Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

Autor: Natanael Júnior Page 4 of 9

Sem opções PDT deve ir de candidatura própria em São Luís

Afastado do protagonismo do poder municipal em São Luís desde 2008 o PDT chega para as eleições desse ano numa posição muito delicada.

Com apenas 3 vereadores na câmara municipal e com o futuro incerto da sua maior liderança, o senador Weverton Rocha, o partido está numa encruzilhada em que não pode escolher errado qual via deve  seguir.

O PDT teoriocamente teria três opções, apoiar Duarte Jr, Eduardo Braide e uma candidatura própria. Nenhuma das opções acima esta descartada, porém as duas primeiras estão mais distantes da realidade

Para ingressar nas fileiras do governo e caminhar de mãos dadas com Duarte Jr, o senador precisaria de uma redenção do governador, mas a julgar pelos efeitos e consequências da última eleição, essa primeira opção é a mais improvável, uma vez que Brandao desde o rompimento até hoje não fez um gesto sequer para o senador.

Em relação a aliança com Eduardo Braide poderia até ser um caminho natural, mas a postura de isolamento do prefeito com aliados e o não cumprimento de acordos políticos não traz segurança para um partido do tamanho do PDT.

Como opção sobra  uma candidatura própria do ex vereador Fábio Câmara, que como diz um ditado popular, seria “a fome com a vontade de comer” e talvez seja essa a melhor opção para o partido que ainda tem a fama de uma militância atuante que faz a diferença na capital.

Apesar de não ser a opção que Weverton gostaria, mas tio Fábio reúne bons requisitos para a disputa. É de origem da classe trabalhadora, tem um bom discurso, é um político experiente na capital e conhece de perto todos os problemas da cidade, além de que pode entrar para a história como o primeiro prefeito negro de uma cidade com fortes raízes dos povos africanos.

 

 

Carnaval 2024: São Luís e Olinda números que atestam a nossa incompetência

Passada a empolgação dos shows milionários no carnaval o resultado foi bem diferente da expectativa que foi gerada e com pouco saldo para comemorar.

Apesar dos investimentos pomposos e as manchetes fantasiando grandezas, o resultado real foi bem abaixo do propagado. Segundo os dados oficiais do ministério do turismo o carnaval do Maranhão sequer foi citado entre os 10 maiores do Brasil, bem diferente das notícias oficiosas que vendiam a ilusão que teríamos a maior e melhor folia do país.

Na real mesmo, segundo os números da secretaria de turismo 15.351 pessoas chegaram a São Luís através do aeroporto Marechal da Cunha Machado. Ou seja, prefeitura e governo gastaram aproximadamente 25 milhões para receber apenas 15 mil pessoas, muito pouco para tamanho investimento. Isso sem levar em consideração a quantidade de pessoas que vieram a trabalho nas equipes de todos esses artistas e também os próprios maranhenses que vieram passar o carnaval em sua terra natal.

Agora se comparamos com o Carnaval de Olinda onde foi investido algo em torno de 15 milhões, o resultado é humilhante para o Maranhão.

Com pouquíssimas atrações de outros estados como Fundo de Quintal, Pitty, Martinalia e 95% de nomes do próprio Estado, o carnaval na cidade histórica pernambucana reuniu mais de 4 milhões de pessoas segundo os dados oficiais.  O impressionante é que mais da metade eram turistas que foram em busca de um  carnaval com identidade e respeito a cultura local.

Bem diferente do assassinato das nossas tradições que aconteceu aqui com o aval do poder publico, onde nossos gestores disputavam likes em redes sociais anunciando sem planejamento atrações milionárias nas vésperas do carnaval, enquanto nossos artistas foram relegados a coadjuvantes sem nenhuma valorização.

E pelo visto esse modelo de sucesso momentâneo deve continuar, afinal tanto a Secult quanto a Secma foram transformadas em produtoras de eventos de atrações milionárias, enquanto isso nossos artistas definham sem políticas públicas efetivas e assistem de fora do camarote a desapropriação cultural pelos inquilinos do poder sem nenhum respeito as nossas tradições.

