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FAMEM X IBGE. Vale a tentativa

A ida da comitiva maranhense para uma agenda com o presidente do TCU, ministro Bruno Dantas terá mais eficácia midiática do que os pleitos atendidos.

É perfeitamente compreensível a necessidade de demonstrar atuação para os munícipes, ainda mais no começo de mandato, porém na prática o pedido é muito complicado para ser atendido.

O valor do repasse do FPM se baseia em dados do IBGE, a população só é recenseada a cada 10 anos, entre um censo e outro o órgão é feito uma estimativa levando em conta o último dado coletado.

Até 2022, o FPM foi distribuído de acordo com a estimativa realizada pelo IBGE em 2018, porém, com dados de 2010, ou seja, 08 anos defasados. Este ano a meta era mandar para o Tribunal de Contas o resultado final extremamente preciso, mas a finalização do recenseamento foi adiada para março de 2023. Mas para atender um pedido do TCU o IBGE usou as informações coletadas pelo censo até o final do ano com 179 milhões de pessoas que representa 86% do total estimado. Além disso, foi dada prioridade as cidades com até 170 mil habitantes que recebem mais de 80% do FPM distribuído no Brasil. Ainda segundo o IBGE, a prévia divulgada é muito mais precisa que as estimativas usadas anteriormente.

Vale ressaltar que essa peregrinação de prefeitos não é exclusiva do Maranhão, a reclamação é geral e até agora o discurso do ministro Bruno Dantas foi o mesmo, se mostrou solidário aos municípios, mas que não poderia interferir nos dados enviados pelo IBGE.

Portanto, os prefeitos de cidades que terão seus repasses reduzidos têm dois caminhos a seguir, entrar na justiça contestando os dados do IBGE, mas acho que isso não seria de bom tom, seria na verdade um ato negacionista e uma espécie de contrassenso ideológico. Já o outro caminho seria arregaçar as mangas, e buscar soluções e projetos viáveis para administrar suas cidades, para não ficar com o pires na mão, pedindo socorro ao governo estadual ou federal, o que não é nada além do que os próprios prefeitos prometeram na campanha.

Mical Damasceno: Fé preconceituosa e sem consistência teórica

A deputada bolsonarista Mical Damasceno, ainda embevecida pela pregação golpista e antidemocrática, apoia integralmente os terroristas que vandalizaram a república. Em discurso na Assembleia deu apoio aos acampamentos em frente aos quarteis, que contestam o resultado soberano das urnas; e no domingo foi mais longe, apoiou, através de suas redes sociais, a invasão das sedes dos três poderes em Brasília.

Dentro da teologia existem duas correntes de ensinamentos sobre a Bíblia, a mais difundida e romantizada prepara pessoas para serem pastores em suas comunidades, já a segunda é voltada para o estudo cientifico e acadêmico do livro.

Primeiro passo, é preciso desmitificar a Bíblia como livro mais antigo do mundo. Definitivamente não é. Comprovadamente é o primeiro livro impresso no mundo por Gutemberg, inventor da prensa na idade média.

Mas qual seria o livro mais antigo do mundo? Segundo estudos científicos recentes, Instruções a Churupaque, datado de 2.500 anos A.C. Livro da idade do bronze considerado literatura da sabedoria e continha provérbios e conselhos como “Não compre uma prostitua, ela é o lado afiado da foice” e “A calúnia é errada”. Conselhos bem atuais por sinal. Churupaque era filho de Ubartutu, da Suméria, atual região do Iraque.

Já o segundo livro mais antigo do mundo também vem da Suméria e foi escrito 2000 anos A.C, A Epopeia de Gilgamesh, ele contém textos muito parecidos com os que surgiram na Bíblia, posteriormente, como um homem bem parecido com Adão e a saga do dilúvio. Gilgamesh foi um Rei da dinastia de Uruk, a mais importante cidade da Babilônia, que deu origem ao atual Iraque.

