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Yglesio não apoia o projeto da família Brandão

A declaração do deputado “ponta de lança” do governo na Assembleia Legislativa enquanto participava do Podcast Café Quente, de Rogério Cafeteira, traz à tona um sentimento silencioso que está presente entre os aliados fora do núcleo familiar do governo, a incerteza da viabilidade do projeto da família Brandão.

Ao declarar que não pode ir contra o seu eleitorado e que existe a possibilidade real dele não apoiar a candidatura do filho de Marcus Brandão para o governo do Estado, Yglesio deixa claro que a defesa ufanista que faz na tribuna não passa de conveniência e sobrevivência política, por sinal, características que já são peculiares da sua personalidade.

É senso comum que deputados como Yglesio e Mical Damasceno possuem seus acordos com o governador, acordos estes que envolvem cargos, emendas, institutos, muitos favores, não há dúvidas de que são bem remunerados para o que se sujeitam a fazer.

É aquela velha história de juntar fome com a vontade de comer.

No campo ideológico, Yglesio é um recém-convertido no bolsonarismo, que precisa a todo custo se afirmar e se auto validar diariamente. É essencial para ele atacar o STF, assim passa a impressão de que tem estatura para brigar lá em cima, uma espécie de Nikolas Ferreira provinciano, e o seu principal palanque é a tribuna do paramento.

Uma coisa é certa, a declaração de Yglesio deixa claro que a incerteza da classe política em relação ao grupo Brandão é real, principalmente depois da humilhação de perder o comando do PSB, sentado na cadeira de governador. Ainda mais agora, com o aumento dos rumores do seu afastamento por conta de denúncias envolvendo corrupção, nepotismo entre outros mais assombrosos.

E como comecei o texto fazendo uma referência ao futebol, vocês se lembram daquela declaração do Vampeta numa época de crise no Flamengo, onde ele disse “eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”? Essa frase acabou virando um adágio popular que inclusive reflete o sentimento da classe política maranhense que tem sido pressionada para fazer acordos de caixeiros viajantes com o nome no caderninho de parcelas.

Enquanto isso, o tempo do gpvernador Carlos Brandão está acabando, seja pelos rumores de afastamento, por sua possível renúncia para concorrer ao senado e também se decidir ficar até o final do mandato. No total ele tem apenas um ano e três meses como governador e se ainda achar que a melhor possibilidade é eleger o parente para garantir o poder da família, é bom nem contar muito com o deputado Yglesio Moisés, afinal, depois dessa declaração, só resta saber se o coronel vai passar o rodo logo ou usar mais um pouco o seu ponta de lança na Assembleia.

A imprensa e a crise política do Maranhão

Preciso começar esse texto afirmando que essas linhas são apenas uma crônica com doses de reflexão, até porque escrever qualquer coisa sobre a imprensa é sempre pisar num terreno muito delicado e está longe das minhas pretensões ser o Mister M do jornalismo maranhense, afinal todos nós sabemos como funciona o jogo e se antes tinha uma aura de imparcialidade, hoje os lados estão escancarados e o jornalismo opinativo vem crescendo construindo narrativas em cima de meias verdades.

O meu objetivo não é teorizar a comunicação local; além de não ter competência para isso, particularmente, acredito que muita teoria acaba complicando a vida e o mais prudente é deixar a produção científica para o ambiente acadêmico. Não é verdade?

Entretanto, é necessário observar que a ameaça do ruído na comunicação, alertado pelos teóricos da escola de Frankfurt, no século 20 passou de preocupação a realidade e mesmo McLuhan antevendo o mundo globalizado de hoje em dia. O ruído foi potencializado por novas ferramentas tecnológicas. Embora haja exceções, a realidade atual é que a oferta de informação que aparecem nas nossas telas está sem controle de conteúdo e de qualidade. Lamentavelmente o ChatGPT é a nova realidade.

