Os Analistas Backup

Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

Ministério da Justiça, agora sim com a caneta de Flávio Dino

Desde que teve seu nome anunciando por Lula para comandar uma das pastas mais importantes e estratégicas do seu governo, Flávio Dino foi obrigado a se posicionar oficialmente e a necessidade veio primeiro da imprensa em meio ao clima quente de instabilidade política que o país atravessava com os manifestantes extremistas na frente dos quartéis em todo o Brasil.

O novo ministro é conhecido no Maranhão por sua eloquência e também por sua capacidade administrativa, testada e aprovada nos 07 anos que esteve à frente do Governo do Estado. Foi 100%, claro que não foi, um dos principais equívocos foi ter agido pela emoção e dito no discurso de posse no dia 01 de janeiro de 2015 que acabaria com a pobreza no Maranhão.

Antes de tomar posse oficialmente como Ministro da Justiça Flávio Dino se saiu muito bem nas entrevistas, trabalhou no decreto que endurece as regras para o porte de armas, patinou em duas indicações para cargos do segundo escalão do ministério, teve humildade para voltar atrás em uma e a outra pesou a culpa histórica do indicado que não aceitou o cargo.

Ontem no discurso de sua posse em Brasília se deixou agir pela emoção novamente e na presença de Anielle Franco que também foi nomeada Ministra, prometeu elucidar o assassinato cruel de sua irmã. Flávio Dino sabe que o Brasil clama por essa resposta e ele não poderia perder a oportunidade, agora talvez ele não saiba ainda dimensão da atuação das milícias no Rio de Janeiro e suas relações com o poder.  Mas vamos torcer para que ele combata de frente esse problema grave que cresceu nos últimos quatro anos do governo Bolsonaro e o seu modelo tem se espalhado pelo país.

Quanto às criticas locais sobre a sua jurisprudência para atuar no caso, talvez a PF não possa assumir pela sentença já julgada no STJ, mas a sua envergadura como Ministro e Senador da República vai abrir todas as portas necessárias para ele acompanhar o caso bem de perto, assim como todo o Brasil vai acompanhar o seu desempenho.

Palanques em formação para 2024

Ontem foi dia de empossar os governadores eleitos e o presidente da república em cerimonias por todo o Brasil.

Em São Luís aconteceu também à posse da mesa diretora da Câmara Municipal, o Vereador Paulo Victor teve seu nome aprovado pelos seus colegas de parlamento numa eleição antecipada ainda em abril. Aliás, parece que virou moda aqui no Maranhão antecipar eleições de casas legislativas.

Na contramão do discurso do presidente Lula onde ele foi categórico que é necessário unir forças políticas para reconstruir o país, aqui em São Luís foi diferente, ficou claro que a festa foi organizada mirando as eleições municipais do próximo ano. Além da presença do Governador Carlos Brandão que foi prestigiar um dos seus principais cabos eleitorais em São Luís, o que chamou a atenção não foi nem a ausência do Prefeito Eduardo Braide e sim a presença de Edivaldo Holanda Jr na festa, um gesto inusitado que pode ser considerado como aceno político dos rumos que Edivaldo pode seguir no próximo pleito municipal.

 

Outro fato que chamou a atenção foi a troca de mensagens entre Eduardo Braide e Paulo Victor, o Prefeito foi gentil em desejar o diálogo por nossa cidade, mas o vereador turbinado pelos leões foi institucional e reclamou nas entrelinhas que falta empatia de Braide na relação com a Câmara querendo avanços para a cidade que já considera ser dele, segundo suas palavras no twitter. Pelo visto esse será o tom da relação entre o parlamento municipal e a prefeitura de São Luís.

Resta saber como vai se portar o Presidente Lula, se vai abrir ou fechar as portas para o prefeito de São Luís que se manteve neutro na disputa presidencial, mas apoiou alguns candidatos do campo bolsonarista na eleição passada. Vale a pena acompanhar a evolução das relações e testemunhar se  o discurso de colaboração será colocado em prática.

