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Categoria: Coluna do Geraldo Iensen Page 2 of 3

Todos em busca de um “Negócio da China!”

O presidente Lula foi pra China. Levou o governador Brandão, uma parelha de deputados, senadores, lideranças, empresários… A trupe brasileira. Não me admira se aparecer um pandeiro, um tamborim e um cavaquinho pra articular um samba nesse avião, pra chegar todo mundo animado pra fazer “Negócios da China”.

No mais é procurar alguém pra botar a culpa dos problemas urgentes; a velha estratégia que, no mínimo, dá um tempo a mais para que uma contenda seja resolvida. Ou esquecida, isso com a ajuda de alguns agentes que podem ir desviando do problema real, ou criar ramificações que causem confusão nas análises. Isto posto vamos aos “Negócios da China”.

Quem pauta? A imprensa ou os poderes constituídos? Ou é como garimpo, apareceu ouro num barranco começam a cavoucar nas laterais, ninguém vai procurar no lugar oposto onde o colega bamburrou. Bamburrar é um “Negócio da China”.

Então vamos discutir os juros no Brasil? É a “batata quente”: vamos jogar no colo de quem? Ah, mas o banco Central é “autônomo”! Ah, mas eu não nomeei o presidente do BC; Ah, mas pra controlar a inflação tem que ter juros de 26% (e não 13,75%); Ah, mas os empresários que querem investir no Brasil vão desistir com um juro desses… Bom, esses juros cósmicos brasileiros devem ser o oposto de um “Negócio da China”, então estes ficam cozinhando por aqui.

Já tivemos alguns “Negócios da China” no Maranhão. Por exemplo, a compra de respiradores durante o início da pandemia de Covid-19, que foi um negócio tão incrível, que virou até livro. Outro foi aquele porto que seria construído na comunidade Cajueiro, que foi devastada, teve sítios espirituais arrancados, o meio ambiente ameaçado e o tal porto ficou no esquecimento. E os moradores da Vila Cajueiro sem as suas casas.

A expressão “Negócio da China” remonta ao século XV, para uma China que virava as costas para o ocidente, que estava louco para por as mãos nas sedas, temperos, ervas, óleos e perfumes orientais, o grande “negócio da China” de então. Agora as coisas mudaram, A Guerra do Ópio ficou lá no século XIX, os chineses se livraram da Inglaterra e meteram a Revolução Maoísta no meio. A China é hoje reconhecida potência mundial e é “onde está o dinheiro”. Então todos querem correr pra lá.

Mas a China só tem feito “Negócios da China” para ela mesma, para as “potências” Estados Unidos e União Europeia o presidente Xi Jinping não oferece, sequer, um sorriso. E no Maranhão, por enquanto, de realidade mesmo em termos de “Negócio da China”, o que temos de concreto palpável e visível é, unicamente, o comércio de bugigangas da Rua de Santana.

CEO e Siô… Mas eles são homens honrados!

Vim enterrar César, não louvá-lo. O mal que os homens fazem sobrevive a eles. O bem quase sempre com seus ossos se enterra. Pois seja assim com César. O nobre Brutus já lhes disse que César era ambicioso. Se assim era, foi uma falta gravíssima, e gravemente César respondeu por ela. Com licença de Brutus e de todos os demais, pois Brutus é um homem honrado; assim são todos os outros, homens honrados, venho eu aqui no funeral de César. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Brutus disse que ele era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Discurso de Marco Antônio em  Julio César – Shakespeare

 

O cara se matando pra compreender esse mundo, suando sobre as obras de Nietzsche, Derrida, Bauman e Cioran; buscando um sentido para tanto absurdo, tanto equívoco. Tentando encaixar o viés desumano para onde a humanidade se conduz. E descortina-se uma vida guiada por DI’s, ex BBB’s, gerida por CEO’s… Haja IA’s!

Mas não são os filósofos (nem os artistas, viu!?) que conduzem a tirania da realidade nos tempos atuais (nem nunca foi, eu sei…); são os mercadores; todos os tipos deles. Só que hoje têm “especialistas” (esse raio infame da hipermodernidade!).

Algumas discussões, que a priori, podem parecer de cunho econômico, são na verdade de cunho acadêmico, mas não da economia, mas da filosofia (moral), da sociologia (cultura) e da comunicação (marketing – o marketing é da comunicação ou da economia?). A Comunicação é a nevralgia disso tudo – e não é só o marketing.

Os CEO’s (Chief Executive Officer ou Diretor Executivo)

As algumas discussões, por exemplo, são: Boca Rosa (digital influencer e ex BBB) no SXSW, evento internacional de Inovação que ocorre nos EUA e foi patrocinado pelo banco brasileiro Itaú; a falência das Lojas Americanas e a contratação de Gisele Bündchen pela Brahma para participar do carnaval na Sapucaí; a quebra de dois bancos americanos e o bamboleio (bamboleiôõõõo, bambileiáááá…) do segundo maior banco suíço (solução fácil essa; já foi comprado pelo maior banco suíço).