Alguns séculos depois surgiu a Torá, ensinamentos enviados por Deus para Moisés durante o êxodo do seu povo escravizado no Egito. É considerada a Bíblia dos Judeus e o primeiro a possuir o Pentateuco, conjunto dos livros, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, livros idênticos aos que apareceram na Bíblia, séculos depois já com o novo testamento.

Portanto, o estudo científico da Bíblia afirma, sem sombra de dúvidas, que o livro é uma compilação de obras de grande relevância para a sociedade antiga e moderna.

Agora a corrente que prepara pessoas para atuarem como pastores em suas comunidades inclui nos estudos dos textos uma carga de fé e experiências pessoais para a interpretação do que está escrito na Bíblia. É uma espécie de fuga do discurso, atribuindo ao campo espiritual a resposta para o que não é compreensível nas escrituras.

Outra característica desse modelo é que adota o conservadorismo como bandeira de sustentação contra as reformas sociais que a humanidade sempre precisou atravessar, foi assim no passado e continua até hoje. Se antes queimavam em fogueiras quem pensava diferente, hoje a fogueira é virtual e midiática, como sessões de “exorcismo” em horário nobre na televisão.

A sociedade não vinha dando importância para o avanço e perigos dessa corrente de pensamento, mas nos últimos anos com o crescimento da extrema direita no Brasil, tendo em suas fileiras um exercito de “cristãos” conservadores defendendo publicamente pautas excludentes, preconceituosas e até maléficas para a sociedade, como a política de facilitação de armas de fogo, um retrocesso sem precedentes para o país.

Nesse campo extremista conservador está bem posicionada aqui no Maranhão a Deputada Mical Damasceno, que se não bastasse às tantas afrontas ao Estado Laico no decorrer do seu mandato, resolveu apoiar publicamente atos terroristas e antidemocráticos ocorridos em Brasília.

A falta de discernimento é tão grande, que a deputada não leva nem em consideração que ela foi eleita em primeiro turno pelo mesmo sistema eleitoral que agora ela contesta, sem nenhuma prova por sinal, a não ser a fé. A fé cega a faz acreditar que é preciso acabar com o comunismo no Brasil. Mas com uma desfaçatez digna de novela da Record, ela apoiava no Maranhão o único governador comunista do Brasil, Flávio Dino.

A deputada, que entre seus principais feitos está apagar a frase “fora Bolsonaro” escrita na ponte José Sarney e um projeto de lei de remissão de pena para detentos que lerem a Bíblia; uma verdadeira afronta à constituição e a laicidade do Estado; mas pasmem, a lei foi aprovada por unanimidade na Assembleia, porém suspensa pela justiça a pedido do Ministério Público. Ou seja, nós contribuintes pagamos o salário de uma deputada para ela perder tempo e gastar nosso dinheiro em vão com rompantes contra o Estado Democrático de Direito.

Está circulando uma petição pública proposta pelo professor Wesley Sousa pedindo a cassação da Mical Damasceno. A Assembleia Legislativa deveria se posicionar e punir a deputada com a mesma intensidade que fez ao caçar o título de cidadão maranhense concedido por unanimidade pela casa a Anderson Torres. A luta do professor é digna, porém, não prosperará, afinal, um parlamento que era para ser um defensor da democracia não vai comprar uma briga com uma “ legítima representante escolhida” por Deus na sua região.

 

 

Tempestade em Brasília, marola no Maranhão

Na coletiva de segunda (9) no Palácio do Leões, o representante do Poder Legislativo foi o primeiro vice-presidente Glabert Cutrin (PDT). O Othelino Neto (PC do B) deve estar chateado por perder o comando da casa, ou já está tentando se acostumar que agora é apenas um dos 42 deputados estaduais do Maranhão. A não ser que…

Quanto aos Cutrin, o Glaubert se reelegeu, mas o irmão Gil (Republicanos) não teve o mesmo êxito para a câmara federal e ficou de fora. Anda pleiteando a vaga de secretário especial representante do estado em Brasília, cargo que já foi ocupado pelo interventor do DF Ricardo Cappelli e foi oferecido a Othelino como prêmio de consolação pela perda da presidência da ALEMA (esse é o a não ser que…).

