Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

Autor: Geraldo Iensen Page 1 of 16

Uma guerra sangrenta: petistas são exonerados da Sedihpop

As eleições 2026 já estão caracterizadas por uma disputa agressiva entre grupos e no interior do grupos. Ninguém tem unanimidade, os interesses pessoais gritam, ora de dor, ora de gozo. É uma guerra sangrenta que vem devastando os interesses republicanos.

Um subgrupo que vem pulsando, como uma estrela no fim da vida é o PT. No seu interior seus núcleos se fundem e seus átomos se transformam, numa fusão nuclear que, a cada dia, parece enriquecer mais esse urânio que vai culminar numa explosão nuclear. Mas deixemos a física quântica de lado, que, como diria Machado de Assis, “eu não estou aqui pra emendar poetas”.

Muitos deputados já subiram à tribuna para pedir que “quem não concorda com o governo, que entregue os cargos”. Todo dia há um novo pedido desse. Por outro lado, “por motivos nacionais”, o PSB foi tomado do governador e entregue a seus adversários políticos.

Enquanto o governador não arruma outro partido, estes opositores que não entregam os cargos são, simplesmente exonerados.

Um capítulo da guerra miúda, se desenrola na Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). Nos últimos dias  servidores petistas vêm sendo exonerados desta secretaria, que atualmente está sob o comando do ex-deputado federal e superintendente regional do Incra, Zé Carlos.

Segundo denúncias apresentadas a este cronista, por membros históricos do partido, as demissões atingem filiados do PT que não apoiaram a chapa da corrente Resistência Socialista, liderada por Zé Carlos, pelo ex-candidato à presidência do partido Genilson Alves e pela atual secretária de Direitos Humanos, Lilia Raquel, durante o Processo de Eleições Diretas (PED) da legenda.

Ainda segundo dirigentes petistas, os cortes ocorreram sem comunicação prévia e teriam caráter de retaliação política. Além disso, Zé Carlos e Genilson Alves movem ação judicial contra a candidatura de Francimar Melo, eleito presidente estadual do PT no último PED.

Abaixo as exonerações no Diário Oficial

e mais

O preço da solidão?

Morrer é banal como viver é banal. Nada além das banalidades, das genialidades Hades, Hades, Hades. Todo mundo morre. Será que todo mundo vive? Aquele “viver e não ter a vergonha de ser feliz”, já que a igreja condena tanto… “culpa, máxima culpa”…  sei, tem o Carl Sagan pra nos “redimir”… Carl Sagan que te acompanhe..

Aqui nessa vida tão mundana, que é a única que temos, deparamos o paradoxo do sucesso, esse produto que não existe que é vendido a peso de ouro… e são tantos que não existem e vendidos a peso de ouro…

Há alguns dias a indústria do sucesso nos apresentou uma das coisas sem fuga da vida: a morte do ator Gene Hackman, aquele homem másculo padrão  de um metro e noventa de altura e que fez tantas coisas legais, tantos filmes legais, inclusive aquele xerife escroto de “Os imperdoáveis”, quando um homem bem comum mete uma 20 nas suas fuças… Isso depois de o xerife dar uma surra antológica no Richard Harris… aquele Homem Chamado Cavalo.

Gene Hackman, um exemplo de sucesso, morreu e quase um mês depois ninguém havia reclamado seu corpo. E ele tinha filhos! Onde estão? Por quê?

E ontem, ou anteontem um ator brasileiro admirável completou 95 anos de idade, Lima Duarte. Vi uma manifestação dele. Parece um homem feliz, os filhos, netos e bisnetos o visitam sempre. Está com o intelecto perfeito. Sabe o que é a vida, ou o que foi a vida. E parece  agradecido.

Mundo real

Aqui, no mundo dos mortais comuns, mais comuns do que se possa imaginar, numa parte do Brasil, um imigrante, um colono, um descendente de colonos, o que é? Se não for um artista, vai ser isso que quase todos são hoje…

Meu pai, um desses, foi o homem mais solitário que conheci. Não tinha amigos, falava pouco, não gostava de contato com terceiros, vivia no seu mundo particular (vai saber o que diriam dele se tivesse 16 anos hoje!). Mas era um artista. Escrevia (e não mostrava pra ninguém – teve o cuidado de queimar tudo antes da hora final) tocava vários instrumentos (o principal era o acordeom), cantava e de profissão, nos últimos tempos, foi mecânico industrial.

Ficou doente e eu e mais um irmão e uma irmã cuidamos dele. Eu gostava dele; na minha adolescência, “conheci” ele com uma sociabilidade péssima e, com o passar dos anos, o vi se transformar em um homem delicado que me beijava, seu filho estranho.

Cuidei dele da melhor forma que eu pude. No fim, ele era um tigre dente de sabre, um urso polar, mas dócil e generoso (me deixava cantar desafinado, sem ritmo e me acompanhava assim mesmo).

Boromir ou Faramir?

Aonde estão os filhos de Gene Hackman? As pessoas envelhecem e se tornam cada vez mais dependentes; mesmo os colossos. Mas será que nem todos se redimem? Será que alguns assinam o seu tratado de solidão social extrema? E, pior, social?

