal PT-SP)

Relatório de transição

A equipe de transição também apresentou o relatório final sobre o governo federal. Lula comentou o documento (leia aqui a íntegra) que será entregue aos parlamentares e à sociedade brasileira para informar o cenário do país que será entregue pelo atual presidente, Jair Bolsonaro. “Recebemos esse governo em uma situação de penúria, situação irresponsável, porque o presidente preferia contar mentiras no cercadinho do que governar esse país”, disse. O vice-presidente eleito, Geraldo Alckimin, afirmou que o relatório de transição aponta para um “retrocesso em muitas áreas”. O levantamento reúne informações de 32 grupos de trabalho, que tiveram participação de cerca de 5 mil voluntários e 14 partidos políticos. Segundo ele, apenas 23 pessoas foram nomeadas para atuar diretamente na transição. “Infelizmente, nós tivemos um retrocesso em muitas áreas. O governo federal andou para trás. O estado que o presidente Lula recebe é muito mais difícil e mais triste do que anteriormente. Na educação, tivemos um enorme retrocesso, queda na aprendizagem, a evasão escolar aumentou, recursos essenciais para merenda escolar ficaram congelados em R$ 0,36. Tivemos quase um colapso dos institutos federais e das universidades”, disse Alckmin. O vice-presidente eleito destacou que a política armamentista do atual governo provocou aumento da violência contra as mulheres. Segundo ele, a distribuição de armas levou a um recorde de mortes de mulheres. “Nos últimos seis meses tivemos 700 mortes por feminicídio provocadas por armas de fogo”, disse. O relatório apontou ainda para a redução de 95% no estoque de arroz da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O estoque de alimentos pela instituição é uma forma usada pelo governo federal para regular preços de mercado. “Essa redução acabou levando ao aumento do preço de alimentos, o que agravou a insegurança alimentar”, apontou. Outro ponto destacado por Alckmin foi a alocação de R$ 2 milhões para a Defesa Civil na atuação de desastres em todo país. Além disso, afirmou que 93% das rodovias federais estão sem contrato de manutenção e prevenção. Atualmente, segundo o relatório, são 14 mil obras paralisadas em todo país. “Isso não é austeridade, é ineficiência de gestão. É uma tarefa hercúlea que vem pela frente”, argumentou. Em relação ao desmatamento na região da Amazônia, o levantamento aponta para aumento de 59% entre os anos de 2019 e 2022. Nas últimas semanas, foi registrado um acréscimo de 1226% nas queimadas em florestas. “É uma devastação nas florestas, não por agricultores, mas por grileiros. É um grande desafio”, acrescentou.

PEC da Transição

Antes do anúncio, o presidente eleito agradeceu os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de líderes partidários, pela aprovação da PEC da Transição. “É a primeira vez que o presidente da República toma posse e começa a governar antes da posse. A PEC é para cobrir a irresponsabilidade de um governo que não deixou orçamento para cumprir uma promessa que ele mesmo fez”, disse. Para Lula, a aprovação da PEC foi uma demonstração de solidariedade ao povo mais pobre desse país.

Edição: Denise Griesinger

Valorizar idosos é condição para avanço da sociedade, diz ministra

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cristiane Britto, comemorou hoje (22) os resultados registrados pela Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI)  e disse que a sociedade brasileira não vai conseguir avançar se não começar a valorizar os idosos.  Cristiane lamentou que ainda ocorram no Brasil situações como a da casa de acolhimento particular de Crato (CE), onde boa parte das mulheres internadas com problemas mentais tinha sido abandonada pelas famílias e se encontrava em cárcere privado e, mesmo depois da prisão do gestor da unidade, 75% das famílias não quiseram resgatá-las. “As famílias devem valorizar os idosos”, afirmou a ministra. Para isso, defendeu a convivência entre crianças e jovens com os idosos da família, para que possam aprender com suas experiências e vivências. O secretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Antônio Costa, salientou os avanços da Política Nacional da Pessoa Idosa desde 2019, entre os quais o Pacto Nacional de Implementação dos Direitos da Pessoa Idosa em 22 estados, por meio de parceria com nove universidades brasileiras. “O mais importante é que as matrizes vão ficar nos estados e conselhos municipais, para que vocês deem sequência”, destacou. Costa citou também a Política Nacional de Cuidados, elaborada pelo ministério em conjunto com os ministérios da Saúde, Educação, Cidadania, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), sociedade civil, secretarias de Saúde e de Assistência Social. O programa está pronto, foi repassado para o próximo governo e deverá ser implantado em todo o país, disse o secretário.

