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Apesar das dificuldades, PIB de 2022 cresce 2,9%

Em 2022, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,9% frente a 2021. Houve crescimentos em Serviços (4,2%) e na Indústria (1,6%) e queda na Agropecuária (-1,7%).

Período de comparação Indicadores (%)
PIB AGROP INDUS SERV FBCF CONS. FAM CONS. GOV
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) -0,2% 0,3% -0,3% 0,2% -1,1% 0,3% 0,3%
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (sem ajuste sazonal) 1,9% -2,9% 2,6% 3,3% 3,5% 4,3% 0,5%
Acumulado em quatro trimestres / mesmo período do ano anterior (sem ajuste sazonal) 2,9% -1,7% 1,6% 4,2% 0,9% 4,3% 1,5%
Valores correntes no 4º trimestre (R$) 2,6 trilhões 116,5 bilhões 539,8 bilhões 1,6 trilhão 488,5 bilhões 1,7 trilhão 529,8 bilhões
Valores correntes no ano (R$) 9,9 trilhões 675,5 bilhões 2,1 trilhões 5,8 trilhões 1,9 trilhão 6,3 trilhões 1,8 trilhão
Taxa de investimento (FBCF/PIB) 2022 = 18,8%
Taxa de poupança (POUP/PIB) 2022 = 15,9% 

O PIB totalizou R$ 9,9 trilhões em 2022. O PIB per capita alcançou R$ 46.154,6 em 2022, um avanço real de 2,2% ante o ano anterior.

A taxa de investimento em 2022 foi de 18,8% do PIB, enquanto o registrado em 2021 foi de 18,9%. Já a taxa de poupança foi de 15,9% (ante 17,4% em 2021).

Frente ao 3º trimestre, na série com ajuste sazonal, o PIB variou -0,2%. A Agropecuária e os Serviços também apresentaram variações de 0,3% e 0,2%, respectivamente, enquanto a Indústria variou -0,3%.

Em relação ao 4º trimestre de 2021, o PIB avançou 1,9% no último trimestre de 2022, oitavo resultado positivo consecutivo nesta base de comparação. Foram registradas altas nos Serviços (3,3%) e Indústria (2,6%), enquanto Agropecuária caiu 2,9%.

Principais resultados do PIB a preços de mercado do 4º Trimestre de 2021 ao 4º Trimestre de 2022
Taxas (%) 2021.IV 2022.I 2022.II 2022.III 2022.IV
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior 5,0 2,4 3,1 3,2 2,9
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores 5,0 5,2 3,2 3,0 2,9
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior 2,1 2,4 3,7 3,6 1,9
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) 1,1 1,3 0,9 0,3 -0,2
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais

PIB cresce 2,9% em 2022

O PIB em 2022 cresceu 2,9% ante o ano anterior. Houve aumento de 3,0% no Valor Adicionado a preços básicos e de 2,1% no volume dos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

O resultado do Valor Adicionado nesta comparação refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: Agropecuária (-1,7%), Indústria (1,6%) e Serviços (4,2%).

Consequentemente, o PIB per capita avançou (em termos reais) 2,2% em relação a 2021, alcançando R$ 46.154,6 (em valores correntes) em 2022.

A queda do Valor Adicionado da Agropecuária no ano de 2022 (-1,7%) decorreu do decréscimo de produção e perda de produtividade da atividade Agricultura, que suplantou as contribuições positivas das atividades de Pecuária e Pesca.

Na Indústria, o destaque positivo foi o desempenho da Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (10,1%), que teve bandeiras tarifárias mais favoráveis ao longo de 2022. A Construção (6,9%) também registrou crescimento.

As Indústrias de Transformação (-0,3%) tiveram desempenho negativo, causado principalmente pela queda da metalurgia de metais ferrosos; produtos de metal; produtos químicos; produtos de madeira e de borracha e plástico. As Indústrias Extrativas caíram 1,7% devido à queda na extração de minério de ferro.

Todas as atividades dos Serviços tiveram crescimento: Outras atividades de serviços (11,1%), Transporte, armazenagem e correio (8,4%), Informação e comunicação (5,4%), Atividades imobiliárias (2,5%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade sociais (1,5%), Comércio (0,8%) e Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,4%).

Na análise da despesa, houve alta de 0,9% da Formação Bruta de Capital Fixo, segundo ano consecutivo de crescimento. A Despesa de Consumo das Famílias avançou 4,3% em relação ao ano anterior. A Despesa do Consumo do Governo, por sua vez, cresceu 1,5%.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 5,5%, enquanto as Importações de Bens e Serviços subiram 0,8%.

PIB atinge R$ 9,9 trilhões em 2022

No acumulado do ano, o PIB em valores correntes totalizou R$ 9,9 trilhões, sendo R$ 8,6 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 1,3 trilhão aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

A taxa de investimento no ano de 2022 foi de 18,8% do PIB, enquanto o observado no ano anterior foi de 18,9%. A taxa de poupança foi de 15,9% em 2022 (ante 17,4% em 2021).

PIB varia -0,2% em relação ao 3º tri de 2022

O PIB variou -0,2% no 4º trimestre de 2022 na comparação com o trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal). A Indústria retraiu 0,3%, enquanto a Agropecuária e os Serviços apresentaram variação positiva de 0,3% e 0,2%, respectivamente.

Dentre as atividades industriais, houve queda nas Indústrias de Transformação (-1,4%), na Construção (-0,7%) e na atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%). O único resultado positivo foi nas Indústrias Extrativas (2,5%).

Nos Serviços, as atividades de Informação e comunicação (1,8%), Outras atividades de serviços (0,9%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,9%), Atividades imobiliárias (0,7%) e Transporte, armazenagem e correio (0,2%) tiveram desempenho positivo. Em contrapartida, houve queda no Comércio (-0,9%) e em Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,5%).

Pela ótica da despesa, houve variação positiva da Despesa de Consumo das Famílias (0,3%) e da Despesa de Consumo do Governo (0,3%), ao passo que houve queda da Formação Bruta de Capital Fixo (-1,1%).

As Exportações de Bens e Serviços cresceram 3,5%, enquanto as Importações de Bens e Serviços caíram 1,9% em relação ao terceiro trimestre de 2022.

Em relação ao 4º tri de 2021, PIB cresce 1,9%

Frente ao 4º trimestre de 2021, o PIB avançou 1,9%, o oitavo resultado positivo consecutivo nesta base de comparação. O Valor Adicionado a preços básicos e os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios cresceram 1,8% e 2,4%, respectivamente.

