Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

Autor: Natanael Júnior Page 1 of 9

Yglesio não apoia o projeto da família Brandão

A declaração do deputado “ponta de lança” do governo na Assembleia Legislativa enquanto participava do Podcast Café Quente, de Rogério Cafeteira, traz à tona um sentimento silencioso que está presente entre os aliados fora do núcleo familiar do governo, a incerteza da viabilidade do projeto da família Brandão.

Ao declarar que não pode ir contra o seu eleitorado e que existe a possibilidade real dele não apoiar a candidatura do filho de Marcus Brandão para o governo do Estado, Yglesio deixa claro que a defesa ufanista que faz na tribuna não passa de conveniência e sobrevivência política, por sinal, características que já são peculiares da sua personalidade.

É senso comum que deputados como Yglesio e Mical Damasceno possuem seus acordos com o governador, acordos estes que envolvem cargos, emendas, institutos, muitos favores, não há dúvidas de que são bem remunerados para o que se sujeitam a fazer.

É aquela velha história de juntar fome com a vontade de comer.

No campo ideológico, Yglesio é um recém-convertido no bolsonarismo, que precisa a todo custo se afirmar e se auto validar diariamente. É essencial para ele atacar o STF, assim passa a impressão de que tem estatura para brigar lá em cima, uma espécie de Nikolas Ferreira provinciano, e o seu principal palanque é a tribuna do paramento.

Uma coisa é certa, a declaração de Yglesio deixa claro que a incerteza da classe política em relação ao grupo Brandão é real, principalmente depois da humilhação de perder o comando do PSB, sentado na cadeira de governador. Ainda mais agora, com o aumento dos rumores do seu afastamento por conta de denúncias envolvendo corrupção, nepotismo entre outros mais assombrosos.

E como comecei o texto fazendo uma referência ao futebol, vocês se lembram daquela declaração do Vampeta numa época de crise no Flamengo, onde ele disse “eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”? Essa frase acabou virando um adágio popular que inclusive reflete o sentimento da classe política maranhense que tem sido pressionada para fazer acordos de caixeiros viajantes com o nome no caderninho de parcelas.

Enquanto isso, o tempo do gpvernador Carlos Brandão está acabando, seja pelos rumores de afastamento, por sua possível renúncia para concorrer ao senado e também se decidir ficar até o final do mandato. No total ele tem apenas um ano e três meses como governador e se ainda achar que a melhor possibilidade é eleger o parente para garantir o poder da família, é bom nem contar muito com o deputado Yglesio Moisés, afinal, depois dessa declaração, só resta saber se o coronel vai passar o rodo logo ou usar mais um pouco o seu ponta de lança na Assembleia.

A imprensa e a crise política do Maranhão

Preciso começar esse texto afirmando que essas linhas são apenas uma crônica com doses de reflexão, até porque escrever qualquer coisa sobre a imprensa é sempre pisar num terreno muito delicado e está longe das minhas pretensões ser o Mister M do jornalismo maranhense, afinal todos nós sabemos como funciona o jogo e se antes tinha uma aura de imparcialidade, hoje os lados estão escancarados e o jornalismo opinativo vem crescendo construindo narrativas em cima de meias verdades.

O meu objetivo não é teorizar a comunicação local; além de não ter competência para isso, particularmente, acredito que muita teoria acaba complicando a vida e o mais prudente é deixar a produção científica para o ambiente acadêmico. Não é verdade?

Entretanto, é necessário observar que a ameaça do ruído na comunicação, alertado pelos teóricos da escola de Frankfurt, no século 20 passou de preocupação a realidade e mesmo McLuhan antevendo o mundo globalizado de hoje em dia. O ruído foi potencializado por novas ferramentas tecnológicas. Embora haja exceções, a realidade atual é que a oferta de informação que aparecem nas nossas telas está sem controle de conteúdo e de qualidade. Lamentavelmente o ChatGPT é a nova realidade.

Para bem longe dos textos de inteligência artificial predominantes por aí, Adorno já dizia em Minima Moralia – reflexões a partir da vida danificada – Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Depois dessa breve ambientação e nada tão grande como os textos de Saussure xerocados da UFMA, nos anos 90, afinal o momento não é propício para discutirmos o significante e o significado na atual conjuntura, muito embora a política e a imprensa maranhense se posicionem muito além da semiótica, em diversas oportunidades.