Os siôs (regionalismo do Maranhão – redução de “senhor”) :

Novamente pistoleiros encapuzados, numa versão, hipermoderna da Ku Klux Klan, invadem comunidades tradicionais no interior do Maranhão e a polícia pede “calma” aos moradores apavorados, ao invés de prender essa penca de bandidos contratados, pelo que parece, pelas velhas práticas do terrorismo no estado. E quem tem que ter calma são aqueles que tem suas casas queimadas e suas terras tomadas.

Para a estética, para a poesia, a contradição é um tipo de elemento que compõe as obras. “Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões”, escreveu Walt Whitman; “Eu sou um outro” escreveu Rimbaud, esses dois ali pelos fins do século XIX. “Contradigo-me a mim mesmo? Muito bem, então, contradigo a mim mesmo”, repetiu James Joyce; “Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta”, refez Mário de Andrade, estes, no começo do século XX.

Desde então a modernidade foi a voragem do homem moderno. O superhomem de Nietzsche, as desconstruções de Derrida, a insônia de Cioran, e a sociedade líquida de Bauman versões de um empoderamento misturado com aniquilação. “As minorias são todos, a maioria não é ninguém”, diria Deleuze.

Agora os CEO’s, poderosos inconstantes do século XXI, fecham os olhos para todas as contradições e massacres do século. São parceiros dos “homens da política pública”, esta, tão privada, quanto a privada. Aqueles por detrás dos CEO’s, ninguém sabe quem é, embora haja alguns testas de ferro para serem crucificados, quando extremamente necessário, de vez em quando,

Presente na SXSW, Olga Martinez, sócia e fundadora da consultoria Amélie veio com uma tirada e tanto, reproduzida num artigo muito legal do Guilherme Ravache para o UOL: “Big tech, big corp, big bank? big is bad (grande é ruim)”. Isso nos lembra do mantra “global” de que “agro é pop, agro é”… bost… Esse mesmo que expulsa pobres comunidades tradicionais de suas casas, queimando seus “quase nada”. Siô!…

Maranhão: “um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas”

turvo turvo
                                       a turva
                                       mão do sopro
                                       contra o muro
                                       escuro
                                       menos menos
                                       menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
                                       escuro
                                       mais que escuro:
                                       claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
                                       e tudo
                                       (ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
                                       azul
                                       era o gato
                                       azul
                                       era o galo
                                       azul
                                       o cavalo
                                       azul
                                       teu cu

                                                                         (Poema Sujo – Ferreira Gullar)

 

O Maranhão é esta terra onde o poeta Gonçalves Dias morre na costa, no litoral; morre na praia, já quase chegando. O Maranhão é este eterno quase “quase”. É esta terra que expulsa Aluízio, Ferreira, Mendonça… O Maranhão é a Terra do Nunca: onde “azul era o gato, azul era o galo, azul o cavalo, azul…”, o local de tirar políticos.

Lembram-se do filme o Exterminador do Futuro (aquele que o exterminador do mal era líquido)? Pois assim é o Maranhão. Ele se transforma nas formas que precisa, que quer… “Um tipo de amor que é pobre, e às vezes nem é honesto”. “Ave, palavra!” Como diria Guima.

Assim são os políticos do Maranhão: se transformam em religiosos (como fez Mussolini), em comunistas, em liberais, em poetas, ou simplesmente demostram o pior do que são quando já não tem motivos pra se esconder ou oposição.

O Maranhão é poético por essência, disso não duvidem. É uma eterna metáfora! (Aff, Gerald, as metáforas!…); o tijolo do fazer poético. “Tijolo por tijolo, num desenho ilógico…”. Mas sempre morre estatelado no asfalto (ou na ausência de asfalto), como um pardal de William Carlos Williams. Mas é uma Fênix!

Quando Flávio Dino foi governador (o segundo balaio. Balaio?) desmontou-se a oligarquia. “Que oligarquia?” – Diria Dino no dia seguinte. E o povo estupefato (e pobre, pobre de marré, marré, marré…) com suas bandeiras brochadas, e os leões, igualmente, rugindo, irascíveis, como rugia um pistoleiro autêntico dos anos 1950.

Minha terra nem palmeiras tem mais. Os sabiás, então! Cortaram quase todas pra plantar soja e eucalipto, ou pra fazer prédios ilegais. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam e se calam sob as letras que Vieira atribui ao Maranhão: TCE, TJ, MP, OAB, ALEMA, CVSL, FAMEM… Ah, não eram essas; desculpa Vieira, era M, de Mentir, de Motejar…

Havia palmeiras no sítio Rangedor onde construíram a Assembleia legislativa do Maranhão do M? Quantas foram arrancadas? Depois fizeram uma pistazinha pro povo sorridente fazer umas caminhadas.