A Agropecuária recuou 2,9% ante igual período de 2021, com destaque para produtos como mandioca (-1,6%), fumo (-7,1%) e batata inglesa (-2,4%), cujas safras são significativas no 4° trimestre e que apresentaram queda na estimativa de produção anual e perda de produtividade. Por outro lado, as culturas de cana de açúcar, laranja e trigo apresentaram crescimento na produção anual, estimadas em 2,7%, 4,4% e 28,5%, respectivamente.

A Indústria avançou 2,6% no trimestre com alta em todas as suas atividades. O principal destaque foi o crescimento em volume da atividade Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (10,8%). Tal resultado explica-se pelas bandeiras tarifárias mais favoráveis neste trimestre, contrastando com a escassez hídrica no mesmo período de 2021.

A Construção cresceu 3,2% no trimestre. Indústrias Extrativas cresceram 1,4%, puxadas pela alta na extração de petróleo e gás, compensando a queda ocorrida no minério de ferro. Da mesma forma, as Indústrias de Transformação também tiveram resultado positivo (1,0%) pela influência do aumento da fabricação de produtos alimentícios, veículos automotores, outros equipamentos de transporte, produtos farmoquímicos e farmacêuticos.

Os Serviços cresceram 3,3% frente ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado pelos resultados positivos de Outras atividades de serviços (8,3%), Transporte, armazenagem e correio (5,3%), Informação e comunicação (4,9%), Atividades Imobiliárias (3,2%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,4%) e Comércio (2,1%). Já a atividade Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,3%) apresentou variação negativa.

Entre os componentes da demanda interna, a Despesa de Consumo das Famílias (4,3%), a Despesa de Consumo do Governo (0,5%) e a Formação Bruta de Capital Fixo (3,5%) tiveram alta em relação a igual período do ano anterior.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 11,7% assim como as Importações de Bens e Serviços avançaram 4,6% no quarto trimestre de 2022.

 

Fonte: IBGE

Capitão manda mais que general e coronel mais do que ministro: O poder no “Pálido Ponto Azul”

A Terra é um cenário muito pequeno em uma vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores para que, em glória e triunfo, eles pudessem se tornar os donos momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas infindáveis ​​crueldades cometidas pelos habitantes de um canto deste pixel sobre os habitantes praticamente indistinguíveis de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ansiosos eles estão para matar uns aos outros, quão fervorosos seus ódios

Carl Sagan*

 

Pra deixar de entretanto e partir pros finalmente, não vamos começar o discurso dizendo: “Povo de Sucupira”… Embora ultimamente não sejam raros casos em que capitão manda mais que general e coronel manda mais do que ministro e mais do que (na falta de balaiada) uma jacalhada de coisas.

Com mais de dois meses de governo e um suspense infundado, para uma divulgação infantilizada de nomes, praticamente, de conhecimento público, o governo, enfim, começa a “definir” sua equipe. Uma releitura do coronelato de tresontontes…

Uma parentalha em postos mais que estratégicos, escudeiros em outras os pinga-pus da currutela se matando pra roer os ossos que sobram. Entre tudo isso uma guerra fria pra tentar segurar postos “negociados” no passado recente.

O PT, por exemplo, vem numa “briga” para conquistar espaços no governo. Mas o que se viu essa semana foi uma noticia de Lula (PT) ligou pro governador Brandão (PSB) pra pedir espaço no governo para Adriano Sarney (PV). E pro PT, não pede nada? Isso lembra uma vezes que Lula passou por cima do PT maranhense, dizendo que as lutas internas eram problemas do PT local…

Segundo o presidente Francimar Melo, o PT pleiteava três secretárias (Agricultura, Direitos Humanos e Trabalho) e, mais, Educação, que seria um espaço já conquistado pelo senador Flávio Dino (PSB).

Mas essa conversa com Melo foi na manhã da sexta (24). Na tarde do mesmo dia saiu o resultado das discussões e o PT ficou com Educação, Direitos Humanos, Trabalho e IEMA.

Perguntei para o presidente do PT: Perderam agricultura? “A SEDUC + IEMA é  grande. Então não perdemos”, considera Melo. Nem lembrei a ele, que segundo avaliação do partido, confirmada por ela, a SEDUC (Educação) não estava na cota do partido…

Mais espaço para o PT

Um nome de peso, que vem ganhando leveza (desculpa Kundera) é o deputado Othelino Neto (PC do B). O ex-todo-poderoso da Assembleia Legislativa vem traçando um caminho enviesado, desde que… Bom, essa é uma longa história para os Historiadores

Othelino Neto é o marido de Ana Paula Lobato, suplente de senadora, que assumiu o mandato no senado quando Flávio Dino se tornou Ministro da Justiça. Com a mulher e provavelmente a família tendo que ir para Brasília, o deputado comunista tem passado por um dilema, se fica no Maranhão como um dos 42 deputados ou vai para a Capital Federal. Já lhe foi oferecido o cargo de representação do estado junto aos poderes nacionais, mas ele vem negando interesse. Dizem que a oferta nem existe mais…

Fora isso, com a saída de Othelino, assumiria o mandato o primeiro suplente Zé Inácio (PT), que não se reelegeu na última eleição. Depois da conquista das secretarias e cargos no estado (que ainda não foram anunciados oficialmente), segundo Francimar Melo “Vamos construir a busca do mandato do Inácio; é importante”.

Francimar Melo diz que tem conversado com Othelino e que ele “pode fazer um gesto”. Aliás, Othelino anda bem quieto; nem tem aparecido na sessões presenciais da ALEMA. Mas sobre a saída dele para a entrada de Inácio, Francimar diz que “Tem sinais”.

 

* Trecho de texto do astrônomo norte-americano Carl Sagan, sobre uma das primeiras fotos do planeta Terra tomada a partir do Espaço Sideral (a sonda Voyager 1, que estava a 6 bilhões de km da Terra). A foto da legenda é da sonda Cassini, divulgada em 2017)

Policiamento Ostensivo-Repressivo disfarçado de Comunitário: a experiência maranhense

*Paulo Henrique M. de Jesus

A Constituição de 1988 manteve um perfil de policiamento essencialmente autoritário e fundamentado na repressão ao “inimigo interno”. Também ampliou o debate sobre os direitos humanos e o crime passou a ser visto em uma perspectiva de cunho social. Assim, houve a elaboração de filosofias, programas e práticas de policiamento mais próximas da sociedade com destaque para o policiamento comunitário ou de proximidade, inspirado tanto em experiências estrangeiras bem-sucedidas quanto na premissa constitucional que, em seu artigo 144, coloca a segurança pública como responsabilidade de todos.

