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Notícias, anaálises e opiniões sobre política, cultura e outros temas

Nem Jornal, Nicolau e nem Mical seguram o carnaval

Está em curso no Maranhão, um grande plano de unidade institucional. A classe politica, o judiciário, o ministério público e é claro, a imprensa, que não poderia ficar de fora desse grande “blocão”. Porém, mais uma vez faltou a fantasia para o povo entrar no camarote.

Num passado recente, o Brasil ficou escandalizado com a frase do ex-ministro do meio ambiente Ricardo Sales dita numa reunião ministerial “que era preciso aproveitar que a imprensa estava voltada para a Covid passar a boiada para as reformas infralegais.” A indignação foi geral, a imprensa então foi pra cima do ex-ministro com gosto de gás. A classe politica que estava na oposição na época fez festa, foi um festival de cards no instagram condenando a fala. Merecidos por sinal.

Vários atos infralegais foram cometidos por Ricardo Sales, como a liberação do garimpo em terras indígenas que só vieram a tona porque no âmbito federal é praticamente impossível ter uma unidade total,  a não ser em ditaduras é claro.

Trazendo a discussão para o Maranhão temos alguns atos que podem facilmente ser considerado infralegais e que pelo visto não chocam nem a classe politica e muito menos boa parte da imprensa, que além de mascarar, acaba contribuindo para normalizar tais atos.

Um desses exemplos é o caso claro de nepotismo no governo do Estado onde o sobrinho do governador Daniel Brandão foi nomeado para o cargo de secretário de monitoramento de ações governamentais. A súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal aprovada por unanimidade veda a contratação de parentes até terceiro grau em cargos de confiança que está proibida nos três poderes, nas esferas federal, estadual e municipal. Apesar de ser uma decisão máxima do STF do implacável Alexandre de Moraes, por aqui fizeram de conta que não sabiam e ignoraram, nem a classe politica, nem o ministério público e muito menos a “imprensa”, salvo alguns poucos jornalistas é claro.

Essa semana outro ato que também pode ser considerado “infralegal foi normalizado, a indicação do mesmo Daniel Brandão para ingressar no Tribunal de Contas do Estado, basicamente, o sobrinho vai fiscalizar o governo do Tio, melhor impossível. Como prêmio, um salário vitalício aos 37 anos de idade. Nada mal, não é verdade?

Procurei manchetes condenando essa indicação em veículos de imprensa que foram pra cima Ricardo Sales na época, mas não encontrei praticamente nada, salvo poucas exceções é claro. O que encontrei foi a normalização alegando que a indicação não teve influência do executivo e sim uma decisão com autonomia da assembleia, essa mesma assembleia que cassou o titulo de cidadão maranhense de Anderson Torres (que apoiou os atos de vandalismo em BSB), fechou os olhos para as imagens do sobrinho do governador na cena de um crime a luz do dia. Aliás, sobre esse caso, ninguém fala mais nada, assunto encerrado. Tudo em prol da unidade.

Essa unidade é tão junta que até a liberação, um dia antes da indicação do de Daniel Brandão para o TCE, de 300 mil Reais para cada deputado fazer carnaval em suas bases foi normalizada. Na badalada coletiva do governador não se ouviu um questionamento sequer sobre os municípios que não apoiaram os 42 deputados como teriam apoio verbas para fazer o carnaval? Será que elegemos parlamentares ou donos de “blocos” carnavalescos? Não sabemos por que a implacável imprensa maranhense não prestou atenção nesses detalhes, quer dizer acho que até sabemos a motivação, mas não é de bom tom opinar sobre as responsabilidades jornalísticas individuais. Nosso questionamento é sobre a imprensa em geral, da qual fazermos parte, por isso fazemos questão de deixar registradas aqui essas perguntas.

Essa unidade parece ser mesmo poderosa e tem acomodado todo mundo. Até o também implacável MP, que tem cancelado carnavais em cidades pelo maranhão alegando desperdício de dinheiro público, parece não ter feito a conta que o Estado vai gastar quase 13 milhões para os deputados gastarem da forma como querem nesse carnaval; desse jeito até a deputada Mical caiu na tentação da folia carnavalesca.

Enfim, como o período é de alegria, os blocos estão passando pela avenida, uns mais pobres, outros muito ricos, mas essa é uma festa de união que o povo fica fora dos camarotes. Ei, corre que chegou a hora do Grêmio Recreativo Unidos Pelo Maranhão desfilar; o enredo deste ano é  “nem Jornal, Nicolau e nem Mical seguram o carnaval”. Tragam a maisena, já tem água para lavar o rosto jorrando na passarela.

 

“Alguma coisa está fora da ordem mundial”

Tribunal de bar – Paralamas do Sucesso

Foi julgado, condenado, executado
Sem direito a apelação
Foi dissecado, comentado e açoitado
Pelas línguas no Leblon
Descontrolou-se porque algo estava errado
Mas ninguém deu atenção
E finalmente foi traído
E viu seu nome publicado num jornal
É o veneno que sai
É o veneno que sai
E te faz o pior entre os iguais
Nos tribunais de qualquer bar

 

O Maranhão é símbolo da miséria nacional, da fome, do crime, da desigualdade, do paternalismo, do coronelismo, de tudo que envergonha esta nação. Como bem disse o Caetano Veloso: “Eu não espero pelo dia/ Em que todos/ Os homens concordem/ Alguma coisa está fora da ordem mundial…” E não é só a questão dos Ianomamis. Em meio a algumas tentativas de moralizar gastos públicos, desde o ano passado alguns shows “produzidos”, principalmente, pelas municipalidades, a grandes custos, vêm sendo impedidos por iniciativa de um ou outro membro do Ministério Público.