Um Maranhão para os maranhenses

O conturbado ano de 2022 ficará marcado na História do Brasil e, em especial, do Maranhão. O poeta russo Vladimir Maiakoviski  escreveu “nestes últimos 20 anos nada de novo há no rugir das tempestades” e, aquele começo de século XX era, sem dúvida, um tempo de tempestades. Nestes últimos dois anos (talvez quatro), o país vem sendo varrido por uma onda de tempestades; a pior delas, acompanhando o resto do mundo, a pandemia de Covid-19.

Mas não foi só a virose que acometeu a nação. Uma doença chamada extremismo irradiou-se pelos lares do povo brasileiro, causando mortes, dores e discórdia. A vacina para essa outra pandemia foi a democracia, e a força das instituições, agora é continuar trabalhando pelas formas republicanas de combate e estender os panos da Caravela; há uma História a ser escrita e outra a ser compreendida.

O Maranhão, com suas idiossincrasias, trava uma batalha particular: lutar contra a pobreza do seu povo, contra a desigualdade social, contra o crime, e reverter um projeto que não vem dando certo, mas isso se a percepção dos governantes estiver neste paradigma.

Mas há os dados do IBGE, e eles mostram que em 2017, dos 25 municípios mais pobres do país,  o Maranhão elencava 14; este ano, o estado emplacou 24. Vale lembrar que diminuir a pobreza foi compromisso dos últimos governos e houve a tentativa. É a hora de rever que projetos o Maranhão precisa desenvolver para sair desse mapa de fome e pobreza.

Há um forte movimento político, uma tentativa de unidade, de congregação de força única para traçar o futuro do estado: todos juntos, Governo, Assembleia, Câmara de Vereadores de São Luís. É uma arrumação que, aos poucos, se estabelece. A única força política que está ausente deste movimento é a prefeitura da capital, cujo isolamento, já traz consequências graves, como a demora na aprovação do Orçamento de 2023 pelo legislativo municipal.

Voltando ao nacional, lembramos que o governo de ultradireita eleito em 2018 nunca conseguiu nenhuma unanimidade, enfrentou muita oposição e terminou derrotado com a ajuda de quem o apoiou pontualmente em troca de acesso à fonte de poder e benesses financeiras, leia-se orçamento secreto.

O Maranhão parece tentar um caminho diferente, o da unidade, sem oposição, essa mesma oposição que foi pífia, nos últimos oito anos, tenta-se torná-la inexistente, além de tentar-se, a todo custo, não deixar surgir uma nova, e talvez, mais efetiva oposição. Este caminho começa agora, vamos ver onde nos leva, se levar.

Muito do que vem sendo pensado para o Maranhão com custo em longo prazo tá chegando ou já chegou. O longo prazo já passou. O mesmo logo prazo da isenção de impostos para a implantação dos grandes projetos, que assim que a isenção acaba, demite-se todo mundo e ruma pra China. O longo prazo de um cerrado morto, de um mangue exterminado, de um babaçual decepado, de uma duna varrida, sem contar os azulejos portugueses que se desintegram a cada inverno.

Uma das palavras mais utilizadas na política internacional, a sustentabilidade, parece ainda ser ignorada nas terras timbiras. Mas não se foge dela, ela é o futuro que já chegou, junto com a hipercomunicação, o carro elétrico, a realidade virtual, ou seja: a modernidade líquida com sua sociedade do espetáculo.

Sustentabilidade, palavra que passa longe de atitudes registradas sobre o solo maranhense, inclusive nestes últimos dias do ano, com terras sendo devastadas e moradores de comunidades tradicionais apavorados, com suas roças destruídas e su futuro igual como o futuro do governo que vive seus estertores… Até quando?

Não há democracia sem oposição. Enquanto se comprar aliados e se destruir o pensamento dialético adversário, o Maranhão será apenas o cenário de um drama shakespeariano onde todos morrem no fim, por mais que o fim demore, mas ele sempre chega. Veja-se a “oligarquia Sarney”: demorou tanto e um belo alguém decretou que não existia… e foi-se… E desde então, “nada de novo há no rugir das tempestades”…

Salve a democracia!…

Agora é a vez do povo

O primeiro domingo de 2023 foi dia de empossar os eleitos pela vontade popular em todo o país.