Sobrou palmeira? Se sim, já era, pois já, já, serão arrancadas pra fazer a nova sede da Federação dos Municípios. A área de proteção ambiental foi doada pelo governador Brandão para que se arranque aquele mato e se construa alguma coisa, afinal, “é bom para o Maranhão não ter oposição”: “azul teu…”.

O Maranhão é turvo como o “Poema Sujo”. Mas é claro “como água? Como pluma, claro mais que claro claro: coisa alguma”. O Maranhão das cores e das letras, as letras que já foram e as cores que são as cores dos States, da Bolívia, da Jamaica… Ah, meu tesouro, meu torrão!…

Mas a cor do Maranhão é a cor do seu povo. “Escuro. Mais que escuro”… e ainda escravizado, sob o relho dos senhores e dos coronéis. Por que Gullar cantou assim o seu estado? Estado que foi seu e que deixou de ser. A não ser pelos seus poetas reminiscentes, seus eternos poetas… Que não fazem oposição.

Crônica: Brandão, esse pedreiro tá enrolando!

Fazendo caminhada na Litorânea encontrei seu Baldo, ali um pouco antes da “Praça de Alimentação”. Com seus 78 anos, também fazendo sua caminhada “a favor do vento”, o velho me reconheceu e seguimos juntos.

Passando pela “obra” da Litorânea (uma que está remendando o calçadão), seu Baldo me disse: “Siô, é bom o prefeito ficar esperto que esse pedreiro tá enrolando”. E apontou pra “obra”.

– Como Assim, Seu baldo?, pergunto. “Siô, eu ando aqui duas vezes por semana e desde dezembro que vi que começaram a fazer essa calçada. E não sai do lugar. E ainda tão colocando esses bloquetes vagabundos. Se fosse o Chico do Boi, já tava tudo pronto há muito tempo”.

E seguimos no passinho dele. Conheci seu Baldo, amigo de meu pai, em Maraçumé, ainda nos anos 1980. Imagina a sinceridade desse senhor, olhando praquela indecência que são aqueles remendos de terceira categoria que vem sendo executados a passos de cágado na avenida. Mal sabia que o prefeito não tem culpa.

Como se bastassem as placas da prefeitura e do governo do estado que disputam a atenção em vários locais da via. Uma diz que é obra da prefeitura, outra que tem a presença do governo estadual. E o que nos sobra é a vergonha que está estampada ali. O asfalto do prefeito foi rápido e ficou bom.

– Mas seu Baldo, como o senhor faria essa obra?

“Siô, depois que o boi morreu, o Chico do Boi voltou a trabalhar direito. Lembra do Chico do Boi? Pois é… Eu chamava o Chico, ele trazia o Cacimba e o Cazé de ajudantes e o Benedito pra fazer a  parte elétrica. Vou apostado se em uma semana, 10 dias, eles não faziam tudinho. Seis mil pro Chico, 1200 pro Cacimba e pro Cazé e 4 mil pro Benedito”.

– Mas, seu Baldo, isso é obra do governo e é licitada, vencida por uma empresa de engenharia.

“É o quê, siô?  Brincadeira… Ali na nossa região, todo mundo sabe qual pedreiro é bom e qual é o enrrolão. O Chico sempre foi bom; faz pilastra reta e até assenta lajota. Olha isso!” – O velho falou apontando pra uns bloquetes sendo enterrados na areia mole… “– Hum… “Brandão que fique de olho nesse pedreiro”.

Na guerra entre ingenuidade e sabedoria, ignorância e saber ali estampados vi que seu Baldo tinha toda razão, no interior de sua racionalidade. Uma ação irracional e tola estampada aos olhos de todos, todos os dias, a céu aberto e em belas tardes de pôr-do-sol. Alguns passos lentos e em silêncio, entre um muxoxo e um suspiro, seu Baldo continuou:

“Lembra do Ribinha? Isso, esse mesmo… Era um bom pedreiro. Mas aí foi fazer aquele serviço na beira-rio pra prefeitura, que nunca ninguém viu. Dois meis depois apareceu de railux, aquela que era do prefeito; isso, a cinza. Pois é… Disse que ficou com ela como pagamento. O prefeito tá com uma nova, daquela daimon. Depois disso Ribinha diz que não pega mais serviço pequeno; senão até ele matava essa da Litorânea e mais rápido”.

A gente ia passando por um dos restaurantes, já chegando aonde a neta de seu Baldo ia busca-lo. Dois rapazes de mãos dadas conversavam bem próximos, dentro do restaurante, divididos do calçadão apenas por uma mureta .

“Você, viu?”, pergunta seu Baldo.

– Vi. O senhor tem bronca com isso?

“Ah, sim, acho um desrespeito com as pessoas que estão comendo. Eu, mesmo quando fumava, nunca fiz isso”.

Uma segunda olhada me fez ver que os dois rapazes seguravam cigarros com o braço pendurado pelo lado de fora da mureta.

“Licitação, é? Empresa de engenharia?”. Só rindo mesmo. Devem estar esperando o aditivo…”

Esse seu Baldo….

