Os Analistas Backup

Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

UFMA realiza Aula Inaugural das Pós-Graduações e disponibiliza em canal no YouTube

Está disponível, no canal no Youtube da Agência de Inovação, Empreendedorismo, Pesquisa, Pós-Graduação e Internacionalização da UFMA (Ageufma), a aula inaugural das pós-graduações ministrada pelo professor e doutor Márcio Carneiro dos Santos. O evento realizado no último dia 21, teve como tema “Inteligência Artificial na Educação: Desafios e Possibilidades”.

Durante a aula, o professor apresentou diversos desafios que a inteligência artificial apresenta para a educação, bem como as possibilidades que a tecnologia oferece para melhorar o ensino. A cerimônia contou com a presença de diversos professores e estudantes da UFMA, além de representantes de outras instituições de ensino superior do estado.

De acordo com o Prof. Dr. Márcio Carneiro dos Santos, a utilização da inteligência artificial na educação é uma tendência que veio para ficar e é importante que as instituições de ensino estejam preparadas para lidar com essa nova realidade. Ele destacou ainda que a tecnologia pode ser uma grande aliada dos professores, auxiliando na identificação das dificuldades dos alunos e na personalização do ensino de acordo com as necessidades de cada um.

A Inteligência Artificial Generativa (IAG), como explica o docente, busca simular a criatividade humana em vários âmbitos, como o visual, sendo capaz de gerar ilustrações por meio do programa Midjourney, ou textual, pelo GPT Chat, ferramenta capaz de realizar buscas. Porém, diferente de buscadores como o Google ou Yahoo, a ferramenta é capaz de gerar respostas sintetizadas em texto e baseadas nas preferências do usuário, que podem ser transmitidas como uma conversa em mensagens de texto.

Apesar de todas as possibilidades trazidas por essa ferramenta, o professor alertou quanto às limitações do GPT Chat, que, por vezes, pode cometer erros, uma vez que funciona em um modelo artificial que tem como base um banco de dados finito e sem conexão com a internet. Alertou também quanto à quebra do modelo de ensino aprendizado trazido pela ferramenta, uma vez que é capaz de responder a perguntas nas mais diversas áreas de conhecimento, por isso, sendo banida em diversas escolas e universidades por todo o mundo.

Como uma forma de atentar os educadores ao uso dessa inteligência na obtenção de vantagens no âmbito educacional, o professor propôs métodos para conter o uso dessa tecnologia, utilizando programas para analisar o texto e mensurar a possibilidade do uso. Todavia, como explica, talvez essas soluções não venham a valer por muito mais tempo, uma vez que essas ferramentas se atualizam de maneira muito rápida.

Em contraposição, o professor propôs o uso dessa como uma forma de enriquecer o processo de ensino, utilizando a ferramenta de uma forma interativa e natural, na construção de trabalhos que poderão ser avaliados por meio das interações feitas entre a inteligência artificial e os discentes, na extração das respostas.

 

 

CEO e Siô… Mas eles são homens honrados!

Vim enterrar César, não louvá-lo. O mal que os homens fazem sobrevive a eles. O bem quase sempre com seus ossos se enterra. Pois seja assim com César. O nobre Brutus já lhes disse que César era ambicioso. Se assim era, foi uma falta gravíssima, e gravemente César respondeu por ela. Com licença de Brutus e de todos os demais, pois Brutus é um homem honrado; assim são todos os outros, homens honrados, venho eu aqui no funeral de César. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Brutus disse que ele era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Discurso de Marco Antônio em  Julio César – Shakespeare

 

O cara se matando pra compreender esse mundo, suando sobre as obras de Nietzsche, Derrida, Bauman e Cioran; buscando um sentido para tanto absurdo, tanto equívoco. Tentando encaixar o viés desumano para onde a humanidade se conduz. E descortina-se uma vida guiada por DI’s, ex BBB’s, gerida por CEO’s… Haja IA’s!

Mas não são os filósofos (nem os artistas, viu!?) que conduzem a tirania da realidade nos tempos atuais (nem nunca foi, eu sei…); são os mercadores; todos os tipos deles. Só que hoje têm “especialistas” (esse raio infame da hipermodernidade!).

Algumas discussões, que a priori, podem parecer de cunho econômico, são na verdade de cunho acadêmico, mas não da economia, mas da filosofia (moral), da sociologia (cultura) e da comunicação (marketing – o marketing é da comunicação ou da economia?). A Comunicação é a nevralgia disso tudo – e não é só o marketing.