Para bem longe dos textos de inteligência artificial predominantes por aí, Adorno já dizia em Minima Moralia – reflexões a partir da vida danificada – Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Depois dessa breve ambientação e nada tão grande como os textos de Saussure xerocados da UFMA, nos anos 90, afinal o momento não é propício para discutirmos o significante e o significado na atual conjuntura, muito embora a política e a imprensa maranhense se posicionem muito além da semiótica, em diversas oportunidades.

O recente episódio envolvendo o quadro bastidores, apresentado pela competente jornalista Carla Lima, na TV Mirante, e as notas de repúdio dos deputados oposicionistas, em relação a um comentário opinativo sobre uma suposta possibilidade de afastamento do governador Carlos Brandão, assim diz um o trecho do inicio da fala, “ O fato novo que vem de uma especulação desde a semana passada…” narra algumas possibilidades e antes de encerrar ela diz “ agora uma coisa é certa, se for verdade os deputados estão com informações privilegiadas” e complementa tipificando o crime segundo a lei.

Quando o fato surgiu de uma especulação e a certeza veio do “SE”, na maior audiência da televisão local em nosso Estado, a tendência é normalizarmos as graves acusações contidas na notícia e essa tendência não é exclusiva, ela já vem sendo validada há alguns meses em todos os setores da imprensa, inclusive este que vos escreve.

Agora abrindo mais o leque da pauta como diziam as antigas pauteiras, a crise politica entre o governo do grupo Brandão e os remanescentes leais do grupo dinista acabou expondo os lados da comunicação maranhense, o passado ficou para trás, a hora é de vaca desconhecer bezerro, como diz um adágio popular, afinal o Estado controla a verba e ainda “prensa” como nos tempos de Gutemberg e ai de quem não se enquadrar.

“Uma coisa é certa, se o bicho é alto jogador não pode fazer corpo mole”, já dizia Castor de Andrade no tradicional time do Bangu na década de 80. Bicheiro e contraventor declarado, Castor foi um personagem folclórico e apesar de ser criminoso criou fama com um jargão no Rio de Janeiro: vale o que está escrito, e ninguém ousava não pagar o que estava no papel.

Mas o papel perdeu valor na escrita e o digital pulverizou a informação. O caminho viável é tentar chamar atenção em meio à uma multidão que se alimenta de polêmica, mas não podemos julgar os que estão entre a cruz e a espada, a favor desses apenas a amnésia gradativa da linha de produção de todo o dia.

No mais, temos que pensar positivo e entre tantos altos fenômenos de popularidade acaba sendo até divertido acompanhar um conselho matutino dominical tentando definir até a eleição de 2030, uma carta de Pero Vaz de Caminha, alguns anarquistas, futurólogos, outros instagramáveis e muitos kamikazes.

As notícias precisam continuar, mas não vamos esquecer do velho Adorno no início, Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Uma guerra sangrenta: petistas são exonerados da Sedihpop

As eleições 2026 já estão caracterizadas por uma disputa agressiva entre grupos e no interior do grupos. Ninguém tem unanimidade, os interesses pessoais gritam, ora de dor, ora de gozo. É uma guerra sangrenta que vem devastando os interesses republicanos.

Um subgrupo que vem pulsando, como uma estrela no fim da vida é o PT. No seu interior seus núcleos se fundem e seus átomos se transformam, numa fusão nuclear que, a cada dia, parece enriquecer mais esse urânio que vai culminar numa explosão nuclear. Mas deixemos a física quântica de lado, que, como diria Machado de Assis, “eu não estou aqui pra emendar poetas”.

Muitos deputados já subiram à tribuna para pedir que “quem não concorda com o governo, que entregue os cargos”. Todo dia há um novo pedido desse. Por outro lado, “por motivos nacionais”, o PSB foi tomado do governador e entregue a seus adversários políticos.

Enquanto o governador não arruma outro partido, estes opositores que não entregam os cargos são, simplesmente exonerados.

Um capítulo da guerra miúda, se desenrola na Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). Nos últimos dias  servidores petistas vêm sendo exonerados desta secretaria, que atualmente está sob o comando do ex-deputado federal e superintendente regional do Incra, Zé Carlos.