Guimarães Rosa repetiu tanto, tanto, “é preciso ter coragem”, “viver, é muito perigoso”.

E é mesmo. Por que, como nos disse aquele estranho Pnin, de Nabokov “nada nos pertence, só a nossa solidão”.

Pnin não teve filhos; mais ou menos solidão?

No Dia Mundial da Água jovens do Maranhão defendem futuro sustentável

A 2ª Caravana da Rede Ambiental de Valorização de Ecossistemas em Restauração (Reaver), traz como tema a “Juventude unida pela natureza, diversidade e justiça socioambiental”. O encontro irá ocorrer nos dias 22 e 23
de março, marcando o Dia Mundial da Água.

A iniciativa, voltada para adolescentes e jovens de 12 a 21 anos ocorre no Museu Casa do Tambor de Crioula, onde os participantes vão debater o papel das juventudes na construção de soluções ambientais, com a roda de conversa “A Importância da água no nosso planeta” e a discussão “O que é ser um jovem protagonista socioambiental?”. O encontro também será um espaço para a construção de um plano de ação estadual, com foco na educação e a mobilização ambiental.

No segundo dia, a Caravana se desloca para o Ecomuseu Sítio do Físico, onde os jovens participarão de atividades de educação ambiental, incluindo oficinas de construção de ecobags e biojoias. O espaço será propício para trocas ideias e debates sobre a ancestralidade, natureza e resistência.

Ana Catarina, jovem da Rede Reaver em Fortaleza e integrante da Organização Ambiental Sustentável, destaca a importância da participação das meninas e mulheres na luta ambiental. “Nós, meninas e mulheres, estamos na linha de frente da crise climática, principalmente nos territórios mais afetados. Nosso papel na defesa da água, dos nossos ecossistemas e das nossas comunidades precisa ser reconhecido e fortalecido. Essa caravana é um espaço onde a gente se organiza, aprende e se fortalece coletivamente para enfrentar os desafios ambientais e sociais.”

A mobilização da juventude maranhense pela justiça climática já vem se consolidando desde a última Caravana da Reaver no estado, realizada em outubro de 2024. Desde então, adolescentes e jovens têm se encontrado periodicamente para fortalecer a luta socioambiental e ampliar as ações no território. “A Reaver no Maranhão busca fortalecer o protagonismo juvenil, promovendo debates sobre os impactos ambientais e impulsionando ações sustentáveis nos territórios. O objetivo é garantir que os jovens defendam seu direito a um meio ambiente equilibrado e sustentável”, destaca Claudett Ribeiro, articuladora do projeto no estado.

A 2ª Caravana da Rede Reaver integra o projeto “Jovens como Protagonistas pelo Meio Ambiente”, promovido pelo Instituto Terre des Hommes (TdH) Brasil e a Rede Reaver e conta com o apoio de Kindernothilfe e do Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). O projeto tem como propósito mobilizar adolescentes e jovens a se mobilizarem por justiça climática nos estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Rio Grande
do Norte.

Saiba mais em: reavernordeste.org.
Serviço: 2ª Caravana da Reaver – Juventude unida pela natureza, diversidade e justiça socioambiental
Data: 22 e 23 de março de 2025
Local e horário:
22/03 (Sábado): Museu Casa do Tambor de Crioula, das 9h às 17h.
23/03 (Domingo): Ecomuseu Sítio do Físico, das 9h às 16h.

Assessoria de Comunicação do Instituto Terre des Hommes Brasil
Dávilla Morais
E-mail: comunicacao@tdhbrasil.org
Telefone: (85) 98126-0560

Partidos políticos e farinha

Há na Assembleia Legislativa do Maranhão uma guerrinha entre grupos ou subgrupos, ou subqualquercoisa para escarafunchar e abocanhar um espacinho ou outro de poder e influência que exista e que possa ser garimpada naquela fonte de poder. Notadamente, na berlinda, estão os mandatos do deputado Carlos Lula e da deputada Ana do Gás que querem sair de suas legendas por conta dos interesses acima (ou outros). Ambos fazem beicinho para a justiça no sentido de trocar de partido e não perder o mandato.

A dinâmica do dia a dia da VIDA é racional, tanto quanto se equilibra com o emocional. O ser humano é plural e diverso (não recorrerei a termos da moda), dentro do gigantismo do prisma que humilha qualquer ideia de Inteligência Artificial. Isso, mesmo, como apontou Hortega y Gasset “o ser humano é ele mesmo e suas circunstâncias”.

Isto posto, podemos apontar umas duas missivas à esbórnia que se constitui o universo dos partidos políticos no país. Ah, não é esbórnia, caro vate? “Ah, por que no tempo de Getúlio…”, diria um, “Não, mas ainda, na Proclamação da República…”, diria outro… Enfim, é como As Pombas de Raimundo Correia… (suspiro desiludido deste jornalista).

Rapidinho viria alguém lembrar o PC do B, parceiro no primeiro governo Roseana Sarney; depois alguém lembraria de Ricardo Murad no PSB, no começo dos anos 2000. “Ah, mas o PT, não!…” um militante histórico pularia estufado da casa do cancão… Certo, pelo PT já passaram Yglésio, Lahésio… Cadê o militante? Eu iria lembrar mais alguns do passado recente, e ainda temos os da atualidade!