Capitão manda mais que general e coronel mais do que ministro: O poder no “Pálido Ponto Azul”

A Terra é um cenário muito pequeno em uma vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores para que, em glória e triunfo, eles pudessem se tornar os donos momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas infindáveis ​​crueldades cometidas pelos habitantes de um canto deste pixel sobre os habitantes praticamente indistinguíveis de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ansiosos eles estão para matar uns aos outros, quão fervorosos seus ódios

Carl Sagan*

 

Pra deixar de entretanto e partir pros finalmente, não vamos começar o discurso dizendo: “Povo de Sucupira”… Embora ultimamente não sejam raros casos em que capitão manda mais que general e coronel manda mais do que ministro e mais do que (na falta de balaiada) uma jacalhada de coisas.

Com mais de dois meses de governo e um suspense infundado, para uma divulgação infantilizada de nomes, praticamente, de conhecimento público, o governo, enfim, começa a “definir” sua equipe. Uma releitura do coronelato de tresontontes…

Uma parentalha em postos mais que estratégicos, escudeiros em outras os pinga-pus da currutela se matando pra roer os ossos que sobram. Entre tudo isso uma guerra fria pra tentar segurar postos “negociados” no passado recente.

O PT, por exemplo, vem numa “briga” para conquistar espaços no governo. Mas o que se viu essa semana foi uma noticia de Lula (PT) ligou pro governador Brandão (PSB) pra pedir espaço no governo para Adriano Sarney (PV). E pro PT, não pede nada? Isso lembra uma vezes que Lula passou por cima do PT maranhense, dizendo que as lutas internas eram problemas do PT local…

Segundo o presidente Francimar Melo, o PT pleiteava três secretárias (Agricultura, Direitos Humanos e Trabalho) e, mais, Educação, que seria um espaço já conquistado pelo senador Flávio Dino (PSB).

Mas essa conversa com Melo foi na manhã da sexta (24). Na tarde do mesmo dia saiu o resultado das discussões e o PT ficou com Educação, Direitos Humanos, Trabalho e IEMA.

Perguntei para o presidente do PT: Perderam agricultura? “A SEDUC + IEMA é  grande. Então não perdemos”, considera Melo. Nem lembrei a ele, que segundo avaliação do partido, confirmada por ela, a SEDUC (Educação) não estava na cota do partido…

Mais espaço para o PT

Um nome de peso, que vem ganhando leveza (desculpa Kundera) é o deputado Othelino Neto (PC do B). O ex-todo-poderoso da Assembleia Legislativa vem traçando um caminho enviesado, desde que… Bom, essa é uma longa história para os Historiadores

Othelino Neto é o marido de Ana Paula Lobato, suplente de senadora, que assumiu o mandato no senado quando Flávio Dino se tornou Ministro da Justiça. Com a mulher e provavelmente a família tendo que ir para Brasília, o deputado comunista tem passado por um dilema, se fica no Maranhão como um dos 42 deputados ou vai para a Capital Federal. Já lhe foi oferecido o cargo de representação do estado junto aos poderes nacionais, mas ele vem negando interesse. Dizem que a oferta nem existe mais…

Fora isso, com a saída de Othelino, assumiria o mandato o primeiro suplente Zé Inácio (PT), que não se reelegeu na última eleição. Depois da conquista das secretarias e cargos no estado (que ainda não foram anunciados oficialmente), segundo Francimar Melo “Vamos construir a busca do mandato do Inácio; é importante”.

Francimar Melo diz que tem conversado com Othelino e que ele “pode fazer um gesto”. Aliás, Othelino anda bem quieto; nem tem aparecido na sessões presenciais da ALEMA. Mas sobre a saída dele para a entrada de Inácio, Francimar diz que “Tem sinais”.

 

* Trecho de texto do astrônomo norte-americano Carl Sagan, sobre uma das primeiras fotos do planeta Terra tomada a partir do Espaço Sideral (a sonda Voyager 1, que estava a 6 bilhões de km da Terra). A foto da legenda é da sonda Cassini, divulgada em 2017)

Precisamos ser indígenas¹ sem nos fantasiar

O antônimo de “indígena” é “alienígena”, ao passo que o antônimo de índio, no Brasil, é “branco”… Essas palavras indígenas têm vários significados descritivos, mas um dos mais comuns é “inimigo”, como no caso do yanomami ‘napë’, do kayapó ‘kuben’ ou do araweté ‘awin’. Ainda que os conceitos índios sobre a inimizade, ou condição de inimigo, sejam bastante diferentes dos nossos…

Eduardo Viveiros de Castro

 

O carnaval é como esses mostrossauros de trocentos metros de comprimentos e multitoneladas de peso, misturados com os mitos de Sísifo e da Fênix. Ou seja, é essa coisa formidável (nos dois sentidos), que nasce e morre o tempo todo, sem deixar de carregar sua pedra morro acima, a mesma pedra que rola novamente.