O recente episódio envolvendo o quadro bastidores, apresentado pela competente jornalista Carla Lima, na TV Mirante, e as notas de repúdio dos deputados oposicionistas, em relação a um comentário opinativo sobre uma suposta possibilidade de afastamento do governador Carlos Brandão, assim diz um o trecho do inicio da fala, “ O fato novo que vem de uma especulação desde a semana passada…” narra algumas possibilidades e antes de encerrar ela diz “ agora uma coisa é certa, se for verdade os deputados estão com informações privilegiadas” e complementa tipificando o crime segundo a lei.

Quando o fato surgiu de uma especulação e a certeza veio do “SE”, na maior audiência da televisão local em nosso Estado, a tendência é normalizarmos as graves acusações contidas na notícia e essa tendência não é exclusiva, ela já vem sendo validada há alguns meses em todos os setores da imprensa, inclusive este que vos escreve.

Agora abrindo mais o leque da pauta como diziam as antigas pauteiras, a crise politica entre o governo do grupo Brandão e os remanescentes leais do grupo dinista acabou expondo os lados da comunicação maranhense, o passado ficou para trás, a hora é de vaca desconhecer bezerro, como diz um adágio popular, afinal o Estado controla a verba e ainda “prensa” como nos tempos de Gutemberg e ai de quem não se enquadrar.

“Uma coisa é certa, se o bicho é alto jogador não pode fazer corpo mole”, já dizia Castor de Andrade no tradicional time do Bangu na década de 80. Bicheiro e contraventor declarado, Castor foi um personagem folclórico e apesar de ser criminoso criou fama com um jargão no Rio de Janeiro: vale o que está escrito, e ninguém ousava não pagar o que estava no papel.

Mas o papel perdeu valor na escrita e o digital pulverizou a informação. O caminho viável é tentar chamar atenção em meio à uma multidão que se alimenta de polêmica, mas não podemos julgar os que estão entre a cruz e a espada, a favor desses apenas a amnésia gradativa da linha de produção de todo o dia.

No mais, temos que pensar positivo e entre tantos altos fenômenos de popularidade acaba sendo até divertido acompanhar um conselho matutino dominical tentando definir até a eleição de 2030, uma carta de Pero Vaz de Caminha, alguns anarquistas, futurólogos, outros instagramáveis e muitos kamikazes.

As notícias precisam continuar, mas não vamos esquecer do velho Adorno no início, Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Qual será a última cartada da família Brandão?

A Crise política que assola o governo nos últimos meses vem causando estragos irreversíveis para o projeto de poder da família Brandão.

Há cerca de três meses quando decidiu investir na candidatura do sobrinho rompendo o acordo com os dinistas e também com o PT nacional. O governador Carlos Brandão estava apostando no momento ruim que o governo federal atravessava e imaginando que o poder de barganha do centrão garantiria que o sobrinho fosse ungido por Lula para ser o novo governador do Maranhão.

Não sei quem aconselhou, mas o exercício de previsibilidade dessa mentoria política apostou na queda de popularidade do presidente que vinha sendo potencializada pelo centrão e pela extrema direita brasileira.

“O plano é simples Carlos, vamos transformar uma simples secretaria extraordinária para ser a mais importante do governo, aquela que vai prometer e entregar todas as obras para o sobrinho do governador aparecer como o mais preparado do Estado. Vamos também colocar a máquina de comunicação estatal para o promover o menino e transformá-lo no político e gestor preparado”.

Nesse pacote vieram as pesquisas eleitorais, mídia training, bonés, adesivos, propaganda proibida nos arraiais e é claro, uma fazenda de robôs fakes para bajular o representante da nova oligarquia do Maranhão, os Orleans Brandão.

Mas parece que a coisa começou a desandar quando o tarifaço do Trump planejado pela família Bolsonaro favoreceu Lula, que rapidamente surfou no erro infantil e aumentou a sua popularidade. Porém, aqui no Maranhão os movimentos foram antecipados, Brandão já tinha reunido com António Rueda em Brasilia, Com Marconi Perillo e aqui no Maranhão fez acordo com Aluisio Mendes do Republicanos, além de ceder espaços para Mical Damasceno no seu governo. Todos esses movimentos tiveram como ponto central a declaração de apoio para o sobrinho do governador com a certeza de que Lula ficaria refém do centrão.

As reações do planalto foram imediatas, Brandão foi tirado do PSB, engoliu seco o Presidente do PT nacional declarar apoio ao Felipe Camarão e ainda viu a decisão do STF em mandar abrir inquérito na Policia Federal para apurar aposentadorias suspeitas no TCE.