Segundo denúncias apresentadas a este cronista, por membros históricos do partido, as demissões atingem filiados do PT que não apoiaram a chapa da corrente Resistência Socialista, liderada por Zé Carlos, pelo ex-candidato à presidência do partido Genilson Alves e pela atual secretária de Direitos Humanos, Lilia Raquel, durante o Processo de Eleições Diretas (PED) da legenda.

Ainda segundo dirigentes petistas, os cortes ocorreram sem comunicação prévia e teriam caráter de retaliação política. Além disso, Zé Carlos e Genilson Alves movem ação judicial contra a candidatura de Francimar Melo, eleito presidente estadual do PT no último PED.

Abaixo as exonerações no Diário Oficial

e mais

Qual será a última cartada da família Brandão?

A Crise política que assola o governo nos últimos meses vem causando estragos irreversíveis para o projeto de poder da família Brandão.

Há cerca de três meses quando decidiu investir na candidatura do sobrinho rompendo o acordo com os dinistas e também com o PT nacional. O governador Carlos Brandão estava apostando no momento ruim que o governo federal atravessava e imaginando que o poder de barganha do centrão garantiria que o sobrinho fosse ungido por Lula para ser o novo governador do Maranhão.

Não sei quem aconselhou, mas o exercício de previsibilidade dessa mentoria política apostou na queda de popularidade do presidente que vinha sendo potencializada pelo centrão e pela extrema direita brasileira.

“O plano é simples Carlos, vamos transformar uma simples secretaria extraordinária para ser a mais importante do governo, aquela que vai prometer e entregar todas as obras para o sobrinho do governador aparecer como o mais preparado do Estado. Vamos também colocar a máquina de comunicação estatal para o promover o menino e transformá-lo no político e gestor preparado”.

Nesse pacote vieram as pesquisas eleitorais, mídia training, bonés, adesivos, propaganda proibida nos arraiais e é claro, uma fazenda de robôs fakes para bajular o representante da nova oligarquia do Maranhão, os Orleans Brandão.

Mas parece que a coisa começou a desandar quando o tarifaço do Trump planejado pela família Bolsonaro favoreceu Lula, que rapidamente surfou no erro infantil e aumentou a sua popularidade. Porém, aqui no Maranhão os movimentos foram antecipados, Brandão já tinha reunido com António Rueda em Brasilia, Com Marconi Perillo e aqui no Maranhão fez acordo com Aluisio Mendes do Republicanos, além de ceder espaços para Mical Damasceno no seu governo. Todos esses movimentos tiveram como ponto central a declaração de apoio para o sobrinho do governador com a certeza de que Lula ficaria refém do centrão.

As reações do planalto foram imediatas, Brandão foi tirado do PSB, engoliu seco o Presidente do PT nacional declarar apoio ao Felipe Camarão e ainda viu a decisão do STF em mandar abrir inquérito na Policia Federal para apurar aposentadorias suspeitas no TCE.

A reação de Brandão foi peregrinar em Brasília para fazer queixa de Flávio Dino ao presidente da Suprema Corte e como resultado prático teve o afastamento do Procurador Geral do Estado pelo Ministro Alexandre de Moraes.

Para piorar, veio à tona novamente o assassinato do Tech Office, mas com um detalhe importante, a federalização do caso pelo STJ e Policia Federal, onde o assassino confesso Gilbson Cutrim foi removido de Pedrinhas para um presidio federal onde supostamente fez uma delação premiada que promete escancarar a relação da família Brandão com o crime.

O governador está quase sem opções. Hoje toda a classe política debate o seu possível afastamento, além disso, existem muitos ressabiados com a possibilidade real de Brandão não entregar o que vem prometendo, tomando como exemplo o caso do PSB, onde afirmou que não perderia o comando do partido e deu no que deu.

Mas muitos ainda perguntam de onde vem a coragem do sertanejo de Colinas?

Vale a pena aguardar o próximo movimento da família Brandão.

Quando um governante sobe a carruagem e chama a crítica de latido

Pela enésima vez, o governador Carlos Brandão afirmou que ficará até o fim do mandato. Mas o que mais chamou atenção não foi a previsível reafirmação de permanência no cargo, e sim a frase que a sucedeu: “os cães ladram e a carruagem passa”.