Um trabalho de Sísifo. Entre tantas esquinas artificiais criadas para o rio passar, nesta semana que antecede o carnaval, o governador deu (DEU) R$ 300 000,00 (trezentos mil Reais) a cada um dos 42 deputados estaduais do Maranhão, para que estes “realizassem o carnaval em suas bases eleitorais”. Como assim?

Há alguns dias o Ministério Público pediu o bloqueio do dinheiro que seria gasto no carnaval de Imperatriz, que foi bloqueado pela primeira instância. Nesta segunda-feira (13) o Tribunal de Justiça decidiu por desbloquear o valor, que é de R$ 444.050,00. Porém, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, já disse que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça contra a decisão do TJ maranhense.

O valor é menos do que um deputado e meio vão receber para “fazer o carnaval de suas bases”.  Vai ter MP, vai ter TJ, vai ter STJ, vai ter TCE? Este último, certamente, vai ter, mas esta é outra história,

Enquanto isso, “Nada de novo há no rugir das tempestades”, as porteiras estão abertas e as boiadas estão passando e não tem volta, ainda que se roube, se corrompa, se mate e que se “transforme o pais inteiro num… “

Moto Club de repetidas tradições

Começo esse artigo citando uma das minhas referências na comunicação, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Em sua crônica semanal na revista Manchete Esportiva no dia 17 de dezembro de 1955 sob o título de “A conveniência de ser covarde” o autor de A Sombra das Chuteiras Imortais foi acompanhar uma partida entre o Olaria e o Fluminense na tradicional rua Bariri e disse o seguinte na época:

“via de regra, só o heroísmo é afirmativo, é descarado. O herói tem sempre uma desfaçatez única: — apresenta-se como se fosse a própria estátua equestre. Mas a covardia, não. A covardia acusa uma vergonha convulsiva”.

Dito isso, precisamos voltar um pouco no tempo para tentarmos entender o atual momento do Moto Club, mas precisamente ao final do ano de 2007, quando o deputado Antonio Bacelar assume a presidência do Moto. Percebam que há 15 anos o moto já repetia a formula de políticos “salvadores da pátria” para gerir um time de futebol. A imprensa na época vendia uma terra arrasada na gestão de Biné Borges, em virtude do mal campeonato e mesmo ele tem deixado no elenco nomes como Misael, Paulo César, Lenilson e Palito, não foi perdoado pela crônica esportiva.

Antonio Bacelar prometeu o que a torcida queria ouvir, mas não aguentou a pressão dos resultados na taça cidade de São Luis, ficou ausente e saiu meses depois usando a desculpa do mandato. Em seu lugar assumiu o Nelson Frota, que já era presidente do Conselho Deliberativo e segurou o clube pagando os salários, mas no final de outubro de 2008 deixa o clube depois de uma determinação sua ter sido desobedecida por um conselheiro e também pelo lamentável fato em que seu filho levou uma pedrada da torcida após um empate contra o rival que desclassificou o time no segundo turno. E observem bem, o time foi campeão do primeiro turno e acabou sagrando-se campeão naquele ano com Evandro Marques como gerente de futebol.

Mesmo sendo campeão, a imprensa continuava vendendo terra arrasada e encontrou no deputado Cleber Verde a esperança do momento para acabar com a carência de um político “salvador da pátria”. Como exemplo uma manchete da época dizia que acabou o drama rubro negro… Mas na verdade estava começando ali o nosso calvário.

O ano de 2009 foi trágico para o Moto.  Tivemos mais uma vez a ausência do presidente, Evandro Marques foi preterido por Cesar Castro no comando do futebol, o elenco totalmente modificado e contratações como Daniel Meneses, do uruguaio Larossa não surtiram efeito, nem mesmo Jack Jones e Marcinho foram capazes de evitar o rebaixamento, uma vergonha sem precedentes para a história do clube.

Ainda em 2009 houve uma tentativa desprezível de virada de mesa para o clube disputar a segunda divisão no mesmo ano que caiu, tal lambança ganhou repercussão nacional quando o Chapadinha entregou o jogo para o Viana no placar de 11 x 0, resultado que impediu o Moto de voltar a primeira divisão. Em 2010 apesar da ameaça do então presidente do conselho deliberativo Cursino Raposo de fechar as portas por falta de dinheiro, o moto conseguiu ser campeão da segundinha e voltar à elite do futebol maranhense, mas por pouco tempo.

No inicio 2012 tivemos uma junta governativa com Sarney Neto de presidente e Daniel Menezes de diretor de futebol, novamente a crise de salários atrasados, presidente ausente e conselho deliberativo omisso, praticamente uma repetição de erros do passado, o resultado foi mais uma vez o rebaixamento para série B do campeonato maranhense. Na sequencia veio a primeira presidente mulher na história do clube, Vera Baldez que tinha como Braço Direito Cleber Pereira, mas não conseguiu terminar o ano na direção do clube. Cleber Pereira abandonou o cargo de diretor de futebol e o time tecendo duras criticas ao conselho deliberativo e com o clube repleto de dívidas.

Em 2013 nenhum politico salvador da pátria quis assumir o time na segunda divisão e coube ao saudoso Roberto Fernandes à missão de colocar o Moto na primeira divisão novamente, mas passada a euforia veio a realidade da crise financeira e Roberto propõe a paralisação do clube devido ao baixo público nos estádios e a falta de patrocínios para continuar disputando o campeonato maranhense 2015.

Em 2016 Hans Nina assume e consegue ser campeão estadual e almejado acesso a serie  C, mas renunciou decepcionado com a torcida após ser derrotado nas urnas, mas pesou também a falta de receitas previstas para a temporada seguinte e as ameaças de penhoras por dividas das gestões anteriores.