Os CEO’s (Chief Executive Officer ou Diretor Executivo)

As algumas discussões, por exemplo, são: Boca Rosa (digital influencer e ex BBB) no SXSW, evento internacional de Inovação que ocorre nos EUA e foi patrocinado pelo banco brasileiro Itaú; a falência das Lojas Americanas e a contratação de Gisele Bündchen pela Brahma para participar do carnaval na Sapucaí; a quebra de dois bancos americanos e o bamboleio (bamboleiôõõõo, bambileiáááá…) do segundo maior banco suíço (solução fácil essa; já foi comprado pelo maior banco suíço).

Os siôs (regionalismo do Maranhão – redução de “senhor”) :

Novamente pistoleiros encapuzados, numa versão, hipermoderna da Ku Klux Klan, invadem comunidades tradicionais no interior do Maranhão e a polícia pede “calma” aos moradores apavorados, ao invés de prender essa penca de bandidos contratados, pelo que parece, pelas velhas práticas do terrorismo no estado. E quem tem que ter calma são aqueles que tem suas casas queimadas e suas terras tomadas.

Para a estética, para a poesia, a contradição é um tipo de elemento que compõe as obras. “Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões”, escreveu Walt Whitman; “Eu sou um outro” escreveu Rimbaud, esses dois ali pelos fins do século XIX. “Contradigo-me a mim mesmo? Muito bem, então, contradigo a mim mesmo”, repetiu James Joyce; “Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta”, refez Mário de Andrade, estes, no começo do século XX.

Desde então a modernidade foi a voragem do homem moderno. O superhomem de Nietzsche, as desconstruções de Derrida, a insônia de Cioran, e a sociedade líquida de Bauman versões de um empoderamento misturado com aniquilação. “As minorias são todos, a maioria não é ninguém”, diria Deleuze.

Agora os CEO’s, poderosos inconstantes do século XXI, fecham os olhos para todas as contradições e massacres do século. São parceiros dos “homens da política pública”, esta, tão privada, quanto a privada. Aqueles por detrás dos CEO’s, ninguém sabe quem é, embora haja alguns testas de ferro para serem crucificados, quando extremamente necessário, de vez em quando,

Presente na SXSW, Olga Martinez, sócia e fundadora da consultoria Amélie veio com uma tirada e tanto, reproduzida num artigo muito legal do Guilherme Ravache para o UOL: “Big tech, big corp, big bank? big is bad (grande é ruim)”. Isso nos lembra do mantra “global” de que “agro é pop, agro é”… bost… Esse mesmo que expulsa pobres comunidades tradicionais de suas casas, queimando seus “quase nada”. Siô!…

Muro desaba na ladeira de acesso à praça D. Pedro II

Com as fortes chuvas que caíram na madrugada desta quarta-feira (22), parte do muro, que contorna a ladeira que dá acesso ao Palácio dos Leões (sede do Governo do Maranhão), Palácio La Ravardière (sede da Prefeitura de São Luís) e da Capitania dos Portos desabo. Felizmente, ninguém ficou ferido.

A Situação gerou transtornos e perigo para quem passa pelo local, que fica na Avenida Dom Pedro II, no Centro Histórico, em São Luís. Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Sinfra) foram deslocadas para o local para realizar os trabalhos de isolamento da área, organização do tráfego e começar as primeiras medidas no local. Equipes da Sinfra trabalham na retirada dos escombros para liberação do tráfego de veículos no local.

O Governador do Maranhão informou que já foi determinada imediata restauração do muro:

“As equipes do Comitê Gestor de Prevenção e Assistência às Vítimas das Chuvas já estão agindo para evitar maiores transtornos na praça Dom Pedro II, local de grande movimentação. Já acionamos todos que podem contribuir para restaurar o muro que desabou devido às chuvas intensas”, afirmou Carlos Brandão.

Convento das Mercês será palco de grandes apresentações de Choro e Samba

Grandes nomes da música popular maranhense se apresentam, no próximo dia 24, no Convento das Mercês, levando muito choro e samba para o público presente. O evento está marcado para começar às 19h e a entrada é franca.

O espetáculo faz parte de um projeto, com realização mensal, desenvolvido por meio de parceira entre a Federação da Memória Republicana, Clube do Choro e Secretaria Estadual de Cultura. A cada edição, o projeto vai homenagear artistas da música pela contribuição à Cultura Maranhense, que estiverem aniversariando no mês.