 

 

 

 

Braide manda mais um para a “Fogueira das Vaidades”

Um olhar sobre a notícia

Para analisar com mais profundidade essa crise na Secult é preciso relembrar a demissão na Semcas, onde 90 servidores foram demitidos por suspeitas de favorecimento em contratos no valor de R$ 1.7 milhão com a empresa AD Infinitum, que ganhou quatro pregões para fornecer fraldas descartáveis, alimentos perecíveis e não perecíveis.

A crise recente na Secult traz uma comparação no mínimo curiosa e inversamente proporcional à força aplicada na Semcas. O Prefeito Eduardo Salim Braide deixa claro que não tem pudor ao se colocar de fora de um problema que era de seu total conhecimento.

A empresa Juju e Cacaia – Tu és uma Benção foi a única interessada e, consequentemente, selecionada para um chamamento público para realizar o carnaval em São Luís, pelo valor de R$6.9 milhões. A tramitação foi muito rápida, sem prazos e burocracia, quase na instantaneidade de um milagre ou um chamamento divino, uma verdadeira benção.

O instituto, que é uma benção, alega estar tudo dentro da normalidade e acredito que deva estar mesmo, afinal Juju e Cacaia já vem trabalhando normalmente com a prefeitura, como no contrato firmado com a Fundação do Patrimônio Histórico no valor de R$798.000,00. O instituto comandando por Katia Bógea pretende erguer um monumento em homenagem ao Complexo Cultural do Bumba-Meu-Boi do Maranhão. Dessa forma, presume-se que teremos um boi de 800 mil reais na avenida Vitorino Freire e qualquer semelhança com o Touro de Ouro do Centro Histórico de São Paulo, será mera coincidência.

Outro dois contratos da empresa Juju é uma benção chamam atenção. Em junho de 2023 a Secult pagou o valor de R$ 370 mil Reais, através de uma emenda da vereadora Concita Pinto para a realização do projeto Noites de São João, porém nas redes sociais do instituto, nesse período só aconteceu o pequeno evento denominado “Arraiá da Juju”.

Em outro pagamento, dessa vez feito pela SECMA, no valor de R$300.000,00, para realização do São Luís Gospel, com indicação de emenda do deputado Fernando Braide, que é irmão do Prefeito, muita coincidência não é verdade?

Agora o que chama mais atenção é o julgamento do Prefeito nos dois casos. Na Semcas, ele fez o raspa demitindo noventa servidores por suspeitas em contratos de R$1.7 milhões, contratos com licitação, inclusive. Já no recente escândalo da Secult, onde os valores são quatro vezes maiores e passam de R$ 8 milhões, ele só demitiu apenas três pessoas, o secretário, a chefe de gabinete e o analista jurídico. A chefe de Gabinete já disse em entrevista que o prefeito sabia de tudo e a julgar pelos pagamentos anteriores sabia mesmo.

Porém, essas demissões não explicam os motivos dos superfaturamentos dos cachês e também não explica como foi feito o pagamento de artistas nacionais que só se apresentam se receberem antecipado. Será que Joelma tocou sem receber a benção de Juju e Cacaia?

Visivelmente constrangido, o Prefeito tenta desviar o foco jogando na fogueira apenas quem já considerava um empecilho para o modelo que já vinha sendo aplicado na Secult, desde o ano de 2022 , onde deu poder a pessoas que não conhecem nada da nossa cultura, tendo como experiência apenas produzir grandes eventos de forró, axé e similares. Mas com o mercado privado em baixa, a “solução” foi se agarrar no poder público vendendo a ilusão de que o prefeito deve ser um mega produtor  cultural subindo ao palco como se fosse um pop star, para isso é claro, é preciso pagar caro, o que demonstra ser apenas um detalhe quando a origem é de verba pública. Enquanto isso a classe artística que até hoje espera a volta do Circo da Cidade e do pagamento da lei Paulo Gustavo segue sendo ignorada pelo prefeito que prometeu em campanha agir diferente.

Para Marcos Duailibe deve ficar a lição de que o sonho de ser protagonista na área que sempre atuou se transformou em queimação e a vaidade que ronda quem está no topo traz consigo o que há de pior nas relações pessoais, a traição.

