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Yglesio não apoia o projeto da família Brandão

A declaração do deputado “ponta de lança” do governo na Assembleia Legislativa enquanto participava do Podcast Café Quente, de Rogério Cafeteira, traz à tona um sentimento silencioso que está presente entre os aliados fora do núcleo familiar do governo, a incerteza da viabilidade do projeto da família Brandão.

Ao declarar que não pode ir contra o seu eleitorado e que existe a possibilidade real dele não apoiar a candidatura do filho de Marcus Brandão para o governo do Estado, Yglesio deixa claro que a defesa ufanista que faz na tribuna não passa de conveniência e sobrevivência política, por sinal, características que já são peculiares da sua personalidade.

É senso comum que deputados como Yglesio e Mical Damasceno possuem seus acordos com o governador, acordos estes que envolvem cargos, emendas, institutos, muitos favores, não há dúvidas de que são bem remunerados para o que se sujeitam a fazer.

É aquela velha história de juntar fome com a vontade de comer.

No campo ideológico, Yglesio é um recém-convertido no bolsonarismo, que precisa a todo custo se afirmar e se auto validar diariamente. É essencial para ele atacar o STF, assim passa a impressão de que tem estatura para brigar lá em cima, uma espécie de Nikolas Ferreira provinciano, e o seu principal palanque é a tribuna do paramento.

Uma coisa é certa, a declaração de Yglesio deixa claro que a incerteza da classe política em relação ao grupo Brandão é real, principalmente depois da humilhação de perder o comando do PSB, sentado na cadeira de governador. Ainda mais agora, com o aumento dos rumores do seu afastamento por conta de denúncias envolvendo corrupção, nepotismo entre outros mais assombrosos.

E como comecei o texto fazendo uma referência ao futebol, vocês se lembram daquela declaração do Vampeta numa época de crise no Flamengo, onde ele disse “eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”? Essa frase acabou virando um adágio popular que inclusive reflete o sentimento da classe política maranhense que tem sido pressionada para fazer acordos de caixeiros viajantes com o nome no caderninho de parcelas.

Enquanto isso, o tempo do gpvernador Carlos Brandão está acabando, seja pelos rumores de afastamento, por sua possível renúncia para concorrer ao senado e também se decidir ficar até o final do mandato. No total ele tem apenas um ano e três meses como governador e se ainda achar que a melhor possibilidade é eleger o parente para garantir o poder da família, é bom nem contar muito com o deputado Yglesio Moisés, afinal, depois dessa declaração, só resta saber se o coronel vai passar o rodo logo ou usar mais um pouco o seu ponta de lança na Assembleia.

A imprensa e a crise política do Maranhão

Preciso começar esse texto afirmando que essas linhas são apenas uma crônica com doses de reflexão, até porque escrever qualquer coisa sobre a imprensa é sempre pisar num terreno muito delicado e está longe das minhas pretensões ser o Mister M do jornalismo maranhense, afinal todos nós sabemos como funciona o jogo e se antes tinha uma aura de imparcialidade, hoje os lados estão escancarados e o jornalismo opinativo vem crescendo construindo narrativas em cima de meias verdades.

O meu objetivo não é teorizar a comunicação local; além de não ter competência para isso, particularmente, acredito que muita teoria acaba complicando a vida e o mais prudente é deixar a produção científica para o ambiente acadêmico. Não é verdade?

Entretanto, é necessário observar que a ameaça do ruído na comunicação, alertado pelos teóricos da escola de Frankfurt, no século 20 passou de preocupação a realidade e mesmo McLuhan antevendo o mundo globalizado de hoje em dia. O ruído foi potencializado por novas ferramentas tecnológicas. Embora haja exceções, a realidade atual é que a oferta de informação que aparecem nas nossas telas está sem controle de conteúdo e de qualidade. Lamentavelmente o ChatGPT é a nova realidade.

Para bem longe dos textos de inteligência artificial predominantes por aí, Adorno já dizia em Minima Moralia – reflexões a partir da vida danificada – Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Depois dessa breve ambientação e nada tão grande como os textos de Saussure xerocados da UFMA, nos anos 90, afinal o momento não é propício para discutirmos o significante e o significado na atual conjuntura, muito embora a política e a imprensa maranhense se posicionem muito além da semiótica, em diversas oportunidades.