Nessa primeira edição, serão homenageados Turibio Santos, Rosa Reis, Escrete e Gabriel Melônio. Rosa Reis e Gabriel Melônio participam da apresentação que será comandada pelo Regional Tira Teima, o grupo de choro mais antigo da cidade, formado por Paulo Trabulsi, Sadi Ericeira, Zé Carlos, Serrinha da Flauta e Antônio Paiva.

Conhecido como a vanguarda do choro no Maranhão, o grupo Tira-Teima é composto por Paulo Trabulsi no cavaquinho solo, Sadi Ericeira no cavaquinho centro, Francisco Solano no Violão de 7 cordas, Zé Carlos no pandeiro e  Serra de Almeida na Flauta transversal.

Ao longo de sua existência, o Regional Tira-Teima atuou vigorosamente em um grande número de manifestações culturais e musicais, participando de vários projetos culturais.

Já o cantor Gabriel Melonio fará 75 anos no dia 18 de março e, de carreia tem mais de 51 anos dedicados ao universo musical. É interprete oficial da Escola de Samba Turma do Quinto, desde 1977, onde permanece até hoje.

Gabriel tem dois discos gravados: um vinil de 1995 e um CD gravado em 2002. Além da Turma do Quinto,Gabriel também é intérprete no Carnaval do Bloco Tradicional Príncipe de Roma, que neste ano de 2023 ganhou o 1º lugar no Carnaval 2023.

Gabriel também faz parte dos festejos juninos, cantando repertório com toadas de bumba-meu-boi,baião,xaxado,xote tambor de crioula e quadrilhas.

Rosa Reis é cantora, produtora cultural e coordenadora do Laborarte. Participando da cultura popular nos espetáculos do Cacuriá de Dona Teté, Tambor de Crioula do Laborarte e Caixeiras do Divino, já acumula mais de 30 anos de trabalhos com a música.
Ela também realiza os projetos musicais Sarau de Bailados e Circuladô de Encantos, além de ter 4 cd´s gravados, 2 vinil e participou de várias coletâneas musicais.

Novo secretário de segurança. A última ponte entre Brandão e Dino

O governo festivo de Brandão tenta a todo custo vender uma eficiência e unidade da classe politica em torno do seu nome.

Está claro que o governador vem fazendo um esforço tremendo para criar a narrativa de que é uma unanimidade entre todas as lideranças do Estado, bem diferente do governo Dino onde os campos de oposição e situação eram bem definidos.

A estratégia de Brandão é clara, ele precisa ter apoio total para ser maior do que Flávio e em pouco tempo ser a maior liderança do Maranhão com musculatura eleitoral para conseguir manter seu grupo no poder garantindo seu futuro e de sua família sem depender do ex governador que até então é o maior cabo eleitoral desse Estado.

Mas a verdade é que tais narrativas estão bem distantes de realidade e apesar do esforço midiático, a eficiência da gestão o governo ainda não disse a que veio. Funcionários terceirizados da área da saúde e educação estão com meses de salários atrasados, centenas de obras paralisadas, nepotismo claro em todas as esferas de poder, greve dos professores e sequer temos o novo nome do secretário de segurança.

A segurança é um capitulo a parte e um ponto crucial na relação Brandão e Dino.

Se Flávio Dino pudesse voltar ao ano de 2018 com certeza ele não teria mantido Brandão na chapa majoritária. O vice governador na época se recolheu e aguardou pacientemente a sua vez. Depois que sentou na cadeira Carlos Brandão passou a promover gradativamente volta do quase esquecido grupo Sarney ao poder, grupo que por sinal ele sempre fez parte, mas sorrateiramente fingiu não ser mais.

A tensão entre os dois é latente, Flavio desenhou o tabuleiro para garantir o protagonismo do seu grupo no poder, mas parece não ter percebido as reais intenções de Brandão que era a volta do campo conservador ao comando do Estado e nomes como Adriano Sarney, Sergio Macedo e Iracema Vale demonstram claramente o distanciamento entre as duas maiores lideranças do Maranhão na atualidade.

A queda de braço está formada e o nome do novo secretário de segurança pode ser o fator crucial para o azedamento de vez dessa relação. Brandão e seu irmão Marcus querem Raimundo Cutrim para o comando da segurança, mas Flávio já deu o recado e disse que não aceita um inimigo pessoal no comando da pasta que é estratégica para o ministro da justiça.

Vamos aguardar o desfecho, mas por enquanto o casamento que hoje é somente de aparências está mantido, mas pelo desenrolar dos fatos o rompimento pode ser iminente, inclusive com Brandão deixando o PSB e assumindo de vez o campo conservador do qual sempre fez parte.