 

Um Partido Novo em busca de velhas práticas

Em 25 novembro de 2022, o empresário João Amoêdo, um dos fundadores do Partido Novo anunciou o seu desligamento da sigla. Depois de sofrer muitas críticas internas por ter apoiado Lula, Amoêdo disse o seguinte em suas redes sociais. “Hoje, com muito pesar, me desfilio do partido que fundei, financiei e para o qual trabalhei desde 2010, infelizmente, o Novo, fundado em 2011 e pelo qual trabalhamos por mais de 10 anos, não existe mais”.

 Amoêdo não parou por aí e demonstrou com todas as letras a sua visão sobre o partido.

“O Novo atual descumpre o próprio estatuto, aparelha a sua Comissão de Ética para calar filiados, faz coligações apenas por interesses eleitorais, idolatra mandatários, não reconhece os erros, ataca os Poderes constituídos da República e estimula ações contra a democracia”.

Notem que essa declaração foi dada 45 dias antes da baderna golpista de 8 de janeiro. Oficialmente, em 2022, o Novo liberou filiados a votar de acordo com a sua consciência e princípios partidários, porém, na mesma nota oficial se posicionou contra o PT e ao Lulismo, como aquele conhecido adágio popular: “como quem atira a pedra e  esconde a mão”.

O resultado, com base em números, constata que com o afastamento de uma liderança como João Amoêdo, o Novo, que vinha em crescimento no país com 8 deputados federais e 12 estaduais encolheu para 3 deputados federais e 5 estaduais. Um claro sinal de que o Partido Novo não é mais tão novo assim.

Mas, vamos falar das nossas “vacas-frias”. No Maranhão, o partido vinha tentando caminhar com quadros inteligentes, nomes preparados, de afinidade com o estatuto da legenda e principalmente fora da bolha política tradicional. Mas, depois do racha ideológico na executiva nacional, o cenário maranhense também mudaria os rumos e um dos nomes anunciados como novidade foi o do piauiense Lahésio Bonfim, ex- prefeito da pequenina cidade de São Pedro dos Crentes, de aproximadamente cinco mil habitantes e apenas 4 escolas da rede municipal de ensino.

Lahésio, que já foi filiado ao PT, PDT e até no PSB do governador Carlos Brandão, surfou na onda do bolsonarismo vendendo a ilusão de que era o melhor prefeito do Maranhão, com base nos números de uma cidade menor do que um bairro da zona rural de São Luís e que sequer enfrenta problemas que os municípios maiores enfrentam diariamente, como por exemplo, o caos do transporte público.

Trazendo a analogia para o mundo empresarial, que é o campo do Partido Novo, é como o dono de um mercadinho de 100 metros quadrados achar que pode administrar o Atacadão Mateus. Um exemplo recente demonstrou mais uma vez a falta de preparo intelectual de Lahésio, em uma tentativa de debater com o vice governador Felipe Camarão e acabou por ficar sem argumentos apelando de forma baixa e preconceituosa insinuando que Felipe seria gay. Uma total falta de respeito com a família do secretário de educação e também com todas as famílias maranhenses e com a comunidade LGBTQIA+,  que não pode ser tratada como algo pejorativo. Ainda que a orientação sexual de Camarão fosse uma verdade, a exposição de questões pessoais demonstra uma postura lamentável ainda mais vindo  de um partido que sempre debateu de forma inteligente e respeitosa.

Ainda sob a liderança presencial e intelectual de Lahésio, o partido vem buscando nomes para concorrer ao cargo de prefeito na capital. O primeiro seria o seu, mas como ele não pode concorrer a nenhuma eleição municipal esse ano, abriu conversas com os deputados Wellington do Curso e Yglésio Moíses.

O primeiro está com a vida partidária resolvida e pode se filiar imediatamente. Agora, o caso do recém convertido  bolsonarista, eleito num partido de esquerda, é bem mais complicado. O governador Carlos Brandão, presidente da legenda no Maranhão, já declarou que o PSB vai com o deputado federal Duarte Junior, desafeto antigo do ex –presidente do Moto. Além disso, existe uma briga judicial em que Yglésio quer sair da sigla sem perder o mandato e apesar de ter conseguido uma liminar no TRE, o partido pretende levar o caso até o STF piorando tudo. Afinal, todos já sabem que Flávio Dino, outro grande desafeto seu, assume uma cadeira no Supremo Tribunal Federal a partir de fevereiro.