O recente episódio envolvendo o quadro bastidores, apresentado pela competente jornalista Carla Lima, na TV Mirante, e as notas de repúdio dos deputados oposicionistas, em relação a um comentário opinativo sobre uma suposta possibilidade de afastamento do governador Carlos Brandão, assim diz um o trecho do inicio da fala, “ O fato novo que vem de uma especulação desde a semana passada…” narra algumas possibilidades e antes de encerrar ela diz “ agora uma coisa é certa, se for verdade os deputados estão com informações privilegiadas” e complementa tipificando o crime segundo a lei.

Quando o fato surgiu de uma especulação e a certeza veio do “SE”, na maior audiência da televisão local em nosso Estado, a tendência é normalizarmos as graves acusações contidas na notícia e essa tendência não é exclusiva, ela já vem sendo validada há alguns meses em todos os setores da imprensa, inclusive este que vos escreve.

Agora abrindo mais o leque da pauta como diziam as antigas pauteiras, a crise politica entre o governo do grupo Brandão e os remanescentes leais do grupo dinista acabou expondo os lados da comunicação maranhense, o passado ficou para trás, a hora é de vaca desconhecer bezerro, como diz um adágio popular, afinal o Estado controla a verba e ainda “prensa” como nos tempos de Gutemberg e ai de quem não se enquadrar.

“Uma coisa é certa, se o bicho é alto jogador não pode fazer corpo mole”, já dizia Castor de Andrade no tradicional time do Bangu na década de 80. Bicheiro e contraventor declarado, Castor foi um personagem folclórico e apesar de ser criminoso criou fama com um jargão no Rio de Janeiro: vale o que está escrito, e ninguém ousava não pagar o que estava no papel.

Mas o papel perdeu valor na escrita e o digital pulverizou a informação. O caminho viável é tentar chamar atenção em meio à uma multidão que se alimenta de polêmica, mas não podemos julgar os que estão entre a cruz e a espada, a favor desses apenas a amnésia gradativa da linha de produção de todo o dia.

No mais, temos que pensar positivo e entre tantos altos fenômenos de popularidade acaba sendo até divertido acompanhar um conselho matutino dominical tentando definir até a eleição de 2030, uma carta de Pero Vaz de Caminha, alguns anarquistas, futurólogos, outros instagramáveis e muitos kamikazes.

As notícias precisam continuar, mas não vamos esquecer do velho Adorno no início, Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Qual será a última cartada da família Brandão?

A Crise política que assola o governo nos últimos meses vem causando estragos irreversíveis para o projeto de poder da família Brandão.

Há cerca de três meses quando decidiu investir na candidatura do sobrinho rompendo o acordo com os dinistas e também com o PT nacional. O governador Carlos Brandão estava apostando no momento ruim que o governo federal atravessava e imaginando que o poder de barganha do centrão garantiria que o sobrinho fosse ungido por Lula para ser o novo governador do Maranhão.

Não sei quem aconselhou, mas o exercício de previsibilidade dessa mentoria política apostou na queda de popularidade do presidente que vinha sendo potencializada pelo centrão e pela extrema direita brasileira.

“O plano é simples Carlos, vamos transformar uma simples secretaria extraordinária para ser a mais importante do governo, aquela que vai prometer e entregar todas as obras para o sobrinho do governador aparecer como o mais preparado do Estado. Vamos também colocar a máquina de comunicação estatal para o promover o menino e transformá-lo no político e gestor preparado”.

Nesse pacote vieram as pesquisas eleitorais, mídia training, bonés, adesivos, propaganda proibida nos arraiais e é claro, uma fazenda de robôs fakes para bajular o representante da nova oligarquia do Maranhão, os Orleans Brandão.

Mas parece que a coisa começou a desandar quando o tarifaço do Trump planejado pela família Bolsonaro favoreceu Lula, que rapidamente surfou no erro infantil e aumentou a sua popularidade. Porém, aqui no Maranhão os movimentos foram antecipados, Brandão já tinha reunido com António Rueda em Brasilia, Com Marconi Perillo e aqui no Maranhão fez acordo com Aluisio Mendes do Republicanos, além de ceder espaços para Mical Damasceno no seu governo. Todos esses movimentos tiveram como ponto central a declaração de apoio para o sobrinho do governador com a certeza de que Lula ficaria refém do centrão.

As reações do planalto foram imediatas, Brandão foi tirado do PSB, engoliu seco o Presidente do PT nacional declarar apoio ao Felipe Camarão e ainda viu a decisão do STF em mandar abrir inquérito na Policia Federal para apurar aposentadorias suspeitas no TCE.