A reação de Brandão foi peregrinar em Brasília para fazer queixa de Flávio Dino ao presidente da Suprema Corte e como resultado prático teve o afastamento do Procurador Geral do Estado pelo Ministro Alexandre de Moraes.

Para piorar, veio à tona novamente o assassinato do Tech Office, mas com um detalhe importante, a federalização do caso pelo STJ e Policia Federal, onde o assassino confesso Gilbson Cutrim foi removido de Pedrinhas para um presidio federal onde supostamente fez uma delação premiada que promete escancarar a relação da família Brandão com o crime.

O governador está quase sem opções. Hoje toda a classe política debate o seu possível afastamento, além disso, existem muitos ressabiados com a possibilidade real de Brandão não entregar o que vem prometendo, tomando como exemplo o caso do PSB, onde afirmou que não perderia o comando do partido e deu no que deu.

Mas muitos ainda perguntam de onde vem a coragem do sertanejo de Colinas?

Vale a pena aguardar o próximo movimento da família Brandão.

Quando um governante sobe a carruagem e chama a crítica de latido

Pela enésima vez, o governador Carlos Brandão afirmou que ficará até o fim do mandato. Mas o que mais chamou atenção não foi a previsível reafirmação de permanência no cargo, e sim a frase que a sucedeu: “os cães ladram e a carruagem passa”.

A citação, ainda que pretensamente popular, escorrega na forma e na substância. E diz muito sobre o imaginário de poder que hoje se cristaliza no Palácio dos Leões.

A expressão original “os cães ladram e a caravana passa” tem origem árabe e simboliza a resiliência diante de críticas. A caravana representa o coletivo em marcha, o esforço comum, a travessia de muitos em busca de um destino. Não por acaso, trata-se de um provérbio historicamente ligado à ideia de constância frente às adversidades, não de desprezo ao contraditório.

Brandão, no entanto, trocou a caravana por uma carruagem. E a oposição por cães.

A metáfora da carruagem não é ingênua. Evoca luxo, distinção, isolamento. Se a caravana é feita de caminhantes que compartilham o chão, a carruagem transporta uma figura solitária, acima dos demais, protegida do barro, conduzida por cavalos. Ao se colocar nesse lugar, o da carruagem que avança enquanto os “cães ladram”, o governador insinua não apenas superioridade, mas imunidade.

Ele se vê conduzido por algo que o protege do ruído, do incômodo, do atrito. E mais: desumaniza seus críticos, reduzindo a oposição a ruído animal, a barulho perturbador que se deve ignorar.

Não se trata de preciosismo retórico. Há implicações profundas nesse gesto. Um líder que recorre a esse tipo de imagem projeta uma política sem escuta, sem diálogo, sem alteridade.

Na democracia, não é admissível que a crítica seja tratada como latido. O pluralismo exige respeito, mesmo quando os argumentos incomodam.

Chamar a divergência de ruído é uma forma velada de autoritarismo simbólico e, por vezes, o prenúncio de práticas institucionais que seguem pela mesma lógica.

E há uma inversão fundamental aqui: em regimes democráticos, não é a carruagem do poder que deve passar ilesa. Quem precisa passar, com segurança e dignidade, é o povo.

O governante não é o protagonista de um desfile aristocrático, mas servidor de uma sociedade plural, ruidosa, crítica. O barulho da oposição, das ruas, das instituições, é sinal de vitalidade democrática. O silêncio, sim, é que deveria preocupar.

Talvez o governador esteja cansado das críticas. É compreensível. Mas o cansaço com a democracia costuma ser o primeiro passo para quem já não se reconhece obrigado por suas regras.

O mais preocupante, portanto, não é o erro na frase. É o acerto no que ela revela. Estamos diante de um governante completamente deslumbrado com o poder e fazendo de tudo para impedir que ela saia das mãos de sua família. O povo? Que bata palmas para a luxuosa carruagem leonina que desfila pela Avenida.

O futebol maranhense e a eterna lei de Gérson

O Canhotinha de Ouro jamais poderia imaginar que uma frase para uma propaganda de cigarros poderia representar perfeitamente a malandragem no futebol brasileiro.

Relembrando aos os mais jovens, não estamos falando do Gerson craque do flamengo na atualidade, mas do cérebro da seleção de 70 e tri campeão mundial, aquele que disse num comercial de televisão que “gostava de levar vantagem em tudo”.

Apesar de ser um texto publicitário, não há como negar que acabou virando o mantra do famoso “jeitinho brasileiro” de normalizar a indecência e no futebol então parece que levaram ao pé da letra.