Sim, acabou o carnaval, morre Baco, vem a quarta-feira de cinzas e a quaresma (há os que fazem o sacrifício de não comer carne vermelha durante a quarentena – !!!!!). Como poetou Vinícius: “Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções, ninguém passa mais cantando feliz…”. Mas a “sexta-feira gorda” é só o começo!

Quinta-feira que vem, teremos as estatísticas: mortes, feridos, acidentes, estupros, feminicídios, prisões, número de celulares roubados, documentos perdidos… tantas coisas perdidas no meio dessa catarse coletiva, que é o carnaval.

As escolas de samba (escolas?!) estão zangadas por que o prefeito deu só um dinheirinho (e em cima da hora) pra elas brincarem o carnaval. Mas não faltam trios elétricos, shows, atrações nacionais, tudo “de grátis” para aplacar a fúria (fúria?) do cidadão, quer dizer, brincante; quer dizer, cidadão; quer dizer…

Esta semana passou uma entrevista na TV Senado com Ailton Krenak, onde ele citou o Eduardo Viveiros de Castro. Vou deixa assim, soltos, estes dois nomes… Impossível não lembrar uma conversa de redação onde jornalista de quase 40 anos de idade não sabia quem era Marilena Chauí. Bom, melhor não deixar os nomes soltos. O escritor indígena (traduzido para dezenas de línguas) Ailton Krenak é um indígena brasileiro, escritor, filósofo, ambientalista. Krenak não acredita em “sustentabilidade”, essa palavra que não sai da boca da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Para entender melhor o Krenak é só recorrer ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, em minha opinião, uma das maiores e melhores manifestações do libertário que temos no agora (verdadeiros “Lances de Agora” pra citar outro Viveiros).

Com esses dois aprendemos o quanto é bom, e o quanto é necessário ser indígena, mesmo sem ser índio. Como, por exemplo, o agricultou Vicente de Paula, Morador do povoado Carrancas, em Buriti – MA, cuja terra vem sendo engolida pela soja. Ninguém faz o Vicente deixar de ser indígena, porque ninguém arranca seu devir, seu coração.

Mas o Vicente não é uma estatística do carnaval. Na verdade, não é uma estatística e se estende por todo o ano. A luta do Vicente e de milhares de pessoas iguais a ele, de comunidades tradicionais, ou seja, indígenas (no conceito de Viveiros de Castro), essa população invisibilizada pelos projetos capitas e de comunicação não vai entrar nas estatísticas de carnaval. É uma população está sendo lenta e progressivamente exterminada, e para o proveito de poucos, num projeto de poucos, para o mal de todos.

Como escreve Viveiros de Castro: “E nesse sentido, muitos povos e comunidades no Brasil, além dos índios, podem se dizer, porque se sentem, indígenas muito mais que cidadãos. Não se reconhecem no Estado, não se sentem representados por um Estado dominado por uma casta de poderosos e de seus mamulengos e jagunços aboletados no Congresso Nacional demais instâncias dos Três Poderes”.

O Brasil é uma barragem cheia de pequenos vazamentos que um belo dia apresenta uma grande rachadura. Então se começa a tapar os pequenos vazamentos…

 

Notas:

1 – “A palavra ‘indígena’ vem do «lat[im] indigĕna,ae “natural do lugar em que vive, gerado dentro da terra que lhe é própria”, derivação do latim indu arcaico (como endo) > latim] clássico in- “movimento para dentro, de dentro” + -gena derivação do rad[ical do verbo latino gigno, is, genŭi, genĭtum, gignĕre “gerar”; Significa “relativo a ou população autóctone de um país ou que neste se estabeleceu anteriormente a um processo colonizador” …; por extensão de sentido (uso informal), [significa] “que ou o que é originário do país, região ou localidade em que se encontra; nativo”. (Dicionário Eletrônico Houaiss).

Simone, “você é uma menina má”

E eu me lembro de um episódio (há uma foto de Simone de Beauvoir – nua – ) … A Simone? Não, essa que você pensou é Brigitte Bardot… bom…

Hoje eu queria levar uma ideia com vocês, tipo assim (tá ligado?), um papo-reto (tá ligado?), tá ligado… tá ligado tá ligado?… Sim, essa é a gagueira que toma conta de alguns milhões de brasileiros que fazem questão de votar em quem será eliminado do BBB.

Mas não é só da gagueira de mc guigui, de má, de mari, de gab, de fred… São muitas as gagueiras que assolam, inclusive, os ambientes pensantes do país, como universidades e parlamentos. No livro O nome da Rosa, do escritor, linguista e filósofo Umberto Eco, entre outras coisas um grupo de clérigos se dirige a um monastério para discutir “se Cristo possuía ou não as roupas que usava” e também para investigar por que alguns monges andavam misteriosamente morrendo por lá (por que liam livros proibidos). (leiam o livro).

Hoje quase nenhum livro é proibido no mundo ocidental. Você consegue um exemplar de Safo, ou dos Manuscritos do Mar Morto, ou de A história de O, qualquer um quase, se tiver grana. E são poucos os lugares que livros e escritores ainda são queimados.