Para a filosofia de polícia comunitária, a segurança pública passou a ser vista como uma meta a ser atingida a partir de iniciativas cooperativas, associativas, interativas e harmônicas de toda a coletividade. A sociedade avaliará a eficiência e os resultados práticos das iniciativas policiais, estabelecendo uma cooperação entre polícia e sociedade com o intuito de pensarem e aplicarem políticas públicas de segurança mais eficientes e focadas na melhoria da percepção de segurança por parte da comunidade e na redução dos índices de criminalidade e violência focando nas especificidades da localidade onde tal filosofia é aplicada.

O êxito da prática de policiamento comunitário requer boa vontade por parte do poder público, mas também da sociedade, tampouco depende exclusivamente da mudança da legislação como se, por um toque de mágica, tal mudança fosse suficiente para levar o policial a mudar sua atitude de distanciamento e buscasse se aproximar da comunidade à qual, em tese, ele serve. Ele perpassa pela reestruturação tanto da maneira de se tratar a criminalidade quanto da própria forma de atuação da Polícia Militar, uma vez que o policiamento ostensivo e repressivo por si só não é suficiente para a redução das taxas de criminalidade e promoção do aumento da sensação de segurança da comunidade. É necessária a mudança radical na postura e na forma como a Polícia Militar compreende a si mesma, seu trabalho e sua atuação dentro de um Estado Democrático de Direito como garantidora dos direitos individuais dos cidadãos e coletivos da sociedade.

O sucesso da implantação do policiamento comunitário depende do constante comprometimento por parte daqueles que detêm o comando das forças policiais em relação a busca e preservação de um aparato que vise sempre ao desenvolvimento de práticas preventivas às ações criminosas; elaboração permanente de políticas de incentivo e valorização dos profissionais de segurança pública; suporte incessante por parte das autoridades, meios de difusão de informação; participação efetiva da comunidade. Os obstáculos responsáveis pelo fracasso do policiamento comunitário são: restrição e má distribuição de investimentos em políticas públicas de segurança; manutenção do uso de práticas violentas por parte da Polícia Militar no combate à criminalidade e preservação da ordem e segurança pública; as constantes pressões da sociedade por resoluções imediatas e violentas por parte do Estado no tocante à redução da criminalidade e preservação da ordem pública; as práticas corporativistas dos agentes de segurança pública que temem uma maior responsabilização dos seus atos e de sua eficiência perante a sociedade; a bipartição policial que estabelece fronteiras nem sempre muito claras entre policiamento preventivo, ostensivo e investigativo; existência de critérios pouco claros de avaliação do rendimento e da eficiência policial. Outro problema a ser destacado é o risco desta prática tornar-se mais um tipo de policiamento especializado entre tantos outros, desconectado das demais formas de policiamento e possivelmente até considerado de menor importância tanto por parte das instituições quanto dos próprios policiais, acarretando a aplicação menor de investimentos, tecnologia e pessoal capacitado para o desempenho da função.

No Maranhão, mais especificamente na capital São Luís, a filosofia de policiamento comunitário demorou a ser percebida como uma possibilidade de gerenciamento da segurança pública. Até o início dos anos 2000 as iniciativas governamentais, especialmente em relação às comunidades periféricas, reproduziam as velhas práticas de policiamento ostensivo essencialmente violento e excludente que, via de regra, insistiam na criminalização dessas áreas e seus moradores. Por outro lado, em diversos bairros da capital, algumas iniciativas praticadas já refletiam o desejo da própria comunidade de discutir sobre questões relacionadas à segurança pública e outras demandas como: saúde, educação, saneamento básico, transporte público, etc. Estas são anteriores a qualquer filosofia mais institucionalizada de policiamento comunitário, mas guardam relação com essa filosofia porque muitos conselhos surgiram como parte da luta destas iniciativas precursoras. Foi com o propósito de debater e reivindicar junto às autoridades governamentais soluções para os problemas anteriormente citados que houve a criação em 2005 do Conselho Comunitário de Defesa Social do Polo Coroadinho (CONCDESPC) cuja atuação serve de exemplo para a aplicação de uma tentativa embrionária de policiamento comunitário em São Luís.

Tal experiência reflete o esforço tímido e incipiente da comunidade e do governo estadual em desenvolver estratégias baseadas na filosofia de policiamento comunitário. Assim, o 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) adotou medidas visando aumentar a aproximação entre a Polícia Militar e a comunidade do Polo Coroadinho e intensificar o policiamento preventivo e repressivo. Entretanto, essa experiência comunitária de policiamento se confronta com outras experiências nem tão comunitárias desenvolvidas na mesma época no Polo Coroadinho, em outras áreas da Grande São Luís, especialmente periféricas, e dos demais municípios maranhenses, como foi o caso da “Lei Seca”, que determinava o fechamento de estabelecimentos que vendiam bebidas alcoólicas às 23h dos estabelecimentos localizados em áreas residenciais e às 2:30h daqueles localizados em áreas não residenciais, se caracterizando muito mais como uma espécie de toque de recolher. Nota-se uma prática ainda hesitante por parte do Estado que ao mesmo tempo busca uma aproximação com a comunidade, mas exerce rigoroso e violento controle sobre essa mesma comunidade por considerá-la antro de criminosos em potencial.

