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Qual será a última cartada da família Brandão?

A Crise política que assola o governo nos últimos meses vem causando estragos irreversíveis para o projeto de poder da família Brandão.

Há cerca de três meses quando decidiu investir na candidatura do sobrinho rompendo o acordo com os dinistas e também com o PT nacional. O governador Carlos Brandão estava apostando no momento ruim que o governo federal atravessava e imaginando que o poder de barganha do centrão garantiria que o sobrinho fosse ungido por Lula para ser o novo governador do Maranhão.

Não sei quem aconselhou, mas o exercício de previsibilidade dessa mentoria política apostou na queda de popularidade do presidente que vinha sendo potencializada pelo centrão e pela extrema direita brasileira.

“O plano é simples Carlos, vamos transformar uma simples secretaria extraordinária para ser a mais importante do governo, aquela que vai prometer e entregar todas as obras para o sobrinho do governador aparecer como o mais preparado do Estado. Vamos também colocar a máquina de comunicação estatal para o promover o menino e transformá-lo no político e gestor preparado”.

Nesse pacote vieram as pesquisas eleitorais, mídia training, bonés, adesivos, propaganda proibida nos arraiais e é claro, uma fazenda de robôs fakes para bajular o representante da nova oligarquia do Maranhão, os Orleans Brandão.

Mas parece que a coisa começou a desandar quando o tarifaço do Trump planejado pela família Bolsonaro favoreceu Lula, que rapidamente surfou no erro infantil e aumentou a sua popularidade. Porém, aqui no Maranhão os movimentos foram antecipados, Brandão já tinha reunido com António Rueda em Brasilia, Com Marconi Perillo e aqui no Maranhão fez acordo com Aluisio Mendes do Republicanos, além de ceder espaços para Mical Damasceno no seu governo. Todos esses movimentos tiveram como ponto central a declaração de apoio para o sobrinho do governador com a certeza de que Lula ficaria refém do centrão.

As reações do planalto foram imediatas, Brandão foi tirado do PSB, engoliu seco o Presidente do PT nacional declarar apoio ao Felipe Camarão e ainda viu a decisão do STF em mandar abrir inquérito na Policia Federal para apurar aposentadorias suspeitas no TCE.

A reação de Brandão foi peregrinar em Brasília para fazer queixa de Flávio Dino ao presidente da Suprema Corte e como resultado prático teve o afastamento do Procurador Geral do Estado pelo Ministro Alexandre de Moraes.

Para piorar, veio à tona novamente o assassinato do Tech Office, mas com um detalhe importante, a federalização do caso pelo STJ e Policia Federal, onde o assassino confesso Gilbson Cutrim foi removido de Pedrinhas para um presidio federal onde supostamente fez uma delação premiada que promete escancarar a relação da família Brandão com o crime.

O governador está quase sem opções. Hoje toda a classe política debate o seu possível afastamento, além disso, existem muitos ressabiados com a possibilidade real de Brandão não entregar o que vem prometendo, tomando como exemplo o caso do PSB, onde afirmou que não perderia o comando do partido e deu no que deu.

Mas muitos ainda perguntam de onde vem a coragem do sertanejo de Colinas?

Vale a pena aguardar o próximo movimento da família Brandão.

Quando um governante sobe a carruagem e chama a crítica de latido

Pela enésima vez, o governador Carlos Brandão afirmou que ficará até o fim do mandato. Mas o que mais chamou atenção não foi a previsível reafirmação de permanência no cargo, e sim a frase que a sucedeu: “os cães ladram e a carruagem passa”.

A citação, ainda que pretensamente popular, escorrega na forma e na substância. E diz muito sobre o imaginário de poder que hoje se cristaliza no Palácio dos Leões.

A expressão original “os cães ladram e a caravana passa” tem origem árabe e simboliza a resiliência diante de críticas. A caravana representa o coletivo em marcha, o esforço comum, a travessia de muitos em busca de um destino. Não por acaso, trata-se de um provérbio historicamente ligado à ideia de constância frente às adversidades, não de desprezo ao contraditório.

Brandão, no entanto, trocou a caravana por uma carruagem. E a oposição por cães.

A metáfora da carruagem não é ingênua. Evoca luxo, distinção, isolamento. Se a caravana é feita de caminhantes que compartilham o chão, a carruagem transporta uma figura solitária, acima dos demais, protegida do barro, conduzida por cavalos. Ao se colocar nesse lugar, o da carruagem que avança enquanto os “cães ladram”, o governador insinua não apenas superioridade, mas imunidade.

Ele se vê conduzido por algo que o protege do ruído, do incômodo, do atrito. E mais: desumaniza seus críticos, reduzindo a oposição a ruído animal, a barulho perturbador que se deve ignorar.

Não se trata de preciosismo retórico. Há implicações profundas nesse gesto. Um líder que recorre a esse tipo de imagem projeta uma política sem escuta, sem diálogo, sem alteridade.

Na democracia, não é admissível que a crítica seja tratada como latido. O pluralismo exige respeito, mesmo quando os argumentos incomodam.

Chamar a divergência de ruído é uma forma velada de autoritarismo simbólico e, por vezes, o prenúncio de práticas institucionais que seguem pela mesma lógica.