Com a renúncia de Hans, em 2017 Celio Sergio assume, monta um bom time trazendo jogadores pedidos pela torcida, mas numa “interpretação equivocada” do regulamento pela FMF, o Moto fica fora das finais do campeonato. As cotas da copa do nordeste e copa do Brasil não foram suficientes para suportar a folha salarial mais alta dos últimos 10 anos, além das penhoras de dividas das gestões anteriores e no final da temporada o trágico rebaixamento para a série D. Daniel Meneses era o diretor de futebol e mais uma vez o fantasma do descenso bateu na sua porta.

Em 2018 esse que vos escreve assume o time e fica quatro anos a frente do clube e se torna o presidente que passou mais tempo no comando do clube nos últimos 20 anos. Foram quatro temporadas, sendo as últimas duas durante a pandemia que prejudicou vários times de futebol pelo Brasil, sem públicos nos estádios e falta de patrocínios com empresas sendo socorridas pelo governo federal para não quebrarem, mas mesmo assim cheguei a quatro finais consecutivas, sendo campeão em 2018, mantendo o calendário completo para time, mas a imprensa mais uma vez vendia a terra arrasada.

A história é um pouco longa para chegar até o momento atual, porem necessária para um melhor entendimento e questionamentos que precisam ser feitos.

 O primeiro deles é em qual mundo vivia o atual presidente que não conhecia o histórico do time que se meteu para gerenciar? No seu discurso estava a falácia de que tinha resolvido o problema do Socorrão e seria muito fácil encarar o Moto. Sobre o resolver o problema do velho hospital, é bom deixar claro que Yglesio, que por sinal é médico de profissão, ficou longe de resolver os problemas históricos do Djalma Marques, passou apenas sete meses na direção  sendo demitido pelo prefeito Edvaldo Holanda Junior, os legados de sua gestão foram apenas uma  vaquinha para arrecadar alimentos e outras polêmicas que não vale a pena nem citar. Agora me digam, tem possibilidade de alguém, por mais capaz que seja, resolver problemas crônicos de décadas em um hospital em sete meses? Pior que teve gente que acreditou nessa história. A imprensa esportiva então fez festa.

 Mas não podemos esquecer os conselheiros que o apoiaram, foram praticamente os mesmos de 15 anos atrás que sequer avaliaram suas bravatas e pasmem, ainda continuam acreditando na solução de um político “salvador da pátria”. Mas para alguns basta ter um mandato e mesmo nunca o deputado nunca ter ido torcer para o time no Nhozinho Santos, entregaram o destino de um clube de 84 anos de tradição para um aventureiro que com toda a sua arrogância, achou que resolveria os problemas de décadas do time passando por cima todos adotando um discurso de investimentos baixos no time para pagar em dia.

O resultado esta ai, o time dois anos sem calendário e de férias de suas atividades já em fevereiro, uma marca negativa difícil de ser superada na história do clube. Um prejuízo muito maior do que deixar dois meses de folhas salariais atrasadas. Ou seja, deixaram um calouro no futebol que jamais foi motense, que nunca jogou bola na vida, que estava por fora da realidade do futebol local tomar decisões sobre o futuro do clube sem o mínimo conhecimento de causa. Será que Yglésio errou sozinho mesmo? Com Certeza não.

Para o Moto resta juntar os cacos e resolver internamente o seu futuro. Os conselheiros mais antigos precisam reconhecer que já fizeram muito pelo clube em outros momentos, mas o modelo de governança precisa mudar. O Moto é um time que nasceu nas elites maranhenses e que sempre teve o poder concentrado em famílias tradicionais do estado, essa tradição foi quebrada algumas vezes a custo de embates internos prejudiciais as gestões que passaram pelo time. Porém não podemos responsabilizar somente alguns conselheiros ou presidentes que passaram ou que por ventura venham assumir. É necessário um amplo debate interno com torcedores e conselheiros para definir qual rumo seguir, é preciso inclusive repensar algumas formas de torcer onde copiar e normalizar ofensas e xingamentos em redes sociais como acontece nos grandes do futebol brasileiro não vai trazer uma solução, pelo contrário, nossa realidade é diferente, é preciso entender isso, além do mais, a história mostra que essas práticas já afastaram nomes como Nelson Frota e o próprio Hans, bons presidentes que contribuíram notadamente para o clube.

Esperamos que o prejuízo enorme a marca do clube causada pela gestão de Yglesio, repito, bem maior que duas folhas atrasadas, sirva de lição para mostrar que não existe “salvadores da pátria”, é necessário arregaçar as mangas e trabalhar pelo time de mãos dadas. Não da para ter a postura de atirar pedras e esconder a mão, não é admissível um poder concentrado na mão de conselheiros antigos para decidir quem é o presidente e depois do caldo derramado tirar o corpo fora, e ainda continuar insistindo no erro colocando políticos que caem de paraquedas buscando uma base eleitoral para se elegerem.

Precisamos virar essa página, como também é necessário entender que setores da imprensa não são amigos do clube, imprensa sobrevive de polêmicas e quer extrair o máximo que pode da rotina do time em busca de audiência, afinal todos sabem que noticias ruins vendem mais do que noticias boas. Sem falar a maioria dos nossos jornalistas esportivos já passaram de alguma forma pelo futebol futebol profissional como jogadores, dirigentes, assessores e nunca resolveram nada, mas mesmo assim falam como se fossem sumidades. Para piorar são influenciados pelo modelo de futebol dos grandes clubes e a comparação desleal com outras realidades induzem o torcedor a exigir muito mais de um futebol local, que por sinal esta bem longe dos grandes centros transformando os clubes como o Moto em uma grande panela de pressão tornando inviável a harmonia necessária entre clube e torcida.

Lembram-se da frase de Nelson Rodrigues no inicio do texto, pois bem, no começo todos chegam arvorados de coragem, mas na hora do “pega para capar” dentro de campo,  afinam e saem de cena, os que escolheram se encolhem e cabem aos que ficam segurar o veneno, futebol não é para qualquer um, muito menos para quem nunca jogou bola na vida.