A partir de 2008 ou 2009 houve a criação dos Conselhos de Segurança Cidadã. Sua estrutura era atrelada ao Estado e com participação da comunidade nas iniciativas de projetos sociais nas áreas de saúde, educação, lazer, infraestrutura e segurança pública. Visto que o governo Jackson Lago teve curta duração, os Conselhos de Segurança Cidadã não tiveram tempo hábil de mostrar a que vieram, pois foram desativados pela governadora Roseana Sarney, através do secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes, sucedido por Marcos Affonso Júnior, que optaram por outra prática de policiamento implantada a partir de 2013, baseado nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro, chamado Unidade de Segurança Cidadã (USC). Na prática apenas refletiam a reprodução de uma política de governo baseada em práticas de policiamento preventivo, ostensivo e repressivo que já havia sido adotado na Grande São Luís entre os anos de 2005 e 2007, experimentados na implantação de batalhões de Polícia Militar e na intensificação do controle ostensivo sobre as comunidades periféricas de São Luís com altos índices de violência. Por outro lado, buscava na prática dos Conselhos de Segurança Cidadã o desenvolvimento de ações comunitárias de educação e geração de emprego e renda, mas que demonstravam resultados tímidos. Em 2015, o Governador Flávio Dino criou o “Pacto pela Paz” através da Lei Nº 10.387, de 21 de dezembro de 2015, que em seu Art. 3º determinava a criação dos Conselhos Comunitários pela Paz (CPP) que não representou necessariamente uma ruptura com a prática anterior das Unidades de Segurança Cidadã (USC), mas houve a diminuição da atenção especial que era dada pelo governo anterior a elas.
Apesar das tentativas, mais dissimuladas que sérias, a maneira como essa filosofia de aproximação entre polícia e comunidade ocorre é alvo de críticas por parte de diversos especialistas, sobretudo em relação à participação da comunidade nas questões pertinentes à segurança pública. A comunidade se limita a fornecer informações básicas ou cobrar por parte da polícia mais ostensividade no combate à criminalidade local, reforçando as práticas tradicionais de policiamento truculento e violento. Remontando-se ao fato de a Constituição de 1988 não ter alterado a estrutura fundamental das polícias e da própria maneira de se pensar e efetivar políticas de segurança pública no Brasil.

Cheguei a participar de algumas reuniões e estas são invariavelmente conduzidas pela Polícia Militar, que fica encarregada de definir seu progresso e até mesmo a própria pauta, uma vez que as demandas policiais da comunidade são toleradas desde que se refiram ao aumento da criminalidade. Entretanto, quando ocorre alguma queixa referente à violência ou ineficiência do trabalho policial, ela é imediatamente repelida pelo policial militar responsável pela condução da reunião e o que deveria ser uma excelente oportunidade de aproximação entre polícia e comunidade acaba se tornando uma grande troca de farpas e acusações.

Portanto, a filosofia de policiamento comunitário ainda é no Brasil, especialmente no Maranhão, uma experiência embrionária e em fase lenta de construção tendo como um dos principais obstáculos para a sua efetivação a manutenção ainda de comportamentos policiais herdados da ditadura civil-militar.

*Doutorando e mestre em História; pesquisador em História Social do Crime, Polícia, Aparatos de Policiamento e Segurança Pública

Depois do maior carnaval da história vem aí o maior São João do planeta

Vamos voltar 10 anos no tempo e relembrar o carnaval organizado pelo governo Roseana Sarney. Naquele ano eram vários circuitos espalhados pelo centro da cidade e com shows grandiosos na Praça Deodoro com Jorge Benjor, Timbalada, Diogo Nogueira e Alcione, além é claro das atrações maranhenses que se apresentavam no mesmo palco. Em São Luís todo o carnaval era concentrado no centro da cidade e nada foi feito na avenida litorânea, pois já havia um desgaste no formato copiado da folia baiana nos “carnavais fora de época” que acontecia todo ano na orla.

No interior a folia também era grande, com carnavais fortes em todas as regiões do Estado onde cidades ficavam lotadas de brincantes que aproveitavam o feriado prolongado para curtirem em suas cidades um carnaval mais livre e perto dos seus familiares. Quem não se lembra dos carnavais de Cururupu, Pinheiro e até em Imperatriz com a beira rio lotada de foliões? Bons tempos do carnaval no interior, diversão mais a vontade, perto de casa, sem transtornos de transito e roubo de celulares por exemplo.

E só para registrar, na época já diziam que aquele era o maior carnaval de todos os tempos organizado pelo governo do Estado. Até me lembrei daquela música dos titãs, que inclusive daria uma boa marchinha de carnaval.

“A melhor banda de todos os tempos da última semana, o melhor disco brasileiro de música americana, o melhor disco dos últimos anos de sucesso do passado, o maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos”

“Não importa a contradição, o que importa é televisão, dizem que não há nada a que você não se acostume. Cala a boca e aumente o volume então…”

Antes de chegarmos à folia de 2023 vale lembrar que Caetano Veloso em 1969 já cantava que “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Música Icônica que representa a essência do carnaval baiano, o trio elétrico. Sua criação remete a década de 50 por Dodô e Osmar a novidade foi ganhando forma através dos anos até se tornar o maior símbolo da folia baiana, repito, o maior símbolo da folia baiana.

No passado nos orgulhávamos de ser a Atenas brasileira, talvez o último título original que nossa cultura tenha recebido. Depois disso nos contentamos em ser a cópia da Jamaica ao tentar tornar o reggae um ritmo maranhense e mais recentemente nos orgulhamos de ter o maior carnaval fora de época fora da Bahia, sem falar onda de forró cearense que invadiu o interior do Estado. Nada contra os ritmos citados, mas é apenas para citar que estamos ficando sem referências culturais e nos limitando a copiar formulas de sucessos já existentes.

Sobre o carnaval desse ano, não como negar que foi um sucesso de público e uma festa merecida para a população se divertir. Porem temos que observar dois fatores importantes, o primeiro foi à ausência do carnaval de rua nos últimos dois anos que deixou uma demanda reprimida e teve ainda o enfraquecimento do carnaval no interior pelo arroxo estrábico do Ministério Público que desencorajou prefeitos a fazerem suas festas. Restou ao povo descer para São Luís e quem já estava acostumado a brincar o carnaval curtindo safadão no interior, não notou a diferença dessa “retro baianização” do carnaval maranhense, onde trocar socos e empurrões virou sinônimo de humildade. Enfim, viva o carnaval da Bahia e vamos aguardar as novidades do maior São João do planeta, quem sabe não se “cria” por aqui um “boidromo” com caprichosos e garantidos pelo poder público desfilando tipo pop star pelas avenidas de São Luís.

