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Categoria: Cultura

Festival internacional reúne música popular e erudita em SC em janeiro

Entre os dias 8 e 28 de janeiro, Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, é palco do Femusc – Festival Internacional de Música de Santa Catarina, considerado o maior festival-escola da América Latina. Em sua 18ª edição, o evento, que abre o calendário cultural do estado, irá celebrar o encontro entre o erudito e o popular, reunindo grandes nomes do cenário nacional e internacional. Um elenco de professores renomados vindos de diversas regiões do Brasil e do exterior, programas de ensino que atendem desde os pequenos aos mais maduros, e concertos gratuitos que acontecem em diversos pontos da cidade, fazem do festival um evento diferenciado, e um verdadeiro legado para toda a região. O FEMUSC movimenta o turismo, faz girar a economia, gera empregos e renda, e espalha arte e cultura pelos quatro cantos da cidade, fomentando a formação profissional dos músicos envolvidos e proporcionando momentos únicos ao público. No total, são 86 professores, sendo 40 estrangeiros, que vão à Jaraguá do Sul para compartilhar conhecimento e multiplicar experiências. Nomes como o do maestro Roberto Duarte, do violinista Simon Bernardini e do instrumentista, Renato Borghetti (MPB), estão entre os destaques desta edição. A grandiosidade do FEMUSC pode também ser representada através dos números previstos para 2023. Segundo os organizadores, já são mais de 1,2 mil alunos inscritos – do Brasil e de outros 32 países – três semanas de atividades e mais de 200 apresentações. “Não existe nada como o FEMUSC. Ele vai além da música. É um projeto humanitário”, destaca o maestro Alex Klein, um dos principais oboístas da atualidade, ganhador do “Grammy” na música erudita e, idealizador do festival.

Homenagens

Na noite de abertura, programada para o domingo, dia 8, um show especial irá homenagear três compositores muito importantes para a história da música popular brasileira que completariam datas especiais em 2023. São eles: Waldir Azevedo (100 anos), Vinícius de Moraes (110 anos) e Ary Barroso (120 anos). Nos vinte dias de espetáculos, a programação deve contar ainda com o tradicional Concerto das Nações, quando músicos de diferentes nacionalidades sobem ao palco enaltecendo a própria cultura, apresentação da orquestra sinfônica do Femusc, e três óperas, montadas exclusivamente para o festival, além das aulas, workshops e concertos em diversos locais públicos e entidades da cidade. Todas as apresentações possuem entrada livre, mediante retirada antecipada dos ingressos, e os grandes espetáculos serão transmitidos ao vivo, em alta definição, pelo Canal do YouTube do Festival

Contribuição social

Para muitas pessoas, o evento representa um primeiro contato com a música e até mesmo, a descoberta da paixão por um novo instrumento. Isso porque, paralelamente à programação do FEMUSC, acontece o Femusckinho, voltado para o público infanto juvenil, de 6 a 12 anos. São oferecidas aulas de canto coral, percussão corporal e violino. Em duas semanas, mesmo as crianças sem nenhum conhecimento musical, apresentam seu primeiro concerto como participante de orquestra. Neste ano, cerca de 80 crianças devem participar da iniciativa. Já no FEMUSC Jovem, outros 80 participantes, de 12 a 17 anos, terão a oportunidade de vivenciar o contato com a música. E, nesta edição, uma novidade: o Femusc Jaraguá, programa voltado para jovens da cidade a partir de 17 anos. As atividades voltadas para esse público reforçam a contrapartida social do FEMUSC. As inscrições para o Femusckinho, Femusc Jovem e Femusc Jaraguá acontecem a partir do dia 03 de dezembro, sábado, pelo site do Femusc.