O caminho mais curto para ele seria a interferência do governador, porém, seria uma barganha um tanto cara interceder junto a Flávio Dino e ao “quase” comandante da ABIN Ricado Capelli, mais um desafeto raivoso de Yglésio Moises. Situação muito delicada e ainda sem desfecho.

O Partido Novo, pelo visto, deve aguardar mais um pouco e por enquanto vai deixar na geladeira o professor, historiador e monarquista Diogo Gualhardo, que é sem dúvidas um quadro inteligente da legenda, mas ideologicamente preso a contos de fadas de reis e rainhas de um passado que não volta mais.

Para finalizar, vou pedir uma licença poética e mudar um pouco a célebre frase de Shakespeare para dizer que “não há nada de novo no reino da Dinamarca”.

Cleber Verde no MDB. O novo jogador do time

O ídolo do esporte brasileiro Romário disse uma vez “o cara entrou agora no ônibus e já quer sentar na janela?” a polêmica envolvia o técnico do Fluminense na temporada de 2004.

Pegando emprestada a analogia do herói do tetra e trazendo a discussão para crise que envolve os caminhos do MDB nas próximas eleições municipais em São Luís, não está difícil de perceber que Cleber Verde vem pisando feio na bola.

O Deputado Federal teve uma reeleição dificílima e ainda ficou a beira de perder o mandato por uma ação de Hildo Rocha do MDB maranhense que contestava o critério das sobras eleitorais e diante da expectativa frustrada de eleger pelo menos dois deputados federais acabou perdendo a camisa 10 dos Republicanos para Aluízio Mendes.

Em meio a pressão se viu encurralado e foi procurar o colega Baleia Rossi querendo entrar por cima no partido precisando estancar os ataques que ameaçavam seu mandato, além de outros objetivos claros, a permanência do seu apadrinhado Romário no comando da SEMDEL e garantir a eleição de um dos seus para vereador com apoio do prefeito Braide. Esses movimentos lembram uma célebre frase de Garrincha na copa de 58 depois de ouvir a preleção técnico, “tudo isso já foi combinado com os russos”? O curioso é que mesmo sem combinar com os adversários Garrincha arrebentou na partida, mas estamos falando do mito botafoguense e não do deputado Cleber Verde que nunca demonstrou saber jogar futebol.

A situação de Cleber na agremiação tende a ficar mais complicada, o deputado que só conseguiu vaga no MDB através da famosa “peixada” do Baleia Rossi, mas não teve humildade com o elenco e sequer percebeu que seu passe já estava desvalorizado com o resultado das eleições do ano passado. Além disso, não vem mostrando habilidade desde a sua chegada, como no último ato de indisciplina onde cobrou uma promessa do presidente no grupo dos membros do partido.

Para piorar a má fase, o MDB estadual já deixou claro que a sobrinha do presidente da agremiação, a odontóloga Mariana Brandão é a prioridade do partido para compor como vice na chapa que o MDB vai apoiar nas eleições em São Luís.

Por enquanto o Cleber 15 está no comando da comissão provisória da executiva municipal, uma espécie de divisão de base com contrato validado até abril e mesmo com três indicações da sua confiança, o nome já diz, a comissão é provisória e não tem autonomia para decidir os rumos do partido sem o aval da executiva estadual.

Apesar de todas as evidências, o deputado continua insistindo no mesmo esquema de jogo acreditando que tem o poder de decisão para levar o MDB para o prefeito e agora numa composição inimaginável com a Sobrinha de Carlos Brandão sendo vice de Braide, algo que surreal depois dessa guerra declarada entre os dois.

Já dizia Nelson Rodrigues, “A vida dos homens e dos times depende, às vezes, de episódios quase imperceptíveis.”

Eleições 2026 – Quem vai ficar de fora do chapão do governo?