Mas parece que os livros e os autores de verdade continuam amaldiçoados, pelo menos em algumas bocas. Paulo Freire, Leonardo Boff, Sade, Cioran são nomes que entortam bocas por aí. Mas, curiosamente, eles estão no google!!! Tem muita gente lá, a Simone de Beauvoir, por exemplo.

E é essa a armadilha. Enquanto uma massa alucinada tá ligada (tá ligado?) no papo-reto do Mc Guimê, só uns gatos pingados estão ligados nos discursos de posse de deputados e senadores e na significância das eleições de mesas diretoras que ocorrem nesta quarta-feira (01) em todas as assembleias do país.

Lugares onde não tem papo-reto (tá ligado?) nas sessões abertas (o papo reto é nos cantos obscuros reservados aos acordos… acooooooordos….). Na nossa Assembleia Legislativa não foi diferente hoje. Tudo normal… normaaaaaaaal…

Com umas exceçõezinhas fraquinhas, quase adolescentes de uns embirrados. Assim foi com o deputado Yglésio (PSB), que no seu discurso de posse reclamou do senador Flávio Dino (PSB) e do seu tenente Ricardo Cappelli, dizendo que foi “mastigado dentro do partido”. Mas, ainda assim votou na chapa única encabeçada pela deputada Iracema vale (PSB), mas, afirmou o médico deputado, “me abstenho de votar na primeira vice-presidência, não pelo deputado Rodrigo Lago, mas pela indicação do ex-governador”.

Mas o grande show do dia ficou com a deputada Ana do Gás (PC do B). Depois de uma fala motivada, ao lado da deputada Mical Damasceno (cujo risinho se percebe na foto que acompanha a matéria), foi buscar nos cantos mais ocultos da filosofia (Pinterest – do Google) uma tirada, papo-reto da filósofa francesa Simone Debulebule Debulevar… E mandou ver… (Quando a deputada Mical Damasceno descobrir quem foi Simone De Bulevar, quer dizer Simone de Beauvoir ela não se senta mais ao lado da deputada Ana do Gás).

Simone de Beauvoir

Numa tarde de 1952, em Chicago (EUA) o fotógrafo Art Shay estava na casa de seu amigo, o escritor Nelson Algren. E notou, um barulhinho no banheiro. Pegou sua câmera e se deparou com a amante de Algren, Simone de Beauvoir, que tomava banho com a porta aberta. Segundo seu companheiro histórico, Jean Paul Sartre, Simone nunca fechava a porta do banheiro.

Lógico que Shay não ia perder aquela chance e começou a fotografar. Aos 44 anos de idade, Simone sequer olhou pra traz, apenas disse: “Você é um menino mau”, e liberou alguns clics para Shay.

Shay era apenas um estagiário da Revista Time e Simone já uma respeitada  intelectual, com publicações como O Segundo Sexo ( de 1949), além de outros ensaios e romances. Já estava casada com Jean Paul Sartre há mais de vinte anos.

A escritora,  filósofa, ativista política, feminista e teórica social francesa Simone de Beauvoir é uma das mais importantes pensadoras do século XX. Perdida entre tantas proposições revolucionárias é possível encontrar, no Pinterest, a frase que a deputada atribuiu a “Simone da Praça”:   “Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre.”

A sociedade que se consdestruiu

Neste mundo de tantos espantos,
Cheios das mágicas de Deus,
O que existe de mais sobrenatural,
São os ateus.

                                                               Mário Quintana

 

 

O Brasil é um país do século XX, mais ainda, o Brasil é um país da segunda metade do século XX. Tá, e daí? É um país que nasce num momento de iconoclastia total. Tudo estava em xeque: em construção ou em desconstrução ou em consdestruição.

Mas tem um porém: o Brasil que nasce nessa segunda metade de século XX, já nasce velho, ultrapassado e conservador. Tanto que logo em seguida, sofre um horrendo golpe de estado, que vai manter o país na paralisia por mais quase 30 anos. Foi preciso um maluco chamado Fernando Collor encarnar a besta do apocalipse pra que se fizesse algo.

Temo que “esse algo” feito foi sem querer. Ainda bem que deu certo, aos trancos e barrancos, mas deu certo.

O discurso da desconstrução, empregado diretamente na linguagem por Derrida, mas que se pode estender, como se foi estendido, para tantos pensamentos, é nesse processo de desconstrução que surge o país chamado Brasil. Era preciso construir um país em meio a um processo de desconstrução do mundo.

“A sede de destruir é a ânsia de criar”, “depois da casa arrombada…” “vestir um santo pra desvestir outro”… É por aí o caminho que se trilha desde então. Os exemplos são inúmeros: uma constituição parlamentar pra um regime presidencialista, leis do trabalho frouxas num país de trabalhadores miseráveis, financiamento público pra cultura de massa, TVs abertas funcionando 24h horas passando programas religiosos, um legislativo que não legisla e uma corte maior que julga questões menores…

Fora isso, o Brasil tem o sistema eleitoral mais desenvolvido do mundo que foi atirado na latrina por um ignorante e isso tem eco na sociedade. Não sei se o psicólogo social Kenneth Gergen já prestou atenção no Brasil, mas é um prato cheio.