Still Dreaming: com Milton Nascimento, Ney Matogrosso e Gilberto Gil

A música sempre fez parte da vida de Pedro Sirotsky. Nos anos 1970, seu programa Transasom nasceu na Rádio Gaúcha e logo migrou para a TV RBS, com a exibição de videoclipes, antes da “explosão” deste formato na MTV. Sucesso imediato no Rio Grande do Sul. Porém, aos 23 anos, o então apresentador foi “convocado” a atender um pedido do pai, Maurício Sirotsky, fundador do grupo de mídia RBS, o mais importante do sul brasileiro: largar o Transasom para assumir a operação das rádios FM que a RBS começara a montar.
Tinha início neste ponto um caminho que Pedro tomou como seu, mas sem esquecer o que realmente desejava. Foram 40 anos… até “Mr. Dreamer – o que você está fazendo da sua vida?”, docudrama de 2021 que expõe a angústia de um sonho interrompido e mostra sua reconexão com a música. Pedro viaja, literalmente. É em Dublin, a capital da Irlanda, que começa a jornada para refletir sobre questões como “qual o papel da música das nossas vidas?”, “qual o papel dos sonhos no mundo?” e “o que seria do mundo sem a música?”. Pedro busca entender o pensamento de jovens talentos, pessoas que hoje têm a mesma idade que ele tinha quando parou. O filme foi premiado como melhor edição no Close-Up Edinburgh Docufest. Está disponível no Globoplay e no Now. Missão cumprida? Longe disso. O sonho continua. E agora o sonho de Pedro Sirotsky evolui para Still Dreaming, série de entrevistas com alguns dos principais nomes da música brasileira. Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Gilberto Gil e Nelson Motta já gravaram em diferentes partes do planeta. “São papos sobre vida, felicidade, família, legado, espiritualidade e até a morte, pegando a música como fio condutor de uma exploração profunda. Papos leves e descontraídos, que nos aproximam do artista, criadores de trilhas sonoras que mostraram ao mundo a potência dos movimentos musicais brasileiros”, afirma Sirotsky. Com previsão de estreia para 2023, neste momento em negociação com plataformas de exibição, Still Dreaming parte para a finalização das demais três conversas. “A série não é sobre música. É, sim, sobre comportamento, escolhas e ações que compõem a vida valorosa que tanto sonhamos em ter”, diz Pedro. A carreira empresarial de Pedro trouxe recompensas materiais e imateriais. Ele coleciona hoje um leque de amizades como Caetano Veloso, Gil, Nelson Motta, Roberto Carlos e Lulu Santos. E esse clima de proximidade está presente em cada troca com os artistas de Still Dreaming. “A minha pergunta é ‘qual vida se deve viver?’. Eu escolhi o sonho, primeiro com Mr. Dreamer agora com Still Dreaming”, declara. Uma lição deste Senhor Sonhador, do Mr. Dreamer, de um homem que dá uma aula de desprendimento ao, com seu docudrama e agora a série, cutucar a ferida e mostrar que é possível, sim, concretizar sonhos, hoje ou amanhã. Pedro não vai parar de sonhar (a série promete uma próxima temporada apenas com vozes femininas). E que sua mensagem chegue a cada vez mais pessoas.

Pantera Negra: o herói vive e a história continua

A importância de honrar seus ancestrais, enterrar os seus mortos, viver o seu luto, deixar seguir e passar o bastão. Assim, seria possível fazer em um tweet um resumo do filme ‘Pantera Negra: Wakanda Forever’, que estreia nesta quinta (10) em todos os cinemas do país mas que teve noite de pré-estreia para convidados nesta quarta em São Paulo.

O filme segue fazendo jus ao título de obra afrofuturista, exaltando toda a ancestralidade dos povos africanos, misturando ficção cientifica e trazendo uma bela mensagem para a diáspora africana. Importância essa de termos mais produções com negros no protagonismo da cena mas também nos bastidores. Só assim as histórias nossas começarão a serem contadas realmente por nós e respeitando quem somos.

Com muita sensibilidade, a obra presta uma bela homenagem ao ator Chadwick Boseman que morreu vítima de um câncer em 2020, e  interpretava o super-herói Pantera Negra. Além de homenagear o ator, dar um novo destino ao personagem central, o diretor aproveitou para inserir a temática do luto na trama.

Como você enterra os seus mortos? Como você lida com o luto? Para as milhares de pessoas que perderam algum ente querido ou pelo sentimento de luto coletivo pós-pandemia, impossível não se emocionar.

Além disso, Pantera Negra é carregado de representatividade e simbologias que remetem aos povos africanos – seja no destaque ao respeito aos mais velhos, ao sentimento de pertencimento, aos rituais espirituais, vestimentas e toda a beleza africana exaltada na obra.

Margareth Menezes, Antônio Marinho e Áurea Carolina completam grupo de cultura na transição

A cantora Margareth Menezes, o poeta pernambucano Antônio Marinho e a deputada Áurea Carolina (PSOL-MG) vão integrar o grupo de Cultura do gabinete de transição. Os nomes foram anunciados nesta segunda-feira (14) pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), coordenador-geral do gabinete de transição, durante entrevista a jornalistas em São Paulo. Os três trabalharão com o secretário nacional de Cultura do PT Márcio Tavares, o ex-ministro Juca Ferreira e a atriz Lucélia Santos. Todos serão responsáveis por coordenar o núcleo de cultura. Os nomes de Tavares, Ferreira e Lucélia foram antecipados na semana passada pela CNN. Articulado por Tavares, que coordenou a área de cultura durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o grupo deve se reportar ao ex-ministro Aloizio Mercadante, responsável por chefiar os núcleos temáticos do gabinete de transição. A equipe vai atuar na formulação de políticas públicas e definir as diretrizes do setor durante o governo. Ela contará com representantes de diferentes áreas, entre elas audiovisual, patrimônio, museus e culturas populares. Entre as prioridades da equipe durante a transição estão pelo menos três frentes de atuação: a revisão de normas e decretos editados durante a gestão Bolsonaro, a análise da estrutura do setor de cultura no governo federal e a discussão do orçamento destinado à área.