Os partidos mais fortes e significativos no Maranhão, nos últimos 50 anos foram PFL e PMDB, todos geridos através de técnicas coronelistas, desde sempre. Ignoro outras notações destas mesmas siglas antes e depois, porque remetem ao mesmo grupo e ao mesmo significado (não direi ideologia). Excetuando-se, com reservas (poucas), o antigo MDB do bipartidarismo, da última ditadura militar, por questões mais didáticas do que outras.

Nenhum partido no Maranhão (ficarei aqui no quintal, mesmo) pode arvorar-se de nada; nem vocês “rapaziada”… Tudo não passa de um jogo, onde a racionalidade não está subjugada a nenhum conceito maior de política, de povo, de nação, ou de bem comum, mas unicamente de interesse pessoais, grupais ou corporativos, e até, internacionais. Não importa em que saco a farinha está, nem de que torrador saiu; foi feita no mesmo forno, da mesma mandioca.

Agora sim: no Brasil as consequências disso remontam aos esquemas da exploração dos recursos naturais no Brasil-colônia, tendo um ponto grave nas negociações da abolição da escravatura, passando pelos vários golpes a partir da Proclamação da República, atravessando todo o século XX e, ainda, com tentativas de golpe, já no século XXI.

Como a justiça vai avaliar a relação entre a “comunista” Ana do Gás, e o “socialista” Carlos Lula e os seus determinados partidos? Como diria o personagem de Otávio Augusto, no maravilho filme de Ugo Georgetti, O Príncipe: “é tudo colunismo social”. Ou ainda, como naquele poema de Baudelaire O bobo e a Vênus: “E Vênus, a implacável, olha para longe, vagamente, com os seus olhos de mármore”.

E então, prezado Ortega Y Gasset, essas são as circunstâncias?

Uma senadora que fecha o ano exalando: “tá tranquilo, tá favorável”

A senadora Eliziane Gama organizou um encontro com a imprensa neste sábado, numa churrascaria elegante da cidade. O evento correu tranquilo com muitos dos principais cronistas da política local.

Um evento que se fosse chamado de “confraternização” caberia com perfeição. Tudo na paz, tudo tranquilo, tudo favorável entre anfitriã e os jornalistas nem sempre tão bonzinhos, assim, com seus personagens.

Mas o mais importante foi a postura da senadora, ou melhor, de Eliziane, que se fez mais presente como mulher, como pessoa, do que como política que ocupa lugar de destaque nas altas rodas do staff nacional, sendo inclusive cotada para ocupar um Ministério do presidente Lula, no ano que vem.

Eliziane circulava suave e sorridente e leve entre seus convidados. Aliás, já foi assim, no grandioso evento que se tornou a comemoração organizada pelo PC do B, em comemoração aos dez anos da eleição de Flávio Dino ao governo do estado, ocorrida há alguns dias.

Talvez seja a maturidade política, ou simplesmente a maturidade, ou algum espírito natalino que ofertou esse ar de alegria e naturalidade à senadora. Com este quantum a mais de qualidade, ela terá dois anos complexos pela frente. Mas, na calma, todos os caminhos parecem sempre mais claros.

A morte e a morte da Literatura: água!

O escritor Danton Trevisan, um dos grandes nomes da literatura brasileira, notadamente o gênero Conto, morreu, nesta segunda-feira 10, em Curitiba (sua cidade natal), aos 99 anos. O Dalton não falava de literatura (com exceção do tempo em que editou a revista Joaquim, de 1946 a 1948), não dava entrevistas (a última foi em 1972), não falava com jornalistas, não gostava de ser fotografado, mas gostava do contato com as jovens estudantes de Letras da UFPR.

Seu livro mais conhecido é O vampiro de Curitiba, de 1965, que rendeu o apelido ao contista – Vampiro de Curitiba –, que de vampiro não tinha nada, apesar de arredio, Dalton viveu no mesmo endereço a vida inteira, de onde saía diariamente para seus passeios matinais. A morte de Dalton vai alargando o Buraco Negro que suga em seu Disco de Acreção uma gama cada vez mais monstruosa de enganadores, medíocres e enrolões da literatura. É como um Quincas que, ao ler estas literaturas, gritaria: “água!”.

Quem faz o olhar sobre o mundo, além das massas, perdeu a voz. Houve tempos em que os construtores da literatura, ou críticos teatrais e etc, eram respeitados e até temidos pela sua pontual certificação do que era bom, mais ou menos ou ruim mesmo. Antônio Houaiss, Barbara Heliodora, os Irmãos Campos, ou o próprio Guimarães Rosa foram vozes ativas e respeitadas em tempos recentes, mas já passados. Eles precederam a internet. Se aqui estivessem, seriam “cancelados”.