Em cerimonia simples na Assembleia Legislativa o governador Carlos Brandão prometeu priorizar a educação nos próximos quatro anos e para isso reconduziu ao posto de Secretário de Educação o seu vice Felipe Camarão que arregaçou as mangas e foi determinante na campanha vitoriosa da dupla no primeiro turno.

Um pouco mais tarde no Teatro Arthur Azevedo, aconteceu à concorrida posse do presidente da Câmara Municipal de São Luís, o Vereador Paulo Victor que foi eleito pelos seus pares no início de abril e passa a comandar a casa no próximo biênio.  O Prefeito Eduardo Braide não estava presente, mas pelo twitter foi gentil com toda a mesa diretora desejando trabalhar com harmonia para a nossa cidade. Já o novo Presidente se mostrou grato, mas deixou nas entrelinhas que terá apenas diálogo institucional para o avanço da cidade dele, deixando claro suas pretensões.

Mas todas as atenções estavam voltadas para Brasília e a posse do Presidente Lula. As cores da seleção brasileira deram lugar ao vermelho e milhares de brasileiros comemoram muito a queda do bolsonarismo. Porém, não foi fácil desmobilizar a resistência conservadora, os acampamentos ficaram de pé até a última fake news de que Lula não subiria a rampa do planalto. Logo em seguida saíram do transe e caíram na real, ainda bem, porque depois de tentarem de orações a pneus e intervenção extra terrestres, a única solução possível seria uma espécie de lobotomia coletiva, afinal para quem cultua métodos ultrapassados como ditaduras, nada é mais apropriado para dar um choque de realidade no cérebro desses patriotas.

Com todos devidamente empossados, chegou a hora de arregaçar as mangas e trabalhar pelo povo de verdade, passou o momento dos discursos e palanques mobilizados, agora é vez de colocar as propostas em prática e a população anseia muito por resultados.

Ministério da Cidadania divulga calendário de pagamentos do Auxílio Brasil para 2023

O Ministério da Cidadania divulgou hoje (30), em Brasília, o calendário de pagamentos do Auxílio Brasil para 2023. Para saber o dia em que o benefício ficará disponível para saque ou crédito em conta bancária é preciso observar o último dígito do Número de Identificação Social (NIS), impresso no cartão do titular. 

Para cada dígito final do NIS há uma data mensal correspondente. Os pagamentos são disponibilizados na sequência de um a zero, durante os últimos dez dias úteis de cada mês. A exceção é o mês de dezembro, quando todos os pagamentos ocorrem até o dia 22. Se o NIS do titular termina com o número 1, em janeiro, por exemplo, os pagamentos começam no dia 18.

Parcelas mensais

As parcelas mensais ficam disponíveis para saque por 120 dias após a data indicada no calendário. As datas definidas também são válidas para o pagamento do Auxílio Gás no próximo ano, sendo que o programa disponibiliza parcelas bimestralmente.

calendário de pagamentos do Auxílio Brasil em 2023

Em caso de dúvidas, há três canais de atendimento: o telefone 121, do Ministério da Cidadania, que reúne informações e funciona também como central para denúncias; o telefone 111, canal de Atendimento ao Cidadão da Caixa Econômica Federal com informações sobre o cartão e o saque do benefício; e o aplicativo Auxílio Brasil, disponível para download gratuito nas lojas virtuais.

Fonte: Agência Brasil

Nem sempre quem tem a vivência tem a excelência

Tem sido recorrente se falar em segurança pública no Brasil. Nesse sentido, todos têm uma solução mágica, um remédio milagroso, uma pedra filosofal que vai desde a defesa do endurecimento da penas, através da constitucionalização da pena de morte (esta que causa frenesi e êxtase na grande massa, quando pronunciadas por “pit bulls” populistas, que se arvoram, choram e gritam: “bandido bom é bandido morto”) até aqueles que advogam pelo abrandamento ou extinção de crimes, como a liberalização das drogas.