A reação de Brandão foi peregrinar em Brasília para fazer queixa de Flávio Dino ao presidente da Suprema Corte e como resultado prático teve o afastamento do Procurador Geral do Estado pelo Ministro Alexandre de Moraes.

Para piorar, veio à tona novamente o assassinato do Tech Office, mas com um detalhe importante, a federalização do caso pelo STJ e Policia Federal, onde o assassino confesso Gilbson Cutrim foi removido de Pedrinhas para um presidio federal onde supostamente fez uma delação premiada que promete escancarar a relação da família Brandão com o crime.

O governador está quase sem opções. Hoje toda a classe política debate o seu possível afastamento, além disso, existem muitos ressabiados com a possibilidade real de Brandão não entregar o que vem prometendo, tomando como exemplo o caso do PSB, onde afirmou que não perderia o comando do partido e deu no que deu.

Mas muitos ainda perguntam de onde vem a coragem do sertanejo de Colinas?

Vale a pena aguardar o próximo movimento da família Brandão.

Quando um governante sobe a carruagem e chama a crítica de latido

Pela enésima vez, o governador Carlos Brandão afirmou que ficará até o fim do mandato. Mas o que mais chamou atenção não foi a previsível reafirmação de permanência no cargo, e sim a frase que a sucedeu: “os cães ladram e a carruagem passa”.

A citação, ainda que pretensamente popular, escorrega na forma e na substância. E diz muito sobre o imaginário de poder que hoje se cristaliza no Palácio dos Leões.

A expressão original “os cães ladram e a caravana passa” tem origem árabe e simboliza a resiliência diante de críticas. A caravana representa o coletivo em marcha, o esforço comum, a travessia de muitos em busca de um destino. Não por acaso, trata-se de um provérbio historicamente ligado à ideia de constância frente às adversidades, não de desprezo ao contraditório.

Brandão, no entanto, trocou a caravana por uma carruagem. E a oposição por cães.

A metáfora da carruagem não é ingênua. Evoca luxo, distinção, isolamento. Se a caravana é feita de caminhantes que compartilham o chão, a carruagem transporta uma figura solitária, acima dos demais, protegida do barro, conduzida por cavalos. Ao se colocar nesse lugar, o da carruagem que avança enquanto os “cães ladram”, o governador insinua não apenas superioridade, mas imunidade.

Ele se vê conduzido por algo que o protege do ruído, do incômodo, do atrito. E mais: desumaniza seus críticos, reduzindo a oposição a ruído animal, a barulho perturbador que se deve ignorar.

Não se trata de preciosismo retórico. Há implicações profundas nesse gesto. Um líder que recorre a esse tipo de imagem projeta uma política sem escuta, sem diálogo, sem alteridade.

Na democracia, não é admissível que a crítica seja tratada como latido. O pluralismo exige respeito, mesmo quando os argumentos incomodam.

Chamar a divergência de ruído é uma forma velada de autoritarismo simbólico e, por vezes, o prenúncio de práticas institucionais que seguem pela mesma lógica.

E há uma inversão fundamental aqui: em regimes democráticos, não é a carruagem do poder que deve passar ilesa. Quem precisa passar, com segurança e dignidade, é o povo.

O governante não é o protagonista de um desfile aristocrático, mas servidor de uma sociedade plural, ruidosa, crítica. O barulho da oposição, das ruas, das instituições, é sinal de vitalidade democrática. O silêncio, sim, é que deveria preocupar.

Talvez o governador esteja cansado das críticas. É compreensível. Mas o cansaço com a democracia costuma ser o primeiro passo para quem já não se reconhece obrigado por suas regras.

O mais preocupante, portanto, não é o erro na frase. É o acerto no que ela revela. Estamos diante de um governante completamente deslumbrado com o poder e fazendo de tudo para impedir que ela saia das mãos de sua família. O povo? Que bata palmas para a luxuosa carruagem leonina que desfila pela Avenida.

O futebol maranhense e a eterna lei de Gérson

O Canhotinha de Ouro jamais poderia imaginar que uma frase para uma propaganda de cigarros poderia representar perfeitamente a malandragem no futebol brasileiro.