 

Precisamos ser indígenas¹ sem nos fantasiar

O antônimo de “indígena” é “alienígena”, ao passo que o antônimo de índio, no Brasil, é “branco”… Essas palavras indígenas têm vários significados descritivos, mas um dos mais comuns é “inimigo”, como no caso do yanomami ‘napë’, do kayapó ‘kuben’ ou do araweté ‘awin’. Ainda que os conceitos índios sobre a inimizade, ou condição de inimigo, sejam bastante diferentes dos nossos…

Eduardo Viveiros de Castro

 

O carnaval é como esses mostrossauros de trocentos metros de comprimentos e multitoneladas de peso, misturados com os mitos de Sísifo e da Fênix. Ou seja, é essa coisa formidável (nos dois sentidos), que nasce e morre o tempo todo, sem deixar de carregar sua pedra morro acima, a mesma pedra que rola novamente.

Sim, acabou o carnaval, morre Baco, vem a quarta-feira de cinzas e a quaresma (há os que fazem o sacrifício de não comer carne vermelha durante a quarentena – !!!!!). Como poetou Vinícius: “Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções, ninguém passa mais cantando feliz…”. Mas a “sexta-feira gorda” é só o começo!

Quinta-feira que vem, teremos as estatísticas: mortes, feridos, acidentes, estupros, feminicídios, prisões, número de celulares roubados, documentos perdidos… tantas coisas perdidas no meio dessa catarse coletiva, que é o carnaval.

As escolas de samba (escolas?!) estão zangadas por que o prefeito deu só um dinheirinho (e em cima da hora) pra elas brincarem o carnaval. Mas não faltam trios elétricos, shows, atrações nacionais, tudo “de grátis” para aplacar a fúria (fúria?) do cidadão, quer dizer, brincante; quer dizer, cidadão; quer dizer…

Esta semana passou uma entrevista na TV Senado com Ailton Krenak, onde ele citou o Eduardo Viveiros de Castro. Vou deixa assim, soltos, estes dois nomes… Impossível não lembrar uma conversa de redação onde jornalista de quase 40 anos de idade não sabia quem era Marilena Chauí. Bom, melhor não deixar os nomes soltos. O escritor indígena (traduzido para dezenas de línguas) Ailton Krenak é um indígena brasileiro, escritor, filósofo, ambientalista. Krenak não acredita em “sustentabilidade”, essa palavra que não sai da boca da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Para entender melhor o Krenak é só recorrer ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, em minha opinião, uma das maiores e melhores manifestações do libertário que temos no agora (verdadeiros “Lances de Agora” pra citar outro Viveiros).

Com esses dois aprendemos o quanto é bom, e o quanto é necessário ser indígena, mesmo sem ser índio. Como, por exemplo, o agricultou Vicente de Paula, Morador do povoado Carrancas, em Buriti – MA, cuja terra vem sendo engolida pela soja. Ninguém faz o Vicente deixar de ser indígena, porque ninguém arranca seu devir, seu coração.

Mas o Vicente não é uma estatística do carnaval. Na verdade, não é uma estatística e se estende por todo o ano. A luta do Vicente e de milhares de pessoas iguais a ele, de comunidades tradicionais, ou seja, indígenas (no conceito de Viveiros de Castro), essa população invisibilizada pelos projetos capitas e de comunicação não vai entrar nas estatísticas de carnaval. É uma população está sendo lenta e progressivamente exterminada, e para o proveito de poucos, num projeto de poucos, para o mal de todos.

Como escreve Viveiros de Castro: “E nesse sentido, muitos povos e comunidades no Brasil, além dos índios, podem se dizer, porque se sentem, indígenas muito mais que cidadãos. Não se reconhecem no Estado, não se sentem representados por um Estado dominado por uma casta de poderosos e de seus mamulengos e jagunços aboletados no Congresso Nacional demais instâncias dos Três Poderes”.

O Brasil é uma barragem cheia de pequenos vazamentos que um belo dia apresenta uma grande rachadura. Então se começa a tapar os pequenos vazamentos…

 

Notas:

1 – “A palavra ‘indígena’ vem do «lat[im] indigĕna,ae “natural do lugar em que vive, gerado dentro da terra que lhe é própria”, derivação do latim indu arcaico (como endo) > latim] clássico in- “movimento para dentro, de dentro” + -gena derivação do rad[ical do verbo latino gigno, is, genŭi, genĭtum, gignĕre “gerar”; Significa “relativo a ou população autóctone de um país ou que neste se estabeleceu anteriormente a um processo colonizador” …; por extensão de sentido (uso informal), [significa] “que ou o que é originário do país, região ou localidade em que se encontra; nativo”. (Dicionário Eletrônico Houaiss).

Nem Jornal, Nicolau e nem Mical seguram o carnaval

Está em curso no Maranhão, um grande plano de unidade institucional. A classe politica, o judiciário, o ministério público e é claro, a imprensa, que não poderia ficar de fora desse grande “blocão”. Porém, mais uma vez faltou a fantasia para o povo entrar no camarote.

Num passado recente, o Brasil ficou escandalizado com a frase do ex-ministro do meio ambiente Ricardo Sales dita numa reunião ministerial “que era preciso aproveitar que a imprensa estava voltada para a Covid passar a boiada para as reformas infralegais.” A indignação foi geral, a imprensa então foi pra cima do ex-ministro com gosto de gás. A classe politica que estava na oposição na época fez festa, foi um festival de cards no instagram condenando a fala. Merecidos por sinal.

Vários atos infralegais foram cometidos por Ricardo Sales, como a liberação do garimpo em terras indígenas que só vieram a tona porque no âmbito federal é praticamente impossível ter uma unidade total,  a não ser em ditaduras é claro.

Trazendo a discussão para o Maranhão temos alguns atos que podem facilmente ser considerado infralegais e que pelo visto não chocam nem a classe politica e muito menos boa parte da imprensa, que além de mascarar, acaba contribuindo para normalizar tais atos.

Um desses exemplos é o caso claro de nepotismo no governo do Estado onde o sobrinho do governador Daniel Brandão foi nomeado para o cargo de secretário de monitoramento de ações governamentais. A súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal aprovada por unanimidade veda a contratação de parentes até terceiro grau em cargos de confiança que está proibida nos três poderes, nas esferas federal, estadual e municipal. Apesar de ser uma decisão máxima do STF do implacável Alexandre de Moraes, por aqui fizeram de conta que não sabiam e ignoraram, nem a classe politica, nem o ministério público e muito menos a “imprensa”, salvo alguns poucos jornalistas é claro.

Essa semana outro ato que também pode ser considerado “infralegal foi normalizado, a indicação do mesmo Daniel Brandão para ingressar no Tribunal de Contas do Estado, basicamente, o sobrinho vai fiscalizar o governo do Tio, melhor impossível. Como prêmio, um salário vitalício aos 37 anos de idade. Nada mal, não é verdade?