Trazendo a discussão para o enlameado gramado maranhense e voltando no tempo até setembro de 2011, onde o declarado interventor Antônio Américo com o apoio irrestrito do Ministério Público prometia passar a FMF a limpo e que convocaria eleições em três meses. Qualquer semelhança com um golpe de Estado é mera coincidência.

Nessa época Alberto Ferreira estava sendo atacado de todos os lados, mas a cruzada de  Litia Cavalcanti contra o então presidente da FMF ganhava o noticiário local e um fato chamava a atenção, a desenvoltura e o interesse da promotora para falar dos problemas crônicos do futebol maranhense.

Não podemos deixar de destacar que realmente a gestão de Alberto Ferreira estava muito desgastada com 20 anos a frente da federação e de fato era um ciclo que precisava ser encerrado, porém o caminho correto seria esperar as eleições, mas a demanda passou a ser urgente, tudo foi acelerado e resolvido, o interventor estava no poder.

Assim que assumiu Antônio Américo falava que não tinha interesse em ser presidente, mas o tempo foi passando e a palavra do homem mudou, Litia Cavalcante ficou desiludida com o futebol e o MP fechou novamente os olhos para os problemas do futebol local, já o interventor parece que gostou das benesses do cargo e vem se perpetuando na presidência da Federação até os dias de hoje mudando o estatuto e burlando as regras para permanecer no poder, mas e o que mudou no futebol maranhense mesmo?

Absolutamente nada, não mudou nada. A cada ano o campeonato vem perdendo importância, o público deixando de ter interesse em ir ao estádio, os clubes estão agonizando e a principal competição da FMF é uma verdadeira desorganização, sem falar nas mudanças de regulamento com o campeonato em vigor para favorecer o Sampaio e o seu grande parceiro Sergio Frota, como nos campeonatos de 2017 e 2020, mas por ironia do destino os dois estão na berlinda  do caos que é o futebol no nosso Estado.

Para piorar, documentos recentes expostos por clubes demonstram que os pagamentos de inscrições para as competições sub 19 foram feitos diretamente a uma empresa ligada ao vice presidente de competições Hans Nina Horn.

Em resposta ao portal G7 Antônio Américo disse que esse contrato existe desde 2023 e que foi feito de forma transparente e tentou justificar a contrato omitindo o favorecimento a uma empresa ligada a Hans Nina como uma solução e desenvolvimento das competições de base, mas na prática a desorganização é pior que o profissional com jogos sem ambulâncias e policiamento nos estádios.

O presidente inclusive disse que isso foi um ataque político, então quer dizer que noticiar fatos agora é fato político? Menos não é presidente!

Por último Antônio Américo responde atacando Fernando Sarney e a Copa Mirante dizendo em linhas gerais que as taxas cobradas por essa competição são maiores que as organizadas pela FMF.

Essa resposta merece uma atenção especial e demonstra até que ponto vai a gratidão do presidente da FMF com aquele que durante muito tempo foi parceiro e abriu as portas da CBF para António Américo. Fernando Sarney estava na Confederação Brasileira de Futebol há quarenta anos e de certa forma legitimou o “golpe” do interventor acreditando nas boas intenções e em prol das melhorias no futebol maranhense, mas pelo visto se arrependeu amargamente. Fernando inclusive sempre apoiou o atual presidente Ednaldo Rodrigues, mas alguma coisa no meio do caminho causou ruido nessa relação e com isso depois de 40 anos Fernando Sarney ficou fora da CBF deixando Antônio Américo isolado no topo do poder do futebol maranhense, pelo menos até a próxima eleição.

Enquanto isso só nos resta ficar torcendo pela do Gerson, não aquela de querer levar vantagem em tudo, mas a postura do atual capitão do Flamengo que disse que prega o respeito ao pai de família que acorda 03 horas da manhã para sustentar a família e que ainda faz o sacrifício de comprar o ingresso para assistir o time do coração, enquanto dirigentes maranhenses sempre dão um jeitinho de levar vantagem no falido futebol maranhense.

 

 

 

 

 

Os anfitriões do carnaval em São Luís

Quarta feira e as cinzas do funeral de luxo da cultura maranhense

É inegável que o carnaval é um dos períodos festivos mais importantes do Brasil e assim como o natal é imprescindível para a economia brasileira.

As tradições culturais do período momesco em todo o país acabam sendo regionalizadas, como o carnaval do Rio, o carnaval da Bahia, de Pernambuco e sucessivamente em todos os Estados. Além disso, é preciso incluir na formula de sucesso da folia, os dias de folga prolongados e os potenciais turísticos de cada localidade.