Relembrando aos os mais jovens, não estamos falando do Gerson craque do flamengo na atualidade, mas do cérebro da seleção de 70 e tri campeão mundial, aquele que disse num comercial de televisão que “gostava de levar vantagem em tudo”.

Apesar de ser um texto publicitário, não há como negar que acabou virando o mantra do famoso “jeitinho brasileiro” de normalizar a indecência e no futebol então parece que levaram ao pé da letra.

Trazendo a discussão para o enlameado gramado maranhense e voltando no tempo até setembro de 2011, onde o declarado interventor Antônio Américo com o apoio irrestrito do Ministério Público prometia passar a FMF a limpo e que convocaria eleições em três meses. Qualquer semelhança com um golpe de Estado é mera coincidência.

Nessa época Alberto Ferreira estava sendo atacado de todos os lados, mas a cruzada de  Litia Cavalcanti contra o então presidente da FMF ganhava o noticiário local e um fato chamava a atenção, a desenvoltura e o interesse da promotora para falar dos problemas crônicos do futebol maranhense.

Não podemos deixar de destacar que realmente a gestão de Alberto Ferreira estava muito desgastada com 20 anos a frente da federação e de fato era um ciclo que precisava ser encerrado, porém o caminho correto seria esperar as eleições, mas a demanda passou a ser urgente, tudo foi acelerado e resolvido, o interventor estava no poder.

Assim que assumiu Antônio Américo falava que não tinha interesse em ser presidente, mas o tempo foi passando e a palavra do homem mudou, Litia Cavalcante ficou desiludida com o futebol e o MP fechou novamente os olhos para os problemas do futebol local, já o interventor parece que gostou das benesses do cargo e vem se perpetuando na presidência da Federação até os dias de hoje mudando o estatuto e burlando as regras para permanecer no poder, mas e o que mudou no futebol maranhense mesmo?

Absolutamente nada, não mudou nada. A cada ano o campeonato vem perdendo importância, o público deixando de ter interesse em ir ao estádio, os clubes estão agonizando e a principal competição da FMF é uma verdadeira desorganização, sem falar nas mudanças de regulamento com o campeonato em vigor para favorecer o Sampaio e o seu grande parceiro Sergio Frota, como nos campeonatos de 2017 e 2020, mas por ironia do destino os dois estão na berlinda  do caos que é o futebol no nosso Estado.

Para piorar, documentos recentes expostos por clubes demonstram que os pagamentos de inscrições para as competições sub 19 foram feitos diretamente a uma empresa ligada ao vice presidente de competições Hans Nina Horn.

Em resposta ao portal G7 Antônio Américo disse que esse contrato existe desde 2023 e que foi feito de forma transparente e tentou justificar a contrato omitindo o favorecimento a uma empresa ligada a Hans Nina como uma solução e desenvolvimento das competições de base, mas na prática a desorganização é pior que o profissional com jogos sem ambulâncias e policiamento nos estádios.

O presidente inclusive disse que isso foi um ataque político, então quer dizer que noticiar fatos agora é fato político? Menos não é presidente!

Por último Antônio Américo responde atacando Fernando Sarney e a Copa Mirante dizendo em linhas gerais que as taxas cobradas por essa competição são maiores que as organizadas pela FMF.

Essa resposta merece uma atenção especial e demonstra até que ponto vai a gratidão do presidente da FMF com aquele que durante muito tempo foi parceiro e abriu as portas da CBF para António Américo. Fernando Sarney estava na Confederação Brasileira de Futebol há quarenta anos e de certa forma legitimou o “golpe” do interventor acreditando nas boas intenções e em prol das melhorias no futebol maranhense, mas pelo visto se arrependeu amargamente. Fernando inclusive sempre apoiou o atual presidente Ednaldo Rodrigues, mas alguma coisa no meio do caminho causou ruido nessa relação e com isso depois de 40 anos Fernando Sarney ficou fora da CBF deixando Antônio Américo isolado no topo do poder do futebol maranhense, pelo menos até a próxima eleição.

Enquanto isso só nos resta ficar torcendo pela do Gerson, não aquela de querer levar vantagem em tudo, mas a postura do atual capitão do Flamengo que disse que prega o respeito ao pai de família que acorda 03 horas da manhã para sustentar a família e que ainda faz o sacrifício de comprar o ingresso para assistir o time do coração, enquanto dirigentes maranhenses sempre dão um jeitinho de levar vantagem no falido futebol maranhense.