Procurei manchetes condenando essa indicação em veículos de imprensa que foram pra cima Ricardo Sales na época, mas não encontrei praticamente nada, salvo poucas exceções é claro. O que encontrei foi a normalização alegando que a indicação não teve influência do executivo e sim uma decisão com autonomia da assembleia, essa mesma assembleia que cassou o titulo de cidadão maranhense de Anderson Torres (que apoiou os atos de vandalismo em BSB), fechou os olhos para as imagens do sobrinho do governador na cena de um crime a luz do dia. Aliás, sobre esse caso, ninguém fala mais nada, assunto encerrado. Tudo em prol da unidade.

Essa unidade é tão junta que até a liberação, um dia antes da indicação do de Daniel Brandão para o TCE, de 300 mil Reais para cada deputado fazer carnaval em suas bases foi normalizada. Na badalada coletiva do governador não se ouviu um questionamento sequer sobre os municípios que não apoiaram os 42 deputados como teriam apoio verbas para fazer o carnaval? Será que elegemos parlamentares ou donos de “blocos” carnavalescos? Não sabemos por que a implacável imprensa maranhense não prestou atenção nesses detalhes, quer dizer acho que até sabemos a motivação, mas não é de bom tom opinar sobre as responsabilidades jornalísticas individuais. Nosso questionamento é sobre a imprensa em geral, da qual fazermos parte, por isso fazemos questão de deixar registradas aqui essas perguntas.

Essa unidade parece ser mesmo poderosa e tem acomodado todo mundo. Até o também implacável MP, que tem cancelado carnavais em cidades pelo maranhão alegando desperdício de dinheiro público, parece não ter feito a conta que o Estado vai gastar quase 13 milhões para os deputados gastarem da forma como querem nesse carnaval; desse jeito até a deputada Mical caiu na tentação da folia carnavalesca.

Enfim, como o período é de alegria, os blocos estão passando pela avenida, uns mais pobres, outros muito ricos, mas essa é uma festa de união que o povo fica fora dos camarotes. Ei, corre que chegou a hora do Grêmio Recreativo Unidos Pelo Maranhão desfilar; o enredo deste ano é  “nem Jornal, Nicolau e nem Mical seguram o carnaval”. Tragam a maisena, já tem água para lavar o rosto jorrando na passarela.

 

“Alguma coisa está fora da ordem mundial”

Tribunal de bar – Paralamas do Sucesso

Foi julgado, condenado, executado
Sem direito a apelação
Foi dissecado, comentado e açoitado
Pelas línguas no Leblon
Descontrolou-se porque algo estava errado
Mas ninguém deu atenção
E finalmente foi traído
E viu seu nome publicado num jornal
É o veneno que sai
É o veneno que sai
E te faz o pior entre os iguais
Nos tribunais de qualquer bar

 

O Maranhão é símbolo da miséria nacional, da fome, do crime, da desigualdade, do paternalismo, do coronelismo, de tudo que envergonha esta nação. Como bem disse o Caetano Veloso: “Eu não espero pelo dia/ Em que todos/ Os homens concordem/ Alguma coisa está fora da ordem mundial…” E não é só a questão dos Ianomamis. Em meio a algumas tentativas de moralizar gastos públicos, desde o ano passado alguns shows “produzidos”, principalmente, pelas municipalidades, a grandes custos, vêm sendo impedidos por iniciativa de um ou outro membro do Ministério Público.

Um trabalho de Sísifo. Entre tantas esquinas artificiais criadas para o rio passar, nesta semana que antecede o carnaval, o governador deu (DEU) R$ 300 000,00 (trezentos mil Reais) a cada um dos 42 deputados estaduais do Maranhão, para que estes “realizassem o carnaval em suas bases eleitorais”. Como assim?

Há alguns dias o Ministério Público pediu o bloqueio do dinheiro que seria gasto no carnaval de Imperatriz, que foi bloqueado pela primeira instância. Nesta segunda-feira (13) o Tribunal de Justiça decidiu por desbloquear o valor, que é de R$ 444.050,00. Porém, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, já disse que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça contra a decisão do TJ maranhense.

O valor é menos do que um deputado e meio vão receber para “fazer o carnaval de suas bases”.  Vai ter MP, vai ter TJ, vai ter STJ, vai ter TCE? Este último, certamente, vai ter, mas esta é outra história,

Enquanto isso, “Nada de novo há no rugir das tempestades”, as porteiras estão abertas e as boiadas estão passando e não tem volta, ainda que se roube, se corrompa, se mate e que se “transforme o pais inteiro num… “

Moto Club de repetidas tradições

Começo esse artigo citando uma das minhas referências na comunicação, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Em sua crônica semanal na revista Manchete Esportiva no dia 17 de dezembro de 1955 sob o título de “A conveniência de ser covarde” o autor de A Sombra das Chuteiras Imortais foi acompanhar uma partida entre o Olaria e o Fluminense na tradicional rua Bariri e disse o seguinte na época:

“via de regra, só o heroísmo é afirmativo, é descarado. O herói tem sempre uma desfaçatez única: — apresenta-se como se fosse a própria estátua equestre. Mas a covardia, não. A covardia acusa uma vergonha convulsiva”.

Dito isso, precisamos voltar um pouco no tempo para tentarmos entender o atual momento do Moto Club, mas precisamente ao final do ano de 2007, quando o deputado Antonio Bacelar assume a presidência do Moto. Percebam que há 15 anos o moto já repetia a formula de políticos “salvadores da pátria” para gerir um time de futebol. A imprensa na época vendia uma terra arrasada na gestão de Biné Borges, em virtude do mal campeonato e mesmo ele tem deixado no elenco nomes como Misael, Paulo César, Lenilson e Palito, não foi perdoado pela crônica esportiva.

Antonio Bacelar prometeu o que a torcida queria ouvir, mas não aguentou a pressão dos resultados na taça cidade de São Luis, ficou ausente e saiu meses depois usando a desculpa do mandato. Em seu lugar assumiu o Nelson Frota, que já era presidente do Conselho Deliberativo e segurou o clube pagando os salários, mas no final de outubro de 2008 deixa o clube depois de uma determinação sua ter sido desobedecida por um conselheiro e também pelo lamentável fato em que seu filho levou uma pedrada da torcida após um empate contra o rival que desclassificou o time no segundo turno. E observem bem, o time foi campeão do primeiro turno e acabou sagrando-se campeão naquele ano com Evandro Marques como gerente de futebol.