Enquanto isso, a estreante no legislativo estadual Iracema Vale (PSB) chega surfando num mar de marolas estabelecido num grande pacto entre todos, onde “oposição” é a lepra atual. Até o combativo Brancaleone César Pires (PSD), atualmente tem como atividade principal as caminhadas na Litorânea nos fins de tarde, e quando terminar o mandato não renovado, no fim do mês, terá mais tempo ainda para preencher.

Que ALEMA teremos

Depois da atuação direta e exitosa do governador Carlos Brandão de por quem quis no comando da Assembleia (já havia posto no comando da Câmara da capital), sobram as vice-presidências (que não tem o sabor de um primeiro suplente de senador). Quem vem sendo apontado como candidato a primeiro vice é um dos mais fiéis escudeiros do Flávio Dino (PSB), o estreante deputado estadual Rodrigo Lago (PC do B).

Há a futrica da blogosfera sobre as relações Dino X Brandão. Mas neste momento, que Dino mal tem tempo de respirar, e a política maranhense é de bastidores amenos no bojo da construção de um grupo único-unido-incontestável, o que menos existe é a possibilidade de construção de caminhos múltiplos.

Brandão está com todo o tempo do mundo para construir o próprio governo. As rusgas, esta semana estão abafadas pelos melindres messiânicos violentos que assolaram os poderes da república. Apesar do bombardeio, Flávio Dino tem se saído bem. Brasília avalia e se reconstrói após a tempestade; no Maranhão tudo se vai à sombra e na calmaria.

Enquanto a trégua não vem

Pegando carona com a Plebe Rude, banda fundamental do rock brasileiro fundada na capital federal em 1981, uma de suas músicas começa assim “capital da esperança, asas e eixos do Brasil, longe do mar, da poluição, mas um fim que ninguém previu”.

Ainda não tem como mensurar os estragos causados ontem em Brasília, estragos físicos, éticos e sociais que mancharam mais uma vez a nossa história. Alguns anos atrás integrantes do MST invadiram o congresso nacional e provocaram cenas de vandalismo e confronto com policiais, a reivindicação era celeridade na reforma agraria, reforma que até hoje não aconteceu e para piorar hoje o agronegócio tem grande influência nas esferas de poder.

Mas dessa vez foi muito mais grave, o ataque foi contra a democracia brasileira, radicalismo e vandalismo desmedido produzido por desmiolados, terroristas com dificuldades em aceitar o resultado das eleições sem nenhum fundamento legal plausível, somente teses para conspirações absurdas sustentadas por mentiras criadas em redes sociais.

A realidade é que o país está dividido e pior, parece que compramos uma cópia pirata do modelo norte americano de divisão política e de direitos civis onde tudo se resume entre conservadores e liberais, conceitos que se assemelham muito com a dualidade entre direita e esquerda. Aqui pelo visto só mudaram as cores, enquanto lá os conservadores gostam do vermelho, por aqui os que se julgam patriotas tem ódio da cor encarnada como diriam os mais antigos.

O presidente Lula sabia de tudo isso e já na transição foi alertado por Flávio Dino da necessidade de desmontar os acampamentos antes da posse, mas o Ministro da Defesa José Múcio blindou o movimento classificando-o como democrático. O grito dos lunáticos até então era que Lula não subiria a rampa do palácio, mas com Eduardo Bolsonaro assistindo a copa no Catar e a ida do ex-presidente para a casa do lutador José Aldo em Orlando os acampamentos nos quartéis foram em sua maioria enfraquecendo, aqui em São Luís inclusive foi encerrado. O clima foi de relaxamento e nem mesmo a mira ao contrário da arma futurista antidrone foi capaz de alertar o governo que Brasília não estava preparada para o que estava por vir.