Gergen é o cara que propôs o Construcionismo Social, que se dá quando a “tradicional ênfase sobre a mente individual é substituída por uma reflexão dos processos relacionais dos quais a racionalidade e a moralidade emergem”. Seria isso o Brasil?

O Gergen está vivo, com seus 88 anos; não sei se como Habermas (93 anos) ainda escreve um artigo de vez em quando. Responsável pela frase “estou conectado, logo existo”, Gergen esteve antenado e participante no começo dos anos 2000, quando falava sobre os telefones celulares de então. Aparelhos que viriam a se tornar a concretização das previsões Orwellianas.

Neste mundo tão completamente desconstruído, enfim podemos afirmar que umas poucas palavras bem ditas valem por mil imagens cheias de filtro. E o Brasil vai passando por tudo sem se moldar num povo e numa nação. Apenas conectado, embora um país rico, pleno de miséria, desigualdades, injustiças e impunidades.

É nesse meio tempo que a o “pensamento brasileiro” se forma e se transforma. Que povo e que nação somos? O país do carnaval, do futebol, da Amazônia, do samba…

Proudhon intitulou um de seus livros assim: “O que é a propriedade?”.

Qual a marca da sociedade brasileira?

A impunidade!

Pó de estrelas, o caminho claro para a água

 Paradoxo da tolerância:

“Tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes. Nós devemos, portanto, declarar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante.”

Karl Popper

O dia 21 de janeiro foi escolhido como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O Brasil, o país multiétnico, da diversidade, da miscigenação, da união dos povos e das raças, que carrega uma das culturas mais amplas do mundo terreno, precisa ter um dia, ou muitos dias de combate a alguma forma de preconceito.

O Maranhão, terceiro estado em população negra do país, míngua sob atitudes vergonhosas de perseguição religiosa quando se trata de religiões de matriz afro. Mas é como diz Giles Deleuze: “a maioria é ninguém, a maioria é todo mundo”. Onde está todo mundo?

Todo mundo está tutelado sob uma batuta que muda o ritmo, o compasso, o andamento na hora adequada para o mandatário momentâneo. Foi isso que vimos se acerbar no último governo que passou: um culto ao extremismo ignorante e negacionista aos moldes do pré-trecentos.

Vivemos uma guerra moderna (a era das comunicações) em busca de um novo humanismo, de um novo renascimento; precisaremos lutar por comida e devir novamente e sempre? Esse é o tempo das leis (da ordem nem tanto) em que bilionários recorrem ao Estado em busca de salvação! O que diria o velho padre Vieira num tempo desse?!

Há alguns dias foi sancionada pelo presidente Lula a Lei 14.532, de 2023, que tipifica a injúria racial como crime de racismo (bem mais grave); também há alguns meses (junho de 2022), o presidente do tribunal de Justiça, desembargador Paulo Velten (governador em exercício, na época) assinou o Decreto 37761, de 28 de junho de 2022, estabelecendo a Política Estadual de Proteção aos Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Afro-brasileira.

Tudo certo! Mas no Brasil tem o detalhe da “lei que pega” e da “lei que não pega”. Talvez por isso, lideranças políticas, imbuídas de liderança religiosa (ou o contrário) se mobilizem para combater a religiosidade e cultos alheios. Vários casos ocorridos anos passado.

A finalidade do decreto estadual é “promover a igualdade racial e garantir a integridade, o respeito e a permanência dos valores das religiões afro-brasileiras e dos modos de vida, usos, costumes, tradições e manifestações culturais das comunidades tradicionais de terreiro e matriz africana, bem como garantir a proteção, o respeito e a dignidade aos povos e comunidades tradicionais de matriz africana e afro-brasileiras no âmbito de órgãos e políticas públicas estaduais”.

Bonito né? Por que existe a vergonhosa atitude de tantos “cidadãos de bem” de enfiar o nariz no quintal ou no terreiro dos outros. Pelo simples fato da prática fundamentalista que vem se instalando cada vez mais no nosso país, a ponto de nos levar à beira de uma derrocada democrática e republicana. Daqui a pouco estarão esfaqueando escritores (como ocorreu com Salman Rushdie ano passado) em auditórios de universidades brasileiras, se não por Alá, “em nome de Jesus”, já que vivemos num mundo cristão, cada dia mais talibã.