Os três Estados citados acima são reconhecidos nacionalmente como os maiores e melhores carnavais do Brasil, afinal foram anos de investimentos e um dos principais vetores foi a consolidação das suas identidades culturais para que o turista saiba que vai assistir no Rio os desfiles de escolas de samba, os blocos Cacique de Ramos, o Cordão do Bola Preta e o Sargento Pimenta, assim como na Bahia ele quer ver o axé nos trios elétricos, já em Pernambuco ele vai para curtir o frevo pelas ruas antigas de Olinda e o palco multicultural do Marco Zero em Recife.

A principal característica entre eles é a valorização das atrações regionais, basta observar a programação e constatar que a multidão está consumindo a cultura local daquele Estado, fruto de um trabalho que não começou da noite para o dia, até porque não basta apenas mudar a logomarca de um governo e bradar que tem o maior carnaval do Brasil, é preciso apresentar resultados concretos.

Trazendo a discussão aqui para o carnaval do Maranhão, é preciso reconhecer que estivemos bem perto disso no governo Roseana e também no período de Flávio Dino. Na época de Roseana tínhamos um dos melhores carnavais de rua do Brasil com o sucesso do Bicho Terra na ponta da língua e o contato direto com os blocos tradicionais em que a população fazia festa na Madre Deus. Já no governo Dino, o resgaste do circuito beira mar valorizando nomes como Flávia Bittencourt, Rosa Reis, Zeca Baleiro que dividiam o mesmo trio elétrico com artistas do naipe de Chico César e Alceu Valença criaram um ambiente único para um dos melhores carnavais do Maranhão.

Ainda nessa época quem não se lembra dos “falados” carnavais de Cururupu? De Pinheiro? De Barra do Corda? De Guimarães? Aliás, que bola fora o governo não investir na linda praia de Araoca e nem mesmo a recém inaugurada estrada dos poetas foi capaz de justificar um bom investimento para a região, enfim é o governo se autossabotando.

Mas por falar em investimento, o governo do Estado disse a revista exame que investiu 68 milhões no carnaval desse ano com a expectativa de ter um retorno 4 vezes maior segundo as estimativas do próprio governo. Bom tive o cuidado em consultar alguns amigos economistas e não conseguimos achar equilíbrio nessa conta e muito menos lógica, ainda mais se levarmos em consideração que camarotes privados cobram até 700 reais para o folião que quer ter uma visão privilegiada da festa, ou seja, o governo paga a atração milionária para um seleto grupo explorar a venda de ingressos, não tem como não ser empreendedor desse jeito não é verdade?

Outro ponto que chama a atenção, o governo do Estado vem dizendo que é municipalista, mas na contra mão do discurso concentrou seu investimento na capital e com isso praticamente esvaziou o carnaval nos municípios, ou seja, os pequenos comerciantes do interior do Estado que esperavam faturar um dinheirinho nesse período ficaram ao relento, é tipo aquele ditado popular, “cobertor de pobre quando cobre a cabeça descobre os pés”.

Já o prefeito Eduardo Braide investiu cerca de 20 milhões no carnaval de São Luís, com destaque para uma mega estrutura que ficou instalada desde o réveillon e uma carrada de atrações nacionais numa disputa de popularidade com o governador Carlos Brandão onde os dois apostam no populismo midiático do pão e circo para gerar engajamento nas redes sociais.

O resultado prático dessa disputa foi mais uma vez a desvalorização da nossa cultura em todos os níveis, como a adiamento dos desfiles das escolas de samba e blocos tradicionais, artistas maranhenses tratados como coadjuvantes e a “baianização” das nossas tradições culturais financiadas com dinheiro público com resultados maquiados pela opinião influenciada e bem remunerada.

A conta vai pesar mesmo é quando a ficha cair e prestarmos a atenção na precariedade da educação municipal, no passe livre estudantil que o prefeito alega não ter verba para implantar, no Nhozinho Santos fechado, nas estradas do Maranhão esburacadas e nas pontes precárias de responsabilidade do governo em todo Estado.

Mas no São João a esperança do povo estará renovada, vem aí o maior São João do Brasil e uma enxurrada de sertanejos receber novamente cachês milionários antecipados enquanto os bois vão esperar um ano para receber, mas o povão vai comparecer, afinal é a massa que bem batida molda o pão e o circo.

 

O prefeito, o parlamento e as redes sociais

É preciso deixar bem claro que o isolamento político que o prefeito enfrenta na câmara municipal foi construído por ele mesmo desde a sua chegada no Palácio La Ravardiere.