Futebol, política e carnaval: a realidade que não queremos ver

Assistimos diariamente uma enxurrada de “noticias” sobre as coisas que acontecem e não acontecem no Maranhão.

Somos bombardeados diariamente por manchetes que destoam das imagens e fotografias, além de narrativas incoerentes que num passe de mágica querem transformar vantagens politicas pessoais em benefícios para a população, entre tantos exemplos.

Pegando um pouco da referência à mágica, lembram-se do grande Houdini? Começou a carreira fazendo pequenos truques, mas passou a ser confrontado com a realidade e teve que direcionar seu talento de ilusionista para o escapismo, se tonando um dos melhores do mundo até hoje em dia. Muitos não sabem, mas Houdini também ficou conhecido como flagelo dos falsos espiritas ao expor mágicos fraudulentos em sua época. Qualquer semelhança com o Mister M não é mera coincidência, lembram da voz do Cid Moreira anunciando o inimigo número 1 dos mágicos? Pois é, chega uma hora em que o milagre precisa ser revelado e exposto que não existe mágica, o máximo que pode acontecer são truques bem feitos que mascarem a verdade.

Mas será que o público não gosta mesmo de ser enganado? Para muitos é melhor viver com a esperança do que encarar a realidade, mesmo que seja distópica, infelizmente.

É justamente nesses lapsos que aparecem e crescem os “salvadores da pátria”. E quem dera que fossem o utópico Sassá Mutema da novela das oito, no nosso caso é melhor fugir do romance de Lauro Cesar Muniz e recorrer a uma passagem da obra original de Gonçalves Dias, I Juca Pirama.“ São rudes, severos, sedentos de glória, já prélios incitam e já cantam vitória”.

Como a vida sempre imitou a arte ou vice versa, estamos produzindo uma série de três artigos essa semana que antecede o carnaval onde vamos dar o nosso ponto de vista sobre a crise que assola o Moto Club, o Momento de unidade política do Maranhão e claro o nosso carnaval sem matéria prima, tipo importação.

Republicanos cresce no Maranhão e convida prefeito de São Luís para entrar no partido

As mudanças partidárias da política brasileira são apenas uma desconstrução das aparências. Vê-se uma mudança de caras, de figuras, preservam-se as atitudes, as posturas, os paradigmas, esses num viés sempre vesgo para os caminhos do desenvolvimento nacional, mas com os olhos arregalados para orçamentos secretos e etc.

Ano passado vimos os deputados Bira do Pindaré e Zé Carlos perderem os mandatos e Pastor Gil e Josivaldo JP Manterem. Perde o Maranhão, perde o legislativo. Outros se mantiveram e outros se perderam, uma maioria que não fede nem cheira.

Num desses cenários, terminando a semana, vimos no evento do Partido Republicanos, que muda de gente, mas não muda de cara, a confirmação do deputado Aluízio Mendes no comando do partido no Maranhão. O antigo “dono”, Cleber Verde, sequer foi escalado para compor a direção partidária. Gil Cutrin, que sequer se reelegeu, ficou na vice-presidência.

No evento que compôs a direção partidária maranhense, com a presença do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, ocorrido na sexta-feira (10), não faltou elogio para Mendes. Entre os presentes estavam a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que anda balançando no seu partido PSD, com a entrada da senadora Eliziane Gama, que, dizem, passará a comandar o partido de Kassab, no estado.

Não seja por isso, que em alto e bom som, Marcos Pereira convidou Braide para engrossar as fileiras do Republicanos, e fazer parte do partido de Eduardo Bolsonaro, onde até outro dia estavam, o governador Carlos Brandão (PSB) e o deputado Duarte Jr (PSB).

É fato que Aluízio Mendes alavancou o Republicanos, desde que assumiu a direção estadual. Atualmente o partido conta com dois deputados federais, uma deputada estadual, 43 prefeitos e 211 vereadores, isso se o deputado Cleber Verde permanecer, o que, ao que parece, não é prioridade nenhuma do partido.

“Todos a bordo, o comandante gritou”.

Última chamada para os inquilinos do poder se acomodarem em seus devidos lugares.

“Mas qual seria o rumo”? Gritou um marinheiro.

“Navegar a esmo, talvez seja a nossa sina”, foi a resposta do capitão.

Se nos guiarmos pela história, sempre assumimos uma postura de subordinação ao poder central brasileiro, foi assim na Colônia e no Império, época das Grandes Navegações, mas essa Dependência dura até hoje na dita “democracia” e deve durar muito ainda.

O problema continua sendo o rumo a seguir. A máquina administrativa do Estado ainda está a espera das definições políticas em Brasília para terminar de acomodar seus muitos aliados, e o mais impressionante, é a torcida em torno desses nomes em que as escolhas nunca mudaram a realidade da maioria da população maranhense, a não ser é claro dos “teams leaders” que sempre rondam o poder.

A sucessão de problemas começa na falta de planejamento em todas as esferas de poder, seja na câmara municipal onde a LOA é aprovada praticamente sem discussão, onde o debate acabou sendo sobre o pagamento das emendas impositivas, ou na Assembleia Legislativa onde os parlamentares estavam mais preocupados com a composição dos cargos da mesa e o aumento de salários, de brinde, o tradicional “rachid abdalla” dos 151 milhões para as emendas impositivas.