A citação, ainda que pretensamente popular, escorrega na forma e na substância. E diz muito sobre o imaginário de poder que hoje se cristaliza no Palácio dos Leões.

A expressão original “os cães ladram e a caravana passa” tem origem árabe e simboliza a resiliência diante de críticas. A caravana representa o coletivo em marcha, o esforço comum, a travessia de muitos em busca de um destino. Não por acaso, trata-se de um provérbio historicamente ligado à ideia de constância frente às adversidades, não de desprezo ao contraditório.

Brandão, no entanto, trocou a caravana por uma carruagem. E a oposição por cães.

A metáfora da carruagem não é ingênua. Evoca luxo, distinção, isolamento. Se a caravana é feita de caminhantes que compartilham o chão, a carruagem transporta uma figura solitária, acima dos demais, protegida do barro, conduzida por cavalos. Ao se colocar nesse lugar, o da carruagem que avança enquanto os “cães ladram”, o governador insinua não apenas superioridade, mas imunidade.

Ele se vê conduzido por algo que o protege do ruído, do incômodo, do atrito. E mais: desumaniza seus críticos, reduzindo a oposição a ruído animal, a barulho perturbador que se deve ignorar.

Não se trata de preciosismo retórico. Há implicações profundas nesse gesto. Um líder que recorre a esse tipo de imagem projeta uma política sem escuta, sem diálogo, sem alteridade.

Na democracia, não é admissível que a crítica seja tratada como latido. O pluralismo exige respeito, mesmo quando os argumentos incomodam.

Chamar a divergência de ruído é uma forma velada de autoritarismo simbólico e, por vezes, o prenúncio de práticas institucionais que seguem pela mesma lógica.

E há uma inversão fundamental aqui: em regimes democráticos, não é a carruagem do poder que deve passar ilesa. Quem precisa passar, com segurança e dignidade, é o povo.

O governante não é o protagonista de um desfile aristocrático, mas servidor de uma sociedade plural, ruidosa, crítica. O barulho da oposição, das ruas, das instituições, é sinal de vitalidade democrática. O silêncio, sim, é que deveria preocupar.

Talvez o governador esteja cansado das críticas. É compreensível. Mas o cansaço com a democracia costuma ser o primeiro passo para quem já não se reconhece obrigado por suas regras.

O mais preocupante, portanto, não é o erro na frase. É o acerto no que ela revela. Estamos diante de um governante completamente deslumbrado com o poder e fazendo de tudo para impedir que ela saia das mãos de sua família. O povo? Que bata palmas para a luxuosa carruagem leonina que desfila pela Avenida.

No Dia Mundial da Água jovens do Maranhão defendem futuro sustentável

A 2ª Caravana da Rede Ambiental de Valorização de Ecossistemas em Restauração (Reaver), traz como tema a “Juventude unida pela natureza, diversidade e justiça socioambiental”. O encontro irá ocorrer nos dias 22 e 23
de março, marcando o Dia Mundial da Água.

A iniciativa, voltada para adolescentes e jovens de 12 a 21 anos ocorre no Museu Casa do Tambor de Crioula, onde os participantes vão debater o papel das juventudes na construção de soluções ambientais, com a roda de conversa “A Importância da água no nosso planeta” e a discussão “O que é ser um jovem protagonista socioambiental?”. O encontro também será um espaço para a construção de um plano de ação estadual, com foco na educação e a mobilização ambiental.

No segundo dia, a Caravana se desloca para o Ecomuseu Sítio do Físico, onde os jovens participarão de atividades de educação ambiental, incluindo oficinas de construção de ecobags e biojoias. O espaço será propício para trocas ideias e debates sobre a ancestralidade, natureza e resistência.

Ana Catarina, jovem da Rede Reaver em Fortaleza e integrante da Organização Ambiental Sustentável, destaca a importância da participação das meninas e mulheres na luta ambiental. “Nós, meninas e mulheres, estamos na linha de frente da crise climática, principalmente nos territórios mais afetados. Nosso papel na defesa da água, dos nossos ecossistemas e das nossas comunidades precisa ser reconhecido e fortalecido. Essa caravana é um espaço onde a gente se organiza, aprende e se fortalece coletivamente para enfrentar os desafios ambientais e sociais.”