 

Vacinação contra Monkeypox começa hoje em São Luís, Bacabal e Imperatriz

Começou hoje, em São Luís a Campanha de Vacinação Contra Monkeypox, doença anteriormente chamada de “‘varíola dos macacos”. O Maranhão recebeu 478 doses da vacina. Além de São Luís, também iniciam a ação de imunização os municípios de Imperatriz e Bacabal.

Em São Luís, a vacina monkeypox estará disponível no Centro de Saúde (SAE) do bairro de Fátima, no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) – Hospital Universitário Presidente Dutra. Nas cidades de Bacabal e Imperatriz, elas estão sendo disponibilizadas no SAE de cada município.

A vacinação, em duas doses, com intervalo de 28 dias, será para um público específico definido pelo Ministério da Saúde (MS) e a vacina estará disponível no Serviço de Atendimento Especializado do Bairro de Fátima e no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais, que funciona no Hospital Materno Infantil.

O público-alvo da vacinação, definido pelo Ministério da Saúde, contempla homens cisgêneros, travestis e mulheres transsexuais com HIV/AIDS a partir dos 18 anos com TCD4 inferior a 200 células, profissionais que trabalham em laboratórios em contato direto com o vírus e pessoas que tiveram contato, considerado de risco médio e risco alto com pessoas infectadas pela Mpox.

O público prioritário deverá apresentar documento com foto e cartão de vacina. no caso de profissionais de saúde, é necessário comprovar a integração aos grupos prioritários com declaração de laboratório. No caso de pessoas vivendo com HIV/AIDS, é preciso estar na lista de monitoramento clínico.

Em São Luís, O secretário municipal de Saúde, Joel Nunes, disse que o objetivo da vacinação é interromper a cadeia de transmissão. “A vacina é para situações de pré e pós-exibição ao vírus, para prevenir ou atenuar as manifestações clínicas da Mpox, por isso, não será aplicada de forma indiscriminada”, explicou.

Já a coordenadora de Imunização da Semus, Charlene Luso, informou que será necessário comprovar a elegibilidade para a vacina. “É preciso estar na lista de monitoramento clínico do HIV/AIDS e, no caso dos profissionais, eles devem apresentar declaração do laboratório. Quem teve contato com paciente de Mpox deve informar o nome do caso para confirmação e definição do tipo de exposição. Todo esse trabalho será orientado pelos técnicos da Semus que já foram treinados”, afirmou.

A Mpox é uma doença causada por um vírus, transmitida pelo contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoa infectada. A infecção provoca erupções na pele e sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares e cansaço. A doença não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, pois pode infectar qualquer pessoa. Qualquer suspeita de Mpox deve ser encaminhada ao serviço de saúde.

ORIENTAÇÕES DOS SOBRE OS GRUPOS PRIORITÁRIOS:

Para a vacinação, serão priorizadas a proteção das pessoas com maior risco de contaminação e evolução para as formas graves da doença. Se enquadram nesses critérios:

– Pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA): homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais; com idade igual ou superior a 18 anos; e com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses;

– Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em laboratórios com nível de biossegurança 3 (NB-3), de 18 a 49 anos de idade;

– Pós-exposição: pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoas suspeitas, prováveis ou confirmadas para mpox, cuja exposição seja classificada como de alto ou médio risco, conforme recomendações da Organização Mundia de Saúde (OMS).
Nesse último caso, pós-exposição, também existem regras específicas. O público apto a se vacinar precisa:

– Ter tido um contato de médio ou alto risco de exposição (Quadro1) com um caso index suspeito, provável ou confirmado para mpox;

– Ter entre 18 a 49 anos de idade;

– Comparecer ao serviço para vacinação até 4 dias após a exposição.

Comunidade Tradicional em São Benedito do Rio Preto sofre atentado

Mais um caso de violência no campo foi registrado no Maranhão. Dessa vez foi na Comunidade Tradicional Baixão dos Rocha, em São Benedito do Rio Preto. Famílias tiveram suas casas destruídas e incendiadas, na madrugada de domingo (19). Mais de 50 organizações assinam manifesto de indignação ao atentado sofrido pela comunidade

Na ocasião, jagunços de posse de armas de fogo, teriam chegado ao local em um grupo de aproximadamente 15 pessoas, em uma van e dois tratores, que acabaram atolando na lama. Segundo relato dos moradores da comunidade, as casas foram invadidas e incendiadas, idosos, crianças e familiares foram expulsos e saíram sob ameaças. A comunidade teve os pneus das motos furadas. Cachorros, galinhas e outros animais foram mortos. Os alimentos em estoque, da comunidade, foram saqueados. Idosos e crianças teriam sido mantidos de reféns, sofrendo violência física e psicológica.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB) e mais de 50 organizações assinam Nota de Indignação sobre o atentado sofrido pela comunidade Baixão dos Rochas, no município de São Benedito do Rio Preto, no estado do Maranhão (MA).

