Os Analistas Backup

Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

“Também guardamos pedras aqui” é eleito Livro do Ano do Prêmio Jabuti

Os vendores do 64º Prêmio Jabuti, que condecora as melhoras obras literárias do país, foram divulgados na quinta-feira (25). O grande vencedor na noite foi “Também guardamos pedras aqui”, de Luiza Romão, eleito o Livro do Ano. Além da estatueta, a autora receberá R$ 100 mil. “Tudo começou na virada de 2016 para 2017 quando terminei de ler a “Ilíada” e completamente atravessada por essa narrativa de horror, comecei a sonhar, ouvir e conversar com essa figuras: heróis tombados, amazonas, pitonisas, guerreiras (que através dos séculos parecem dizer tanto sobre o aqui-hoje). Num país em ruínas, num momento de espólio como este em que estamos vivendo, essas pedras são minha aposta”, contou a autora sobre a obra de poesia em uma publicação no Instagram. A premiação é dividida em quatro eixos principais: literatura, não ficção, produção editorial e inovação, que comportam vinte categorias. Dois anos após o vencer o melhor livro de biografia e reportagem de “Escravidão”Laurentino Gomes volta a receber o prêmio na mesma cateogria com o segundo volume da obra. Outra veterana premiada foi Lilia Schwarcz, ao lado de Jaime Lauriano e Flávio dos Santos Gomes, com “Enciclopédia Negra”.

Confira os premiados do Prêmio Jaubti 2022

Literatura

  • Conto: “A vestida: contos”, de Eliana Alves Cruz
  • Crônica: “A lua na caixa d’água”, de Marcelo Moutinho
  • História em quadinhos: “Escuta, formosa Márcia”, de Marcello Quintanilha
  • Infantil: “Sonhozzz”, de Silvana Tavano e Daniel Kondo
  • Juvenil: “Romieta e Julieu”, de Ana Elisa Ribeiro
  • Poesia: “Também guardamos pedras aqui”, de Luiza Romão
  • Romance de Entretenimento: “Olhos de pixel”, de Lucas Mota
  • Romance Literário: “O som do rugido da onça”, de Micheliny Verunschk

Não Ficção

  • Artes: “Apontamentos da arte africana e afro-brasileira contemporânea: políticas e poéticas”, de Célia Maria Antonacci
  • Biografia e Reportagem:“Escravidão – Volume II”, de Laurentino Gomes
  • Ciências: “Um tempo para não esquecer: a visão da ciência no enfrentamento da pandemia do coronavírus e o futuro da saúde”, de Margareth Dalcolmo
  • Ciências Humanas: “Enciclopédia Negra”, de Jaime Lauriano, Flávio dos Santos Gomes e Lilia Moritz Schwarcz
  • Ciências Sociais: “Máfia, poder e antimáfia”, de Wálter Fanganiello Maierovitch
  • Economia Criativa: “Nem negacionismo, nem apocalipse”, de Gesner Oliveira e Arthur Villela Ferreira

Inovação

  • Fomento à Leitura: “Vaga Lume: como livros mudam a vida de crianças e adultos na Amazônia”, de Sylvia Guimarães
  • Livro Brasileiro Publicado no Exterior: “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior

Presidente do Olodum vai comandar a Fundação Cultural Palmares

O presidente e um dos fundadores do bloco afro Olodum, João Jorge Rodrigues, foi anunciado nesta quinta-feira (22) como o próximo presidente da Fundação Cultural Palmares, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O convite partiu da cantora Margareth Menezes, futura ministra da Cultura da nova gestão  “Convidei, e ele já aceitou, o João Jorge, presidente do bloco Olodum, um dos fundadores do bloco Olodum, para fazer o resgate da Fundação Palmares”, afirmou Menezes a jornalistas na sede do governo de transição, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. A futura ministra criticou a gestão da autarquia federal ao longo dos últimos anos. “A Fundação Palmares foi completamente depredada, fisicamente e também na sua estrutura interna”, acrescentou. Fundada em 1988, com inspiração na própria Constituição Federal, a Fundação Cultural Palmares foi o primeiro órgão federal criado para promover, preservar e disseminar a cultura afro-brasileira. Por mais de três décadas, esteve vinculada ao Ministério da Cultura, mas com a extinção da pasta, em 2019, passou a estar subordinada ao Ministério do Turismo. Com a recriação do Ministério da Cultura, a Palmares volta à sua vinculação institucional original. Além de produtor cultural, João Jorge é advogado e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Ele também foi integrante do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), até 2016, quando o colegiado foi extinto. Nos últimos anos, a Fundação Palmares foi alvo de polêmicas porque o seu então presidente, o jornalista Sérgio Camargo, que ficou no cargo até o início deste ano, era crítico do próprio Zumbi dos Palmares, herói nacional que dá nome à instituição, além de ter proferido declarações contra o movimento negro e contra o Dia da Consciência Negra.

Edição: Fábio Massalli

Page 33 of 33