Envelhecimento

Costa disse que torce para que o Brasil dê certo. “O meu sonho é que o próximo presidente, que vai começar no dia 1º [de janeiro] com sua equipe, possa criar, nos quatro anos que ele vai ficar, um programa de Estado brasileiro para o enfrentamento do envelhecimento no nosso país que, infelizmente, ainda não caiu na ficha do nosso Congresso Nacional. As pessoas ainda não estão crendo que o país está envelhecendo. O maior desafio que eu vejo é a expectativa de vida, quando os homens vão viver até 88, 89 anos, e as mulheres mais de 100, e nada vai se fazer, porque a aposentadoria ocorre aos 65 anos”. O secretário ressaltou a necessidade de se trabalhar o envelhecimento a partir dos 35 ou 40 anos, para que, dentro das possibilidades, a população possa cuidar das comorbidades, porque o grande desafio é que o envelhecimento brasileiro ocorre com 72% a 75% de comorbidades (diabetes, pressão alta, demência, Alzheimer), “e nada se tem feito até agora para isso”. Segundo Costa, esse trabalho deve ser feito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), tendo em vista que “a população idosa representará, em pouco tempo, um terço da população total” e “é preciso trabalhar a proteção e a defesa da pessoa idosa”.

Prêmios

O ministério também entregou hoje (22) o 1º Prêmio Literário de Redações e o 2º Prêmio Literário de Crônicas, promovidos pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDI). O primeiro prêmio é voltado para alunos do ensino médio da rede de escolas públicas do Brasil, enquanto o segundo abrange crônicas produzidas por pessoas idosas, com idade igual ou acima dos 60 anos. Ambos os prêmios tiveram como tema “O papel da pessoa idosa no século XXI”. Foram premiados os autores das cinco melhores redações e crônicas.  Os vencedores do 1º Prêmio Literário de Redações foram Nycolas Verly da Silva, Laiza Vitoria Batista Castanho, Yasmim Thainara Sena de Oliveira, Debora Letícia Silva Campos e Ruanne de Jesus Pereira. Já o 2º Prêmio Literário de Crônicas teve como vencedores Luiz Claudio Machado de Santana, Ronaldo Carvalho de Sousa, Ney de Freitas Filho, Angela Maria Rocha e Fátima Soares Rodrigues. Durante o evento, foram diplomados cinco estados Amigos da Pessoa Idosa (São Paulo, Ceará, Roraima, Mato Grosso e Paraná), que se destacaram na implementação da Política da Pessoa Idosa nos últimos quatro anos, em especial na ampliação de conselhos estaduais e municipais dos direitos da pessoa idosa e dos Fundos da Pessoa Idosa.

Edição: Fábio Massalli

Margareth Menezes, Antônio Marinho e Áurea Carolina completam grupo de cultura na transição