Fala-se de segurança pública da mesma forma infantil e rasteira como se falam de futebol. Todos sabem o que fazer, onde mexer, o que está faltando. O quadro piora quando essas “soluções” são apresentadas logo após uma enxurrada de notícias “midiáticas” propagandeando algum “acidente” (conforme o presidente Temer). Essas fórmulas mágicas reverberam nas casas legislativas e no Ministério da Justiça, fazendo minar respostas para tudo, numa febril e alucinante rapidez, possibilitando um ambiente propício para discursos inflamados, apaixonados e carregados de sensacionalismo e ganham ares de salvação da pátria.

E a violência? Os indicadores são assustadores (de guerra civil) e o desfile de sugestões, projetos e programas para redução da criminalidade e da violência, que se apresentam como saídas mirabolantes, engenhosas e geniais são igualmente assustadores. Proponho uma análise a partir de várias perspectivas e isento de crenças por entender que a violência e a criminalidade são fenômenos multidisciplinares que necessitam de uma análise científica mais ampla que envolva tanto o poder público quanto setores da sociedade civil organizada e pesquisadores da área.

 


*Doutorando, mestre e graduado em História; pesquisador em História Social do Crime, Polícia, Aparatos de Policiamento e Segurança Pública.

Trânsito com modificações para as festas de ano novo na Avenida Litorânea

A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), modificará o trânsito na virada do dia 31 de dezembro para 1° de janeiro. As principais mudanças ocorrerão na Avenida Litorânea e áreas próximas a praia.

A orientação será feita por agentes em viaturas e motocicletas nas vias de acesso à orla marítima pela Avenida dos Holandeses, concentrando-se na Avenida Litorânea. Nesta via haverá um trecho interditado totalmente entre a Rua Vale Rio Pimenta até a Avenida Rio Claro, local de concentração do maior show na orla.

O trânsito nas vias de acesso à Avenida Litorânea ocorrerá da seguinte forma: no sentido Calhau / Olho d’Água será condicionado a mão única no tráfego de veículos na Rua Vale Rio Pimenta onde inicia a extensão, apenas saindo da Avenida Litorânea, a partir das 12h de sábado (31). Este sentido de fluxo  será mantido até às 6h de domingo. Já no sentido Avenida dos Holandeses para Avenida Litorânea pela Rua São Geraldo, seguirá em mão única até a Rua Lina Figueiredo. Nesta rua, o trânsito continuará em mão única, retornando para Avenida dos Holandeses.

Motoristas  que estiverem na Avenida Litorânea se deslocando no sentido Olho d’Água para o Calhau deverão entrar na Avenida Rio Claro e seguir a Ivar Saldanha no sentido Avenida dos Holandeses. Todas as vias entre a Rua Rio Pimenta e Avenida Rio Claro terão o acesso controlado por agentes de trânsito posicionados na área com interdição parcial, liberando apenas para circulação de moradores devidamente autorizados pelo organizador do evento.

Lula toma posse num país desconfiado e com medo de terrorismo

Toma posse, neste domingo, dia primeiro de janeiro, de 2023, para o terceiro mandato, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Mas o clima de alegria que marcou a primeira posse do petista, deu espaço para a desconfiança e cuidados com a violência iminente, inclusive, até atos de terrorismo.

Depois dos anos mais conturbados de sua vida, quando ficou preso numa cela da Polícia Federal, depois de enfrentar um sem número de processos imensamente debatidos, nos meios jornalísticos, acadêmicos, jurídicos e políticos.

Uma matéria que a História terá que devastar por longos anos, de preferência, sob o olhar múltiplo dos pesquisadores, para que as gerações futuras não sejam alijadas  de um alicerce sério e justo no qual se basear para construir uma sociedade justa e pacífica na América do Sul.

A Capital Federal toma cuidados extras, depois de acontecimentos díspares, como a tentativa de terrorismo registrada nos últimos dias nas proximidades do Aeroporto de Brasília. A posse será marcada por uma tensão, talvez, jamais vista neste país.

O poder e a comunicação juntos pelo controle social

Nos últimos 10 anos o Brasil vem enfrentando uma guerra ideológica fincada em cima de pautas que estavam adormecidas e de certa forma blindadas pela grande imprensa há muito tempo.