“Também guardamos pedras aqui” é eleito Livro do Ano do Prêmio Jabuti

Os vendores do 64º Prêmio Jabuti, que condecora as melhoras obras literárias do país, foram divulgados na quinta-feira (25). O grande vencedor na noite foi “Também guardamos pedras aqui”, de Luiza Romão, eleito o Livro do Ano. Além da estatueta, a autora receberá R$ 100 mil. “Tudo começou na virada de 2016 para 2017 quando terminei de ler a “Ilíada” e completamente atravessada por essa narrativa de horror, comecei a sonhar, ouvir e conversar com essa figuras: heróis tombados, amazonas, pitonisas, guerreiras (que através dos séculos parecem dizer tanto sobre o aqui-hoje). Num país em ruínas, num momento de espólio como este em que estamos vivendo, essas pedras são minha aposta”, contou a autora sobre a obra de poesia em uma publicação no Instagram. A premiação é dividida em quatro eixos principais: literatura, não ficção, produção editorial e inovação, que comportam vinte categorias. Dois anos após o vencer o melhor livro de biografia e reportagem de “Escravidão”Laurentino Gomes volta a receber o prêmio na mesma cateogria com o segundo volume da obra. Outra veterana premiada foi Lilia Schwarcz, ao lado de Jaime Lauriano e Flávio dos Santos Gomes, com “Enciclopédia Negra”.

Confira os premiados do Prêmio Jaubti 2022

Literatura

  • Conto: “A vestida: contos”, de Eliana Alves Cruz
  • Crônica: “A lua na caixa d’água”, de Marcelo Moutinho
  • História em quadinhos: “Escuta, formosa Márcia”, de Marcello Quintanilha
  • Infantil: “Sonhozzz”, de Silvana Tavano e Daniel Kondo
  • Juvenil: “Romieta e Julieu”, de Ana Elisa Ribeiro
  • Poesia: “Também guardamos pedras aqui”, de Luiza Romão
  • Romance de Entretenimento: “Olhos de pixel”, de Lucas Mota
  • Romance Literário: “O som do rugido da onça”, de Micheliny Verunschk

Não Ficção

  • Artes: “Apontamentos da arte africana e afro-brasileira contemporânea: políticas e poéticas”, de Célia Maria Antonacci
  • Biografia e Reportagem:“Escravidão – Volume II”, de Laurentino Gomes
  • Ciências: “Um tempo para não esquecer: a visão da ciência no enfrentamento da pandemia do coronavírus e o futuro da saúde”, de Margareth Dalcolmo
  • Ciências Humanas: “Enciclopédia Negra”, de Jaime Lauriano, Flávio dos Santos Gomes e Lilia Moritz Schwarcz
  • Ciências Sociais: “Máfia, poder e antimáfia”, de Wálter Fanganiello Maierovitch
  • Economia Criativa: “Nem negacionismo, nem apocalipse”, de Gesner Oliveira e Arthur Villela Ferreira

Inovação

  • Fomento à Leitura: “Vaga Lume: como livros mudam a vida de crianças e adultos na Amazônia”, de Sylvia Guimarães
  • Livro Brasileiro Publicado no Exterior: “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior

Presidente do Olodum vai comandar a Fundação Cultural Palmares

O presidente e um dos fundadores do bloco afro Olodum, João Jorge Rodrigues, foi anunciado nesta quinta-feira (22) como o próximo presidente da Fundação Cultural Palmares, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O convite partiu da cantora Margareth Menezes, futura ministra da Cultura da nova gestão  “Convidei, e ele já aceitou, o João Jorge, presidente do bloco Olodum, um dos fundadores do bloco Olodum, para fazer o resgate da Fundação Palmares”, afirmou Menezes a jornalistas na sede do governo de transição, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. A futura ministra criticou a gestão da autarquia federal ao longo dos últimos anos. “A Fundação Palmares foi completamente depredada, fisicamente e também na sua estrutura interna”, acrescentou. Fundada em 1988, com inspiração na própria Constituição Federal, a Fundação Cultural Palmares foi o primeiro órgão federal criado para promover, preservar e disseminar a cultura afro-brasileira. Por mais de três décadas, esteve vinculada ao Ministério da Cultura, mas com a extinção da pasta, em 2019, passou a estar subordinada ao Ministério do Turismo. Com a recriação do Ministério da Cultura, a Palmares volta à sua vinculação institucional original. Além de produtor cultural, João Jorge é advogado e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Ele também foi integrante do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), até 2016, quando o colegiado foi extinto. Nos últimos anos, a Fundação Palmares foi alvo de polêmicas porque o seu então presidente, o jornalista Sérgio Camargo, que ficou no cargo até o início deste ano, era crítico do próprio Zumbi dos Palmares, herói nacional que dá nome à instituição, além de ter proferido declarações contra o movimento negro e contra o Dia da Consciência Negra.

Edição: Fábio Massalli

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