A ala mais radical não desistiu do movimento, passou duas semanas mobilizando militantes apaixonados em todos os Estados. A busca era por aqueles dispostos a irem para o confronto na capital, a dar seu sangue pela pátria. Motivados por declarações como o “perdeu mané” do Ministro Barroso e a avacalhação sofrida nas redes sociais por orações em pneus, intervenção alienígena e principalmente por serem iludidos a  acreditarem que Deus tinha uma missão para eles, acabar com a ameaça do comunismo no Brasil. Mas só dava para lutar com todas as despesas pagas é claro. Quem lembrar um pouco das cruzadas vai saber que foram financiadas pela igreja e nobres ricos querendo mais terras na época, qualquer semelhança com as igrejas neo pentecostais e o agronegócio é mera coincidência.

Por outro lado a declarações do Ministro Flávio Dino alertando sobre a possibilidade do uso de força policial internacional para garantir a lei e a ordem no país e a atuação do cidadão maranhense, aprovado por UNANIMIDADE na Assembleia Legislativa do Maranhão, Anderson Torres na secretaria de segurança de Brasília  criaram um ambiente ideal para tudo o que aconteceu.

Depois do caldo derramado todos nós já sabemos os desdobramentos e medidas adotadas para expulsar e prender os terroristas arruaceiros, bem como a retirada do acampamento em frente ao QG do Exército que servia de refúgio para os golpistas. Sabemos também que o governo federal subestimou o movimento, temos um serviço de inteligência que é praticamente inoperante, a PRF sequer abordou um dos 120 ônibus com golpistas vindo de todo o Brasil, inclusive com pessoas armadas. O que não sabemos é o que ainda está por vir, uma vez que os lideres do movimento e financiadores estão livres, os palanques virtuais não foram desarmados, líderes políticos continuarão disseminando o discurso de ódio e narrativas mentirosas de ambos os lados.

Essa guerra já perdura décadas com os mesmos campos definidos e sempre ávidos por poder, o ideal seria um cessar fogo para a reconstrução do Brasil, mas pelo comportamento adotado dos tresloucados de verde amarelo nas redes sociais pelo visto ainda teremos muitos embates durante o governo vigente.

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“Dois passinhos pra frente, nenhum pra trás”

A tentativa de criar o caos na politica brasileira não deu certo. Apenas demonstrou que o perigo ronda, está perto e pode ganhar proporções que fogem ao controle. Não é inoperância que resolve e sim medidas corretas, enérgicas, legais e republicanas.

Quando se lida com gente estrábica, ignorante, capaz de destruir uma obra de arte, não se lida com o racional. Movimentos permeados pelo messianismo (sem trocadilho) tem tido consequências no país. Desde a pequenez imensa de Canudos, à Ação Integralista, a Marcha da Família, nos assusta a proposição nietzschiana do “eterno retorno”.

É frequente um questionamento, que vai desde conversas de boteco até estudos acadêmicos que buscam compreender a pergunta “será que o Brasil não consegue seguir sem tropeçar?”. Até lembra um político maranhense da região tocantina, o “Gato Félix”, que sempre repete a sinfonia: “Dois passinhos pra frente, nenhum pra trás”, nos últimos anos, os passinhos pra frente sumiram, Gato Félix.

Que a destruição causada neste domingo (8), em Brasília sirva de lição para quem está, ou tem amigos e parentes nos acampamentos golpistas e criminosos: o Brasil não tem mais tempo de tropeçar. Não aguenta mais morrer de diarreia, de covid, não suporta mais o analfabetismo, o desemprego e, principalmente, não pode mais admitir a impunidade. Não existe revanchismo, mas uma lei, uma ordem, e um objetivo: que o Brasil volte a crescer.

O Quadro “As mulatas”, de Di Cavalcanti é patrimônio do povo brasileiro. Foi perfurado em seis pontos. A obra é avaliada em R$ 8 milhões. 

Em busca do segundo escalão

Poderia começar com o Em busca do tempo perdido, de Proust, mas melhor começar com o cantor Luiz Américo, na época que o samba popular era de protesto: “O gás acabou, tem pouca comida, acabou meu dinheiro,” o fim do governo passado, e começo deste, vem arrastando quem espera um “décimo terceiro” nos seus vencimentos. E ele tem pintado.

Tudo bem que Hunter S. Thompson se vira na tumba sempre que vê a blogosfera em ação, mas é divertido, e ocasionalmente verdadeiro estar nesse planeta que ora orbita a Zona Cachinhos Dourados, ora mais parece uma superfície venusiana.