A cantora Margareth Menezes, o poeta pernambucano Antônio Marinho e a deputada Áurea Carolina (PSOL-MG) vão integrar o grupo de Cultura do gabinete de transição. Os nomes foram anunciados nesta segunda-feira (14) pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), coordenador-geral do gabinete de transição, durante entrevista a jornalistas em São Paulo. Os três trabalharão com o secretário nacional de Cultura do PT Márcio Tavares, o ex-ministro Juca Ferreira e a atriz Lucélia Santos. Todos serão responsáveis por coordenar o núcleo de cultura. Os nomes de Tavares, Ferreira e Lucélia foram antecipados na semana passada pela CNN. Articulado por Tavares, que coordenou a área de cultura durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o grupo deve se reportar ao ex-ministro Aloizio Mercadante, responsável por chefiar os núcleos temáticos do gabinete de transição. A equipe vai atuar na formulação de políticas públicas e definir as diretrizes do setor durante o governo. Ela contará com representantes de diferentes áreas, entre elas audiovisual, patrimônio, museus e culturas populares. Entre as prioridades da equipe durante a transição estão pelo menos três frentes de atuação: a revisão de normas e decretos editados durante a gestão Bolsonaro, a análise da estrutura do setor de cultura no governo federal e a discussão do orçamento destinado à área.

“Também guardamos pedras aqui” é eleito Livro do Ano do Prêmio Jabuti

Os vendores do 64º Prêmio Jabuti, que condecora as melhoras obras literárias do país, foram divulgados na quinta-feira (25). O grande vencedor na noite foi “Também guardamos pedras aqui”, de Luiza Romão, eleito o Livro do Ano. Além da estatueta, a autora receberá R$ 100 mil. “Tudo começou na virada de 2016 para 2017 quando terminei de ler a “Ilíada” e completamente atravessada por essa narrativa de horror, comecei a sonhar, ouvir e conversar com essa figuras: heróis tombados, amazonas, pitonisas, guerreiras (que através dos séculos parecem dizer tanto sobre o aqui-hoje). Num país em ruínas, num momento de espólio como este em que estamos vivendo, essas pedras são minha aposta”, contou a autora sobre a obra de poesia em uma publicação no Instagram. A premiação é dividida em quatro eixos principais: literatura, não ficção, produção editorial e inovação, que comportam vinte categorias. Dois anos após o vencer o melhor livro de biografia e reportagem de “Escravidão”Laurentino Gomes volta a receber o prêmio na mesma cateogria com o segundo volume da obra. Outra veterana premiada foi Lilia Schwarcz, ao lado de Jaime Lauriano e Flávio dos Santos Gomes, com “Enciclopédia Negra”.

Confira os premiados do Prêmio Jaubti 2022

Literatura

  • Conto: “A vestida: contos”, de Eliana Alves Cruz
  • Crônica: “A lua na caixa d’água”, de Marcelo Moutinho
  • História em quadinhos: “Escuta, formosa Márcia”, de Marcello Quintanilha
  • Infantil: “Sonhozzz”, de Silvana Tavano e Daniel Kondo
  • Juvenil: “Romieta e Julieu”, de Ana Elisa Ribeiro
  • Poesia: “Também guardamos pedras aqui”, de Luiza Romão
  • Romance de Entretenimento: “Olhos de pixel”, de Lucas Mota
  • Romance Literário: “O som do rugido da onça”, de Micheliny Verunschk

Não Ficção

  • Artes: “Apontamentos da arte africana e afro-brasileira contemporânea: políticas e poéticas”, de Célia Maria Antonacci
  • Biografia e Reportagem:“Escravidão – Volume II”, de Laurentino Gomes
  • Ciências: “Um tempo para não esquecer: a visão da ciência no enfrentamento da pandemia do coronavírus e o futuro da saúde”, de Margareth Dalcolmo
  • Ciências Humanas: “Enciclopédia Negra”, de Jaime Lauriano, Flávio dos Santos Gomes e Lilia Moritz Schwarcz
  • Ciências Sociais: “Máfia, poder e antimáfia”, de Wálter Fanganiello Maierovitch
  • Economia Criativa: “Nem negacionismo, nem apocalipse”, de Gesner Oliveira e Arthur Villela Ferreira

Inovação

  • Fomento à Leitura: “Vaga Lume: como livros mudam a vida de crianças e adultos na Amazônia”, de Sylvia Guimarães
  • Livro Brasileiro Publicado no Exterior: “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior

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