E se havia otimismo para o ano legislativo de 2023, não começamos bem. Tivemos a “maldição” da Mical para os colegas que apresentarem leis que ela julga ser contra Deus e também do deputado de neo-bolsonarista Yglésio Moíses, que numa espécie de rompante binário apresentou um projeto de lei para que o sexo biológico determine o gênero dos atletas profissionais. Fico imaginando como isso influenciaria no campeonato profissional de xadrex? E a confusão que seria no queimado (risos)? Pelo menos ele deve ficar livre da “maldição” da Mical.  De produtivo mesmo, somente o deputado Carlos Lula que propôs um projeto de lei para instituir a política estadual da primeira infância.

No executivo, ninguém ouve falar mais no badalado Maranhão 2050, alardeado na campanha, o plano traria um direcionamento através de projetos técnicos importantes para o Estado. Enquanto isso, assistimos complacentemente a disputa da classe política para quem pega os melhores cargos federais e estaduais, nessas horas pouco importa a esquerda ou a direita do discurso, o importante mesmo é a narrativa de união de todos em prol de um Maranhão melhor, as melhores intenções e  os melhores quadros que são empurrados por osmose. Se não der certo, não nos preocupemos, todo mundo esquece depois, tipo um trecho de uma música dos titãs, “ o gênio de última hora é o idiota do ano seguinte, o último novo rico é o mais novo pedinte”.

Para retratar o papel da população vamos voltar à analogia do mar e as ondas revoltosas como as do boqueirão. Tem uma cena do filme Piratas do Caribe que é genial: dois piratas moribundos dividindo um bote salva vidas depois de um naufrágio, uma sereia aparece e um deles fica encantado, então o outro avisa, se você se deixar levar pelo canto dela vai morrer, então ele mergulha e fala que é melhor ter um minuto de felicidade e morrer ouvindo o canto de uma mulher bonita do que ficar remando no oceano.

A moral da história fica por conta da imaginação de vocês.

Maranhão apresenta Índice Nacional da Construção Civil mais alto do nordeste, em janeiro

O Maranhão marca o maior alta do nordeste no Índice Nacional da Construção Civil. A média nacional ficou em 0,31% em janeiro, o Maranhão marcou o dobro, ficando com 0,62% de alta.

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) apresentou variação de 0,31% em janeiro, ficando 0,23 ponto percentual acima da taxa de dezembro de 2022 (0,08%). Em relação a janeiro de 2022 (0,72%), a taxa foi menor em 0,41 ponto percentual. Os últimos doze meses foram para 10,45%, resultado próximo aos 10,90% registrados nos doze meses imediatamente anteriores.

custo nacional da construção, por metro quadrado, que em dezembro fechou em R$ 1.679,25, passou em janeiro para R$ 1.684,45, sendo R$ 1.000,94 relativos aos materiais e R$ 683,51 à mão de obra.

Em janeiro, a parcela dos materiais apresentou variação de -0,03%, iniciando o ano com queda de 0,1 ponto percentual em relação a dezembro do ano anterior (0,07%). Vale ressaltar que a última taxa negativa observada nesse segmento foi em dezembro de 2019 (-0,13%). Considerando o índice de janeiro de 2022 (0,63%), houve queda de 0,66 ponto percentual.

Já a mão de obra, com taxa de 0,81%, impulsionada pelo reajuste no valor do salário-mínimo, registrou aumento de 0,73 ponto percentual em relação a dezembro do ano passado (0,08%). Com relação a janeiro de 2022, houve queda de 0,06 ponto percentual (0,87%).

O resultado acumulado dos últimos doze meses ficou em 9,30% na parcela dos materiais e 12,11% na parcela da mão de obra.

Região Norte registra maior variação mensal no primeiro mês do ano

A Região Norte, com alta em 5 dos seus 7 estados, destacando-se Amazonas (1,07%) e Tocantins (1,04%), ficou com a maior variação regional em janeiro, 0,71%. As demais regiões apresentaram os seguintes resultados: 0,03% (Nordeste), 0,54% (Sudeste), 0,00% (Sul) e 0,25% (Centro-Oeste).

Em janeiro, Minas Gerais registra a maior alta

Com reajuste observado nas categorias profissionais, Minas Gerais foi o estado que registrou a maior taxa no primeiro mês do ano, 1,99%.

SINAPI – Janeiro de 2023

COM desoneração da folha de pagamento

de empresas do setor da construção civil

CUSTOS NÚMEROS VARIAÇÕES PERCENTUAIS
ÁREAS GEOGRÁFICAS MÉDIOS ÍNDICES
R$/m2 JUN/94=100 MENSAL NO ANO 12 MESES
BRASIL  1684,45 843,21 0,31 0,31 10,45
REGIÃO NORTE  1709,77 851,89 0,71 0,71 12,11
Rondonia 1754,44 978,39 0,13 0,13 15,88
Acre 1802,17 956,29 0,11 0,11 10,58
Amazonas 1696,73 830,64 1,07 1,07 15,00
Roraima 1774,10 736,88 -0,30 -0,30 12,26
Para 1696,38 813,43 0,89 0,89 10,47
Amapa 1613,00 783,46 -0,10 -0,10 12,23
Tocantins 1756,15 923,33 1,04 1,04 10,66
REGIÃO NORDESTE  1561,05 843,05 0,03 0,03 8,91
Maranhão 1584,41 834,80 0,62 0,62 9,75
Piaui 1548,32 1029,03 0,03 0,03 8,21
Ceara 1543,51 891,64 0,00 0,00 8,90
Rio Grande do Norte 1548,15 780,28 0,36 0,36 15,72
Paraiba 1590,33 879,37 -0,07 -0,07 9,98
Pernambuco 1549,60 828,44 -0,09 -0,09 11,84
Alagoas 1509,33 753,98 0,23 0,23 6,42
Sergipe 1484,27 788,67 0,58 0,58 9,69
Bahia 1581,54 837,25 -0,28 -0,28 5,92
REGIÃO SUDESTE  1744,44 835,05 0,54 0,54 10,40
Minas Gerais 1641,33 903,20 1,99 1,99 11,43
Espirito Santo 1534,67 851,33 -0,62 -0,62 7,90
Rio de Janeiro 1839,93 838,48 0,10 0,10 9,24
São Paulo 1785,10 806,21 0,02 0,02 10,51
REGIÃO SUL  1761,86 842,62 0,00 0,00 10,13
Parana 1736,43 830,34 0,09 0,09 10,16
Santa Catarina 1905,86 1032,00 -0,05 -0,05 10,84
Rio Grande do Sul 1665,77 755,97 -0,12 -0,12 9,23
REGIÃO CENTRO-OESTE 1727,02 881,66 0,25 0,25 13,98
Mato Grosso do Sul 1678,87 789,69 0,31 0,31 11,80
Mato Grosso 1770,23 1009,79 -0,02 -0,02 19,69
Goias 1688,83 891,97 0,91 0,91 12,27
Distrito Federal 1755,54 775,21 -0,30 -0,30 10,48