Com o intuito de aparecer sozinho e ser o centro das atenções da sua gestão, Braide centralizou as ações da prefeitura em torno do seu perfil no instagram onde faz do seu governo uma espécie de reality show, porém, nem tanto real e com muita coisa embaixo do tapete como a falta de transparência na contratação de creches para organização de eventos milionários, entre outros.

Basta observarmos o levantamento de 2024 da Transparência Internacional e constatar que a falta de dados no pagamento de emendas, contratações emergenciais classificaram gestão do Prefeito de São Luís apenas como regular, ou seja, para quem se vende como um dos melhores do Brasil, ser atestadamente regular em transparência já demonstra um pouco da verdadeira personalidade do Braide que não aparece em suas redes sociais.

Essa semana com a retomada dos trabalhos da câmara ficou claro que o clima em 2025 continuará beligerante e entre, emendas, vetos e embates no plenário, parece que chamar o Douglas ainda não foi uma boa alternativa para Eduardo Braide.

Os vetos e os “berros” nas redes sociais dessa vez não foram suficientes para o prefeito manter o discurso de vitima ao recusar o aumento de salário proposto pela Câmara alegando que o valor equivalente a cidade de São Paulo iria comprometer o orçamento municipal, mas Braide “esqueceu” de mencionar que os salários do seu secretariado estão no mesmo patamar da capital paulista e num projeto proposto pelo vereador Daniel Oliveira (PSD) que até o ano passado era líder do seu governo na Câmara.

O Prefeito também “esqueceu” de destacar no seu lamento, que atrelado ao seu salário estão mais de 400 servidores impossibilitados de terem reajuste para o Prefeito posar de humilde com carinha de perseguido nas redes sociais.

Mas o que deixou Braide extremamente irritado foi redução do limite de gastos direto do executivo, o Prefeito queria poder movimentar livremente cerca de 1 bilhão e 400 mil reais. A Câmara limitou para algo em torno de 350 milhões, porém deixando claro que a casa está aberta ao diálogo para qualquer necessidade da prefeitura.

A impressão que fica é que os vereadores optaram por um posicionamento mais seguro em relação ao orçamento em virtude dos escândalos recentes envolvendo contratos milionários para eventos realizados sem licitação e sem transparência, entre outros contratos feitos a “toque de caixa”.

Por outro lado, o Prefeito dá sinais que vai continuar apostando na dissimulação nas redes sociais, afinal dizer em vídeo que o ritmo das obras vai diminuir porque a câmara está cobrando mais transparência e ciência dos gastos realizados pelo executivo é mero populismo contemporâneo, além do mais, o ritmo das obras já diminuiu desde que terminou a eleição e só essa semana o prefeito num mero jogo de cena foi “acelerar” a obra da UEB Sidney Castelo Branco numa clara a necessidade de produzir conteúdo para internet requentando anúncio de obras do ano passado.

 

 

 

 

 

O discurso de vitimização do governo

Todos os holofotes da imprensa e da opinião pública estão voltados para crise que envolve Brandão e o grupo que o ajudou a ser governador.

Os passos dados de ambos os lados podem dizer muita coisa é verdade, porém são as interpretações que aquecem a pauta e movimentam o imaginário popular.

Seria mais do mesmo relembrar esses passos, algumas narrativas dizem que a relação azedou ainda no final de 2022, mas a exoneração de Felipe Camarão da Secretaria da Educação antes das eleições municipais desse ano foi uma decisão política do governador, publicada no diário oficial inclusive e deve ser considerado o “Marcus” zero desse eventual rompimento.

De lá pra cá o caldo só engrossou e os últimos movimentos expuseram a fragilidade do governo, acuados pelas decisões do STF nas ações capitaneadas pelo deputado Othelino Neto, Brandão cometeu o mesmo erro de Dilma Roussef que tentou dar foro privilegiado ao Lula um pouco antes da sua prisão, lembrando que qualquer semelhança não é mera coincidência.

O ato de nomeação foi um erro infantil e crucial, além de ratificar o caráter nepotista do governo Brandão, ele matou a estratégia de vitimização que a comunicação aliada vinha fazendo e que foi impulsionada com a comoção pela decisão do Ministro Alexandre de Moraes pela exoneração de Jackeline Helluy, sogra de Orleans Brandão que é secretário e sobrinho do governador, vale ressaltar que Jackeline já era funcionária da assembleia em outras gestões, profissional competente e de fino trato, mas precisamos ser francos, o cargo era de indicação política e nesse jogo não tem inocente.