 

 

 

 

 

Os anfitriões do carnaval em São Luís

Quarta feira e as cinzas do funeral de luxo da cultura maranhense

É inegável que o carnaval é um dos períodos festivos mais importantes do Brasil e assim como o natal é imprescindível para a economia brasileira.

As tradições culturais do período momesco em todo o país acabam sendo regionalizadas, como o carnaval do Rio, o carnaval da Bahia, de Pernambuco e sucessivamente em todos os Estados. Além disso, é preciso incluir na formula de sucesso da folia, os dias de folga prolongados e os potenciais turísticos de cada localidade.

Os três Estados citados acima são reconhecidos nacionalmente como os maiores e melhores carnavais do Brasil, afinal foram anos de investimentos e um dos principais vetores foi a consolidação das suas identidades culturais para que o turista saiba que vai assistir no Rio os desfiles de escolas de samba, os blocos Cacique de Ramos, o Cordão do Bola Preta e o Sargento Pimenta, assim como na Bahia ele quer ver o axé nos trios elétricos, já em Pernambuco ele vai para curtir o frevo pelas ruas antigas de Olinda e o palco multicultural do Marco Zero em Recife.

A principal característica entre eles é a valorização das atrações regionais, basta observar a programação e constatar que a multidão está consumindo a cultura local daquele Estado, fruto de um trabalho que não começou da noite para o dia, até porque não basta apenas mudar a logomarca de um governo e bradar que tem o maior carnaval do Brasil, é preciso apresentar resultados concretos.

Trazendo a discussão aqui para o carnaval do Maranhão, é preciso reconhecer que estivemos bem perto disso no governo Roseana e também no período de Flávio Dino. Na época de Roseana tínhamos um dos melhores carnavais de rua do Brasil com o sucesso do Bicho Terra na ponta da língua e o contato direto com os blocos tradicionais em que a população fazia festa na Madre Deus. Já no governo Dino, o resgaste do circuito beira mar valorizando nomes como Flávia Bittencourt, Rosa Reis, Zeca Baleiro que dividiam o mesmo trio elétrico com artistas do naipe de Chico César e Alceu Valença criaram um ambiente único para um dos melhores carnavais do Maranhão.

Ainda nessa época quem não se lembra dos “falados” carnavais de Cururupu? De Pinheiro? De Barra do Corda? De Guimarães? Aliás, que bola fora o governo não investir na linda praia de Araoca e nem mesmo a recém inaugurada estrada dos poetas foi capaz de justificar um bom investimento para a região, enfim é o governo se autossabotando.

Mas por falar em investimento, o governo do Estado disse a revista exame que investiu 68 milhões no carnaval desse ano com a expectativa de ter um retorno 4 vezes maior segundo as estimativas do próprio governo. Bom tive o cuidado em consultar alguns amigos economistas e não conseguimos achar equilíbrio nessa conta e muito menos lógica, ainda mais se levarmos em consideração que camarotes privados cobram até 700 reais para o folião que quer ter uma visão privilegiada da festa, ou seja, o governo paga a atração milionária para um seleto grupo explorar a venda de ingressos, não tem como não ser empreendedor desse jeito não é verdade?

Outro ponto que chama a atenção, o governo do Estado vem dizendo que é municipalista, mas na contra mão do discurso concentrou seu investimento na capital e com isso praticamente esvaziou o carnaval nos municípios, ou seja, os pequenos comerciantes do interior do Estado que esperavam faturar um dinheirinho nesse período ficaram ao relento, é tipo aquele ditado popular, “cobertor de pobre quando cobre a cabeça descobre os pés”.

Já o prefeito Eduardo Braide investiu cerca de 20 milhões no carnaval de São Luís, com destaque para uma mega estrutura que ficou instalada desde o réveillon e uma carrada de atrações nacionais numa disputa de popularidade com o governador Carlos Brandão onde os dois apostam no populismo midiático do pão e circo para gerar engajamento nas redes sociais.

O resultado prático dessa disputa foi mais uma vez a desvalorização da nossa cultura em todos os níveis, como a adiamento dos desfiles das escolas de samba e blocos tradicionais, artistas maranhenses tratados como coadjuvantes e a “baianização” das nossas tradições culturais financiadas com dinheiro público com resultados maquiados pela opinião influenciada e bem remunerada.