Muitos irão dizer que é cedo para se discutir 2026, mas depois da declaração recente de Sebastião Madeira e levando em consideração que a formação dos palanques majoritários passa pelas eleições municipais desse ano, na verdade a disputa já começou há algum tempo.

Para o cargo de governador, segundo o próprio Madeira, o nome considerado certo é de Felipe Camarão que está aguardando pacientemente a sua vez enquanto espera a definição do seu vice, que ao que tudo indica deve ser o Secretário Extraordinário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão garantindo assim a permanência no poder da família Brandão.

Já para o cargo de senador a disputa promete ser acirrada, como já está praticamente sacramentado o nome de Carlos Brandão para uma das vagas ao senado. Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PSD) e André Fufuca (PP) estão “correndo o trecho” para se viabilizarem.

A situação dos atuais senadores não é nada fácil e ambos estão confiando em Lula para terem a garantia dos nomes incluídos na chapa governista, mas é ai que a porca torce o rabo e acontecem os famosos “zignais” frase recorrente do saudoso amigo Robert Lobato ao comentar os “fechamentos” políticos que mudam da noite para o dia.

O senador Weverton Rocha, por exemplo, saiu do retiro após o massacre eleitoral que sofreu em 2022 dizendo que espera contar com o apoio presidente para a sua reeleição. Mas o senador tem que botar as barbas de molho, a julgar por 2022 onde “meu preto” que foi um dos maiores defensores da liberdade de Lula, porém, quando mais precisou de um gesto de retribuição, teve que engolir a seco o apoio do presidente para Carlos Brandão, crítico ferrenho do Lula e o do PT nas redes sociais. Um baque e tanto para Weverton que estava na liderança e foi definhando tentando se equilibrar em cima do muro em busca dos votos da esquerda e com a operação dos amigos do “centrão”.

A política realmente não é para quem acredita em ideologia.

Hoje Weverton é considerado opositor do governo Brandão e não tem clima entre os dois para caminharem juntos em busca de votos, sem falar que o próprio eleitor não “entenderia” muito bem essa chapa. Mas na política tudo é possível e nada descartado.

A senadora Eliziane Gama também está numa situação delicada. Na eleição passada se viabilizou numa chapa que precisava ter um nome leve para a disputa duríssima contra Lobão e Sarney Filho. A então deputada federal tinha acabado de sair fragilizada da eleição para prefeitura em 2016, liderava com folga as pesquisas, mas num erro estratégico sem precedentes votou a favor do impeachment da Presidenta Dilma do PT e como a maioria do eleitorado na capital é de esquerda viu sua candidatura definhar não suportando os ataques constantes de fogo amigo da mídia aliada aos leões na campanha que lhe colocaram a pecha de golpista.

Hoje, Eliziane tem o mandato muito bem avaliado por sua forte atuação parlamentar, principalmente na CPI dos Atos Golpistas do dia 8 de janeiro e como diria o jornalista Marcos Saldanha, o mundo não gira, ele capota.

Mas existem alguns detalhes importantes; esse protagonismo nacional não tem reverberação no Maranhão e consequentemente nas suas bases eleitorais. Aliás, o eleitorado evangélico mais conservador não ficou muito feliz com a aproximação da senadora com os “comunistas”, além é claro que a estratégia de um nome leve na chapa não tem tanta importância, uma vez que a oposição dificilmente terá nomes de peso para enfrentar a chapa governista.

O outro que também está disputando uma vaga no chapão governista é André Fufuca, o prodígio do Centrão. Deputado Federal de três mandatos, atualmente é Ministro dos Esportes, tem traquejo politico e é muito habilidoso politicamente. Fufuca entra forte na briga e com todas as credenciais para fazer um bom acordo com Brandão, ainda mais se conseguir trazer para o seu lado Josimar de Maranhãozinho e todo seu poder eleitoral em algumas cidades. O “Moral da BR” ensaiou uma candidatura para o governo na eleição passada, mas foi trazido pelo Centrão para apoiar Weverton Rocha. Hoje, cada vez mais amadurecido, Josimar sabe que tem muita gente disputando a mesma bola e, como sempre, está aberto a conversas, mas com o entendimento claro do que cada um tem oferecer e nessa disputa por seu apoio, Fufuca leva vantagem em relação aos atuais senadores.