O outro erro foi apressar a eleição para a presidência do TCE, será que Brandão não avaliou que está na iminência de perder a batalha pela Assembleia no STF e ainda sim reforça a aura nepotista do governo fortalecendo o sobrinho Daniel Brandão para o comando do Tribunal de Contas?

Voltando para o campo da midiático, os últimos movimentos tem dificultado a própria estratégia de comunicação do governo, afinal, por mais que seja legal a nomeação de Marcus Brandão e a eleição do Daniel Brandão para a Presidência do TCE, não soa bem defender o nepostismo, ainda mais quando o governo atua para impor parentes nas estruturas de poder do Estado operando nas brechas da lei.

Pelo visto, essa semana deve continuar tensa, ainda mais com o fracasso da tentativa de uma roda de negociação envolvendo o clã Brandão e parte dos seus aliados herdeiros do grupo politico criado pelo ex governador Flávio Dino.

Entre as notas de apoio e também de repudio, está a tentativa de convencimento do imaginário popular e caminho mais fácil é adotar o discurso de vitimização, mas como ser vítima se partiu da caneta de Brandão o primeiro ato oficial dessa guerra fria?  Além disso, a beligerância já se faz presente nos movimentos do governo.

Enquanto isso os dois lados estão armazenando pólvora.

 

 

Enquanto a trégua não vem

Os últimos fins de semana foram tensos na política maranhense, indiretas, discursos equivocados, troca de farpas nas redes sociais e incendiários estimulando o rompimento do governador com o grupo que o apoiou na eleição de 2022.

Como já foi dito e desdito tanta coisa sobre essa desavença, desde “conselhos” em capas de jornais até avisos de outros que já pagaram o preço pela mesma teimosia, até o Lula já avisou. Então vamos desanuviar e brincar um pouco com as palavras para fazer uma análise misturando trechos de letras da icônica banda brasiliense Plebe Rude com os fatos locais, até porque o maior prejudicado com essa contenda somos nós o povo, a plebe.

Um pouco além de noticias de jornais e um pouco aquém da situação atual, esse absurdo já é tão constante nas rodas de conversas em todo Maranhão que ultrapassou as divisas e chegou até a capital da esperança, as asas e eixos do Brasil, Brasília.

O governador foi até o presidente Lula para se queixar do jeito midiático do seu vice Felipe Camarão, sem levar em consideração que esse mesmo jeito midiático o ajudou enquanto ele esteve fazendo tratamento de saúde em São Paulo durante a campanha. Por outro lado, Brandão se sentiu desrespeitado por seu vice ter tido uma agenda com o presidente Lula antes dele ter sido comunicado, afinal o seu direito é me obedecer, você pode me subestimar, mas vou te punir.

Por que você não gosta mais de mim? Perguntou Felipe. Mas já era tarde demais, o governador exonerou seu vice da secretaria de Educação, tirando do governo o gestor que melhorou todos os índices da educação no Estado segundo o IBGE, tirando também a possibilidade dele cumprir agenda oficial pelo interior do Estado. Coincidência ou não, o ato foi logo após o governo federal repassar a verba dos precatórios para o Estado, fato que abre margem para muitas especulações.

Felipe sentiu a punhalada, afinal era um dos mais atuantes na briga pelos professores e em prol da educação, mas ficou sem saber o que pensar. Já nem sei se estou contigo, já nem sei para onde a gente vai e os ainda aliados de Brandão passaram a perguntar, você ainda lembra como era Brandão?

Mas o governador já estava envenenado pela sopro no pé de ouvido dos aliados que estavam guardados nas prateleiras empoeiradas e também por incendiários com discursos inflamados na tribuna da Assembleia em busca de mais espaços de poder para garantir mandatos com o suporte dos feudos eleitorais, ainda mais depois de caírem com estratégias extremas, ideologias marcadas se alguém quiser se rebelar, oposição reprimida, radicais calados, toda angustia do povo é silenciada, tudo para manter a boa imagem do Estado. Cabe a minoria falar o que quer apesar da repressão…

A contenda chegou até a tribuna da assembleia num jogo onde se você falar mentiras sobre a gente falamos a verdade contra você. Já Iracema Vale até então impávida, daqui de cima do altar é estranho, vejo muitos sorrisos, nenhum e um é falso. E foi a partir do único deputado de oposição declarado que veio o principal levante e quase tomada do parlamento, num movimento silencioso que nem mesmo a imprensa acostumada com previsões conseguiu entender o que estava acontecendo. Os dois lados se atacaram por trás com tapinhas nas costas, já se conheciam há muito tempo, mas tinham que disfarçar, trocaram papeis, informações falsas, se esconderam atrás de sorrisos procurando vitórias, vitórias.