SINAPI – Janeiro de 2023

SEM desoneração da folha de pagamento

de empresas do setor da construção civil

CUSTOS NÚMEROS VARIAÇÕES PERCENTUAIS
ÁREAS GEOGRÁFICAS MÉDIOS ÍNDICES
R$/m2 JUN/94=100 MENSAL NO ANO 12 MESES
BRASIL  1789,58 895,08 0,34 0,34 10,52
REGIÃO NORTE  1807,28 900,59 0,68 0,68 12,02
Rondonia 1856,34 1035,01 0,09 0,09 15,65
Acre 1898,99 1008,06 0,17 0,17 10,25
Amazonas 1792,63 877,89 1,01 1,01 14,85
Roraima 1883,42 782,13 -0,29 -0,29 12,11
Para 1793,10 859,47 0,84 0,84 10,46
Amapa 1706,93 829,08 -0,07 -0,07 12,10
Tocantins 1856,28 976,23 1,08 1,08 10,77
REGIÃO NORDESTE  1652,89 892,88 0,07 0,07 8,99
Maranhão 1676,98 883,70 0,60 0,60 9,75
Piaui 1638,83 1088,87 0,11 0,11 7,99
Ceara 1632,09 942,25 0,06 0,06 8,96
Rio Grande do Norte 1637,69 825,32 0,38 0,38 15,71
Paraiba 1684,41 931,32 -0,06 -0,06 9,93
Pernambuco 1640,06 876,97 -0,08 -0,08 11,89
Alagoas 1599,91 799,57 0,30 0,30 6,68
Sergipe 1568,54 833,65 0,66 0,66 9,91
Bahia 1676,91 886,83 -0,21 -0,21 6,09
REGIÃO SUDESTE  1858,80 889,28 0,59 0,59 10,59
Minas Gerais 1740,77 957,66 2,23 2,23 11,83
Espirito Santo 1626,97 902,50 -0,60 -0,60 7,94
Rio de Janeiro 1963,93 895,58 0,11 0,11 9,25
São Paulo 1906,32 860,99 -0,01 -0,01 10,70
REGIÃO SUL  1880,52 899,14 0,00 0,00 10,25
Parana 1856,68 887,74 0,09 0,09 10,39
Santa Catarina 2038,71 1104,21 -0,04 -0,04 10,73
Rio Grande do Sul 1768,08 802,55 -0,11 -0,11 9,45
REGIÃO CENTRO-OESTE 1828,36 933,35 0,27 0,27 13,98
Mato Grosso do Sul 1776,15 834,77 0,30 0,30 11,75
Mato Grosso 1872,16 1068,09 0,02 0,02 19,66
Goias 1790,14 944,84 0,92 0,92 12,27
Distrito Federal 1858,95 821,16 -0,29 -0,29 10,61

Fonte: IBGE

Ser policial no Brasil é para os fracos. O negócio é ser nos EUA…Nem que seja fake

O senador Marcos do Val (PODEMOS-ES), notório não por seu protagonismo nos debates mais relevantes da política nacional, mas por ser um grande, enorme, propagador de fake News e outras patacoadas da extrema-direita brasileira, aprontou mais uma das suas nos últimos dias, dizendo, desdizendo, não-dizendo, que o ex-presidente de triste memória o teria “coagido” (palavras dele) a gravar uma suposta conversa comprometedora com o presidente do TSE, Alexandre de Moraes.

É público e notório que do Val foi catapultado para a política pela onda bolsonarista, mas antes disso ele já fazia sucesso na TV e nas redes sociais como um brasileiro “instrutor da SWAT”. Fardado e tudo. Ele ganhou projeção, em 2008, quando apareceu no Fantástico, na condição de especialista em sequestros, criticando o desempenho das Forças de Segurança do Estado de São Paulo em relação ao caso Eloá. Daí em diante ele virou figurinha fácil em diversos programas de TV e virou até capa de livro.

Acontece que, segundo matéria publicada no portal Forum (no final haverá uma lista de links úteis), Marcos do Val nunca foi policial na vida. Tampouco integrante da SWAT ou “especialista em sequestro”. Se muito, foi “instrutor de imobilização” de um curso terceirizado e oferecido para policiais do Texas, nos Estados Unidos.

Em 2014 ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão um “Seminário Internacional de Segurança Pública”. Diversas autoridades participaram do evento que em termos práticos não teve nenhuma relevância para as discussões em torno do avanço da criminalidade violenta em nosso estado. Porém, o ponto alto do evento foi a “palestra” (parecia mais um coach) de um sujeito chamado Marcos Bonfim (imigrante brasileiro nos Estados Unidos), que se apresentou como chefe do departamento de polícia da cidade de King, na Carolina do Norte (EUA). Eu, assim como muitos outros, tietei o chief Bonfim. Até tirei uma foto com o sujeito.