Na comunicação existem algumas teorias que norteiam os profissionais da mídia, a mais difundida e aplicada é a agenda setting ou teoria do agendamento. Tentando simplificar  “é tipo um efeito social da mídia que compreende a seleção, a disposição e incidências de notícias sobre temas que o público falará e discutirá”. Segundo o jornalista criador do termo guerra fria e vendedor de 2 Pulitzer Walter Lippmann,  “as pessoas não respondiam diretamente aos fatos do mundo real, mas que viviam um pseudo ambiente composto pelas imagens em nossas cabeças”. Simplificando um pouco mais, os veículos de comunicação de massa difundem somente o que é de seu interesse editorial e necessariamente comercial.

Durante muito tempo as ferramentas tecnológicas eram limitadas e se não bastasse limitavam também a possibilidade das pessoas se manifestarem nos meios de comunicação, um exemplo remanescente dessa blindagem é quando tem algum politico falando ao vivo em um programa de rádio respondendo perguntas na maioria das vezes ensaiadas, mas se você tentar questionar ao vivo mandando áudio ou ligando dificilmente sua participação vai ao ar. Os grandes veículos fazem de tudo não perderem o controle da opinião e para isso continuam usando a velha censura mascarada em desculpas recorrentes.

Esse controle quase que total da mídia começou a enfraquecer nos últimos 10 anos quando os aparelhos celulares passaram a ter internet móvel e a popularização desse serviço atingiu quase todas as camadas da população. A consequência mais importante dessa quebra de monopólio foi que todo e qualquer cidadão passou a difundir suas opiniões, além disso, começaram a contestar o que saía na grande mídia e com isso a massa passou a ter voz.

Um exemplo claro dessa força opinativa foi um episódio que marcou a eleição do até então desconhecido Daniel Silveira ao questionar o apresentador Willian Bonner sobre a veracidade de uma matéria onde bandidos foram executados pela policia em uma troca de tiros no Rio de Janeiro, a matéria foi exibida a noite e na manhã seguinte ele gravou um vídeo com o celular e mostrou imagens que a rede globo não tinha exibido, meses depois Daniel Silveira foi eleito deputado federal e o resto da história dele vocês já conhecem.

Mas a globo que tem em seus quadros profissionais específicos para análises de cenário e monitoramento de tendências através de pesquisas         percebeu esse fenômeno há mais tempo, mais precisamente em 2013. Curiosamente dois meses após explodirem as manifestações em todo o país que teve como estopim o aumento de 20 centavos no preço da passagem de ônibus.  A rede globo assinou um editorial pedindo desculpas por ter apoiado o golpe da ditadura em 1964, mas por que 49 anos depois e justamente naquele momento onde o país ainda estava tentando compreender os efeitos daquelas manifestações. Hoje sabemos a consequências, os desdobramentos e a que ponto chegamos com tamanha instabilidade causada no país. Mas entre tantos votos a favor do  impeachment da presidenta Dilma um marcou mais que os outros, a  dedicatória de Bolsonaro ao torturador Brilhante Ustra, a partir daí o tema golpe militar passou a ser recorrente no Brasil, mas a globo agora já tinha a sua carta de seguro lida em rede nacional.

Esse direito de opinar concedido involuntariamente às massas passou a ser um problema sério, afinal as estruturas do poder foram profundamente abaladas e o sistema precisa tomar as rédeas e voltar a ter o controle, em 2014 à tentativa foi com a lei 12.965, conhecida como “Marco Civil da Internet” que tentou estabelecer limites, mas não foi suficiente e nos últimos anos vivemos o pesadelo das fake News e uma eleição de Bolsonaro em 2018. O contra ataque do sistema veio com a PL 2630/2020 que instituiu a lei brasileira de liberdade, responsabilidade e transparência na internet que vem tentando regulamentar e controlar a opinião das massas, porém vem esbarrando na dificuldade de entendimento sobre o que é liberdade de expressão e isso tem gerado uma série de conflitos, inclusive a prisão do próprio Daniel Silveira que usamos como exemplo.