Vamos aguardar, é claro, mas não é pecado fazer projeções com todas as cartas sendo colocadas na mesa, algumas bem previsíveis e outras podem até ser improváveis, mas todos nós já assistimos vários “zignais” nas últimas eleições.

Caso Francisco Alves, a resposta precipitada da sociedade

O assassinato do Motorista Francisco Alves da Silva, na última segunda feira é um retrato fiel de como a sociedade se pauta e movimenta hoje em dia num mundo cada vez mais refém da velocidade da internet.

É óbvio que um crime como esse provocaria uma reação em cadeia, um ato covarde dos suspeitos contra um profissional de uma categoria que vem sofrendo e tentando se adaptar às mudanças sociais que atingem a classe. Estava claro que haveria uma paralisação, e justa por sinal, mas desta vez as razões eram as falhas do poder público, tanto municipal como estadual. As câmeras de segurança dos ônibus sequer funcionam e o policiamento ostensivo não é capaz de atender a demanda, ainda mais depois de um fim de semana de escala cheia para oferecer segurança para a política de pão e circo de ambos os poderes.

Aí, meu amigo, a resposta tem que ser rápida, por que a pressão vem de todos os lados, principalmente da população que depende do transporte público para sobreviver. Os cidadãos não aguentam mais colocar a vida em risco ficando a mercê da criminalidade e da omissão de quem tem poder para resolver o problema.

Agora, analisando o fato sem o calor da comoção, a polícia militar deu sim uma resposta rápida, ela prendeu os três suspeitos de envolvimento direto no crime, fez o procedimento correto de apresentar à polícia civil, que consequentemente, encaminhou para a justiça. A justiça por sua vez, através da juíza Maria Conceição Rego também fez o correto ao analisar o caso ao rigor da lei e soltar um dos suspeitos.

E foi justamente no ato da Juíza que a sociedade influenciada pela opinião pública fez o julgamento precipitado  ao acusar a magistrada, onde dezenas de manchetes e opiniões carregadas de indignação a culpavam de colocar em liberdade um dos acusados do crime.

Mais uma vez fica claro que a opinião pública quer ter o poder de fazer justiça sem sequer conhecer os autos do processo. O pior é que já estamos num estágio que erros como esse não servem nem como reflexão, afinal não demora muito vem outro caso hediondo que vai “chocar” as redes sociais e assim sucessivamente.

Maranhão perde Parque Tecnológico Aeroespacial para a Bahia

Na última semana o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o acordo para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia, em uma cerimônia no SENAI CIMATEC, em Salvador. Este será o primeiro Centro Tecnológico dessa magnitude no Nordeste. O empreendimento só foi possível graças a uma parceria entre o Governo Federal, Governo da Bahia e SENAI CIMATEC.

Lula disse ainda que fará uma série de viagens pelo Brasil anunciando investimentos. No Nordeste, o presidente irá em Pernambuco participar da cerimônia de retomada das obras da refinaria Abreu e Lima. Já no Ceará, lançará a unidade regional do ITA, renomado Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

O Maranhão até vinha tentando timidamente trazer esses investimentos para o Estado, mas a ação ficou apenas na tentativa do quadro técnico da Universidade Federal do Maranhão que elaborou um projeto que englobava o curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA e a tentativa de trazer o ITA e o Parque Tecnológico Aeroespacial, mas ficaram isolados e sem nenhum apoio da nossa classe política.

Nossos senadores, Ministros nem e os nossos atuantes deputados federais se mobilizaram para a vinda desses importantes centros que reforçariam ainda mais o potencial do Estado tendo como alicerce o CLA de Alcântara.

Sobre o ITA, a escolha do Ceará é validada pelo número de alunos do Instituto oriundos do Estado. Nos últimos 10 anos foram 543 aprovados em um dos vestibulares mais difíceis do país. Já o número dos estudantes maranhenses que ingressaram no ITA é vergonhoso em comparação aos cearenses e ainda há quem exalte o desempenho da educação no Maranhão.