Mesmo sendo campeão, a imprensa continuava vendendo terra arrasada e encontrou no deputado Cleber Verde a esperança do momento para acabar com a carência de um político “salvador da pátria”. Como exemplo uma manchete da época dizia que acabou o drama rubro negro… Mas na verdade estava começando ali o nosso calvário.

O ano de 2009 foi trágico para o Moto.  Tivemos mais uma vez a ausência do presidente, Evandro Marques foi preterido por Cesar Castro no comando do futebol, o elenco totalmente modificado e contratações como Daniel Meneses, do uruguaio Larossa não surtiram efeito, nem mesmo Jack Jones e Marcinho foram capazes de evitar o rebaixamento, uma vergonha sem precedentes para a história do clube.

Ainda em 2009 houve uma tentativa desprezível de virada de mesa para o clube disputar a segunda divisão no mesmo ano que caiu, tal lambança ganhou repercussão nacional quando o Chapadinha entregou o jogo para o Viana no placar de 11 x 0, resultado que impediu o Moto de voltar a primeira divisão. Em 2010 apesar da ameaça do então presidente do conselho deliberativo Cursino Raposo de fechar as portas por falta de dinheiro, o moto conseguiu ser campeão da segundinha e voltar à elite do futebol maranhense, mas por pouco tempo.

No inicio 2012 tivemos uma junta governativa com Sarney Neto de presidente e Daniel Menezes de diretor de futebol, novamente a crise de salários atrasados, presidente ausente e conselho deliberativo omisso, praticamente uma repetição de erros do passado, o resultado foi mais uma vez o rebaixamento para série B do campeonato maranhense. Na sequencia veio a primeira presidente mulher na história do clube, Vera Baldez que tinha como Braço Direito Cleber Pereira, mas não conseguiu terminar o ano na direção do clube. Cleber Pereira abandonou o cargo de diretor de futebol e o time tecendo duras criticas ao conselho deliberativo e com o clube repleto de dívidas.

Em 2013 nenhum politico salvador da pátria quis assumir o time na segunda divisão e coube ao saudoso Roberto Fernandes à missão de colocar o Moto na primeira divisão novamente, mas passada a euforia veio a realidade da crise financeira e Roberto propõe a paralisação do clube devido ao baixo público nos estádios e a falta de patrocínios para continuar disputando o campeonato maranhense 2015.

Em 2016 Hans Nina assume e consegue ser campeão estadual e almejado acesso a serie  C, mas renunciou decepcionado com a torcida após ser derrotado nas urnas, mas pesou também a falta de receitas previstas para a temporada seguinte e as ameaças de penhoras por dividas das gestões anteriores.

Com a renúncia de Hans, em 2017 Celio Sergio assume, monta um bom time trazendo jogadores pedidos pela torcida, mas numa “interpretação equivocada” do regulamento pela FMF, o Moto fica fora das finais do campeonato. As cotas da copa do nordeste e copa do Brasil não foram suficientes para suportar a folha salarial mais alta dos últimos 10 anos, além das penhoras de dividas das gestões anteriores e no final da temporada o trágico rebaixamento para a série D. Daniel Meneses era o diretor de futebol e mais uma vez o fantasma do descenso bateu na sua porta.

Em 2018 esse que vos escreve assume o time e fica quatro anos a frente do clube e se torna o presidente que passou mais tempo no comando do clube nos últimos 20 anos. Foram quatro temporadas, sendo as últimas duas durante a pandemia que prejudicou vários times de futebol pelo Brasil, sem públicos nos estádios e falta de patrocínios com empresas sendo socorridas pelo governo federal para não quebrarem, mas mesmo assim cheguei a quatro finais consecutivas, sendo campeão em 2018, mantendo o calendário completo para time, mas a imprensa mais uma vez vendia a terra arrasada.

A história é um pouco longa para chegar até o momento atual, porem necessária para um melhor entendimento e questionamentos que precisam ser feitos.

 O primeiro deles é em qual mundo vivia o atual presidente que não conhecia o histórico do time que se meteu para gerenciar? No seu discurso estava a falácia de que tinha resolvido o problema do Socorrão e seria muito fácil encarar o Moto. Sobre o resolver o problema do velho hospital, é bom deixar claro que Yglesio, que por sinal é médico de profissão, ficou longe de resolver os problemas históricos do Djalma Marques, passou apenas sete meses na direção  sendo demitido pelo prefeito Edvaldo Holanda Junior, os legados de sua gestão foram apenas uma  vaquinha para arrecadar alimentos e outras polêmicas que não vale a pena nem citar. Agora me digam, tem possibilidade de alguém, por mais capaz que seja, resolver problemas crônicos de décadas em um hospital em sete meses? Pior que teve gente que acreditou nessa história. A imprensa esportiva então fez festa.

 Mas não podemos esquecer os conselheiros que o apoiaram, foram praticamente os mesmos de 15 anos atrás que sequer avaliaram suas bravatas e pasmem, ainda continuam acreditando na solução de um político “salvador da pátria”. Mas para alguns basta ter um mandato e mesmo nunca o deputado nunca ter ido torcer para o time no Nhozinho Santos, entregaram o destino de um clube de 84 anos de tradição para um aventureiro que com toda a sua arrogância, achou que resolveria os problemas de décadas do time passando por cima todos adotando um discurso de investimentos baixos no time para pagar em dia.

O resultado esta ai, o time dois anos sem calendário e de férias de suas atividades já em fevereiro, uma marca negativa difícil de ser superada na história do clube. Um prejuízo muito maior do que deixar dois meses de folhas salariais atrasadas. Ou seja, deixaram um calouro no futebol que jamais foi motense, que nunca jogou bola na vida, que estava por fora da realidade do futebol local tomar decisões sobre o futuro do clube sem o mínimo conhecimento de causa. Será que Yglésio errou sozinho mesmo? Com Certeza não.