No Maranhão esse controle de opiniões é um pouco mais fácil, afinal o governo regula veladamente os veículos de massa e uma boa fatia das redes sociais, outro fator é que somos destaque na pobreza e não deve sobrar muito do auxilio Brasil para um bom plano de internet,  dessa forma fica bem mais fácil aplicar a teoria do agendamento. Um exemplo claro foi campanha eleitoral do ano passado em que boa parte da imprensa sequer questionou os índices de pobreza do Maranhão, pauta que é recorrente em todos os estados, principalmente em época de eleições, mas a estratégia foi usar o manual da agenda setting e direcionar a pauta para polarização nacional, caminho que era mais fácil, uma vez que não se falava outra coisa no Brasil, a guerra entre o bem o mal e você estava convocado a torcer por um time, mas para jogar mesmo pouquíssimos foram escalados. Tipo a escolha de quem joga na seleção brasileira, apesar de sermos o país do futebol, porém quem coloca os nomes na lista são os interesses econômicos que você conhece bem, mas finge que não vê ou prefere não saber.

Mas não precisamos ser pessimistas, esse ano foi de vitórias na política, vitorias pessoais é claro, teremos três ministros maranhenses e mais uma vez somos induzidos a comemorar ascensões e carreiras particulares, assistindo e aplaudindo conchavos partidários. Mas você pelo menos sabe para que serve um ministro das comunicações? Talvez o mais famoso deles tenha sido Antonio Carlos Magalhães no governo do maranhense Sarney e o seu grande feito foi distribuir concessões de Rádio e TV para os coronéis e aliados, foi nessa época inclusive que a família do então presidente da república ganhou o sistema mirante de comunicação e de quebra ainda tomou a concessão da globo da difusora abrindo caminho para os Lobões comprarem a emissora da família Bacelar. Já para o povo que comemorou a chegada de um maranhense a presidência da república só restou acompanhar pela televisão o fortalecimento de uma oligarquia que ficou algumas décadas no poder até ser “derrubada” por uma narrativa de um Maranhão liberto do atraso, mas que na verdade não mudou muita coisa, basta dar uma pesquisada nos números da pobreza no Estado e constatar que os resultados foram bem abaixo das promessas.

Mas vamos comemorar assim mesmo, é réveillon, tem festa para o povo na praia e banquetes para os heróis nos palácios, não podemos ser pessimistas a ponto de não ficarmos felizes com a ascensão de um grupo seleto de políticos com super poderes que seriam capazes de transformar a vida sofrida dos maranhenses além dos discursos calorosos nos palanques, portanto mais uma vez vamos renovar as esperanças lá em Brasília e aqui na província, mas comemore com moderação porque no dia 02 a conta começa a chegar e não terá ninguém para pagar para você.

 

O adeus ao Rei e a um futebol que não existe mais

Ontem Edson Arantes do Nascimento fez sua passagem para a eternidade na vida porque no futebol ele já era eterno.

Considerado o atleta do século pelos seus feitos inalcançáveis no futebol, Pelé vinha lutando contra um câncer de cólon e faleceu nesta quinta feira. O mineiro de Três Corações chegou ainda menino os Santos numa época em que o esporte não era profissional como nos dias de hoje e a paixão pela camisa santista criou um elo entre clube e jogador poucas vezes vista no futebol, talvez Zico no flamengo tenha chegado perto, mas ainda longe dos feitos do Rei, afinal  foram 1116 jogos e 1.091 gols pelo time santista marca até os dias de hoje nunca superada por qualquer outro jogador de futebol no mundo.

Pelé lutou com todas as forças e resistiu com esperança de ver mais um titulo da seleção brasileira sobre a regência de outro camisa 10 talentoso criado na Vila Belmiro, mas apesar de todo o talento de Neymar o futebol não é mais o mesmo, infelizmente. Mas Pelé é eterno e o seu legado dentro das quatro linhas ainda vai inspirar muitos meninos a não abandonarem o jeito brasileiro de jogar.

Page 31 of 33