E há uma inversão fundamental aqui: em regimes democráticos, não é a carruagem do poder que deve passar ilesa. Quem precisa passar, com segurança e dignidade, é o povo.

O governante não é o protagonista de um desfile aristocrático, mas servidor de uma sociedade plural, ruidosa, crítica. O barulho da oposição, das ruas, das instituições, é sinal de vitalidade democrática. O silêncio, sim, é que deveria preocupar.

Talvez o governador esteja cansado das críticas. É compreensível. Mas o cansaço com a democracia costuma ser o primeiro passo para quem já não se reconhece obrigado por suas regras.

O mais preocupante, portanto, não é o erro na frase. É o acerto no que ela revela. Estamos diante de um governante completamente deslumbrado com o poder e fazendo de tudo para impedir que ela saia das mãos de sua família. O povo? Que bata palmas para a luxuosa carruagem leonina que desfila pela Avenida.

O discurso de vitimização do governo

Todos os holofotes da imprensa e da opinião pública estão voltados para crise que envolve Brandão e o grupo que o ajudou a ser governador.

Os passos dados de ambos os lados podem dizer muita coisa é verdade, porém são as interpretações que aquecem a pauta e movimentam o imaginário popular.

Seria mais do mesmo relembrar esses passos, algumas narrativas dizem que a relação azedou ainda no final de 2022, mas a exoneração de Felipe Camarão da Secretaria da Educação antes das eleições municipais desse ano foi uma decisão política do governador, publicada no diário oficial inclusive e deve ser considerado o “Marcus” zero desse eventual rompimento.

De lá pra cá o caldo só engrossou e os últimos movimentos expuseram a fragilidade do governo, acuados pelas decisões do STF nas ações capitaneadas pelo deputado Othelino Neto, Brandão cometeu o mesmo erro de Dilma Roussef que tentou dar foro privilegiado ao Lula um pouco antes da sua prisão, lembrando que qualquer semelhança não é mera coincidência.

O ato de nomeação foi um erro infantil e crucial, além de ratificar o caráter nepotista do governo Brandão, ele matou a estratégia de vitimização que a comunicação aliada vinha fazendo e que foi impulsionada com a comoção pela decisão do Ministro Alexandre de Moraes pela exoneração de Jackeline Helluy, sogra de Orleans Brandão que é secretário e sobrinho do governador, vale ressaltar que Jackeline já era funcionária da assembleia em outras gestões, profissional competente e de fino trato, mas precisamos ser francos, o cargo era de indicação política e nesse jogo não tem inocente.

O outro erro foi apressar a eleição para a presidência do TCE, será que Brandão não avaliou que está na iminência de perder a batalha pela Assembleia no STF e ainda sim reforça a aura nepotista do governo fortalecendo o sobrinho Daniel Brandão para o comando do Tribunal de Contas?

Voltando para o campo da midiático, os últimos movimentos tem dificultado a própria estratégia de comunicação do governo, afinal, por mais que seja legal a nomeação de Marcus Brandão e a eleição do Daniel Brandão para a Presidência do TCE, não soa bem defender o nepostismo, ainda mais quando o governo atua para impor parentes nas estruturas de poder do Estado operando nas brechas da lei.

Pelo visto, essa semana deve continuar tensa, ainda mais com o fracasso da tentativa de uma roda de negociação envolvendo o clã Brandão e parte dos seus aliados herdeiros do grupo politico criado pelo ex governador Flávio Dino.

Entre as notas de apoio e também de repudio, está a tentativa de convencimento do imaginário popular e caminho mais fácil é adotar o discurso de vitimização, mas como ser vítima se partiu da caneta de Brandão o primeiro ato oficial dessa guerra fria?  Além disso, a beligerância já se faz presente nos movimentos do governo.

Enquanto isso os dois lados estão armazenando pólvora.

 

 

Marcos Brandão, o cara certo para salvar Duarte Jr

Com a permanência de Felipe Camarão na SEDUC Duarte Jr ficou sem um nome forte para coordenar a sua campanha. O governo tentou Neto Evangelista para a missão, mas esse também declinou e com isso o melhor nome do grupo governista capaz de enfrentar Eduardo Braide segue esvaziado as vésperas da disputa.

Além de ser uma tradição, é uma necessidade que candidatos que disputam a eleição para cargos majoritários tenham um coordenador de campanha com liderança no grupo e uma excelente penetração na classe política.

Em virtude dos últimos acontecimentos e especulações envolvendo o grupo de Carlos Brandão e os remanescentes do grupo Dino,  o único nome que tem peso  para causar uma reviravolta na disputa para prefeitura de São Luís é Marcus Brandão.

O Presidente do MDB no Estado, Diretor de relações institucionais da Assembleia e também irmão do governador é o único nome capaz de unir de fato todos os partidos da base do governo colocando um ponto final no clima de racha entre a base aliada. Além disso, Marcus Brandão foi coordenador na vitória do irmão em 2022 e passado na casca do alho junto a classe política do Maranhão.

O governo precisa parar de olhar os Leões como poder supremo e enxergar a ameaça real que a reeleição de Braide neste ano pode causar em 2026.

Qualquer outro nome que venha ser escolhido demonstrará a intensidade da patada dos Leões nestas eleições.