Para o Moto resta juntar os cacos e resolver internamente o seu futuro. Os conselheiros mais antigos precisam reconhecer que já fizeram muito pelo clube em outros momentos, mas o modelo de governança precisa mudar. O Moto é um time que nasceu nas elites maranhenses e que sempre teve o poder concentrado em famílias tradicionais do estado, essa tradição foi quebrada algumas vezes a custo de embates internos prejudiciais as gestões que passaram pelo time. Porém não podemos responsabilizar somente alguns conselheiros ou presidentes que passaram ou que por ventura venham assumir. É necessário um amplo debate interno com torcedores e conselheiros para definir qual rumo seguir, é preciso inclusive repensar algumas formas de torcer onde copiar e normalizar ofensas e xingamentos em redes sociais como acontece nos grandes do futebol brasileiro não vai trazer uma solução, pelo contrário, nossa realidade é diferente, é preciso entender isso, além do mais, a história mostra que essas práticas já afastaram nomes como Nelson Frota e o próprio Hans, bons presidentes que contribuíram notadamente para o clube.

Esperamos que o prejuízo enorme a marca do clube causada pela gestão de Yglesio, repito, bem maior que duas folhas atrasadas, sirva de lição para mostrar que não existe “salvadores da pátria”, é necessário arregaçar as mangas e trabalhar pelo time de mãos dadas. Não da para ter a postura de atirar pedras e esconder a mão, não é admissível um poder concentrado na mão de conselheiros antigos para decidir quem é o presidente e depois do caldo derramado tirar o corpo fora, e ainda continuar insistindo no erro colocando políticos que caem de paraquedas buscando uma base eleitoral para se elegerem.

Precisamos virar essa página, como também é necessário entender que setores da imprensa não são amigos do clube, imprensa sobrevive de polêmicas e quer extrair o máximo que pode da rotina do time em busca de audiência, afinal todos sabem que noticias ruins vendem mais do que noticias boas. Sem falar a maioria dos nossos jornalistas esportivos já passaram de alguma forma pelo futebol futebol profissional como jogadores, dirigentes, assessores e nunca resolveram nada, mas mesmo assim falam como se fossem sumidades. Para piorar são influenciados pelo modelo de futebol dos grandes clubes e a comparação desleal com outras realidades induzem o torcedor a exigir muito mais de um futebol local, que por sinal esta bem longe dos grandes centros transformando os clubes como o Moto em uma grande panela de pressão tornando inviável a harmonia necessária entre clube e torcida.

Lembram-se da frase de Nelson Rodrigues no inicio do texto, pois bem, no começo todos chegam arvorados de coragem, mas na hora do “pega para capar” dentro de campo,  afinam e saem de cena, os que escolheram se encolhem e cabem aos que ficam segurar o veneno, futebol não é para qualquer um, muito menos para quem nunca jogou bola na vida.

Futebol, política e carnaval: a realidade que não queremos ver

Assistimos diariamente uma enxurrada de “noticias” sobre as coisas que acontecem e não acontecem no Maranhão.

Somos bombardeados diariamente por manchetes que destoam das imagens e fotografias, além de narrativas incoerentes que num passe de mágica querem transformar vantagens politicas pessoais em benefícios para a população, entre tantos exemplos.

Pegando um pouco da referência à mágica, lembram-se do grande Houdini? Começou a carreira fazendo pequenos truques, mas passou a ser confrontado com a realidade e teve que direcionar seu talento de ilusionista para o escapismo, se tonando um dos melhores do mundo até hoje em dia. Muitos não sabem, mas Houdini também ficou conhecido como flagelo dos falsos espiritas ao expor mágicos fraudulentos em sua época. Qualquer semelhança com o Mister M não é mera coincidência, lembram da voz do Cid Moreira anunciando o inimigo número 1 dos mágicos? Pois é, chega uma hora em que o milagre precisa ser revelado e exposto que não existe mágica, o máximo que pode acontecer são truques bem feitos que mascarem a verdade.

Mas será que o público não gosta mesmo de ser enganado? Para muitos é melhor viver com a esperança do que encarar a realidade, mesmo que seja distópica, infelizmente.

É justamente nesses lapsos que aparecem e crescem os “salvadores da pátria”. E quem dera que fossem o utópico Sassá Mutema da novela das oito, no nosso caso é melhor fugir do romance de Lauro Cesar Muniz e recorrer a uma passagem da obra original de Gonçalves Dias, I Juca Pirama.“ São rudes, severos, sedentos de glória, já prélios incitam e já cantam vitória”.

Como a vida sempre imitou a arte ou vice versa, estamos produzindo uma série de três artigos essa semana que antecede o carnaval onde vamos dar o nosso ponto de vista sobre a crise que assola o Moto Club, o Momento de unidade política do Maranhão e claro o nosso carnaval sem matéria prima, tipo importação.

Republicanos cresce no Maranhão e convida prefeito de São Luís para entrar no partido

As mudanças partidárias da política brasileira são apenas uma desconstrução das aparências. Vê-se uma mudança de caras, de figuras, preservam-se as atitudes, as posturas, os paradigmas, esses num viés sempre vesgo para os caminhos do desenvolvimento nacional, mas com os olhos arregalados para orçamentos secretos e etc.

Ano passado vimos os deputados Bira do Pindaré e Zé Carlos perderem os mandatos e Pastor Gil e Josivaldo JP Manterem. Perde o Maranhão, perde o legislativo. Outros se mantiveram e outros se perderam, uma maioria que não fede nem cheira.

Num desses cenários, terminando a semana, vimos no evento do Partido Republicanos, que muda de gente, mas não muda de cara, a confirmação do deputado Aluízio Mendes no comando do partido no Maranhão. O antigo “dono”, Cleber Verde, sequer foi escalado para compor a direção partidária. Gil Cutrin, que sequer se reelegeu, ficou na vice-presidência.

No evento que compôs a direção partidária maranhense, com a presença do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, ocorrido na sexta-feira (10), não faltou elogio para Mendes. Entre os presentes estavam a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que anda balançando no seu partido PSD, com a entrada da senadora Eliziane Gama, que, dizem, passará a comandar o partido de Kassab, no estado.

Não seja por isso, que em alto e bom som, Marcos Pereira convidou Braide para engrossar as fileiras do Republicanos, e fazer parte do partido de Eduardo Bolsonaro, onde até outro dia estavam, o governador Carlos Brandão (PSB) e o deputado Duarte Jr (PSB).

É fato que Aluízio Mendes alavancou o Republicanos, desde que assumiu a direção estadual. Atualmente o partido conta com dois deputados federais, uma deputada estadual, 43 prefeitos e 211 vereadores, isso se o deputado Cleber Verde permanecer, o que, ao que parece, não é prioridade nenhuma do partido.

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