Eu já procurei muito (e não encontrei – o Google já não é mais tão generoso) uma situação que me foi descrita por uma amiga, onde numa palestra, ou banca de encontro literário, em Portugal, um professor (não são mais “críticos”) disse na cara da escritora brasileira Aline Bei que o que ela produzia “não é literatura”. “Sobranceira, fornida”, ela encarou o dito cujo e respondeu “é sim!”: “introibo ad altare Dei”…

Não é uma questão de cãibra, de impaludismo, de velhice, de saudosismo, de preciosismo, nem de letra M nenhuma (M, a letra do Maranhão, segundo P. Antônio Vieira). Quantos já propuseram a “morte da poesia, morte da literatura” e etc… Poe, Walt Whitman, Rimbaud, Pound modificaram e elevaram a literatura em seus tempos (que são mais ou menos os mesmos) até outra Ordem secular, mas isso já tem mais de cem anos e no Brasil daquela época reinava o soneto, a formalidade, enfim, o beletrismo asseado e conformado. Embora tivéssemos Sousândrade, mas este ficou confinado no ostracismo por quase um século, até que os irmãos Campos o resgataram. Este ano aconteceu a publicação das obras completas dele, numa edição linda, feita, justo em Curitiba, pela Editora Anticítera.

Na era virtual as escritas são igualmente virtuais. O que se produziu há 20 anos, no Editor de Texto da época, que já foi superado, talvez, no futuro, não seja possível mais decifrar o que foi registrado ali. Se é que haverá alguém a se interessar por escritos. Mas, talvez, mais na frente, alguma Inteligência Artificial “reescreva” o que se perdeu de um bom poeta dos anos 2000. Que tal?

A literatura sempre foi vítima de genocídio. Quantas obras foram queimadas, se perderam por desleixo, por motivos políticos, por inveja, por dinheiro… Mas nunca foi assim, tão insidiosa a destruição da literatura em detrimento das puerilidades. Há um sangue nos olhos e um saldo no banco para desenganar qualquer proposta que não esteja de acordo com o status quo, que ainda existe…

Este imediatismo vai custar caro. Na educação já está gerando grandes preocupações em pesquisadores, a exemplo do psicólogo social e professor Jonathan Haidt, que tem alertado para os males da virtualidade perante a vida escolar e social das crianças. Segundo o professor norte americano, as crianças, sufocadas pelo mundo virtual, pelas redes sociais, estão perdendo o convívio com seus pares, e ficando doentes, no que ele chamou de a Geração Ansiosa, título de um de seus livros.

O Dalton, um dos últimos representantes da literatura brasileira do século XX (e XXI, ele escreveu e publicou até os 90 anos) se foi. Quem está publicando agora, escritores e editores tem uma missão: a de não deixar a literatura de verdade morrer, essa que não é politicamente correta, que incomoda, que desdiz o que todos dizem, que causa dor, nojo e êxtase. Até por que, como disse o Dalton “Só a obra interessa… O autor não vale o personagem… O conto é mais importante que o contista”…

Há um limiar absurdo travestido de justiça: a condenação de obras de literatura em detrimento de leis ou entendimentos do momento. É uma armadilha para apagar um passado vergonhoso, que, antes de ser apagado, precisa ser exposto e analisado à luz do desenvolvimento da alteridade, para que não se repita.

A escrita eletrônica não admite sequer palimpsestos; depois do “salvar”, já era. A literatura não gera fósseis, ela é o espanto do espartano de Plutarco: “uma voz e mais nada”. Mas pode ser reconstruída a partir do nada – a essência humana, “a outra ordem do mundo”, mas, para isso, é preciso que haja sobreviventes.

José Ewerton Neto lança novo livro na Academia Maranhense de Letras

O escritor José Ewerton Neto lança nesta quinta-feira (17) seu novo livro, A última viagem de Gonçalves Dias. Trata-se de uma coletânea com quatro contos, cada um buscando um estilo e uma referência próprios, ora a linguagem, ora a emoção.

Ewerton Neto, membro da Academia Maranhense de Letras é autor de diversos títulos, envolvendo romance, contos e poesia, além de uma coluna de crônicas em um site local. Os livros O ofício de matar suicidas e O menino que via o além são exemplos de trabalhos do autor que percorreram e percorrem o país inteiro, ambos já tendo várias edições.

Agora, com o novo livro, Ewerton retorna ao conto, gênero bastante frequente na obra do autor. O livro será apresentado ao púbico na Academia Maranhense de Letras (Rua do Sol, aos fundos da Igreja do Carmo), a partir das 18:30. O evento conta, ainda, com a palestra Cidade e Memória: São Luís nos versos de José Chagas e Arlete Nogueira, por Gabriela Lages.

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Os quatro contos

“A última viagem de Gonçalves Dias” é uma ficção criada livremente pelo autor a partir de elementos por ele captados nos parcos registros existentes sobre a vida do poeta Gonçalves dias em seus últimos dias.  Nesta narrativa a imaginação supre de simbolismo poético a realidade trágica desses derradeiros momentos – que até hoje permanece envolta em sombras, distante de luz esclarecedora que alumie o eu de fato aconteceu.

“O pequeno dicionário de paixões cruzadas” é uma história policial de paixão e mistério que, forma inusitada no gênero, é ritmada por palavras, o que gradativamente seduz o leitor até o desfecho surpreendente.