A conta vai pesar mesmo é quando a ficha cair e prestarmos a atenção na precariedade da educação municipal, no passe livre estudantil que o prefeito alega não ter verba para implantar, no Nhozinho Santos fechado, nas estradas do Maranhão esburacadas e nas pontes precárias de responsabilidade do governo em todo Estado.

Mas no São João a esperança do povo estará renovada, vem aí o maior São João do Brasil e uma enxurrada de sertanejos receber novamente cachês milionários antecipados enquanto os bois vão esperar um ano para receber, mas o povão vai comparecer, afinal é a massa que bem batida molda o pão e o circo.

 

O prefeito, o parlamento e as redes sociais

É preciso deixar bem claro que o isolamento político que o prefeito enfrenta na câmara municipal foi construído por ele mesmo desde a sua chegada no Palácio La Ravardiere.

Com o intuito de aparecer sozinho e ser o centro das atenções da sua gestão, Braide centralizou as ações da prefeitura em torno do seu perfil no instagram onde faz do seu governo uma espécie de reality show, porém, nem tanto real e com muita coisa embaixo do tapete como a falta de transparência na contratação de creches para organização de eventos milionários, entre outros.

Basta observarmos o levantamento de 2024 da Transparência Internacional e constatar que a falta de dados no pagamento de emendas, contratações emergenciais classificaram gestão do Prefeito de São Luís apenas como regular, ou seja, para quem se vende como um dos melhores do Brasil, ser atestadamente regular em transparência já demonstra um pouco da verdadeira personalidade do Braide que não aparece em suas redes sociais.

Essa semana com a retomada dos trabalhos da câmara ficou claro que o clima em 2025 continuará beligerante e entre, emendas, vetos e embates no plenário, parece que chamar o Douglas ainda não foi uma boa alternativa para Eduardo Braide.

Os vetos e os “berros” nas redes sociais dessa vez não foram suficientes para o prefeito manter o discurso de vitima ao recusar o aumento de salário proposto pela Câmara alegando que o valor equivalente a cidade de São Paulo iria comprometer o orçamento municipal, mas Braide “esqueceu” de mencionar que os salários do seu secretariado estão no mesmo patamar da capital paulista e num projeto proposto pelo vereador Daniel Oliveira (PSD) que até o ano passado era líder do seu governo na Câmara.

O Prefeito também “esqueceu” de destacar no seu lamento, que atrelado ao seu salário estão mais de 400 servidores impossibilitados de terem reajuste para o Prefeito posar de humilde com carinha de perseguido nas redes sociais.

Mas o que deixou Braide extremamente irritado foi redução do limite de gastos direto do executivo, o Prefeito queria poder movimentar livremente cerca de 1 bilhão e 400 mil reais. A Câmara limitou para algo em torno de 350 milhões, porém deixando claro que a casa está aberta ao diálogo para qualquer necessidade da prefeitura.

A impressão que fica é que os vereadores optaram por um posicionamento mais seguro em relação ao orçamento em virtude dos escândalos recentes envolvendo contratos milionários para eventos realizados sem licitação e sem transparência, entre outros contratos feitos a “toque de caixa”.

Por outro lado, o Prefeito dá sinais que vai continuar apostando na dissimulação nas redes sociais, afinal dizer em vídeo que o ritmo das obras vai diminuir porque a câmara está cobrando mais transparência e ciência dos gastos realizados pelo executivo é mero populismo contemporâneo, além do mais, o ritmo das obras já diminuiu desde que terminou a eleição e só essa semana o prefeito num mero jogo de cena foi “acelerar” a obra da UEB Sidney Castelo Branco numa clara a necessidade de produzir conteúdo para internet requentando anúncio de obras do ano passado.

 

 

 

 

 

Uma senadora que fecha o ano exalando: “tá tranquilo, tá favorável”

A senadora Eliziane Gama organizou um encontro com a imprensa neste sábado, numa churrascaria elegante da cidade. O evento correu tranquilo com muitos dos principais cronistas da política local.

Um evento que se fosse chamado de “confraternização” caberia com perfeição. Tudo na paz, tudo tranquilo, tudo favorável entre anfitriã e os jornalistas nem sempre tão bonzinhos, assim, com seus personagens.

Mas o mais importante foi a postura da senadora, ou melhor, de Eliziane, que se fez mais presente como mulher, como pessoa, do que como política que ocupa lugar de destaque nas altas rodas do staff nacional, sendo inclusive cotada para ocupar um Ministério do presidente Lula, no ano que vem.