A mobilização da juventude maranhense pela justiça climática já vem se consolidando desde a última Caravana da Reaver no estado, realizada em outubro de 2024. Desde então, adolescentes e jovens têm se encontrado periodicamente para fortalecer a luta socioambiental e ampliar as ações no território. “A Reaver no Maranhão busca fortalecer o protagonismo juvenil, promovendo debates sobre os impactos ambientais e impulsionando ações sustentáveis nos territórios. O objetivo é garantir que os jovens defendam seu direito a um meio ambiente equilibrado e sustentável”, destaca Claudett Ribeiro, articuladora do projeto no estado.

A 2ª Caravana da Rede Reaver integra o projeto “Jovens como Protagonistas pelo Meio Ambiente”, promovido pelo Instituto Terre des Hommes (TdH) Brasil e a Rede Reaver e conta com o apoio de Kindernothilfe e do Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). O projeto tem como propósito mobilizar adolescentes e jovens a se mobilizarem por justiça climática nos estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Rio Grande
do Norte.

Saiba mais em: reavernordeste.org.
Serviço: 2ª Caravana da Reaver – Juventude unida pela natureza, diversidade e justiça socioambiental
Data: 22 e 23 de março de 2025
Local e horário:
22/03 (Sábado): Museu Casa do Tambor de Crioula, das 9h às 17h.
23/03 (Domingo): Ecomuseu Sítio do Físico, das 9h às 16h.

Assessoria de Comunicação do Instituto Terre des Hommes Brasil
Dávilla Morais
E-mail: comunicacao@tdhbrasil.org
Telefone: (85) 98126-0560

Os anfitriões do carnaval em São Luís

Quarta feira e as cinzas do funeral de luxo da cultura maranhense

É inegável que o carnaval é um dos períodos festivos mais importantes do Brasil e assim como o natal é imprescindível para a economia brasileira.

As tradições culturais do período momesco em todo o país acabam sendo regionalizadas, como o carnaval do Rio, o carnaval da Bahia, de Pernambuco e sucessivamente em todos os Estados. Além disso, é preciso incluir na formula de sucesso da folia, os dias de folga prolongados e os potenciais turísticos de cada localidade.

Os três Estados citados acima são reconhecidos nacionalmente como os maiores e melhores carnavais do Brasil, afinal foram anos de investimentos e um dos principais vetores foi a consolidação das suas identidades culturais para que o turista saiba que vai assistir no Rio os desfiles de escolas de samba, os blocos Cacique de Ramos, o Cordão do Bola Preta e o Sargento Pimenta, assim como na Bahia ele quer ver o axé nos trios elétricos, já em Pernambuco ele vai para curtir o frevo pelas ruas antigas de Olinda e o palco multicultural do Marco Zero em Recife.

A principal característica entre eles é a valorização das atrações regionais, basta observar a programação e constatar que a multidão está consumindo a cultura local daquele Estado, fruto de um trabalho que não começou da noite para o dia, até porque não basta apenas mudar a logomarca de um governo e bradar que tem o maior carnaval do Brasil, é preciso apresentar resultados concretos.

Trazendo a discussão aqui para o carnaval do Maranhão, é preciso reconhecer que estivemos bem perto disso no governo Roseana e também no período de Flávio Dino. Na época de Roseana tínhamos um dos melhores carnavais de rua do Brasil com o sucesso do Bicho Terra na ponta da língua e o contato direto com os blocos tradicionais em que a população fazia festa na Madre Deus. Já no governo Dino, o resgaste do circuito beira mar valorizando nomes como Flávia Bittencourt, Rosa Reis, Zeca Baleiro que dividiam o mesmo trio elétrico com artistas do naipe de Chico César e Alceu Valença criaram um ambiente único para um dos melhores carnavais do Maranhão.