Numa mistura de puxa… quer dizer de relacionamentos políticos e necessidade, seja de manutenção de status político ou de sobrevivência mesmo, temos visto agora o segundo pelotão em busca do segundo escalão… afff… Dão Dalalão.

Tem pipocado nas redes sociais e assessorias de muitos políticos que não renovaram os mandatos fotos em visita aos novos ministros de Lula. Um destes é o deputado federal do PT Zé Inácio, que não renovou o mandato. “Nesta quinta-feira (5) estive em audiência com o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, tratando de pautas importantes…” Postou nas redes sociais.

Em seguida, o petista apresenta sua “inspiriênça”, lembrando que nos primeiros mandatos de Lula, foi delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e no de Dilma, Superintendente do INCRA no Maranhão. É uma boa forma de apresentar o currículo e arrumar uma vaguinha.

Outro que não renovou o mandato, já dado como certo no segundo escalão é Hildo Rocha (MDB). O quase ex-deputado é apontado como secretário-executivo do Ministério das Cidades, comandado por Jader Filho (MDB) (filho do ex governador do Pará Jader Barbalho e irmão do atual). Hildo é remanescente do Grupo Sarney, unha e carne com os Barbalho desde os bons tempos.

De repente, o Hildo se acalma, por que até hoje não se conforma de ter perdido a vaga de deputado federal. Até porque, se confirmado, será o responsável pela condução do programa “Minha Casa, Minha Vida”, menina dos olhos de Lula.

Mas tem outros que não se reelegeram, mas tem nomes fortes, como os deputados Zé Carlos e Bira do Pindaré; ou que não se elegeram mas tem padrinhos fortes, como Cleyton Noleto e Kátia Bogéa.

E as vagas são boas e cobiçadíssimas, por exemplo, DNIT, INCRA, Codevasf, Funasa e IPHAN. E os padrinhos são fortes: o senador e ministro Flávio Dino (PSB), a senadora Eliziane Gama (Cidadania), os deputados federais Rubens Júnior (PT) de Márcio Jerry ( PCdoB), além da deputada federal Roseana Sarney (MDB).

Mas, quem ainda é deputado tem todo o janeiro pra se despedir e articular um espacinho no governo, provavelmente uns com mais facilidade e êxito do que outros, mas todos naquela sequência da programação neurolinguística FocoForçaFé. De qualquer forma, ainda como canta Luiz Américo no refrão: “E aqui estou pedindo carona pra ir trabalhar”…

Executivos e legislativos: unidades, dobradinhas e interesses pessoais

O Poder Estadual e o Poder Municipal de São Luís estão numa dobradinha na trilha de um caminho temeroso para a democracia e os interesses comunitários. Muito se fala numa “unidade”, num “grupo único e unido” para o bem do estado. Mas será que essa unidade é de fato benéfica para a comunidade ou segue um rumo de interesses pessoais, ou, no máximo do “grupo unido”?

No Governo do Estado, primeiro com a vitória do governador Carlos Brandão (PSB), o poder executivo ficou definitivamente consolidado na sua sequência; segundo, o poder legislativo sofreu uma reviravolta com uma mudança de comando, saindo (provavelmente) das mãos de Othelino Neto (PC do B) para as de Iracema Vale (PSB) (uma reviravolta tênue, mais tênue do que aquela sofrida por Ricardo Murad em 2010-2011, na sua tentativa de assumir o comando da Assembleia Legislativa).

O executivo municipal segue o mesmo caminho de “unidade”, bastante consolidada com a posição de destaque conquistada pelo vereador Paulo Victor (PC do B) (eleito prematuramente presidente da Câmara Municipal de São Luís) junto ao governador Carlos Brandão, durante a campanha ao governo do estado. No executivo Municipal Paulo Victor está a cada dia mais incontestável.