Sobre o Parque Tecnológico Aeroespacial, o Maranhão seria a escolha natural para receber esse investimento, afinal o CLA (CENTRO DE LANÇAMENTO AEROESPACIAL) fica aqui no estado e possui todas as condições favoráveis como a inegável localização geográfica que agrega o nosso complexo portuário, que além da conectividade com três ferrovias brasileiras já possui projetos que preveem a expansão para Alcântara.

Em conversa com este site, o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Estratégicos José Reinaldo Tavares lamentou a perda do Parque Tecnológico Aeroespacial para a Bahia, e disse que  “Alcântara poderá ser mais competitiva quando estiver desenvolvendo sua própria tecnologia”. O que pelo visto deve demorar bastante para acontecer com a perda do Parque Tecnológico para os baianos.

Criador da Frente Parlamentar de apoio ao CLA quando era deputado federal, Tavares conseguiu recursos na ordem de 60 milhões para UFMA, CLA e ITA com intuito implantar o curso de Engenharia Aeroespacial na UFMA, onde os diplomas seriam emitidos pela Universidade Federal do Maranhão e pelo ITA. Mas depois disso ele desconhece o que aconteceu além de alegar que o curso estagnou e que nunca foi seguido o que estava no convênio.

A verdade é que mais uma vez o Maranhão pecou pela omissão, pela ausência de projetos e principalmente pela falta de união da classe política. E o resultado é que a base aérea de Alcântara continuará servindo apenas como terreno de aluguel para países que investem de fato em tecnologia e nossos jovens utilizados como mão de obra de baixa qualificação profissional.

Eu te conheço de outros carnavais

A geração de maranhenses que tem entre 40 e 70 anos guarda na memória as boas lembranças dos carnavais no interior do Estado onde todos aproveitavam o feriado prolongado para brincar com parentes e amigos num clima mais tranquilo de cidade pequena sem ter que se preocupar com os problemas do cotidiano da vida na capital.

Eu nunca gostei muito de carnaval, todos sabem que a minha preferência sempre foi o rock and roll, ainda mais depois de um “trauma” na adolescência na Marques de Sapucaí onde fui praticamente obrigado a passar a noite toda na arquibancada assistindo o desfile das escolas de Samba, para piorar ainda tomei um porre de malt 90, cerveja muito popular na época. Mas a melhor lembrança que tenho do carnaval do Rio é o bloco Cacique de Ramos que fazia o cortejo pelo centro da cidade com suas fantasias de origem indígena contagiando todos por onde passava, era a essência do verdadeiro carnaval de rua.

No ano seguinte vim conhecer meus parentes no Maranhão e fui passar o carnaval em São Bento, cidade natal da minha mãe, era a oportunidade de conhecer a outra parte da minha família. Não me recordo o ano, mas era no final dos anos 80 e sinceramente não tinha muita esperança naquele carnaval, afinal estava acostumado com a “grandiosidade” da festa carioca, mas logo no primeiro dia percebi um clima diferente nas pessoas, geste simples com caixas de maizena nã mão sem se preocupar com a aparência, havia barracas de palha na Praça Carlos Reis  e um pequeno palco na lateral onde a banda astral tocava todos os dias, já a rua principal era liberada para o desfile das escolas de samba e blocos, com destaque para a Relaxo do Samba, vencedora daquele ano.

Sinceramente foi o melhor carnaval que já tive, alias foi um dos poucos que me permiti a ver com outros olhos, ali as pessoas não estavam nem aí para mega estruturas, artistas nacionais, elas queriam apenas se divertir. Tudo era animado por nomes da cidade e mesmo com o pouco apoio do poder público que tinham entregavam uma alegria contagiante para todos da cidade. A prefeitura por outro lado não precisava comprometer suas receitas com custos exorbitantes como é nos dias de hoje.

E é justamente esse ponto que gostaria de abordar, os gastos exorbitantes de dinheiro público no carnaval.