Ainda nessa época quem não se lembra dos “falados” carnavais de Cururupu? De Pinheiro? De Barra do Corda? De Guimarães? Aliás, que bola fora o governo não investir na linda praia de Araoca e nem mesmo a recém inaugurada estrada dos poetas foi capaz de justificar um bom investimento para a região, enfim é o governo se autossabotando.

Mas por falar em investimento, o governo do Estado disse a revista exame que investiu 68 milhões no carnaval desse ano com a expectativa de ter um retorno 4 vezes maior segundo as estimativas do próprio governo. Bom tive o cuidado em consultar alguns amigos economistas e não conseguimos achar equilíbrio nessa conta e muito menos lógica, ainda mais se levarmos em consideração que camarotes privados cobram até 700 reais para o folião que quer ter uma visão privilegiada da festa, ou seja, o governo paga a atração milionária para um seleto grupo explorar a venda de ingressos, não tem como não ser empreendedor desse jeito não é verdade?

Outro ponto que chama a atenção, o governo do Estado vem dizendo que é municipalista, mas na contra mão do discurso concentrou seu investimento na capital e com isso praticamente esvaziou o carnaval nos municípios, ou seja, os pequenos comerciantes do interior do Estado que esperavam faturar um dinheirinho nesse período ficaram ao relento, é tipo aquele ditado popular, “cobertor de pobre quando cobre a cabeça descobre os pés”.

Já o prefeito Eduardo Braide investiu cerca de 20 milhões no carnaval de São Luís, com destaque para uma mega estrutura que ficou instalada desde o réveillon e uma carrada de atrações nacionais numa disputa de popularidade com o governador Carlos Brandão onde os dois apostam no populismo midiático do pão e circo para gerar engajamento nas redes sociais.

O resultado prático dessa disputa foi mais uma vez a desvalorização da nossa cultura em todos os níveis, como a adiamento dos desfiles das escolas de samba e blocos tradicionais, artistas maranhenses tratados como coadjuvantes e a “baianização” das nossas tradições culturais financiadas com dinheiro público com resultados maquiados pela opinião influenciada e bem remunerada.

A conta vai pesar mesmo é quando a ficha cair e prestarmos a atenção na precariedade da educação municipal, no passe livre estudantil que o prefeito alega não ter verba para implantar, no Nhozinho Santos fechado, nas estradas do Maranhão esburacadas e nas pontes precárias de responsabilidade do governo em todo Estado.

Mas no São João a esperança do povo estará renovada, vem aí o maior São João do Brasil e uma enxurrada de sertanejos receber novamente cachês milionários antecipados enquanto os bois vão esperar um ano para receber, mas o povão vai comparecer, afinal é a massa que bem batida molda o pão e o circo.

 

O prefeito, o parlamento e as redes sociais

É preciso deixar bem claro que o isolamento político que o prefeito enfrenta na câmara municipal foi construído por ele mesmo desde a sua chegada no Palácio La Ravardiere.

Com o intuito de aparecer sozinho e ser o centro das atenções da sua gestão, Braide centralizou as ações da prefeitura em torno do seu perfil no instagram onde faz do seu governo uma espécie de reality show, porém, nem tanto real e com muita coisa embaixo do tapete como a falta de transparência na contratação de creches para organização de eventos milionários, entre outros.

Basta observarmos o levantamento de 2024 da Transparência Internacional e constatar que a falta de dados no pagamento de emendas, contratações emergenciais classificaram gestão do Prefeito de São Luís apenas como regular, ou seja, para quem se vende como um dos melhores do Brasil, ser atestadamente regular em transparência já demonstra um pouco da verdadeira personalidade do Braide que não aparece em suas redes sociais.

Essa semana com a retomada dos trabalhos da câmara ficou claro que o clima em 2025 continuará beligerante e entre, emendas, vetos e embates no plenário, parece que chamar o Douglas ainda não foi uma boa alternativa para Eduardo Braide.