Eis que ontem me deparei com uma matéria antiga, publicada em 07/11/2018, no portal “O Tempo”, intitulada “BRASILEIRO RADICADO NOS EUA SE CANDIDATA A SECRETÁRIO DE SEGURANÇA E CAUSA MAL-ESTAR”. Ao ler a matéria lembrei do dito chief e da presença dele em São Luís e resolvi buscar maiores informações. Foi, então, que encontrei outras matérias sobre ele. Mas, a maioria falava de uma acusação que ele vinha sofrendo de não ser policial coisa nenhuma e sim funcionário de uma empresa de segurança privada. Em suas redes sociais o “chief Bonfim” dá palestras, dicas e orientações sobre procedimentos e rotinas de policiamento praticados pelas polícias norte-americanas. Até aí, tudo bem!! O problema é ele se apresentar como oficial de polícia.

Desconfiado dessa situação toda decidi fazer o que um pesquisador faz. Busquei as fontes primárias a partir de algumas informações sobre qual departamento de polícia ele dizia ser. Primeiro entrei em contato via Messenger com o Depto. de polícia de King (NC) e perguntei se ele era policial naquele departamento. A resposta foi que não. Depois, eu li uma matéria sobre o fato dele ter sido flagrado colando no teste no Depto. de polícia de Charlotte-Macklenburg e por isso foi expulso. Resolvi entrar em contato também com este Depto. de polícia e a resposta foi a mesma.

Moral da História. O sujeito veio pra São Luís com tudo pago, deve ter recebido um cachê gordo; chegou todo uniformizado e tirou onda de tira americano e passou a perna em todo mundo. E eu de besta ainda me iludi achando que estava “crente e abafando”.

A atração que diversos segmentos da sociedade brasileira possuem em relação às forças policiais de países como a Europa e os Estados Unidos é compreensível, especialmente quando tais forças são bem sucedidas no combate à violência e ao crime em suas mais diversas modalidades. Eu diria até que a circulação transnacional de saberes e práticas de policiamento, o fluxo global de técnicas investigativas, métodos de identificação de criminosos, procedimentos policiais preventivos e ostensivos, são essenciais para a melhoria do desempenho das forças policiais brasileiras e das ações de segurança pública. Sobretudo em relação à diminuição da letalidade policial e no aumento dos índices de resolutividade dos homicídios. Desde que não seja uma mera transferência de modelos de um centro produtor para uma periferia receptora.

O problema é quando esse fascínio é cego e burro, se limitando a motivações entusiasmadas modernizantes de uma elite burocrática policial ou de uma multidão que clama por medidas excessivamente punitivistas e que se restringe a copiar modelos de outros países, correndo o risco, muitas vezes de cairmos na esparrela dos “do Val e chief Bonfim” da vida.

Por Paulo Henrique Matos de Jesus

(Doutorando e mestre em História; pesquisador em História Social do Crime, Polícia e Segurança Pública)

 

Links úteis:

https://www.otempo.com.br/politica/aparte/brasileiro-radicado-nos-eua-se-candidata-a-secretario-de-seguranca-e-causa-mal-estar-1.2064714

https://fenapef.org.br/45537/
https://www.braziliantimes.com/comunidade-brasileira/2019/12/30/apos-acusacao-de-ser-falso-policial-marcos-bonfim-denuncia-jones-sathler-ao-ice.html

https://www.google.com/amp/s/www.acheiusa.com/Noticia/erramos-homem-que-pede-boicote-ao-brasil-nao-e-chefe-do-king-police-department-16869/amp/

A ditadura do discurso unificado

“Desde os primórdios até hoje em dia, o homem ainda o faz o que o macaco fazia” já lembravam os Titãs tempos atrás.

Pode até parecer piegas citar a letra de uma música num texto, mas é preciso levar em conta que fomos doutrinados a confiar na história, não só a dos registros “oficiais”, que por sinal, já foram comprovadamente editadas e reeditadas de acordo com a conveniência do poder. Mas o guarda-chuva nunca é muito grande, os manuscritos originais acabam vazando e por mais que os escribas “oficiais” tentem sustentar o discurso do rei, a plebe sempre descobre uma forma de ficar sabendo as reais intenções dos acordos celebrados na corte.

Trazendo a discussão para a província local, bem antes de a imprensa existir por essas terras, já era obsessão da elite o controle do que era comentado e conversado nas rodas da época. Mas em 1821, finalmente o governador maranhense, o marechal português Bernardo da Silveira, importou uma prensa de Londres e assim estava fundado o primeiro jornal impresso maranhense, O Conciliador. Na realidade o impresso servia apenas para reproduzir o discurso da coroa portuguesa no auge dos debates pela independência, tanto é que foi fechado assim que as tropas fiéis a Dom Pedro tomaram São Luís. Exaltado e celebrado como primeiro jornal da nossa história, talvez o maior “legado” do Conciliador, o breve, tenha sido criar um estilo jornalístico que sobrevive até hoje, a subserviência e sustentação ao poder vigente.

Avançando um pouco mais no tempo, mais precisamente em 1965, ano considerado o marco temporal da “queda” do vitorinismo no Maranhão, os registros oficiais mostram um movimento ideológico de renovação capitaneado pelo jovem José Sarney, que sob um pano de fundo chamado “oposições coligadas” pregava o fim de práticas coronelistas no Estado. Hoje a história mostra que tudo não passou de um mero discurso e na realidade, após o golpe de 1964 os militares tiraram o poder do velho Vitorino, que ficou do lado de João Goulart, deposto pelo regime de militar. Em represália, os milicos apoiaram o jovem Sarney, que foi eleito governador em 1965. Com a chegada do AI5, o então governador maranhense, foi para Aliança Renovadora Nacional, partido de sustentação dos militares, ficando por 20 anos na legenda.