Infelizmente no Maranhão os gestores passaram a tratar o carnaval como política pública destinando verbas pomposas para satisfazer seus egos travestidos de produtores culturais em busca de likes em redes  sociais, anunciando com euforia atrações que levam a maior parte da fatia das verbas enquanto representantes da cultura local tem que se contentar com cachês ajustados de acordo com a sobra do orçamento.

O mais curioso é que essas atrações ditas mais famosas foram perdendo espaço no mercado privado e para sobreviver direcionaram seu modelo de negócio para governos estaduais e municipais, afinal só eles possuem caixa para bancar todas as enormes exigências contratuais praticadas hoje em dia. São mega estruturas de palco, som, iluminação, painéis de led, passagens aéreas e aquelas regalias “básicas” para não deixar o artista estressado na hora de fazer o selfie com quem está pagando a conta com gordura para ambos os lados.

Uma luz no fim do túnel seria a atuação do Ministério Público, promotores de algumas comarcas até tem tentado coibir os excessos, porém falta uma espécie de “súmula vinculante” criando critérios claros, escalonados no tange o gasto de dinheiro público com eventos dessa natureza e principalmente para evitar interpretações caolhas da lei como vem acontecendo com o governo estadual e a prefeitura de São Luís onde destinam milhões em verbas debaixo dos olhos do MP e nada acontece.

Por fim é decepcionante ver o tão criticado pão e circo ser adotado como instrumento de doutrinação popular por gestores que pregam exatamente o contrário durante as suas campanhas e não importam se são de direita ou esquerda, as promessas são as mesmas e as atitudes infelizmente também.

Enquanto isso vamos tornar a assistir a reclamação do valor destinado ao apoio as escolas de samba locais ao mesmo tempo em que já vimos a liberação de 1 milhão para apenas uma escola do Rio de Janeiro. Vamos acompanhar também a desmontagem da “cidade do samba” e depois testemunhar o túmulo vazio do saudoso Circo da Cidade.

Será que não valeria a pena deixar de investir numa estrutura arranjada por 20 dias no centro histórico e erguer em definitivo o Circo da Cidade?

Sucessão em São Luís, A posição solitária de Cleber Verde no MDB

Um olhar sobre a notícia

O pedido de demissão do Secretário de Articulação Metropolitana Andre Campos da gestão Eduardo Braide expôs a fragilidade do poder de decisão do diretório municipal do MDB em São Luís presidido pelo Deputado Federal Cleber Verde.

A posição de aliado de Cleber Verde na gestão municipal é anterior a sua filiação no MDB e tem como prêmio a indicação do Secretário Municipal de Esportes Romário Barros. Cleber que teve uma reeleição apertada perdeu o comando do PR para Aluízio Mendes, mas vislumbrou o caminho do MDB entrando por cima com a benção de Baleia Rossi com a garantia de ter poder decisório na sucessão municipal e deixou isso bem claro em suas declarações na época.

Mas foi pego de surpresa com a notícia do pedido de demissão de Andrè Campos, aliado histórico do deputado estadual Roberto Costa e disse a imprensa enfaticamente que tem a prerrogativa da escolha do rumo do MDB na capital e quer o cumprimento do compromisso firmado no momento da sua filiação, disse ainda que a decisão de André Campos foi pessoal e que o MDB continua na gestão da capital.

LIDERANÇAS DO MDB EM SÃO LUIS

Já o Deputado Estadual Roberto Costa, vice presidente da executiva estadual do MDB, em declaração ao site dos analistas disse com todas as letras que a decisão é do colegiado do partido, que tem como presidente Marcus Brandão, irmão do governador e os conselheiros Roseana Sarney e João Alberto que defendem naturalmente que o partido caminhe em São Luis com a orientação de Carlos Brandão.

Depois da movimentação e das declarações de hoje ficou bem clara a posição do MDB na capital, com isso as peças do tabuleiro da sucessão começam a tomar seu lugares e o alerta fica para a politica de isolamento que o  prefeito Eduardo Braide adotou justamente num primeiro mandato, onde o normal seria construir alianças fortes para uma reeleição tranquila, mas optou pela centralização do poder oferecendo apenas pequenos espaços para aliados sem musculatura eleitoral para a disputa que se avizinha.

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