Os vetos e os “berros” nas redes sociais dessa vez não foram suficientes para o prefeito manter o discurso de vitima ao recusar o aumento de salário proposto pela Câmara alegando que o valor equivalente a cidade de São Paulo iria comprometer o orçamento municipal, mas Braide “esqueceu” de mencionar que os salários do seu secretariado estão no mesmo patamar da capital paulista e num projeto proposto pelo vereador Daniel Oliveira (PSD) que até o ano passado era líder do seu governo na Câmara.

O Prefeito também “esqueceu” de destacar no seu lamento, que atrelado ao seu salário estão mais de 400 servidores impossibilitados de terem reajuste para o Prefeito posar de humilde com carinha de perseguido nas redes sociais.

Mas o que deixou Braide extremamente irritado foi redução do limite de gastos direto do executivo, o Prefeito queria poder movimentar livremente cerca de 1 bilhão e 400 mil reais. A Câmara limitou para algo em torno de 350 milhões, porém deixando claro que a casa está aberta ao diálogo para qualquer necessidade da prefeitura.

A impressão que fica é que os vereadores optaram por um posicionamento mais seguro em relação ao orçamento em virtude dos escândalos recentes envolvendo contratos milionários para eventos realizados sem licitação e sem transparência, entre outros contratos feitos a “toque de caixa”.

Por outro lado, o Prefeito dá sinais que vai continuar apostando na dissimulação nas redes sociais, afinal dizer em vídeo que o ritmo das obras vai diminuir porque a câmara está cobrando mais transparência e ciência dos gastos realizados pelo executivo é mero populismo contemporâneo, além do mais, o ritmo das obras já diminuiu desde que terminou a eleição e só essa semana o prefeito num mero jogo de cena foi “acelerar” a obra da UEB Sidney Castelo Branco numa clara a necessidade de produzir conteúdo para internet requentando anúncio de obras do ano passado.

 

 

 

 

 

Partidos políticos e farinha

Há na Assembleia Legislativa do Maranhão uma guerrinha entre grupos ou subgrupos, ou subqualquercoisa para escarafunchar e abocanhar um espacinho ou outro de poder e influência que exista e que possa ser garimpada naquela fonte de poder. Notadamente, na berlinda, estão os mandatos do deputado Carlos Lula e da deputada Ana do Gás que querem sair de suas legendas por conta dos interesses acima (ou outros). Ambos fazem beicinho para a justiça no sentido de trocar de partido e não perder o mandato.

A dinâmica do dia a dia da VIDA é racional, tanto quanto se equilibra com o emocional. O ser humano é plural e diverso (não recorrerei a termos da moda), dentro do gigantismo do prisma que humilha qualquer ideia de Inteligência Artificial. Isso, mesmo, como apontou Hortega y Gasset “o ser humano é ele mesmo e suas circunstâncias”.

Isto posto, podemos apontar umas duas missivas à esbórnia que se constitui o universo dos partidos políticos no país. Ah, não é esbórnia, caro vate? “Ah, por que no tempo de Getúlio…”, diria um, “Não, mas ainda, na Proclamação da República…”, diria outro… Enfim, é como As Pombas de Raimundo Correia… (suspiro desiludido deste jornalista).

Rapidinho viria alguém lembrar o PC do B, parceiro no primeiro governo Roseana Sarney; depois alguém lembraria de Ricardo Murad no PSB, no começo dos anos 2000. “Ah, mas o PT, não!…” um militante histórico pularia estufado da casa do cancão… Certo, pelo PT já passaram Yglésio, Lahésio… Cadê o militante? Eu iria lembrar mais alguns do passado recente, e ainda temos os da atualidade!

Os partidos mais fortes e significativos no Maranhão, nos últimos 50 anos foram PFL e PMDB, todos geridos através de técnicas coronelistas, desde sempre. Ignoro outras notações destas mesmas siglas antes e depois, porque remetem ao mesmo grupo e ao mesmo significado (não direi ideologia). Excetuando-se, com reservas (poucas), o antigo MDB do bipartidarismo, da última ditadura militar, por questões mais didáticas do que outras.