“Viagem tão longa” trata do passeio de dois passageiros em cima de uma moto, tão breve em uma direção quanto ousada, pungente e interminável em outra, pelos meandros dos mais puros e conturbados sentimentos familiares.

“Volte ao meu romance” é um romance dentro do romance, uma aventura de jovens que hesitam entre descambar para a paixão ou construírem uma terna homenagem ao próprio romance.

Expediente:

Lançamento do livro A última viagem de Gonçalves Dias, de José Ewerton Neto

Quinta-feira, dia 17, às 18h30min

Na Academia Maranhense de Letras (Rua do Sol, Centro)

Honorato lança candidatura em evento na Fetaema neste sábado(24)

O candidato a vereador de São Luís, Honorato Fernandes (PT), convida toda a comunidade para o lançamento de sua candidatura, que acontecerá neste sábado(24) na Fetaema. O evento, realizado em parceria com a Fetaema ( Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão )e o STTR(Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais), terá como foco um debate sobre a agricultura familiar, a pesca e os desafios enfrentados pela zona rural.

Honorato, que já exerceu mandato por duas legislaturas, sempre direcionou suas ações em prol dos movimentos sociais e da dignidade de vida dos cidadãos. Uma de suas principais bandeiras tem sido o fortalecimento da zona rural e a garantia de seu espaço no plano diretor da cidade.

“Me senti muito honrado ao ser convidado pelos companheiros da Fetaema e STTR para fazer o lançamento da nossa candidatura num evento na zona rural, discutindo temas tão importantes como a agricultura familiar. Vamos seguir juntos, trabalhando sempre pelo fortalecimento da nossa cidade. Política se faz assim: ouvindo, dialogando, buscando recursos e colocando em prática as demandas”, afirmou Honorato Fernandes.

Angela Silva, presidente da Fetaema, destacou a importância do retorno de Honorato ao parlamento municipal: “Honorato tem uma grande identificação com as causas sociais e com a agricultura familiar. Nas lutas, sempre esteve ao nosso lado, e estamos com ele”.

O titular da SAF( Secretaria da Agricultura Familiar), Bira do Pindaré, reforçou o convite para o evento: “Honorato é um companheiro que se envolve verdadeiramente com as causas mais importantes para a nossa população. Ele está engajado com os movimentos populares e não teme lutar pela defesa dos direitos dos cidadãos. Estamos juntos nesta luta”.

LOCAL: Fetaema
Endereço: Rua Urucutiua- 11- Aracagy
Data e Hora: 24/08 (Sábado) – 14:00h

A cidade amanhece sem água, sem ônibus, sem governo e nunca terá

A cidade amanhece sem água, sem ônibus, sem governo e nunca terá

Parece problema de meados do século XX, de uma república de bananas qualquer encravada na imensidão selvagem da América do Sul… Roteiro de filme irresponsável, como um sem percentagem das produções roliudianas. Ou a São Luís do século 19 quando Ana Jansen manipulava a distribuição de água na capital Timbira, feita sob carroças puxadas por cavalos ou bois…

“Mudaram as estações, nada mudou”… outro roteiro de música ingênua de Renato Russo cabendo na nossa capital de mais de um milhão de habitantes, onde os princípios ainda se firmam em costumes (?) monárquicos de séculos passados.

A única coisa que parece transcorrer na hipermodernidade, ou modernidade líquida é que as notícias pipocam nas redes sociais: grupos de porteiros, supervisores ou de síndicos, que anunciam mais um desespero na chegada ao trabalho, uma vez que não tem transporte coletivo das “cidades dormitórios” que fornecem profissionais para a “corte”, mas também não chegou a água do “dia de sim” e as cisternas estão vazias…

“E ainda assim, ela gira”… mesmo que nos grupos de jornalismo, de blogueiros nada, ou quase nada se fale, porque a greve é de responsabilidade do governo do estado.  Transporte semiurbano da famigerada MOB, a água da famigerada CAEMA e tantos famigerados…

Resta vir um magistrado com sua “varinha mágica” e decretar a greve: ilegal (mas é de responsabilidade do governo!!!! – mas vai sobrar para o sindicato! rsrsrsrs), e, pronto! “missão cumprida!”.

Enquanto isso na “fundição do jeitinho”, se forja um, quer dizer, constrói-se uma legislação para nomear parentes, homenagear cretinos ou impedir piercing e tatuagem em cachorros (que cagam e mijam a cidade inteira), ou pra dar passagem de graça para “cegos em quartos escuros, procurando gatos pretos que não estão lá”, embora o transporte esteja paralisado porque “nãoseiquem disse que pagou, mas nãoseiquem disse não recebeu e nãoseiquem resolveu parar da noite para o dia e a generalidade de trabalhadores, empresários e todo mundo que se foda.

Mas a construção da justiça e da dignidade humana, não. Definitivamente, não! Isso é com a torcida. Água, transporte coletivo, limpeza urbana, sustentabilidade, cidadania: só arrumando um “bando de macho, com testosterona” para resolver isso na bala, no chute e no grito. Né, Coronel?!

P.S: A última frase contem ironia.