Enquanto isso está passando na globo sexo e karatê, mas não quero mais ver, queremos ver em tempo real, “mas rapaz”, onde vai parar o seu jogo?, porque na sua indecisão você nem viu, ninguém se importa por seu jogo, você está em xeque mate viu? E o culpado é você.

Mas quem tem a razão, um momento, palavras não justificam a ida em vão. Quem escutar então? Delegado ou jurista com relatório em mãos. A lei não ressuscita, burocratiza o que eu já sei. Esclarece por favor, o que é tão temido só acontece com os outros, o que você faria?

O melhor conselho é olhar para trás, herdamos do passado velhos erros e ideais que só servem de exemplo para os demais, mas como lembrar não custa nada, quem se recorda do tratamento dado por Roseana Sarney para o seu vice na época Zé Reinaldo, que ficou isolado na mansão da vice governadoria com tudo cortado, no limbo. Mas quando chegou a sua vez ele poderia ter feito diferente, mas pagou na mesma moeda e quem sofreu foi Jura Filho que acabou despejado do gabinete. Mais tarde Zé Reinaldo pagaria um preço alto pela teimosia de ficar até o final do governo, foi preso e humilhado pela operação navalha.

Essa escolha de vice é um negócio que sempre deu crise, a história política do Maranhão mostra claramente, mas teve um político que fez diferente, Flávio Dino, além de tratar bem por oito anos Carlos Brandão, delegou poderes ao seu vice, que tinha um gabinete atuante na residência oficial do Turu, chegou a ir na China algumas vezes em viagens representando o governo com poder de decisão e mais ainda, Flavio Dino colocou todo o seu grupo para vestir a camisa da eleição de Brandão, mas agora com a visão turva, Brandão age como os outros do seu velho grupo empoeirado e acostumado as velhas práticas sufocando justamente o seu vice Felipe Camarão, que foi dos nomes mais atuantes para eleição do atual governador.

Por mais que tenham muitos incendiários jogando gasolina nessa relação, ainda é possível acreditar na serenidade do governador, ele tem o poder para decidir e para além do discurso de quem traiu quem, o mais importante é pensar na construção de pontes para o bem do povo maranhense, uma vez que nunca na história política brasileira o Maranhão esteve tão bem representado nacionalmente, com vários nomes bem posicionados em Brasília com possibilidades reais de fazer muito pelo Estado.

Enquanto isso, Johnny vai a guerra outra vez, diversão que ele conhece bem, enquanto a trégua não vem…

Othelino, Tio França  e a  traição ou conspiração da pólvora

Em novembro de 1605 Guy Falkes tentou explodir o parlamento inglês e assassinar o rei da Inglaterra James I por ter dado continuidade à política de fortalecimento do protestantismo iniciada pela rainha Elizabeth I. O plano silencioso quase dá certo, porém Falkes foi detido a meia noite nos porões do Palácio de Westminster prestes a detonar a pólvora.

O 13 de novembro também ficará marcado na história do Brasil e também no Maranhão. Em Brasília um típico bolsonarista protagonizou cenas de tragicomédia numa tentativa de explodir uma estátua na praça dos três poderes, um dos motivos seria o ódio ao comunismo, o “prêmio pela bravura” foi infelizmente a morte e com o número 13 inscrito em sua lápide por toda a eternidade.

Se na capital federal o ato foi espalhafatoso, aqui na província a conspiração foi silenciosa. A eleição para a mesa diretora da assembleia corria no clima de já ganhou pelo seleto grupo Brandão. Do outro lado estava o desacreditado Othelino Neto que trabalhou silenciosamente no queria seria um dos maiores vultos políticos da história do Estado e ele estava tão certo da vitória que levou a família para comemorar a queima de fogos.

Mas o outrora traidor acabou sendo traído, pelo menos dois deputados apagaram o pavio, não se ouviu o barulho dos fogos e a votação terminou empatada com a atual presidente ganhando por idade a disputa.

Entre as muitas narrativas a que mais se aproxima da realidade é que o governador Carlos Brandão recebeu o mais duro dos recados, cumprir palavras e acordos políticos garantem longevidade no poder com bons mandatos, ainda mais com quem firmou a palavra.

Qualquer coisa diferente disso são apenas narrativas dos incendiários que circundam o poder em busca de mais espaço no governo atirando verborragias ao vento.

 

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