A nota exige que os órgãos de justiça do Estado apurem as investigações e atribuam resoluções das violações que as comunidades tradicionais vivenciam com frequência no estado do Maranhão e, que possam garantir a segurança dos territórios e de todas as famílias que sofrem a violência no campo.

A nota ressalta, “A conjuntura nacional de violência no campo é historicamente marcada pela grilagem de terras, desigualdade, injustiça e impunidade. Este ato terrorista não é uma ação isolada na região do Baixo Parnaíba, mas é uma prática violenta presente em todo o país e particularmente impune no Maranhão, agredindo de modo sistemático os povos originários e as comunidades tradicionais”.

As 57 famílias moram na comunidade há mais de 80 anos e vivem da agricultura familiar e do extrativismo. Os conflitos começaram em 2021, quando duas empresas ligadas ao agronegócio iniciaram o plantio de soja na região.

Mayhem no Brasil, nazismo ou um falso Estado laico?

O país está passando por uma intensa ressignificação social. Movimentos importantes e necessários para reparação de erros históricos, datados e normalizados pelo conservadorismo de gerações passadas.

Saímos de um regime ditatorial há menos de 40 anos e parece que ainda não sabemos o que fazer com a nossa liberdade. Na transição da abertura politica no inicio dos anos 80 assistimos a explosão do movimento punk no Brasil, nessa época era comum nas vestimentas terem uma suástica nazista para chocar e de quebra alguns gritos homofóbicos em shows para empolgar o público. Isso não é suposição, há registros em vídeo sobre o que estou falando e hoje bandas grandes do gênero já admitiram e pediram desculpas por esses erros do passado, ainda bem.

Já no metal a principal bandeira sempre foi a luta contra o cristianismo e a opressão em torno de ditatura da fé cristã como pré-requisito para se ter uma boa conduta social. Assim como no movimento punk, era necessário causar um choque na sociedade para chamar a atenção e mais uma vez às camisetas com cruzes invertidas e ídolos cristãos dilacerados cumpriram seu papel.

Na primeira edição do rock in rio, a vinda de gigantes do rock para o Brasil gerou muita desinformação sobre o tema e era comum ver na época manchetes dizendo que o Ozzy era o autentico príncipe das trevas, o nome AC/DC significava Antes de Cristo/Depois de Cristo, o Iron Maiden carregava a marca do anticristo e o KISS eram os “Kavaleiros” a serviço de Satanás. Nessa época o Mayhem estava começando a carreira e eram influenciados pelos brasileiros do Sarcófago, banda que teve origem quando o Wagner saiu do Sepultura.

Pelo menos no Brasil essa guerra nunca saiu do campo ideológico e nem ganhou contornos de violência real, ficou apenas nas capas de discos e camisetas, enquanto que o outro lado dominante e conservador passaram a exibir na televisão exorcismos mentirosos para atrair mais fiéis.

Sobre o Mayhem, todos os fãs de metal conhecem a sua verdadeira história e das polemicas que se envolveram no inicio da carreira. O suicídio do primeiro vocalista, o flerte com ideias de supremacia do baterista ainda nos anos 80 e quatro igrejas queimadas na Noruega. Além é claro da passagem de Varg Vikernes pela banda substituindo Necrobutcher que saiu após Dead se suicidar e Euronomyous usar a foto do suicídio como capa de um EP da banda. Mas o Varg nazista e idiota assumido ficou pouco mais de um ano na banda sendo preso em 1993 pelo assassinato de Euronymous, por achar que esse não queria pagar os direitos pelo álbum da sua banda principal, o Burzum.

Depois desse episódio a banda se reformulou e continua até hoje levando seu black metal a todos os lugares do mundo, países como Israel por exemplo, vale ressaltar que em toda a sua discografia o Mayhem não tem uma letra sequer que faz apologia ao nazismo.

Mas por que toda essa polêmica então?

Avançando no tempo até os dias polarizados de hoje, está claro que o Brasil ficou refém da classe política que essencialmente se alimenta de polemica e bastou uma postagem equivocada de um professor que usou uma foto do inicio da carreira do baterista com uma suástica no braço, uma foto de um site de vendas de camisas na internet em que os clientes personalizam as camisas e uma foto de divulgação de um vídeo clip da banda em que a letra critica a ascensão do nazismo, ou seja, para quem se diz pesquisador esse professor parece não fez o trabalho direito, muito menos lembrou que o Mayhem já tinha tocado em Porto Alegre em 2018.