Em 2023, massa de rendimentos e rendimento domiciliar per capita atingem recorde

No ano passado, com a melhora do mercado de trabalho e o aumento do número de beneficiários de programas sociais, a massa de rendimento mensal domiciliar per capita chegou a R$ 398,3 bilhões, o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, iniciada em 2012. Na comparação com o ano anterior, o aumento foi de 12,2%, ao passo que em relação a 2019 (R$ 365,2 bilhões), ano que até então marcava o maior valor da série histórica, a expansão foi de 9,1%.

No mesmo período, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita cresceu 11,5% ante 2022, ao alcançar o valor de R$ 1.848 e também atingir o maior patamar da série, superando o registrado em 2019 (R$ 1.744). Esses indicadores consideram todas as origens de rendimento, ou seja, além dos provenientes do trabalho, há a categoria outras fontes, que é composta por aposentadoria e pensão, aluguel e arrendamento, pensão alimentícia, doação e mesada de não morador e outros rendimentos. Os dados fazem parte do módulo Rendimento de todas as fontes, da Pnad Contínua, e foram divulgados hoje (19) pelo IBGE.

O rendimento médio real de todas as fontes cresceu 7,5% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 2.846 em 2023 e se aproximando do maior patamar da série histórica, registrado em 2014 (R$ 2.850). Após dois anos de queda com os efeitos da pandemia de Covid-19 (2020 e 2021), esse rendimento voltou a crescer em 2022, ao ser estimado em R$ 2.648.

Já o rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos (calculado para as pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas) foi estimado em R$ 2.979 em 2023, um aumento de 7,2% em relação a 2022 (R$ 2.780) e de 1,8% na comparação com 2019 (R$ 2.927).

Em 2023, o aumento desse rendimento resultou em uma massa mensal de rendimento de R$ 295,6 bilhões, o maior valor da série histórica da PNAD Contínua. Esse valor representa um crescimento de 11,7% em relação a 2022 (R$ 264,6 bilhões) e de 8,8% ante 2019 (R$ 271,7 bilhões).

“O aumento considerável da massa de rendimento do trabalho em 2023, comparando com o ano anterior, se deve tanto à expansão da população ocupada quanto à elevação do rendimento médio do trabalho. Em 2023, em relação a 2022, tinha 4,0 milhões a mais de pessoas ocupadas com rendimento do trabalho. Com essa expansão, a massa de rendimentos do trabalho também superou o valor de 2019, até então o ano com o maior valor da série da PNAD Contínua”, explica Gustavo Geaquinto, analista da pesquisa.

Cresce proporção de pessoas com outras fontes de renda

As pessoas que tinham algum rendimento de trabalho equivaliam a 46,0% da população residente no país em 2023, um aumento ante o ano anterior (44,5%). Já 26,0% tinham alguma fonte de rendimento diferente do trabalho (outras fontes). Em 2022, essa proporção era de 24,4%. O crescimento dessa parcela da população, que não ocorreu nos dois anos anteriores, influenciou o aumento do grupo com algum tipo de rendimento (64,9%), que atingiu o maior valor da série histórica.

O rendimento médio de outras fontes cresceu 6,1% ante o ano anterior, chegando a R$1.837. Em 2019, atingiu o maior valor da série (R$ 1.892), mas caiu em 2020 (R$ 1.601), no primeiro ano da pandemia de Covid-19.

“Em 2020, essa queda acentuada de 15,4% pode ser parcialmente explicada por uma mudança na composição das pessoas que recebiam esse rendimento, o que se deve à forte expansão do número de pessoas que recebiam rendimentos de programas sociais, sobretudo Auxílio Emergencial, cujo valor médio era inferior ao valor médio de outros componentes como, por exemplo, aposentadoria e pensão”, detalha o analista.

Entre os componentes do rendimento de outras fontes, a maior média mensal seguiu com a aposentadoria e pensão (R$2.408), que cresceu 6,6% em relação ao ano anterior (R$ 2.258), mas permaneceu 3,6% abaixo do observado em 2019 (R$ 2.499). Em quatro das grandes regiões, essa também foi a categoria de maior valor médio entre os rendimentos de outras fontes. A exceção era o Sul (R$ 2.321), onde a média de rendimentos vindos de aluguel e arrendamento (R$ 2.661) superou essa categoria no ano passado.

No país, os rendimentos provenientes de aluguel e arrendamento tiveram valor médio de R$ 2.191, um aumento de 19,3% na comparação com o ano anterior (R$ 1.836). No ano passado, essa fonte representou 2,2% do rendimento médio mensal domiciliar per capita da população residente no Brasil.

Outra categoria presente na composição dos rendimentos de outras fontes é a de outros rendimentos, que inclui, por exemplo, os programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), além do seguro-desemprego, o seguro-defeso e as bolsas de estudo, entre outros. O rendimento médio das pessoas que declararam receber outros rendimentos chegou a R$ 947, o maior da série histórica.