Eliziane circulava suave e sorridente e leve entre seus convidados. Aliás, já foi assim, no grandioso evento que se tornou a comemoração organizada pelo PC do B, em comemoração aos dez anos da eleição de Flávio Dino ao governo do estado, ocorrida há alguns dias.

Talvez seja a maturidade política, ou simplesmente a maturidade, ou algum espírito natalino que ofertou esse ar de alegria e naturalidade à senadora. Com este quantum a mais de qualidade, ela terá dois anos complexos pela frente. Mas, na calma, todos os caminhos parecem sempre mais claros.

O discurso de vitimização do governo

Todos os holofotes da imprensa e da opinião pública estão voltados para crise que envolve Brandão e o grupo que o ajudou a ser governador.

Os passos dados de ambos os lados podem dizer muita coisa é verdade, porém são as interpretações que aquecem a pauta e movimentam o imaginário popular.

Seria mais do mesmo relembrar esses passos, algumas narrativas dizem que a relação azedou ainda no final de 2022, mas a exoneração de Felipe Camarão da Secretaria da Educação antes das eleições municipais desse ano foi uma decisão política do governador, publicada no diário oficial inclusive e deve ser considerado o “Marcus” zero desse eventual rompimento.

De lá pra cá o caldo só engrossou e os últimos movimentos expuseram a fragilidade do governo, acuados pelas decisões do STF nas ações capitaneadas pelo deputado Othelino Neto, Brandão cometeu o mesmo erro de Dilma Roussef que tentou dar foro privilegiado ao Lula um pouco antes da sua prisão, lembrando que qualquer semelhança não é mera coincidência.

O ato de nomeação foi um erro infantil e crucial, além de ratificar o caráter nepotista do governo Brandão, ele matou a estratégia de vitimização que a comunicação aliada vinha fazendo e que foi impulsionada com a comoção pela decisão do Ministro Alexandre de Moraes pela exoneração de Jackeline Helluy, sogra de Orleans Brandão que é secretário e sobrinho do governador, vale ressaltar que Jackeline já era funcionária da assembleia em outras gestões, profissional competente e de fino trato, mas precisamos ser francos, o cargo era de indicação política e nesse jogo não tem inocente.

O outro erro foi apressar a eleição para a presidência do TCE, será que Brandão não avaliou que está na iminência de perder a batalha pela Assembleia no STF e ainda sim reforça a aura nepotista do governo fortalecendo o sobrinho Daniel Brandão para o comando do Tribunal de Contas?

Voltando para o campo da midiático, os últimos movimentos tem dificultado a própria estratégia de comunicação do governo, afinal, por mais que seja legal a nomeação de Marcus Brandão e a eleição do Daniel Brandão para a Presidência do TCE, não soa bem defender o nepostismo, ainda mais quando o governo atua para impor parentes nas estruturas de poder do Estado operando nas brechas da lei.

Pelo visto, essa semana deve continuar tensa, ainda mais com o fracasso da tentativa de uma roda de negociação envolvendo o clã Brandão e parte dos seus aliados herdeiros do grupo politico criado pelo ex governador Flávio Dino.

Entre as notas de apoio e também de repudio, está a tentativa de convencimento do imaginário popular e caminho mais fácil é adotar o discurso de vitimização, mas como ser vítima se partiu da caneta de Brandão o primeiro ato oficial dessa guerra fria?  Além disso, a beligerância já se faz presente nos movimentos do governo.

Enquanto isso os dois lados estão armazenando pólvora.

 

 

A morte e a morte da Literatura: água!

O escritor Danton Trevisan, um dos grandes nomes da literatura brasileira, notadamente o gênero Conto, morreu, nesta segunda-feira 10, em Curitiba (sua cidade natal), aos 99 anos. O Dalton não falava de literatura (com exceção do tempo em que editou a revista Joaquim, de 1946 a 1948), não dava entrevistas (a última foi em 1972), não falava com jornalistas, não gostava de ser fotografado, mas gostava do contato com as jovens estudantes de Letras da UFPR.

Seu livro mais conhecido é O vampiro de Curitiba, de 1965, que rendeu o apelido ao contista – Vampiro de Curitiba –, que de vampiro não tinha nada, apesar de arredio, Dalton viveu no mesmo endereço a vida inteira, de onde saía diariamente para seus passeios matinais. A morte de Dalton vai alargando o Buraco Negro que suga em seu Disco de Acreção uma gama cada vez mais monstruosa de enganadores, medíocres e enrolões da literatura. É como um Quincas que, ao ler estas literaturas, gritaria: “água!”.