Dois exemplos

Primeiro, o Projeto de Lei Nº 0204/2022, que aponta o Orçamento da Prefeitura da Capital para o ano de 2023, que deveria fechar o ano aprovado, foi emperrado “pelos vereadores”, virando o ano sem LOA. Emperrado por atritos entre legislativo e executivo municipais, e que busca forçar o prefeito a liberar as emendas parlamentares apresentadas pelos vereadores.

Até aí tudo bem; é da política e está dentro dos limites dos interesses políticos e comunitários, embora não seja bom para a comunidade, até porque deve ser votada nesta sexta-feira, juntamente com a Lei Orçamentária a Emenda nº 0002/2022, que tenta aumentar o percentual de emendas parlamentares a que os vereadores vão ter direito em 2023. Lembra-nos de perto o fantasma do Orçamento Secreto, ou Emendas de Relator, que tanto assombraram a nação nos últimos anos.

O segundo e preocupante exemplo é outra emenda na pauta de votação na mesma sessão extraordinária: a emenda Nº 0003/22, que altera o § 3º do Artigo 63 da Lei Orgânica de São Luís. Com a aprovação, os membros da mesa diretora (o presidente da casa, por exemplo) poderiam pedir licença sem a necessidade de se eleger um novo membro para o posto, ou seja, na prática, com a licença, o cargo permanece vago.

Por exemplo, se o presidente Paulo Victor se licenciar para assumir uma secretaria de estado, o cargo de Presidente da Câmara de São Luís fica indefinidamente vago, pelo tempo que o presidente estiver afastado, o que, atualmente é proibido pela Lei Orgânica.

Enquanto isso, o Plano Diretor (tantos anos atrasado) e denúncias graves de um membro do legislativo seguem em banho-maria, esperando, esperando o trem, que não vem…

Características salutares da democracia são a convivência e o debate de ideias no campo dialético. Assim como a alternância de poder, a temporalidade (tão relativa!) dos cargos, são características que trazem segurança aos interesses sociais coletivos. A concentração de ideias e projetos em pequenos e contínuos grupos ameaça esses interesses. Ou, como diria Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.

Paulo Victor o primeiro nome de Brandão na capital

Mal começou o ano e a sucessão municipal já é destaque na pauta da imprensa, que está de olhos voltados para os movimentos no novo presidente da Câmara.

Antes mesmo de ser empossado como líder da mesa diretora do parlamento o vereador já vinha se portando como pré-candidato a prefeitura na reta final da campanha do ano passado. Paulo Victor ganhou mais musculatura na capital com as ações do São João, aproveitou a “secura” do povo preso dois anos em casa e fez um grande São João, tentou repetir a formula turbinando a Expoema, mas os shows do aniversário da Cidade pela prefeitura roubaram a cena.

Paulo Victor também foi essencial na campanha de Brandão, onde juntamente com Felipe Camarão viraram o jogo em São Luís na reta final do primeiro turno.

Todos os esse fatos o credenciam para ser um dos nomes fortes do grupo do governador para a sucessão municipal, porém, existem fatores que precisam ser levados em consideração até a decisão do nome de consenso que deve ser tomada por Carlos Brandão.

Contra Paulo Vitor pesa o fato de ainda não ter sido testado nas urnas para uma eleição que precisa de uma densidade eleitoral muito maior do que as duas que ele disputou até agora. Outro ponto importante é a disputa interna dentro do grupo com dois nomes fortes que já demonstraram interesse. Marcio Jerry que não esconde o desejo de ser Prefeito e tem grande penetração em diversos setores da sociedade, além de ser um nome de confiança do Ministro Flávio Dino e maior cabo eleitoral na última eleição. Tem também o Duarte Junior que teve duas grandes votações nas eleições passadas, inclusive se Weverton não tivesse mudado de lado ele teria vencido a eleição contra Braide.

Paulo Victor ainda terá algumas batalhas para enfrentar até ter seu nome ungido como candidato único dos leões e talvez a mais importante seja o tempo que precisa ficar nas primeiras linhas dessa disputa, além da exposição duradoura na linha de frente, o seu adversário ainda tem muita munição para gastar, sem falar que quem dispara no começo da corrida na maioria das vezes fica sem fôlego no final.