Essa postagem chegou ao deputado Leonel Radde que potencializou a desinformação engrossando o caldo sem checar devidamente a história da banda. Como estamos vivendo uma era em que as pessoas leem apenas as manchetes e acham que já sabem tudo, foi o palanque perfeito para o tribunal de julgamentos nas redes sociais, onde se condena e cancela sem se aprofundar na busca pela verdade.

Apesar dos conselhos de alguns amigos para não me meter nessa polêmica, também deixo claro que não tenho procuração para defender a banda. Mas como organizei o MOA FESTIVAL em novembro do ano passado e uma das atrações foi Mayhem, alguns desses desinformados que utilizam as redes sociais para julgar sem base de conhecimento, tentaram associar o festival a práticas de apoio ao neonazismo. Pois bem, além do Mayhem tocaram no evento bandas como Garotos Podres, Dorsal Atlântica, entre outras que sempre tiveram suas bandeiras contra o fascismo e nazismo. Além disso, convivi com alguns membros da banda por alguns dias e tirando um incidente da bagagem extraviada do baixista que reclamou dizendo que esse era um problema de países de terceiro mundo, posso assegurar que banda foi altamente agradável por sua passagem por aqui. O vocalista Atila por exemplo, ficou encantado com a apresentação do Gangrena Gasosa e as religiões de matrizes africanas, inclusive queria ter ido num terreiro em São Luís para conhecer mais sobre essa cultura e depois do show ainda ficou alguns dias apreciando a cidade.

A verdade é que o heavy metal sempre se opôs ao cristianismo e nas oportunidades que o sistema tem de contra atacar ele o faz impiedosamente, ainda mais contra uma banda que ganhou notoriedade por queimar igrejas no passado, igrejas essas, diga-se de passagem, foram erguidas sobre monumentos da cultura pagã dos povos originários daquele país, mas com um detalhe, tais templos estavam vazios e não houve vitimas ao contrário da igreja/Estado que queimou milhares pessoas vivas acusadas de bruxaria sem nenhuma comprovação cientifica na época.

“É preciso observar que, em geral, o caráter de todo raciocínio metafísico e teológico é o de procurar explicar um absurdo por outro.”

Mikhail Bakunin

Tribunal de Justiça do Maranhão solicita reconhecimento nacional de Maria Firmina dos Reis

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) solicitou concessão de máxima homenagem nacional a Maria Firmina dos Reis, com a inserção de seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O pedido foi feito pelo por meio do seu presidente, desembargador Paulo Velten.

Em ofício encaminhado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do TJMA destacou a importância da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis e suas contribuições literárias e abolicionistas para os brasileiros ao longo de gerações que a sucederam.

“Maria Firmina dos Reis teve sua trajetória de vida altamente representativa do papel feminino, sobretudo das mulheres negras, mesmo tendo sido uma mulher que sentiu o peso das amarras raciais e de gênero, e, ainda assim, confrontou toda a dinâmica da sociedade oitocentista fundada numa estrutura de poder e dominação”, frisou o desembargador no texto oficial.

O ofício requer a inserção do nome de Maria Firmina dos Reis no Panteão da Pátria, no Livro dos Heróis e Heroínas nacionais, nos moldes da Lei Federal nº 11.597, de 29 de novembro de 2007, como homenagem à comemoração dos seus 201 anos de nascimento, a se completarem em 11 de março de 2023.

A medida promove o combate ao racismo e fortalece a equidade racial, uma vez que dá visibilidade e faz referência positiva a história de uma mulher negra como Maria Firmina dos Reis, criadora da primeira escola mista do Brasil e autora da obra literária, Úrsula, lançada em 1857, o primeiro romance abolicionista de autoria feminina e o primeiro romance publicado por uma mulher negra na América Latina.

Maria Firmina dos Reis foi uma mulher negra, nascida livre e filha de ex-escrava. Vanguardista, foi uma mulher que sobressaltou a seu tempo, apresentando avanços quanto a posição da mulher no espaço público e denunciou preconceitos, violências e teceu duras críticas à escravidão do negro africano e ao excessivo poder patriarcal.

Através de sua escrita, coube a Maria Firmina Reis sugerir um lugar de sujeito, voz, possuidor de sentimentos, memórias e existência histórica à população negra.