Na comparação com 2022 (R$ 850), o aumento foi de 11,4%, enquanto em relação a 2019 (R$ 747), o crescimento do valor médio dos outros rendimentos foi ainda mais expressivo (26,8%). De acordo com o pesquisador, esse crescimento está relacionado, sobretudo, ao principal programa de transferência de renda do país. “O valor médio do benefício pago pelo Bolsa Família, que já tinha aumentado em 2022 (na época, Auxílio Brasil), voltou a crescer em 2023. Isso refletiu no valor médio dos outros rendimentos, principalmente pelo fato de que o rendimento proveniente do Bolsa Família é o de maior peso na rubrica outros rendimentos”, observa.

Já a média de rendimento da categoria composta por pensão alimentícia, doação e mesada de não morador foi de R$ 753, o que retrata um crescimento de 4,6% ante o estimado no ano anterior (R$ 720). Dentre os componentes de outras fontes, essa é categoria com menor proporção na composição do rendimento médio mensal domiciliar per capita (0,9%), percentual que vem se mantendo estável desde 2021 (0,8%). Apenas 2,3% da população do país recebia rendimentos vindos dessa fonte no ano passado.

Quando comparado ao ano anterior, houve aumento no valor médio de todos os componentes do rendimento de outras fontes – aposentadoria e pensão, aluguel e arrendamento, pensão alimentícia, doação e mesada de não morador e outros rendimentos, na média nacional. Com esse crescimento, o rendimento médio proveniente de outras fontes passou a responder por 25,8% do rendimento médio mensal domiciliar per capita em 2023. Em 2012, representava 24,3%.

No ano passado, a expansão do rendimento médio mensal real proveniente de outras fontes ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste (8,3%). Já no Nordeste, o aumento foi menor (4,1%). Nessa região, o rendimento de outras fontes representou 34,3% do rendimento médio mensal domiciliar per capita em 2023. No ano anterior, essa proporção era 34,1% e em 2012, 30,0%.

Em 2023, a proporção da população que recebia outros rendimentos chegou a 10,1%, um aumento de 1,2 p.p. comparado ao registrado no ano anterior (8,9%). O maior patamar foi em 2020 (14,3%), ano em que o Auxílio Emergencial foi criado para combater os efeitos da pandemia.

No ano passado, a categoria outros rendimentos representou 5,2% do rendimento médio mensal domiciliar per capita da população do país. No ano anterior, essa proporção era de 4,6% e no início da série histórica, em 2012, de 4,4%. Em direção oposta, a parcela do rendimento do trabalho nessa média passou de 74,5%, em 2022, para 74,2% em 2023. Esse resultado tem relação com o crescimento dos dois tipos de rendimento no período.

“Ainda que a massa de rendimentos do trabalho tenha aumentado consideravelmente, o rendimento de outras fontes cresceu ainda mais, aumentando levemente o seu peso no rendimento domiciliar. Entre os rendimentos de outras fontes, destaca-se a expansão dos rendimentos provenientes de programas sociais e de aluguel e arrendamento”, explica o pesquisador.

Percentual de domicílios beneficiários do Bolsa Família é recorde em 2023

A pesquisa também abordou a proporção de domicílios com algum beneficiário do Bolsa Família. No ano passado, quando a nova versão do programa foi implementada, a proporção de domicílios com beneficiários chegou ao maior patamar da série histórica (19,0%). Os maiores percentuais estavam no Norte (31,7%) e no Nordeste (35,5%).

Em 2012, cerca de 16,6% dos domicílios do país recebiam benefício do programa. Em 2019, ano que antecedeu a pandemia, essa proporção havia caído para 14,3%. No ano seguinte, com a presença do Auxílio Emergencial, a proporção de domicílios com beneficiários do Bolsa Família caiu para 7,2%, ao passo que os recebedores de outros programas sociais saltaram de 0,7%, em 2019, para 23,7% em 2020.

Em 2021, com a flexibilização das medidas sanitárias, o Auxílio Emergencial passou por mudanças, como a redução no número de parcelas e do valor médio recebido pelos beneficiários. Com isso, o percentual de domicílios que recebiam Bolsa Família (8,6%) voltou a crescer, enquanto a proporção de outros programas sociais (15,4%) caiu. Em 2022, esse comportamento se intensificou, com o fim do Auxílio Emergencial e a substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, chegando a 16,9% e superando o patamar de 2012.

Outro ponto observado pela pesquisa foi a diferença de rendimento entre os lares beneficiados com algum programa de renda e os que não recebiam esse tipo de auxílio. Nos grupos de domicílios que recebiam Bolsa Família, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 635, enquanto naqueles que não recebiam, de R$ 2.227.

“Vemos que o aumento do valor médio do benefício contribuiu para o crescimento do rendimento per capita dessas famílias. E é um crescimento substancial, se a gente comparar 2019 com 2023. Em 2022, já tinha tido um aumento importante do rendimento médio per capita dessas famílias e, em 2023, isso cresceu ainda mais”, diz Gustavo. Entre 2019 e 2023, o rendimento médio per capita dos domicílios que recebiam Auxílio Brasil/Bolsa Família cresceu 42,4%, enquanto aumentou 8,6% entre aqueles que não recebiam o benefício.