Os “livros sagrados” (livros, pra mim), contém belezas cervantianas, dantianas e shakespearianas. “Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura?” Olhai os lírios do campo e as aves… Tá em Lucas, em Mateus e em outros lugares do livro. A tão temida Sharia (islâmica), pela qual se corta as mãos de ladrões, apedreja-se adúlteros e enforca-se homossexuais, numa tradução ao pé da letra significa “caminho claro para a água”. Tá tudo lá da essência humana: a poesia, a frustração, a cólera, o assassinato…

A grande mídia pouco se mexe para dizer, mas já se sabe que o fim do universo não é lá onde achavam que era, é bem mais adiante, dizem até que não tem. E como o universo é composto de estrelas e pó de estrelas, e o ser humano é um pouquinho dele, sua infinidade é a mesma, virar pó eternamente.

Maranhão 2050: para onde, para quando?

Lendo o artigo do colega aqui do lado, fiz aquele velho mergulho na História (talvez nas trevas) pra tentar compreender o significado de o que seria um “Maranhão 2050”. Mas nem voltei muito, só uns 100 anos (imaginando o período de 1950 a 2050). E por que esse período? Pela recente promessa de um Maranhão desenvolvimentista para 2050.

Que projeto trilha o Brasil (e o Maranhão, que está na mesma pororoca)? Aquele iniciado nos anos 1950, de cunho “desenvolvimentista” (vamos colocar aspas, porque o termo desenvolvimentista pode ser bem repensado).  Aquele mesmo projeto que se sentiu ameaçado pela reforma agrária de Joao Goulart, as famigeradas “reformas de base”.

Era um plano de empresários e industriais que passaram a mandar num Brasil de coronéis que se diluía (o Maranhão nem tanto). E esse plano envolvia dinheiro para esse grupo. Não envolvia nada coletivo, que beneficiasse a população carente como projeto de educação, saúde, muito menos de necessidades básicas, como moradia, saúde pública, ou vacinação, por exemplo. Era o início de um projeto multinacional, de mercado aberto.

Esse projeto se viu ameaçado quando o maluco do Jânio Quadros trocou os pés e João Goulart assumiu o governo do Brasil. A onda hegemônica e neurastênica anticomunista norte-americana estava a todo vapor, financiando golpes militares a torto e a direito, principalmente na América Latina. Foi fácil reunir o poder armado militar e o poder financeiro empresarial. Pronto! Tá feito o golpe de estado antidemocrático de 1964. Esquece-se a reforma agrária e financia-se o empresariado estabelecido.

Eleições de 1965 e o Maranhão

Nas eleições de 1965, foi eleito governador do Maranhão, pela ARENA (o partido do golpe militar) o jovem deputado federal José Sarney, queridinho do presidente golpista general Castelo Branco: “Deputado a sua eleição foi um dos fatos políticos que mais me sensibilizaram até hoje. Fique certo de que o Maranhão receberá toda a assistência do Governo Federal, eu quero colaborar decisivamente com seu governo”, matéria do Jornal O Imparcial de 24 de outubro de 1965.

Junto com Sarney, foram eleitos dois senadores, também da ARENA: Clodomir Millet e Eugênio de Barros; e Antônio de Moraes Correia, pelo MDB (partido de oposição). Dos deputados federais (eram 16, na época), 13 eram da ARENA e apenas 3 do MDB (dois deles seriam cassados pelo AI5).

Em 1965 a Assembleia legislativa era composta por 40 deputados estaduais. A ARENA elegeu 31 (entre eles Carlos Orleans Brandão, pai do atual governador do estado) e o MDB elegeu 9 deputados estaduais.

Mais um detalhe, o grande adversário derrotado por Sarney, na época era o Vitorino Freire (oligarca de anos, mandando no estado); Vitorino também se filiou à ARENA, tornando-se correligionário do principal adversário, que acabou com uma eternidade de seus mandos no estado. Parece até a piada pronta de que “às vezes é preciso mudar tudo, para tudo permaneça igual”.

O golpe militar, que foi um golpe civil-militar, levou milicos para a presidência, mas também levou todos os gestores desenvolvimentistas do empresariado para os mais altos cargos da república, onde retomaram o projeto de financiamento do empresariado brasileiro, deixando o povo na miséria e no analfabetismo.

No Maranhão, Sarney se tornou o comandante da nova oligarquia (ah, não é mais!) e financiador político do projeto da ditadura que continuava o projeto dos anos 1950, sempre apoiado pelo grupo conservador que atuava nos legislativos, quase todos da ARENA e apoiadores do golpe, da ditadura, dos atos antidemocráticos e silenciados sobre todas as atrocidades cometidas nos anos de chumbo.

E assim foi, até o governo Fernando Henrique Cardoso (apesar dos pesares) iniciar um processo de inclusão da população pobre no projeto nacional. Agora esse projeto (de Estado!) pensa o Maranhão pelos próximos 27 anos. Que bonito! Parece que agora vai. A não ser que cortem a curica de Lula, como cortaram a de Dilma e o Maranhão 2050 siga até lá com as commodities, o agronegócio e alguns poucos mandatários ou desmandatários vivendo nababescamente à custa do erário.

Cenas dos próximos capítulos

O Governo Lula dá novo impulso ao processo de inclusão social no país. Sarney dá nova volta por cima e continua voz unânime na política nacional.

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