Ela é patrona da Academia de Letras da cidade de São Luís. Em sua homenagem a data de seu nascimento foi instituída como Dia da Mulher Maranhense (11 de março), conforme Lei Estadual nº 10.763/2017. Em novembro de 2022, a Universidade Federal do Maranhão concedeu o título de Doutora “Honoris Causa”.

Greve dos professores. Cumpra-se a lei, mas nem tanto

É preciso voltar no tempo para entender que a Via Crucis dos professores não começou no ano passado e que o SINPROESSEMA já faz alguns anos que é um braço aparelhado do governo aceitando calado o não cumprimento da lei 11.738 desde o inicio do governo Flávio Dino e continua não cumprindo com Brandão, veja os fatos:

Em 2016 o MEC estipulou o aumento em 13,01% mas o governo Flávio Dino passou por cima da lei e não deu nada de reajuste. Em 2017 o MEC reajustou o piso em 7,64%, mas o governo mais vez não aplicou no vencimento e malandramente aumentou a GAM que era de 104% e passou para 120%, resultado a categoria em vez de ter um aumento real teve uma pequena perda na sua remuneração. Em 2018 o aumento foi de 6,81% e o governo o que fez? Deu 3,40% em março e 3,40% em junho, sendo que a lei é clara e diz que o reajuste deve ser em janeiro e sequer pagou os retroativos, está claro que o governo não gosta muito de cumprir o que diz a lei. Em 2019 o MEC estipulou o aumento em 4,17% e o governo mais uma vez ignorou a lei e não repassou o aumento. Em 2020 o aumento foi de 12,84% e governo como de costume não cumpriu a lei e deu apenas 5% de aumento para a categoria. 2021 foi o ano da pandemia e por isso não teve aumento da categoria. Em 2022 o MEC estipulou 33,24% e o governo como de praxe pagou 8% dividido de duas vezes sem pagar os retroativos. O que fez o SINPROESSEMA na época? Nada, apenas fechou os olhos.

Ano passado o governo do Maranhão tratou o aumento dado por Bolsonaro como estratégia eleitoral, mas não teve como evitar o desgaste que colocou em xeque o discurso que pagava o maior piso para profissionais da educação do Brasil. Os professores reivindicaram praticamente sozinhos em redes sócias o cumprimento da lei nacional, mas o SINPROESSEMA sequer cogitou a possibilidade de greve unificada em todos esses anos da categoria. Alguém sabe o motivo?

Bom, durante o calor das declarações assistimos uma série de contracheques de membros do sindicato vazados expondo o aparelhamento da entidade junto ao governo e para estampar de vez o carimbo governista o presidente Raimundo Oliveira se candidatou a deputado estadual com a promessa dos leões engajarem na sua campanha, pratica comum na entidade através dos anos por sinal.

O que já era um problema para o Estado cumprir a lei do piso ficou ainda pior em 2023. Em cumprimento a lei 11.738 o MEC reajustou em 14,95% o salário dos professores e o valor passou a ser R$ 4.420,55 e com as frustações eleitorais não superadas, a perda de cargos no governo Brandão o SINPROESSEMA resolveu acordar e foi pra cima do governo, mas com um detalhe, o sindicato está rachado, depois do corpo mole e do fracasso nas urnas ano passado, Raimundo Oliveira teve as atenções divididas com o professor Antonisio Furtado que passou a ter a simpatia da classe.

Agora vamos entrar na polêmica discussão do que é o piso salarial. É preciso deixar claro que já há um entendimento jurídico nacional que o vencimento deve ser considerado o piso, mas o governo do Maranhão insiste que não, para ele o piso é vencimento mais a GAM, gratificação de atividade do magistério.

Para o leitor entender melhor vamos explicar o que é GAM.

A Gratificação de Atividade de Magistério foi criada pela lei 9860 em 2013no governo Roseana Sarney, o seu objetivo era estabelecer critérios para o desenvolvimento na carreira do magistério com foco na melhoria continua do processo de ensino e aprendizagem. Ou seja, a GAM surgiu como um mecanismo de incentivo ao profissional da educação e nela estão vários critérios de progressão na carreira para que o professor tenha motivação durante o seu período letivo, como tempo de serviço e titulações.  Em outras palavras, quando qualquer trabalhador recebe uma gratificação é uma espécie de recompensa além do salario que já recebe por seu empenho na sua atividade.

O professor recebe acima do piso nacional no Maranhão?