Quem faz o olhar sobre o mundo, além das massas, perdeu a voz. Houve tempos em que os construtores da literatura, ou críticos teatrais e etc, eram respeitados e até temidos pela sua pontual certificação do que era bom, mais ou menos ou ruim mesmo. Antônio Houaiss, Barbara Heliodora, os Irmãos Campos, ou o próprio Guimarães Rosa foram vozes ativas e respeitadas em tempos recentes, mas já passados. Eles precederam a internet. Se aqui estivessem, seriam “cancelados”.

Eu já procurei muito (e não encontrei – o Google já não é mais tão generoso) uma situação que me foi descrita por uma amiga, onde numa palestra, ou banca de encontro literário, em Portugal, um professor (não são mais “críticos”) disse na cara da escritora brasileira Aline Bei que o que ela produzia “não é literatura”. “Sobranceira, fornida”, ela encarou o dito cujo e respondeu “é sim!”: “introibo ad altare Dei”…

Não é uma questão de cãibra, de impaludismo, de velhice, de saudosismo, de preciosismo, nem de letra M nenhuma (M, a letra do Maranhão, segundo P. Antônio Vieira). Quantos já propuseram a “morte da poesia, morte da literatura” e etc… Poe, Walt Whitman, Rimbaud, Pound modificaram e elevaram a literatura em seus tempos (que são mais ou menos os mesmos) até outra Ordem secular, mas isso já tem mais de cem anos e no Brasil daquela época reinava o soneto, a formalidade, enfim, o beletrismo asseado e conformado. Embora tivéssemos Sousândrade, mas este ficou confinado no ostracismo por quase um século, até que os irmãos Campos o resgataram. Este ano aconteceu a publicação das obras completas dele, numa edição linda, feita, justo em Curitiba, pela Editora Anticítera.

Na era virtual as escritas são igualmente virtuais. O que se produziu há 20 anos, no Editor de Texto da época, que já foi superado, talvez, no futuro, não seja possível mais decifrar o que foi registrado ali. Se é que haverá alguém a se interessar por escritos. Mas, talvez, mais na frente, alguma Inteligência Artificial “reescreva” o que se perdeu de um bom poeta dos anos 2000. Que tal?

A literatura sempre foi vítima de genocídio. Quantas obras foram queimadas, se perderam por desleixo, por motivos políticos, por inveja, por dinheiro… Mas nunca foi assim, tão insidiosa a destruição da literatura em detrimento das puerilidades. Há um sangue nos olhos e um saldo no banco para desenganar qualquer proposta que não esteja de acordo com o status quo, que ainda existe…

Este imediatismo vai custar caro. Na educação já está gerando grandes preocupações em pesquisadores, a exemplo do psicólogo social e professor Jonathan Haidt, que tem alertado para os males da virtualidade perante a vida escolar e social das crianças. Segundo o professor norte americano, as crianças, sufocadas pelo mundo virtual, pelas redes sociais, estão perdendo o convívio com seus pares, e ficando doentes, no que ele chamou de a Geração Ansiosa, título de um de seus livros.

O Dalton, um dos últimos representantes da literatura brasileira do século XX (e XXI, ele escreveu e publicou até os 90 anos) se foi. Quem está publicando agora, escritores e editores tem uma missão: a de não deixar a literatura de verdade morrer, essa que não é politicamente correta, que incomoda, que desdiz o que todos dizem, que causa dor, nojo e êxtase. Até por que, como disse o Dalton “Só a obra interessa… O autor não vale o personagem… O conto é mais importante que o contista”…

Há um limiar absurdo travestido de justiça: a condenação de obras de literatura em detrimento de leis ou entendimentos do momento. É uma armadilha para apagar um passado vergonhoso, que, antes de ser apagado, precisa ser exposto e analisado à luz do desenvolvimento da alteridade, para que não se repita.

A escrita eletrônica não admite sequer palimpsestos; depois do “salvar”, já era. A literatura não gera fósseis, ela é o espanto do espartano de Plutarco: “uma voz e mais nada”. Mas pode ser reconstruída a partir do nada – a essência humana, “a outra ordem do mundo”, mas, para isso, é preciso que haja sobreviventes.

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