Em março de 2023, o Auxílio Brasil deu lugar à nova versão do Bolsa Família, que manteve o valor mínimo de R$600 do programa anterior, que havia sido reajustado no segundo semestre de 2022, e incluiu novos benefícios de acordo com a composição familiar, o que provocou aumento do valor médio recebido. Inicialmente, o valor médio do Auxílio Brasil era de R$ 400.

Recebimento de rendimento de programa social e tipo de programa social Rendimento médio mensal real
domiciliar per capita (R$)
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023
Recebe Bolsa Família 484 513 524 500 467 449 447 446 469 417 557 635
Não recebe Bolsa Família 1961 2014 2056 1969 1960 1951 2028 2051 1797 1699 1967 2227
Recebe BPC-LOAS 905 951 971 956 935 938 903 941 979 902 940 1068
Não recebe BPC-LOAS 1647 1701 1751 1698 1679 1684 1752 1776 1693 1574 1688 1885
Recebe outros programas sociais 811 684 827 897 785 773 912 854 954 705 851 826
Não recebe outros programas sociais 1640 1704 1747 1684 1661 1666 1726 1751 1936 1735 1674 1867
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Pesquisas por Amostra de Domicílios, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2012/2023.

Desigualdade de renda permanece alta em várias comparações

Os pesquisadores observaram que os 10% da população com maiores rendimentos recebiam, em média, 14,4 vezes o rendimento dos 40% da população com os menores rendimentos. Esse valor se iguala ao registrado no ano anterior, o menor da série histórica da pesquisa.

“Com aumento significativo da ocupação e o pagamento de valores mais altos aos beneficiários do Auxílio Brasil em 2022, essa razão caiu para o menor valor da série, permanecendo assim em 2023, quando observamos um aumento considerável tanto da renda do trabalho quanto da renda proveniente de outras fontes, especialmente de programas sociais”, pontua o pesquisador.

O rendimento mensal domiciliar per capita dos 40% da população com menores rendimentos foi, em média, R$ 527, o maior valor registrado pela série histórica. A melhora também é explicada pelo recebimento do Bolsa Família e pela recuperação do mercado de trabalho no período. Na comparação com 2022 (R$ 468), o valor foi 12,6% maior. Comparado a 2019 (R$ 442), houve aumento de 19,2%.

Já o grupo composto pelo décimo da população com os maiores rendimentos tinha rendimento médio domiciliar per capita de R$ 7.580 em 2023, também alcançando o maior patamar da série. Houve crescimento de 12,4% ante 2022 (R$ 6.746). Quando considerado o 1% das pessoas com maiores rendimentos, a média recebida era de 39,2 vezes o rendimento dos 40% com menor renda. Esse grupo tinha rendimento médio per capita de R$ 20.664, em 2023.

Índice de Gini fica estável no menor ponto da série histórica

O índice de Gini, que mede a concentração da distribuição de renda em uma população, foi de 0,518 em 2023, repetindo o resultado do ano anterior, quando atingiu o menor patamar da série histórica. O valor do indicador varia de zero (perfeita igualdade) a um (máxima desigualdade). Nesse resultado específico, foi considerada a desigualdade referente ao rendimento médio mensal real domiciliar per capita recebido pela população do país.

A publicação destaca que houve uma tendência de redução da desigualdade entre 2012 e 2015 (de 0,540 para 0,524), mas a partir do ano seguinte, o indicador aumentou até chegar ao maior valor da série histórica, em 2018 (0,545). Nos anos seguintes, oscilou entre estabilidade, queda e aumento até chegar ao menor nível (0,518) em 2022.

Para Gustavo Geaquinto, o cenário de estabilidade é explicado tanto pelos movimentos no mercado de trabalho quanto pela ampliação dos programas sociais. “No último ano, houve aumento importante da população ocupada, ou seja, muita gente que estava fora do mercado de trabalho, sem renda do trabalho, foi reinserida. No entanto, o rendimento do trabalho cresceu a uma taxa mais elevada na classe dos 10% da população ocupada de maior renda. Por outro lado, também houve um crescimento considerável dos rendimentos de outras fontes, sobretudo da rubrica outros rendimentos, que inclui os programas sociais. Isso beneficiou fortemente a população de menor renda. Então houve esse efeito dos dois lados”.

Há diferenças marcantes quando observadas as grandes regiões do país. Ainda que o índice tenha caído no Nordeste (0,517 para 0,509), e alcançado o menor valor da série histórica, essa região ainda tem a maior desigualdade na distribuição de renda. Ela é seguida de perto pelo Sudeste (0,508), onde o índice cresceu na comparação com o ano anterior (0,505). O menor índice foi registrado pelo Sul (0,454).

“Em termos de desigualdade de renda, o Sudeste se aproximou bastante do Nordeste. Tanto no Sudeste quanto no Centro-Oeste, a variação positiva do índice de Gini do rendimento domiciliar entre 2022 e 2023 refletiu o aumento da desigualdade no rendimento do trabalho observada nessas regiões. Inclusive, duas UFs localizadas nessas regiões, o Distrito Federal e o Rio de Janeiro, estão entre as cinco com maior índice de Gini do país, juntamente com alguns estados do Nordeste: Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte”, destaca.

Fonte: IBGE

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