 

Ministério da Justiça, agora sim com a caneta de Flávio Dino

Desde que teve seu nome anunciando por Lula para comandar uma das pastas mais importantes e estratégicas do seu governo, Flávio Dino foi obrigado a se posicionar oficialmente e a necessidade veio primeiro da imprensa em meio ao clima quente de instabilidade política que o país atravessava com os manifestantes extremistas na frente dos quartéis em todo o Brasil.

O novo ministro é conhecido no Maranhão por sua eloquência e também por sua capacidade administrativa, testada e aprovada nos 07 anos que esteve à frente do Governo do Estado. Foi 100%, claro que não foi, um dos principais equívocos foi ter agido pela emoção e dito no discurso de posse no dia 01 de janeiro de 2015 que acabaria com a pobreza no Maranhão.

Antes de tomar posse oficialmente como Ministro da Justiça Flávio Dino se saiu muito bem nas entrevistas, trabalhou no decreto que endurece as regras para o porte de armas, patinou em duas indicações para cargos do segundo escalão do ministério, teve humildade para voltar atrás em uma e a outra pesou a culpa histórica do indicado que não aceitou o cargo.

Ontem no discurso de sua posse em Brasília se deixou agir pela emoção novamente e na presença de Anielle Franco que também foi nomeada Ministra, prometeu elucidar o assassinato cruel de sua irmã. Flávio Dino sabe que o Brasil clama por essa resposta e ele não poderia perder a oportunidade, agora talvez ele não saiba ainda dimensão da atuação das milícias no Rio de Janeiro e suas relações com o poder.  Mas vamos torcer para que ele combata de frente esse problema grave que cresceu nos últimos quatro anos do governo Bolsonaro e o seu modelo tem se espalhado pelo país.

Quanto às criticas locais sobre a sua jurisprudência para atuar no caso, talvez a PF não possa assumir pela sentença já julgada no STJ, mas a sua envergadura como Ministro e Senador da República vai abrir todas as portas necessárias para ele acompanhar o caso bem de perto, assim como todo o Brasil vai acompanhar o seu desempenho.

Agora é a vez do povo

O primeiro domingo de 2023 foi dia de empossar os eleitos pela vontade popular em todo o país.

Em cerimonia simples na Assembleia Legislativa o governador Carlos Brandão prometeu priorizar a educação nos próximos quatro anos e para isso reconduziu ao posto de Secretário de Educação o seu vice Felipe Camarão que arregaçou as mangas e foi determinante na campanha vitoriosa da dupla no primeiro turno.

Um pouco mais tarde no Teatro Arthur Azevedo, aconteceu à concorrida posse do presidente da Câmara Municipal de São Luís, o Vereador Paulo Victor que foi eleito pelos seus pares no início de abril e passa a comandar a casa no próximo biênio.  O Prefeito Eduardo Braide não estava presente, mas pelo twitter foi gentil com toda a mesa diretora desejando trabalhar com harmonia para a nossa cidade. Já o novo Presidente se mostrou grato, mas deixou nas entrelinhas que terá apenas diálogo institucional para o avanço da cidade dele, deixando claro suas pretensões.

Mas todas as atenções estavam voltadas para Brasília e a posse do Presidente Lula. As cores da seleção brasileira deram lugar ao vermelho e milhares de brasileiros comemoram muito a queda do bolsonarismo. Porém, não foi fácil desmobilizar a resistência conservadora, os acampamentos ficaram de pé até a última fake news de que Lula não subiria a rampa do planalto. Logo em seguida saíram do transe e caíram na real, ainda bem, porque depois de tentarem de orações a pneus e intervenção extra terrestres, a única solução possível seria uma espécie de lobotomia coletiva, afinal para quem cultua métodos ultrapassados como ditaduras, nada é mais apropriado para dar um choque de realidade no cérebro desses patriotas.

Com todos devidamente empossados, chegou a hora de arregaçar as mangas e trabalhar pelo povo de verdade, passou o momento dos discursos e palanques mobilizados, agora é vez de colocar as propostas em prática e a população anseia muito por resultados.

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