A imprensa maranhense, é claro, fez sua parte e embarcou nessa nova roupagem sustentando a narrativa de um “Maranhão Novo”, livre do coronelismo, o Maranhão do libertador do povo, o Maranhão de José Sarney. Mas por ironia do destino décadas depois, o já velho oligarca acabou sendo vitima da mesma estratégia e assistiu a repetição do seu discurso personificado por Flávio Dino, que também chegou ao poder prometendo acabar com velhas práticas e apesar de ter feito um bom governo, ficou distante das promessas feitas das janelas do Palácio dos Leões. Qualquer semelhança com a posse de Sarney em 1966 é mera coincidência, a não ser por um profético Glauber Rocha que registrou imagens que fatalmente seriam o testemunho da realidade do Maranhão do passado, presente e futuro, além dos discursos.

No governo Geisel (1974 – 1979) os militares já começam a fazer a abertura, segundo eles, “lenta, gradual e segura”, mas não foi bem assim também. Em 1978 o AI5 é revogado, em 1979 é assinada a lei da anistia, em 1982 temos eleições diretas em todos os estados brasileiros. Podemos dizer que as eleições para presidente seria o passo seguinte e que os comícios com a grife “diretas já” foram a cereja do bolo para todos aparecerem bem na foto da novo Brasil, e quem estava no palanque encerrando com festa um período obscuro da história brasileira e tentando também enterrar os fantasmas do passado? O futuro presidente do Brasil na abertura.

Se prestássemos mais atenção na história perceberíamos a repetição de práticas politicas no Brasil e por tabela no Maranhão. Do interventor de Vitorino Freire ao Interventor de Flávio Dino, os personagens quando não são os mesmos, são os filhos dos mesmos, parentes dos mesmos, prepostos dos mesmos, seja na política, na imprensa ou na sociedade.

Hoje e mais uma vez estamos assistindo a tentativa de implantar um discurso único e pacificado no Maranhão. Um estado sem oposição com bombeiros e escribas prontos para esfriarem qualquer indício de rebelião. Fica a pergunta, por que dessa vez pode dar certo? Vamos tentar de novo, afinal é carnaval e pouco importa o lado certo da história.

Executivo & Legislativo ou Executivo X Legislativo? A população ainda existe

Se pousarmos o olhar sobre as duas casas legislativas, a Câmara de Vereadores de São Luís e a Assembleia Legislativa do Maranhão, teremos a necessidade de sombrear a testa, de cerrar os olhos, de desconfiar, de questionar como andam as relações nessas “casas do povo” em busca de alguma compreensão.

Vivemos duas realidades estranhas. Esse é o nome. Estranho é aquilo que não devia ser, que se apresenta distorcido, indefinível. E como se trata de uma situação pública (ou pelo menos devia ser), essa estranheza, essa indefinição, se torna mais preocupante. Lembrando que entre outras, a função das duas casas legislativas é fiscalizar os executivos, apreciar as demandas desses e fazer a ligação deles com a população: as assembleias são a casa do povo!

Apesar de o prefeito Eduardo Braide (PSD) ter comparecido na manhã desta segunda-feira (06) à abertura dos trabalhos da Câmara Municipal, o clima entre executivo e legislativo municipais continua azedo, e cada vez mais; a ponto de, sequer, a prefeitura ter um líder na casa, cargo abandonado pelo vereador Raimundo Penha (PDT) ainda no ano passado. E cargo que ninguém se mostra interessado em ocupar.

Na assembleia legislativa se dá ao contrário. Parece que o chefe da casa é o govenador Carlos Brandão (PSB) e não da sua presidente, Iracema Vale (PSB). O que se vê é o governador apaziguando todas as quimeras ali geradas. Foi ele, por exemplo, quem definiu quem presidiria a casa e até quem seria o vice, resolvendo contenda dentro até do partido alheio (caso entre Ana do Gás e Rodrigo Lago, os dois do PC do B).

Agora é a vez da formação das comissões permanentes, sendo a Comissão de Constituição e Justiça a mais importante e mais cobiçada. Coincidentemente, o nome mais forte para ocupar a presidência da CCJ é o deputado Carlos Lula (PSB), do partido de Brandão. Dizem que Lula foi rifado na composição da mesa, e que a presidência da CCJ seria uma compensação.

Então é só coincidência mais um cargo no controle do grupo do governo. Só lembrando que a ALEMA deveria ser um contrapeso nas ações do governo, um fiscal; mas aí fica que nem flanelinha, que recebe um troco e diz que foi o caminhão de lixo que amassou o carro? Ou não?

Uma das coisas recentes mais chocantes, e que ficou no vento, como poeira ordinária, foi a declaração dos ex-ministro do meio ambiente de Bolsonaro, eleito deputado federal Ricardo Sales, com a história de “aproveitar pra passar a boiada”, sobre toda a legalidade e toda a moralidade. Por isso hoje mais de cinco mil garimpeiros estão na Terra Ianomâmi e os indígenas morrendo a toque de boiada passando a porteira.

O que move o mundo democrático é o desequilíbrio, sob a busca do equilíbrio. Nenhuma ordem pode ser inquestionável, nenhum pensamento, nenhuma ação, nem pro bem, nem pro mal a despeito de subir um odor de totalitarismo. É bom a imprensa (é isso mesmo, a imprensa… ah… sei, a imprensa) e os reguladores sociais (?) abrirem o olho. O embate entre executivo e legislativo é saudável, desejável, e imprescindível. E que haja acordos e desacordos. Tudo em prol da democracia, do republicanismo e da população (isso mesmo, ela ainda existe).

Vamos discutir, vamos discordar. Até por que, como disse Nelson Rodrigues “Toda unanimidade é burra”. Ou será que agora a unanimidade tem outro nome?

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