Sim recebe, somando o vencimento com a GAM os professores recebem a sua remuneração acima do piso nacional, porém com outras gratificações como vale transporte, auxílio alimentação e gratificação por tempo integral para professores de 40 horas. Ou seja jogam tudo no bolo e improvisam essa receita. Um detalhe importante, qualquer outra gratificação e progressão leva em conta apenas o vencimento e não o somatório gam mais o  vencimento.

Mas então por que a reclamação da categoria e a greve?

Os professores alegam e com razão que existe uma fragilidade jurídica muito grande em relação à incorporação da GAM como remuneração total pelo seu trabalho. O governo usa o argumento de que não tem risco porque os inativos continuam recebendo a gratificação e consideram uma garantia legal. Mas não é tão simples assim, na verdade, essa gratificação pode ser facilmente mudada ou até mesmo extinta por um simples projeto de lei encaminhado a Assembleia Legislativa por ser uma lei estadual e em tempos de unidade sem oposição então nem se fala.

E o que os professores querem?

Os professores não querem aumento, eles querem o cumprimento da lei nacional do piso, mesmo que para isso se reduza o percentual da GAM para que tenham garantias reais que sua remuneração fique assegurada em lei. Além disso, a classe exige transparência na aplicação dos recursos do FUNDEB e é fato que o governo não tem sido nada transparente nesse quesito, vale ressaltar também que ele tem usado esse recurso federal para o pagamento da GAM, o que é proibido por lei, mas será que os governantes se preocupam com a lei no Maranhão? Já faz algum tempo que não.

Outro dado alarmante é que o governo vem segurando as aposentadorias dos professores que já atingiram seu tempo de serviço para continuarem pagando seus vencimentos com recurso do FUNDEB, além de também usar esses recursos para pagar os aposentados da educação que pela lei deveria ser pagos com recursos do FEPA que foi extinto e virou o IPREV.

Vocês lembram do FEPA não é? Aquele mesmo do escândalo que o governo utilizou os recursos dos aposentados para outros fins que ate hoje não se sabe qual foi, mas a solução mágica apareceu rápida, mudar o nome para IPREV e esquecer o rombo deixado para trás e não para por aí a malandragem estatal, além de usar os recursos do FUNDEB para pagar os aposentados que deveriam ser pagos com o dinheiro que contribuíram a vida toda, deixando os aposentados ainda na ativa o governo continua arrecadando com o imposto descontado no contracheque dos professores, esse valor gira em torno de R$800,00 para os que se enquadram nas 40 horas semanais. Ou seja, estão ganhando dos dois lados.

Ainda sobre a lei 9860, ela é clara e instituiu que o governo tem obrigação de destinar 25% do que arrecada para a educação. Mas será que o governo cumpre lei mesmo? Então na LOA de 2023 aprovada por unanimidade na Assembleia, a previsão de arrecadação do Estado foi de aproximadamente 25 bilhões e por lei o Estado deveria repassar em torno de 6 bilhões e 200 milhões para a educação, mas por unanimidade os nobres deputados aprovaram um corte de 1 bilhão nessa verba, ou seja, nem quem faz as leis nesse Estado as cumpre, mas vamos bater palmas para o Maranhão unificado.

A justiça e a ilegalidade da greve.

É sempre delicado analisar o papel da justiça, mas tem um ditado que diz que ”da cabeça de juiz e bunda de neném, ninguém sabe o que vem”.

A lei 7.783 de 1989 que versa sobre greve é clara, para vocês terem uma ideia, a atividade de professor nem é considerada essencial, mas a justiça do Maranhão seguiu a narrativa do governo e interpretou que o vencimento mais a gratificação formam o piso e ponto final, estipulou multas e coagiu a classe passando por cima de uma lei nacional e mesmo sendo inconstitucional deu a decisão favorável ao governo, cumpra-se diz a canetada.

Ainda não sabemos o desfecho dessa queda de braço, porém o governo está longe do discurso de valorização da educação por dois motivos bem simples. Como pode um governo que se diz democrático não realizar concurso público para professores? Será que é republicano ficar fazendo seletivo para contratos e bolsistas? Onde está o discurso de campanha que prometem a cada eleição valorizar a categoria?

Outra questão moral é que inconcebível é deixar profissionais que da educação com salários atrasados como vem ocorrendo e em condições precárias de trabalho enquanto vai para redes sociais anunciar festas e mais festas milionárias torrando dinheiro público para satisfazer o ego de políticos populistas e popularescos. Sinceramente não cola.

Enquanto isso a claque aparelhada aplaude o discurso que somos os maiores e melhores em tudo, mas na realidade somos apenas um dos estados mais pobres da federação cercada de coronelismos por todos os lados.

Page 20 of 33