Nenhum partido no Maranhão (ficarei aqui no quintal, mesmo) pode arvorar-se de nada; nem vocês “rapaziada”… Tudo não passa de um jogo, onde a racionalidade não está subjugada a nenhum conceito maior de política, de povo, de nação, ou de bem comum, mas unicamente de interesse pessoais, grupais ou corporativos, e até, internacionais. Não importa em que saco a farinha está, nem de que torrador saiu; foi feita no mesmo forno, da mesma mandioca.

Agora sim: no Brasil as consequências disso remontam aos esquemas da exploração dos recursos naturais no Brasil-colônia, tendo um ponto grave nas negociações da abolição da escravatura, passando pelos vários golpes a partir da Proclamação da República, atravessando todo o século XX e, ainda, com tentativas de golpe, já no século XXI.

Como a justiça vai avaliar a relação entre a “comunista” Ana do Gás, e o “socialista” Carlos Lula e os seus determinados partidos? Como diria o personagem de Otávio Augusto, no maravilho filme de Ugo Georgetti, O Príncipe: “é tudo colunismo social”. Ou ainda, como naquele poema de Baudelaire O bobo e a Vênus: “E Vênus, a implacável, olha para longe, vagamente, com os seus olhos de mármore”.

E então, prezado Ortega Y Gasset, essas são as circunstâncias?

O discurso de vitimização do governo

Todos os holofotes da imprensa e da opinião pública estão voltados para crise que envolve Brandão e o grupo que o ajudou a ser governador.

Os passos dados de ambos os lados podem dizer muita coisa é verdade, porém são as interpretações que aquecem a pauta e movimentam o imaginário popular.

Seria mais do mesmo relembrar esses passos, algumas narrativas dizem que a relação azedou ainda no final de 2022, mas a exoneração de Felipe Camarão da Secretaria da Educação antes das eleições municipais desse ano foi uma decisão política do governador, publicada no diário oficial inclusive e deve ser considerado o “Marcus” zero desse eventual rompimento.

De lá pra cá o caldo só engrossou e os últimos movimentos expuseram a fragilidade do governo, acuados pelas decisões do STF nas ações capitaneadas pelo deputado Othelino Neto, Brandão cometeu o mesmo erro de Dilma Roussef que tentou dar foro privilegiado ao Lula um pouco antes da sua prisão, lembrando que qualquer semelhança não é mera coincidência.

O ato de nomeação foi um erro infantil e crucial, além de ratificar o caráter nepotista do governo Brandão, ele matou a estratégia de vitimização que a comunicação aliada vinha fazendo e que foi impulsionada com a comoção pela decisão do Ministro Alexandre de Moraes pela exoneração de Jackeline Helluy, sogra de Orleans Brandão que é secretário e sobrinho do governador, vale ressaltar que Jackeline já era funcionária da assembleia em outras gestões, profissional competente e de fino trato, mas precisamos ser francos, o cargo era de indicação política e nesse jogo não tem inocente.

O outro erro foi apressar a eleição para a presidência do TCE, será que Brandão não avaliou que está na iminência de perder a batalha pela Assembleia no STF e ainda sim reforça a aura nepotista do governo fortalecendo o sobrinho Daniel Brandão para o comando do Tribunal de Contas?

Voltando para o campo da midiático, os últimos movimentos tem dificultado a própria estratégia de comunicação do governo, afinal, por mais que seja legal a nomeação de Marcus Brandão e a eleição do Daniel Brandão para a Presidência do TCE, não soa bem defender o nepostismo, ainda mais quando o governo atua para impor parentes nas estruturas de poder do Estado operando nas brechas da lei.

Pelo visto, essa semana deve continuar tensa, ainda mais com o fracasso da tentativa de uma roda de negociação envolvendo o clã Brandão e parte dos seus aliados herdeiros do grupo politico criado pelo ex governador Flávio Dino.

Entre as notas de apoio e também de repudio, está a tentativa de convencimento do imaginário popular e caminho mais fácil é adotar o discurso de vitimização, mas como ser vítima se partiu da caneta de Brandão o primeiro ato oficial dessa guerra fria?  Além disso, a beligerância já se faz presente nos movimentos do governo.

Enquanto isso os dois lados estão armazenando pólvora.

 

 

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